cores fortes

estar com ele era como ver o mar pela primeira vez. era como se eu pudesse sentir uma imensidão dentro de mim, como se todas as cores fossem mais fortes.
era como me incendiar inteira por dentro e amar a sensação de estar em chamas
era me perder nos seus lábios sem ter a mínima vontade de voltar a me encontrar.
estar com ele era como sentir descargas elétricas no meu corpo toda vez que ele me tocava. era olhar dentro dos seus olhos castanhos e querer desvendar todos os segredos que ali ele abrigava.

Song of Fire Epilogue

I don’t know man, I just decided to go with it and write one more chapter. @chaoslaborantin advice is always goals. Answering asks about Kira has also made me want to write her a little older and I also came up with a somewhat realistic plan for Mare and Cal… so roll with it I guess??? (some adorable fluff ahead, but also like serious shit too so be prepared)

Keep reading

Cello Suite for the Mildly Depressed

I. C Mayor, lent et triste

Look, t(h)inker, clock-reaching cockroach in the works,
Be on your feet and tremble! See how hollow the night.
Miscreant, in the middle and fifth of C,
The glowworms feed on your carapaced stomach lining bleached
In a dozen colored curlicues brought on by the smoke
Of your burnt trials. Sink, make me. Border-trample the tempest
In the groomed brick of silent scale. The pavements
Cry their rhapsody, now, the wet heat expressing their sizzle
In the ear. Color me surprised. I heard you and your nightmare
Galloping across the frail shields of men afraid of laissez-faire,
Savor me, now, in wick. Candle-shaped pine trees do flicker in winter
And the flame on their heads are not for you to lick.

II. F menor, andante

Please, projection, you are mere, even for the stellas in your sangre.
Your platelets may compose constellations under your skin,
Your icy bones may form planets in your tears that muster galaxies,
But in the grander scheme of things, you are a carpet of logic compressed
In a paradoxic vacuum. Leave and elevate. Leave and elevate
The skin, your toil, such eviscerations and dirt factory,
Carpal tunnels reside in your art; in your heart,
Calloused emotions breeding demons. Life, through carbon, is
A series of sensations punctuated by arousals, accented by
Chromatic cymbals of attractions. But rhythms are not self-contained,
They glean the stalk of everyone’s name, the vibrations in the strings
Create echoes; may your fate be with mine, in the reverberation.

III. A menor, lent et douloureux

I am mildly a shadow, an existence in the final straw, I hung
My lips on words; I hung my ears on sound, my skin on touch,
A testimony of testimonies. Take all of me and the subtle cracks in my
Perceived legato — leave me out of your tierce de picardie.
Your expected brightness in the ending, a preconceived
Colossal composition of what petty chemicals your existence is made of;
Oh, contuse, confuse, grave sadness. The elegy is coming to a close.
Claim my core, forte, fortissimo, louder and louder and more and more,
And be solemn, and be still, I am mildly a shade. I may blur
In your hand-waves. In your clear, corrosive light, I might disappear.
Come, whisper dangers in my ear that my heart might believe them;
Come, make me feel like I am more than what I am supposed to be—

IV. C menor, largo, coda

Softly, like a stream,
Carry me to my dreaming, softly
Like a stream, carry
Me to my dreaming, mildly
Like the wind, carry me
My arrest, mildly,
Like the wind, carry me
To rest.

— A. Prescott

Talvez eu precise de um casaco novo
Um moletom mais confortável que me deixe com vontade de dormir
Aquele vinho caro que vi na loja porém não pude comprar
Ou aquele colar delicado que não combina comigo
Talvez seja aqueles sapatos que tenho mas não me interessam
Aquele filme com cores fortes e alegres pra me acordar
Ou talvez, só talvez eu precise dos seus dedos entre os meus
Do seu toque no meu
De você
Talvez eu só precise de você.

- Kellen Danielli

Eu me afundo, por mais que eu tente ser forte e seguir em frente, eu me afundo e afundo sozinha. Não são as pessoas a minha volta, nem o estresse excessivo, só que, meu subconsciente parece ser masoquista o suficiente ao ponto de não se sentir confortável com a paz e, então, me arrasta para o fundo do poço sem aviso prévio. A vontade de sair correndo, gritando, arrancando os cabelos em meio a uma tempestade é enorme, porém, sem nenhum motivo aparente, não tem um porquê disso e não é confortante se sentir assim, com essa necessidade de sofrer. É como um sonho sendo vivido em tempo real e com todas as cores que quando menos se espera… apagam as luzes. Somem as cores fortes e cintilantes restando só o preto, a escuridão, o vazio e o caos de um corpo que implora pela dor, pelo choro e pelas lágrimas que escorrem até tocarem o chão.

