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Viva a heroica resistencia camponesa de Corumbiara!

Desde junho do ano passado o povo brasileiro, em especial a nossa juventude combatente se levantou em milhões contra as péssimas condições dos serviços públicos, como saúde, educação, moradia, transporte, etc. Se levantou contra o desemprego e a carestia do custo de vida. Se levantou contra os absurdos gastos com a Copa da FIFA e contra a violência policial. Este ano veremos novamente nosso povo e nossa heroica juventude se levantar contra a farsa das eleições, desmascarando ainda mais toda esta falsa democracia em que vivemos, que é democracia para os ricos e ditadura para os pobres.”

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Escrito por LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

15 Agosto 2014, Facebook

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O dia 9 de agosto de 1995 entrou para a história. O mundo inteiro sabe que neste dia, 19 anos atrás, ocorreu um dos maiores massacres de camponeses no Brasil. Pistoleiros e policiais militares invadiram o acampamento de madrugada e deram início ao terror. Após serem rendidos, os camponeses foram humilhados e torturados com golpes de porrete, motosserra, espancamentos generalizados e tiros a queima roupa.
Nove camponeses foram assassinados, outros três faleceram nas semanas seguintes. Sete desapareceram, dezenas foram gravemente feridos, e mais de duzentos ficaram com graves sequelas físicas e psicológicas.

Os latifundiários da região, dirigidos por Antenor Duarte, o então governador Valdir Raupp (PMDB/PT) e o comando da polícia militar de Rondônia são os responsáveis pelo planejamento e execução do massacre. Até hoje, nenhum deles foi punido e nenhuma vítima foi indenizada.

O dia 9 de agosto de 1995 também entrou para a história como um símbolo da luta camponesa. A resistência com paus, foices e espingardas de caça garantiu que o massacre não fosse maior. O latifúndio queria com o terror colocar medo nos camponeses para que não mais se atrevessem a tomar terras. Mas foi em vão, pois o que movia as famílias era a necessidade de um pedaço de terra e o senso de justiça de tomar 18 mil hectares de terras férteis de um latifundiário e distribuir para centenas trabalharem e viverem dignamente.

A Batalha de Santa Elina também serviu para demarcar posições opostas na luta camponesa: de um lado, o movimento camponês combativo, do outro lado o oportunismo eleitoreiro das direções do MST/Fetagro/PT.


Santa Elina é dos camponeses
Em agosto de 2007, membros do Codevise – Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina e apoiadores acamparam em Brasília por 23 dias. Representantes do governo se comprometeram a iniciar os processos de indenização das vítimas e desapropriação da fazenda e sua entrega para as famílias. Mas nada fizeram!

Cansadas de esperar, em maio de 2008 mais de 250 famílias retomam as terras da fazenda Santa Elina pela primeira vez desde 1995. Enfrentaram elementos oportunistas e carreiristas e até mesmo bandidos usados pelo Incra de Rondônia para desmobilizar as famílias. Elas sofreram ainda vários ataques de pistoleiros o que acabou obrigando-as a se retirarem da área em 2009.

Uma nova mobilização se iniciou em maio de 2010 e no dia 25 de julho as famílias tomam novamente a fazenda.

As famílias organizadas pelo Codevise e LCP iniciaram logo o corte popular das terras da fazenda Água Viva, uma das três partes em que foi desmembrada a Santa Elina. Começaram a produção, construção de casas, estradas e pontes com recursos próprios. Uma escola passou a funcionar dentro da área.

Após muito trabalho, em dezembro de 2010 realizaram a Festa de entrega dos certificados de posse das terras aos camponeses e vítimas de Santa Elina.

As direções da Fetagro e Incra (PT) voltaram a atacar os camponeses, prometeram créditos para as famílias e disseram que elas tinham que sair das terras para a regularização. Inventaram outro corte que causou a perda de estradas, roças e casas, diminuíram os tamanhos dos lotes e muitos terminaram secos. Também atuaram como dedo-duro e agentes da polícia, armaram a prisão de companheiros. Fizeram tudo isso para tentar desorganizar os camponeses, entregar lotes para seus cabos eleitorais e melhorar a imagem da Dilma/PT entre os camponeses.