- L.N

✿ Status: Batom Vermelho ✿

Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho, porque hoje eu passei batom vermelho. ✌🏻️😘👄

Batom vermelho ao invés de dias cinzas. 💋💫

A vida é muito curta pra não usar batom vermelho. ✌🏻️💋💄

Arrume alguém que borre o seu batom, não o seu rímel. 👊🏻🙅🏼

Batom na boca maquiada nos cílios, mas se vacilar ela puxa o gatilho. 💋👑🔫

Keep calm and se joga no batom vermelho. 👌🏻✌🏻️💋

Adoro meu batom vermelho, mas adoro mais o vermelho natural deixado nos meus lábios pelos teus. 👄🌚

Hoje usarei um batom vermelho que ao sorrir ninguém note o quanto já chorei. 💋💔

Faz aquele café meio amargo, toma três goles, fuma teu último cigarro, passa um batom vermelho. Ajeita o cabelo e vai. 👑💄

Posso aceitar amostra grátis de batom e perfume, mas de afeto estou dispensando. 👌🏻✌🏻️

Não nasci perfeitinha e nem é rosa o meu batom. Sou de cores fortes, de temperaturas quentes, de olhar indiscreto e de desejos ardentes. ✌🏻

Retoquei o batom vermelho, vesti minha armadura e estou dando a cara à tapa, só pra ver quem é o idiota que vai experimentar me tirar do sério outra vez. 👊🏻

Você prefere retocar o batom de tanto beijar, ou retocar o rímel de tanto chorar? 👌🏻

Batom vermelho é muito difícil de passar pra gastar com qualquer um por ai. 😘👊🏻

Ele diz que só quer borrar o batom dela, mas em tão pouco tempo só lhe soube borrar o rímel. 👊🏻👌🏻

Veste um sorriso, passa um batom que você gosta e vai ser feliz. 💋💄✌🏻️

Prefiro o meu batom vermelho assim borrado, do que novamente meu coração despedaçado. 👄😘

Você...

Quando tudo pareceu dar errado, as esperanças acabaram, e só me restou continuar sobrevivendo, a vida bateu na minha porta, e como um sopro de vida sobre mim, veio trazendo uma paz que não acreditava que existia. Fez os problemas parecerem menores, as cores mais fortes, e o céu mais azul. Então vc chegou na minha vida, me salvou do mundo frio onde eu me afundava aos poucos, segurou minha mão e me ajudou a ficar de pé, a respirar e ter o coração batendo no ritmo certo de novo. Agora vejo nos seus olhos o brilho que faltava na minha vida, vc é meu por do sol e sou seu amanhecer.  Já não consigo ver meu mundo sem vc, até porque meus dias só começam quando escuto sua voz…

CAP 3: Algo a Superar…

    Estava para me levantar, quando ouço alguém entrando no meu quarto silenciosamente, naquele momento vejo minha irmã mexendo no meu celular, sem ao menos ter a oportunidade de perguntar o que tava fazendo, ela me diz pra me levantar e me trocar, pois haveria um almoço e eu (de livre e espontânea pressão) teria que acompanha-la. Sem saber o que estava acontecendo, pego meu celular e envio um LINE pro P’King: “Fique pronto em vinte minutos! Eu e minha irmã passaremos ai pra te buscar, vamos almoçar fora.”

  Por algum momento me senti estranho com tudo aquilo, um sentimento de desconforto tomava conta da minha mente, não saber onde ir, o que fazer apenas seguia as ordens que P’Beach me deu. Me levanto e me visto. Uma blusa com cores fortes, estampas florais, uma bermuda jeans clara e uma sapatilha que King havia me dado no dia dos namorados. Saio do meu quarto e vejo Beach extremante elegante com um vestido longo azul, com dois decotes vulgares, um entre os seios e outro com um corte diagonal mostrando suas belíssimas pernas. Sorrio de uma forma bem sarcástica e a pergunto se isso tudo era pra provocar o P’Mak. Ela me olha de uma forma provocante e sexy: - O que você acha? Rs (afirmando minha pergunta.)

 No caminho para a casa do King, aquele desconforto toma conta do meu corpo novamente. Jamais havia me sentido daquela forma, como se eu estivesse sentido que algo aconteceria. Estava cabisbaixo, pensamentos vazios… quando ouço algo:

- P’Fall, você está bem?                                                                            

Por um momento havia me desligado do mundo. Olho pra ela com um sorriso um pouco forçado e balanço minha cabeça afirmando que estava tudo bem. Chegamos ao apartamento de King, peço a ela que me esperasse no carro pois só iria ao quarto dele e seria bem rápido. Quando chego na portaria, noto um entregador saindo do elevador principal. Na hora nem dei muita importância, subi direto até o quarto dele e no elevador já mando logo uma mensagem dizendo que já tava quase na porta, pra ver se assim, ele já estivesse pronto quando eu chegasse. Chego, e a primeira coisa que noto é a porta entre aberta. Dei leves batidas e a porta foi abrindo lentamente, revelando a sala meio bagunçada (como de prache).

- P’King???

Chamo seu nome enquanto entrava. Nem sinal dele.

Quando entro no quarto, logo King se assusta com minha chegada e joga a mochila pra debaixo da cama. Achei aquilo um pouco estranho, mas não o incomodo como perguntas, apenas espero ele terminar de se arrumar, faltava apenas a blusa. Ele me pede pra escolher entre uma golo polo rosa de linho que eu tinha dado de presente no aniversário de um ano, ou entre a blusa de algodão azul claro que ele tinha comprado nessas lojas de departamento.

- A rosa, óbvio. Combina com seu tom de pele, e com esse short de alfaiataria que eu te dei também.

Descemos e King não disse uma palavra desde que saímos do quarto até chegar na portaria. Era visível que ele estava extremamente nervoso. Chegamos no carro da minha irmã onde ela estava nos esperando. Ela o cumprimentou com um sorriso simples em seu rosto, ele a cumprimenta de volta um pouco sem jeito e notavelmente incomodado. Olho pra minha irmã, ela já estava me olhando com um cara de quem já achava que eu tinha aprontado alguma coisa, como se eu fosse o culpado por ele estar assim. Aceno negativamente com a cabeça, com uma expressão negativa de quem estava com a mente super tranquila.

No caminho, Beach resolve me contar onde realmente estamos indo:

- Fall, King, me desculpem por ficar em silêncio esse tempo todo, não queria que meu irmão se chateasse comigo…

Sem ao menos esperar ela terminar já me viro de uma forma brusca, onde ela já estava esperando o que eu ia dizer;

- Calma Fall, espere eu terminar e antes de tudo me perdoe. Aquele momento que estive em seu quarto pela manhã vi que seu celular recebeu uma mensagem de P’Mak, fiquei curiosa e a li. Ele nos convidou para um almoço, e disse que iria nos apresentar alguém.

Todo aquele sentimento de desconforto que estava sentido, se tornou curiosidade. Quem seria esta pessoa que meu cunhado iria nos apresentar.

Chegamos no restaurante, um lugar bastante família. Quando estudávamos no colegial costumávamos almoçar neste local. Entramos e memórias vieram em minha mente, mas quando olho pra frente e vejo P’Mak, pego na mão de P’King e a noto bastante gelada e tremulada, olho pra ele que continuava de cabeça baixa;

- Seja o que for que estiver acontecendo com você, saiba que sempre estarei aqui. E que você pode me contar qualquer coisa, entendeu? - disse com um voz acolhedora e calma, para que pudesse fazer com que ele ao menos pudesse mudar sua expressão, porém de nada adiantou.

    Nos aproximamos da mesa onde Mak estava, ele se coloca de pé e tenta dar um beijo em minha irmã, que na mesma hora o rejeita. Não poderia deixar esse momento passar, sem olhar fixamente aos olhos de Mak e dar um sorriso debochado. Ainda fiz com que não ficasse somente neste sorriso, seguro no rosto de King e lhe dou um beijo romântico, me lentamente para Mak e solto o mesmo sorrisinho sarcásrtico que a Bella deu pra Jane na batalha de Amanhecer parte II quando a mesma vê que Bella é imune aos seus poderes.

Nesse momento não cheguei nem a olhar para Mak, pois ao seu lado havia um garoto que conseguiu desviar minha atenção por alguns segundos. Sua beleza, seu olhar, seu sorriso conseguiram chamar minha atenção, mas quando vejo que todos estavam me olhando, tento fingir que nada tinha acontecido e pergunto quem era aquele garoto.

   P’Mak me olhava, mas não poderia dizer nada sobre o beijo que dei em King, então ele se afasta da minha irmã e vai próximo ao garoto que estava ali em pé ao seu lado, com suas duas mãos juntas em sua frente:

- P’Beach, Fall e King, este é meu irmão, P’Mouth.”

Um silêncio tomou conta do local onde estávamos, aquele garoto ali presente era nada mais nada menos que um irmão de Mak que jamais ouvimos falar, volto a olhar para ele e noto que ele foi a caminho de minha irmã, pega uma de suas mãos e a beija dizendo;

- Então você é a famosa P’Beach, minha mãe me disse maravilhas de você quando cheguei de viagem, estava ansioso pra conhecer a namorada do meu irmão, muito prazer.” - Beach também estava sem reação, o que se via em seu rosto era apenas um tom de surpresa.

  Quando me deparo, Mouth estava parado bem na minha frente. Sinto meu coração acelerar, minha mente confusa, um frio que não conseguia explicar, e aquele cheiro de amêndoas doces que vinha dele. Por que eu tava me sentido daquela forma? – E você deve ser o P’Fall, não é? - ele falava com um sorriso no rosto;

- Você escutou o que eu disse? Você tá se sentindo bem?”

Tentei me conter, disse que senti uma leve dor de cabeça e que precisava me sentar. Nessa hora ele prontamente estende uma das mãos pra me ajudar. Quando estendo minha mão pra segurar a dele, sinto King me puxando e segurando minha mão;

- Pode deixar que do meu namorado cuido eu. - King estava nitidamente com ciúmes, afinal, qual homem não se sentiria ameaçado diante daquela beleza toda em forma de garoto?