Mas não alcançaram seus objetivos sujos, pois assentamos a maioria das famílias que estavam acampadas desde o início e nos mantivemos mobilizados e organizados.

Hoje, 4 anos depois, a área foi toda cortada e centenas de famílias vivem e trabalham com dignidade e desenvolvendo o comércio local. É um enorme avanço para a economia de Corumbiara, Chupinguaia, Cerejeiras e Alto Guarajus.

O corte popular da fazenda Santa Elina é a comprovação da falência da “reforma agrária do governo”. Lula/PT que prometeram durante 20 anos que fariam a reforma agrária se chegassem ao poder, traíram as massas camponesas. A cada ano reduzem o número de famílias assentadas, dão migalhas para a chamada “agricultura familiar” e bilhões de reais para o agronegócio, seus principais aliados no governo. Aumentaram a repressão aos camponeses em luta em todo país, com a criação da Força Nacional e Ouvidoria Agrária. Nos últimos anos ocorreram dezenas de despejos violentos, prisões, perseguições e assassinatos de ativistas e lideranças camponesas.

Eleição não muda nada! Não Votar!
Mais uma vez estamos as vésperas do circo da farsa eleitoral. PT, PMDB, PSDB, DEM, PcdoB, PDT, PSTU, PSOL, PSB, REDE entre outros, são tudo farinha do mesmo saco. Durante as campanhas prometem mundos e fundos e depois se esquecem do povo. Usam o poder para enriquecer com nosso dinheiro e governar para os grandes empresários, grandes banqueiros e latifundiários.

Desde junho do ano passado o povo brasileiro, em especial a nossa juventude combatente se levantou em milhões contra as péssimas condições dos serviços públicos, como saúde, educação, moradia, transporte, etc. Se levantou contra o desemprego e a carestia do custo de vida. Se levantou contra os absurdos gastos com a Copa da FIFA e contra a violência policial. Este ano veremos novamente nosso povo e nossa heroica juventude se levantar contra a farsa das eleições, desmascarando ainda mais toda esta falsa democracia em que vivemos, que é democracia para os ricos e ditadura para os pobres.


O caminho é a Revolução Agrária
Por tudo isso, dizemos que o único caminho para os camponeses se libertarem é a tomada de latifúndios, o corte popular e entrega das terras para os camponeses pobres; é avançar a cooperação camponesa na produção; é criar Assembleias Populares onde os camponeses decidem eles mesmos sobre tudo que lhes diz respeito. Em resumo, é a Revolução Agrária como parte de uma revolução de Nova Democracia, onde o povo realiza as verdadeiras transformações de que o Brasil precisa, derrubando as três montanhas de opressão que secularmente pesam sobre nosso povo: o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo, principalmente os EUA.

A situação atual de crise política e econômica em que vai se afundando o país cria brilhantes perspectivas para nossa luta! Convocamos todos camponeses e apoiadores a se preparar e mobilizar para realizarmos grandes tomadas de terra! A Revolução Agrária vai cortar o latifúndio e entregar terras para quem viver e trabalhar nelas!

Abaixo a farsa eleitoral! Não Votar!
Conquistar a terra! Destruir o latifúndio!
Honra e glória eterna aos mártires de Santa Elina!
Viva a Revolução Agrária!

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“Para muitos é uma surpresa assustadora que o momento de maior repressão política desde a instauração do AI-5 se dê no governo do PT. Para nós isso não é uma surpresa, é apenas a consequência lógica do jogo estatal, quem aceita fazer parte da farsa eleitoral, automaticamente se coloca ao lado dos torturadores.” [Organização Anarquista Terra e Liberdade - OATL]