- Me desculpe, só queria ajudar.

Pra quebrar aquele clima estranho que ficou no ar, Mak convida todo mundo a se sentar e já começa a falar sobre os planos pra a viagem que ele e Beach iriam fazer, afinal eles já partiriam amanhã à noite. Mak se levanta, retira um pequeno envelope e entrega para Beach. Ela estava confusa com tudo aquilo, Mak pede pra ela abrir o envelope, o que ela prontamente faz, e pra surpresa dela dentro haviam 5 passagens.   - P’Mak o que são essas passagens com o mesmo destino que o nosso? - Beach estava ficando nervosa com todo aquele suspense.

- Calma amor, duas dessas passagens são nossas e as outras 3 estou lhe presenteando, assim você pode levar quem você quiser conosco para a praia.

Por um momento vi um grande sorriso estampado no rosto da minha irmã, afinal ela queria muito me levar pra essa viagem pois já havia planejado tudo e esperava contar ao Mak na conversa que eles tiveram ontem, mas não foi bem como ela esperava. Beach volta a ficar confusa e pergunta a Mak se daquelas 5 passagens 3 eram dela, por qual motivo ele queria 2?

Mak sorri e apenas olha para seu irmão, coloca uma de suas mãos no ombro de Mouth, o que se deu a entender que a outra pessoa na viagem seria ele;

- Hoje fui as compras com meu irmão, ele estava muito desligado de tudo e nem notou que tudo o que comprei pra viagem era para ele. – enquanto ele falava, não poderia negar que ver aquele rosto surpreso não retirou um sorriso de mim. Havia algo em Mouth que me chamava muita atenção, mas eu não conseguia saber o que era. Mas teria que me controlar, afinal, King do meu lado, se com apenas um gesto de ajuda ele já tinha dado aquele “piti”, imagina se me visse paquerando (mesmo que sem querer) aquela beleza toda na minha frente.

 - P’Beach tenho algo para lhe pedir, já que você tem duas passagens quero lhe pedir uma para que possa levar meu namorado junto nessa viagem. - por um momento pensei que Mak iria descordar, afinal sempre soube que ele não era de acordo com meu namoro, esperei por um momento afim de ver sua reação, mas já era de se esperar ele se comportar na frente da minha irmã. Beach nem pensa duas vezes e já me entrega logo uma das passagens.

 Depois do clima que se criou, Mak pede licença pra ir ao banheiro, e nisso, sem querer esbarra em Mouth e acaba derrubando o vinho que o Mouth tava bebendo, sujando sua bermuda (que era branca). Sem nem pensar 2x já me coloco de pé a ponto de não esperar que ninguém fizesse nada, pego o guardanapo que tava sobre a mesa e o ofereço minha ajuda, meio que sem pensar;

- Tá tudo bem? Vem, vou te ajudar a limpar esse trabalho desastrado do teu irmão, vamos comigo ao banheiro, te mostro o caminho. - todos me olhavam, não me importei, afinal só queria ajudar.

 Fomos ao banheiro, não havia nada que eu pudesse secar toda aquela bebida de sua bermuda, e por um descuido minha mão estava sobre suas pernas. Mouth segura minha mão a qual estava próxima de uma região que ele provavelmente se sentiu desconfortável e aos poucos me vi olhando dentro de seus olhos. Estava um pouco agachado, ele me levanta e com uma voz sua me pediu para que não me preocupasse com aquilo, pois o jeito seria ir a sua casa para se trocar. Mouth estava nitidamente tímido com tudo aquilo, porém não era somente timidez, suas mãos estavam tremendo e suando quando tocou as minhas, sentir sua pele junto a minha e isso fez novamente meu coração ficar acelerado. Ele me agradece e nisso saímos do banheiro.

  Voltamos a mesa e todos, principalmente P’King, estavam me olhando, bastante fixo. Mouth logo disse que não havia algo pra ele limpar no banheiro, mas que ficou grato com minha ajuda e que seu irmão deveria o levar pra casa que ele queria se trocar. Complemento dizendo, com uma voz nervosa que também já estava no momento de irmos, já que teria que arrumar minhas malas e de P’King pra viagem. Mouth mais uma vez me agradece, mas dessa vez ele veio a mim e me deu um forte abraço e um suave beijo no rosto;

- Muito obrigado pela preocupação tá? Mas não faça isso novamente seu namorado pode não gostar. - me disse próximo ao ouvido para que ninguém pudesse ouvir o que havia me dito. Eu apenas sorrio e concordo.

 P’King se levanta depois daquele beijo, me segura por uma das mãos e me deu um beijo possessivo na frente de todos. Desta vez Mak não ficou quieto, deu para ver  que suas mãos estavam totalmente fechadas e apertavam fortemente os talheres, batendo-os sobre a mesa, onde ele se levanta dizendo que já era hora de ir. Nos despedimos e fomos embora.

 No caminho para o apartamento de King vejo pelo retrovisor do carro sua cara de ódio, não posso negar que eu dei motivos para que ele se sentisse assim, ir ao banheiro com outro cara, mesmo acompanhado de meu namorado, não foi correto. Tentei dirigir minha palavra a ele, porem em um tom forte e rigido ele me responde que depois conversaríamos. Fiquei bastante apreensivo e me sentindo culpado por tudo aquilo. Chegamos em seu apartamento, pedi minha irmã que fosse para casa e que não me esperasse pois ligaria para o motorista da família me buscar.

 Subimos ao seu quarto pelo elevador, e aquele silêncio de P’King já estava me deixando cada vez mais culpado, então chegamos e entramos. Por um breve momento ele continuava em silencio, mas tentei quebrar aquele gelo perguntando onde estava suas malas pois arrumaria suas roupas para que ele pudesse nos acompanhar, mas me arrependi muito. P’King me olha com todo o ódio que uma pessoa poderia sentir;

- Você ao menos me perguntou se eu queria fazer essa droga de viagem Fall? É uma viagem para sua irmã e aquele mauricinho mimado se divertirem. Você viu como aquele cara estava olhando pra gente? Há e como posso me esquecer, como que você me deixa daquele jeito na mesa, pra poder acompanhar aquele desconhecido no banheiro? Estou me sentido um lixo diante disso tudo Fall, faça o que quiser. - aquelas palavras me deixaram sem chão, apenas peguei suas malas e comecei a arrumar, sem reação.

 Já havia se passado horas em que estava arrumando tudo para a viagem, estar dentro do apartamento de King e não conversar com ele estava me deixando extremamente mal, tentei me aproximar várias vezes dele, porem ele se esquivava de mim, indo de um lado para o outro, do quarto para a sala, da cozinha para o banheiro. Escuto o chuveiro ligado e uma música alta vindo do banheiro, provavelmente ele estaria tomando banho. Voltei a seu quarto para finalizar toda aquela arrumação e me deparo com sua mochila embaixo da camam entre aberta, e na hora me atrevi a abrir e ver o que ele estava me escondendo desde antes do almoço. Fiquei paralisado com o que estava diante das minhas mãos, um exame de DNA ainda lacrado. Tudo fazia sentido, aquele homem bem vestido saindo do elevador, que parei para me lembrar em sua camisa estava escrito o nome de um laboratório, a porta de King aberta, algo que não era normal de se acontecer pois ele sempre gostou de segurança e sempre manteve a porta fechada e trancada, e o mais importante ele ter jogado e escondido essa mochila aqui dentro no momento que eu passei pela porta do quarto.

 Escutei o chuveiro desligar, ele já havia acabado. Guardo novamente tudo e volto a mochila para onde ela estava. Minha mente me perguntava o que seria aquilo, por que ele não me contou? Porque estava tão estranho o dia todo? Ele entra no quarto e tento me manter como estava quando chegamos. Consigo me manter calmo e finalizo as malas dele, pego meu celular e ligo para minha irmã e a peço que me buscasse pois queria sair para tomar algo antes que fossemos para casa. Ela chega, me despeço pela primeira vez de P’King com apenas um tchau. Ele me olha da mesma forma que esteve comigo o dia todo e acena com uma das mãos.

 Chego ao carro de Beach com os olhos cheio de lagrimas, queria chorar, desabafar por tudo que ocorreu e o que King havia me dito, mas me mantive forte, seco meus olhos e entro no carro. P’Beach nota que eu estava estranho e pergunta se aconteceu algo. ]

- Beach, encontrei algo dentro da mochila de King que está me deixando bem confuso, não sei o que fazer, por favor me ajude… – e então contei a ela que havia encontrado aquele exame de DNA. Ela ficou espantada mas não sabia o que fazer/dizer. Ela me diz pra manter a calma, e que ele me contaria o quando abrisse aquele exame, e que eu não tinha que sofrer por antecedência.  

 Já era tarde quando voltamos pra casa, ainda tinha que arrumar minhas malas, pois no outro dia queria sair para comprar algumas roupas novas. Pedi a minha irmã que me ajudasse, já que era nosso plano viajar juntos. Ela prontamente se dispõe a me ajudar e vamos a nosso quarto. Começamos a criar ideias de locais que poderíamos visitar. Nisso, recebo uma mensagem de um numero desconhecido;

- “Me desculpe não tive coragem de pedir seu número naquele momento, tive que pegar no celular do meu irmão, estou bastante feliz em ter te conhecido, tenha uma OTIMA NOITE, NOS ENCONTRAREMOS DE NOVO NA PRAIA, MOUTH –xoxo.”

Abro um sorriso bobo em meu rosto, minha irmã tenta tomar meu celular das minhas mãos pra ver de quem era a mensagem, porem me nego a entregar a ela. Depois de muito insistir digo que a mensagem era de Mouth, ela ficou pasma, porem me repreende dizendo que não era correto ele ficar mandando mensagens para mim. Começo a sorrir e digo que não há nada de errado em sermos amigos. Ela me olha com uma cara de desconfiada e sai me desejando boa noite.

  Fico confuso em pensar se deveria ou não responder a mensagem de Mouth. Pego meu celular e apenas retorno com um boa noite e vou dormir pois aquele dia me deixou muito cansado.

Acordo pela manhã com meu celular tocando, dou um pulo da cama, banho rápido, seco cabelo, tomo café correndo, e vou as compras. Ainda precisava comprar umas coisas. Roupas, sapatos, higiene básica, dentre outras coisas que minha irmã tinha me pedido. Quando eu já estava no shopping, meu celular toca, número privado… achei estranho, afinal só meu círculo social tem o meu número, então não tinha essa de ligar pra mim com número inibido.

Quando atendo, escuto uma voz suave me desejando boa tarde e simplesmente desliga na minha cara. Suspeitei que foi o Mouth, mas a voz era feminina de mais e não era compatível com aquele deus grego em forma de adolescente. Fiquei curioso, mas quando olho as horas percebo que eu já tava mega hiper atrasado, e quando penso em ligar pra linda da minha irmã, a mesma já estava me ligando, aos gritos de estresse:

- Meu anjo, você vai comprar o shopping todo ou vai montar uma boutique pra você?

- Pra que esse estresse more? – pergunto meio que tentando aliviar a situação.

- Vem logo que tô aqui fora te esperando. Se demorar demais, vou embora e você vai pro aeroporto de moto taxi…

Desço as escadas rolantes correndo, e vou de encontro aquela coisa linda e estressada. Entro no carro e seguimos viagem…

Chegamos em casa, a tempo de arrumar minhas malas, ligo pro P’King e o mesmo se recusa a atender. Ligo novamente, mando mensagens, todas ignoradas com sucesso. Pego as chaves da bmw da minha irmã e decido ir a casa desse embuste pra saber se ele tinha morrido ou se estava fazendo hora com a minha cara mesmo.

Chego no condomínio, e vou direto ao apartamento dele. Morro de bater na porta e ninguém sai. Continuo batendo e o silêncio lá dentro continua intermitente.

- Ué? Não tem ninguém em casa? Não pode ser. Ele sabendo que a gente vai viajar hoje me inventa de sair e não me avisa? Se ele tiver aprontando, ele vai me pagar e não é parcelado.

Decido ir até a portaria pedir a chave reserva do apartamento, porque naquele momento meu sonho seria pegar o King na mentira. O porteiro me dá as chaves sem nem pestanejar, afinal, eu conhecia o seu francivânio a dois anos, e ele sabia do meu relacionamento com o King, o que não haveria motivos pra ele me negar as chaves. Subo, abro e quando entro a primeira coisa que eu noto é o cheiro fortíssimo de bebida que invadia o apartamento inteiro. Era um cheiro de vodka de 9,99 misturado com tequila falsificada. Entro pro quarto, e lá estava ele, deitado no chão, todo vomitado, apagado no chão como quando um celular descarrega e dá perca total.

- P’King – gritei próximo a ele, o empurrando pra ver se ele acordava, sem sucesso é claro. Continuei gritando, quando ele meio que acorda como um daqueles zumbis de The Walking Dead, perguntando onde ele tava…

- Tá no show da Dua lipa more… acorda, tu tá no teu quarto, parecendo um mendigo, que diabos tu fez essa noite pra beber desse jeito?

- Af Fall, me deixa, ontem eu bebi como se não houvesse amanhã;

- Mas está tendo more, e olha o seu estado… parece que o furacão katrina te pegou no caminho e te jogou aqui dentro… já pro banheiro, a gente tá atrasado, cuida.

Ele tenta se levantar, sem sucesso. Nessa hora, mesmo contra a vontade dele, tive que tomar a frente e fazer alguma coisa.

Então o pego e o apoio nos meus ombros, e o levo pro banheiro como um reboque leva um chevete parado em local proibido. Enquanto eu o banhava, me pegava perguntando o que tinha acontecido pra ele beber daquele jeito. Ele bebia, claro, mas não de uma forma que o danificasse. Tantas coisas passavam pela minha cabeça. Seria o conteúdo daquele envelope? Seria a briga que tivemos noite passada por conta do Mouth? Nem deu tempo pensar demais. Quando noto, já eram 17 horas e teríamos que estar as 18:35 no aeroporto pra poder fazer o check-in e embarcar.

Ele sai do banheiro ainda meio zonzo, senta na cama, enquanto eu o seco. Ele se apoia em mim, enquanto eu termino de secar seu cabelo. Além de tudo, ainda tive que vesti-lo. É mole? Pego um calção de alfaiataria que ele comprou na Forever 21 e uma blusa de flanela que eu dei de presente a ela no nosso ultimo aniversário de namoro. Pronto. Look perfeito. Ele já estava até parecendo uma pessoa mesmo.

Descemos pro carro, seu francivânio acena pra mim e eu aceno de volta em tom de obrigado enquanto entro no carro como King. Resolvi passar numa farmácia e comprar uns analgésicos e coisinhas pra ele aliviar a ressaca. Desço do carro e o deixo esperando lá enquanto faço as compras na Pague Menos. Volto correndo, e percebo que quando me aproximo, ele guarda o celular rapidamente no bolso e age de forma estranha. Não dei bola, afinal, o que seria mais estranho do que banhar o próprio namorado depois dele ter dado pt com bebida de mercearia?

Entro no meu carro e enquanto íamos, no meio do caminho meu celular toca em cima do porta luvas, e a mesma mensagem de “numero privado” aparecia na tela. Pedi que ele atendesse, mas quando a pessoa não reconheceu o meu “alô” ela desligou.

- Quem tá te ligando de número inibido? – ele me pergunta com tom de deboche e meio com raiva também.

- Não sei, desde ontem essa pessoa me liga, inibido, e não fala nada. – respondi.

Percebi que ele começou a agir de forma estranha, como se aquilo de alguma forma o incomodasse, ou tivesse relação com alguma coisa que o vinha preocupando ultimamente.

Tento puxar assunto com ele, sem sucesso. O mesmo não me dava abertura pra nada. Chegamos em casa, vou preparar algo pra ele tomar, e algo pra eu comer, pois eu estava com uma fome interminável.

Quando chego na cozinha, meu celular começa a vibrar incessantemente com várias mensagens. Nem dei bola, preparei um chá de boldo pro King e um misto quente com muito queijo pra mim porque eu não sou obrigado a passar fome né more? Volto pra sala e encontro o cínico e minha mãe conversando coisas aleatórias. Eles se davam muito bem. Nisso eu tive sorte. Minha mãe era minha melhor amiga. Me apoiava em tudo e me aceitava do jeitinho que eu sou. Coitada das inimigas.

Sento entre eles e entro na conversa. Entrego o chá pra ele e vou comer meu sanduíche sossegado. Pego meu celular pra ler as mensagens, e pasmem, eram todas do P’Mouth. Na hora já me veio um sorriso largo no rosto e uma sensação de alegria momentânea.

- “Daqui a alguns minutos poderei te ver novamente, mega ansioso. -xoxo, P’Mouth.”

Nem consigo explicar o porque de ler aquilo me deixou tão bem. Como uma mensagem de outro garoto que não fosse P’king, poderia me deixar assim? Novamente aquele sentimento de confusão retorna. Quando percebo, tá minha mãe e o genro dela me olhando curiosos pelo conteúdo das mensagens, e eu meio que disfarçando, disse que era um vídeo de memes de uma figura brasileira chamada Gretchen que enviaram num grupo de line que eu tenho, pra debater sobre minhas novelas preferidas. Na mesma hora, minha irmã desce as escadas com o restante das malas dela, e eu prontamente vou ajuda-la, assim saio daquela situação desconfortável. Vamos pro carro, e eu ainda com aquele sorrisinho bobo no rosto, e minha irmã, esperta como só ela, me pergunta qual o motivo daquela cara de felicidade. Eu apenas ignoro e volto pra sala pra buscar o alcoólico anônimo pra gente ir logo pro aeroporto.

Me despeço da minha mãe com um abraço bem apertado, e sigo em direção ao carro com o king. No caminho do aeroporto, o silêncio tomava conta do ambiente. Ninguém falava nada, não se ouvia um som ali. Apenas aquele clima tenso que ninguém sabia explicar o que era.

Graças a Deus chegamos no aeroporto, descemos as malas e entregamos as chaves do carro pro Alfred (motorista da familia que vinha logo atrás de nós). Beach já com a cara ruim, pois ela detestava essa falta de privacidade de pra onde ir, ser com alguém dirigindo pra ela. Na opinião dela, isso era uma total falta de respeito a privacidade dela. Meio que concordo. Mas, o que posso fazer se não aproveitar um pouco dessas regalias que minha família me proporcionava?

Assim que entramos no aeroporto, avisto de longe Mak de costas mexendo no celular, mas nem sinal do Mouth por perto. Será que ele tinha desistido de viajar conosco? Mas haviam malas demais pra serem todas dele. Vai saber! Quando nos aproximamos, Beach dá um pulo em cima dele, e tasca um beijo de novela mexicana nele, o que me causou estranheza. “Diabos é isso? Ontem mesmo estavam brigando igual UFC e hoje já estão como dois pombinhos? Minha irmã era muito volátil. Os dois vivem entre tapas e beijos.

Nesse momento, sinto atrás de mim duas mãos tapando os meus olhos e fazendo aquela velha pergunta clichê saída de uma boca com uma voz um pouco rouca mas ao mesmo tempo com um doce toque aveludado: “adivinha quem é”? como eu poderia não saber? Aquele cheiro de almíscar era inconfundível. Respondo sem nem pestanejar: “ah, é você né P’Mouth, rs”. Ele tira as mãos dos meus olhos, e quando olho na minha frente, quem estava lá? Isso mesmo, King com a cara de bicho olhando pra mim como a malévola olha para a bela adormecida. Depois ele desvia o olhar para Mouth que nem se dá conta do que causou e continua sorrindo como uma criança de dez anos. O olhar de King me deixou apreensivo e tratei logo de tirar ele dali pra ele não fazer nenhuma cena. Pego na mão dele e vou a procura de algum café no aeroporto. Tento me desculpar com King, sem sucesso. Ele compra meu leite de rosas, pede que eu tome antes de voltarmos pra onde estavam os outros. Na volta, pegamos as malas, despachamos e embarcamos.

Já no avião, percebi Mak e Mouth conversando muito próximos, como se estivesse cochichando sobre algo. Fiquei curioso, ao mesmo tempo que King me puxa pelo braço e me pergunta o que tanto que eu olhava praqueles dois. Desconversei e acomodei minha cabeça no travesseiro da poltrona.

Depois de mais de 9 horas de voo, chegamos ao nosso destino. P’Mak já havia alugado 2 carros, que ficariam a disposição de todos nós enquanto durasse a viagem, pelo menos ele era responsável e gostava de tudo bem organizado, sim ele tinha apenas essa qualidade, pois não conseguia ver outra nele, já que não somos nem um pouco próximos. Ele entrega uma das chaves para Beach e ela me entrega, pois ela iria junto pro hotel, eu e King iriamos no outro carro.

Chegamos no hotel, pegamos nossas chaves e seguimos em direção aos quartos. Mak reservou a presidencial pra ele e Beach, eu e King na suíte máster, logo ao lado, e Mouth na suíte chanceler, logo em frente à minha.

Fomos pro quarto, desfizemos as malas, e enquanto ele desfazia a dele, ele deixa cair o bendito envelope que eu tinha visto na casa dele. Ele já corre, esconde-o rápido entre as coisas e tenta desconversar. Ver aquele envelope me deixou um tanto tranquilo, possivelmente King iria conversar comigo no mais tardar.

Eu não queria ir dormir como todo mundo, tinha acabado de chegar e tinha um mundo novo pra descobrir lá fora. Não queria ir à praia, queria algo mais leve. Queria me refrescar, pois fazia 35° lá fora. Então decido ir pra piscina do hotel. Tento convencer King a ir comigo mas ele se nega, dizendo que estava cansado e com um pouco de dor de cabeça, então fui sozinho mesmo pois não sou obrigado.

Desço pro lóbi, procuro um lugar vazio pra me sentar, tinham apenas dois lugares, porem o que estava ao lado estava ocupado, provavelmente por um homem já que haviam vestimentas masculinas, então decido me sentar ali mesmo. Tiro a roupa e fico só de calção de banho, enquanto passo protetor solar, chega o garçom do hotel com um coquetel até mim. Estranho não pedi nada, quem mandou ele até ali com aquela bebida?

- Moço, acho que você está enganado, não pedi drink nenhum.

- Eu sei, o hóspede que está sentando nesse lugar que pediu que eu trouxesse pro senhor.

 Fico surpreso, mas nego, do jeito que o mundo está hoje, eu vou sair bebendo drink de estranhos? Nunca né more?

 Ele insistiu tanto pra que eu pagasse a taça da bandeja que eu peguei logo ranço e a bebida. Quando tomei, era algo forte, mas com um gostinho de manga com um fundo de vodka, tequila e um licor bem docinho de framboesa. Dei logo um sorriso depois de experimentar e coloco a taça na mesinha do lado da cadeira de sol. Quando me deito na cadeira pra descansar, escuto uma voz atrás a mim, me perguntado se eu precisava de ajuda pra passar o protetor. Me viro instantaneamente para ver quem era , sem reação, ali diante dos meus olhos com uma sunga branca todo molhado, estava Mouth. Fiquei em estado catatônico com aquela “paisagem”. Um corpo definido, mas ao mesmo tempo magro, pernas longas, coxas meio grossas, e uma tatuagem de âncora no anti braço esquerdo. Não conseguia dizer nem uma palavra…

Mouth ficou ali em pé por alguns segundos, esperando por uma resposta, sorri e refaz a pergunta, se eu precisava de ajuda, e naquele mesmo instante nego dizendo que já havia acabado. Ele começa andar em minha direção, respiro fundo e mais uma vez digo que já havia acabado, neste momento ele pode notar que eu estava bastante nervoso;

- Não se preocupe, vou apenas me sentar, minhas estão ai do seu lado.

E antes que eu esboçasse qualquer reação, ele completa:

- Ah, esqueci de perguntar, gostou do coquetel que eu mandei preparar pra você?

- Então foi você? Gostei sim, mas quase não pego a taça. Tive pena do garçom, saiu daqui todo sem jeito, haha.

- Bobo, que bom que gostou. Vou me deitar um pouco aqui, tô bem enfadado da viagem, você não se incomoda não é?

- Claro que não, sinta-se a vontade.

Ele deita de costas pra mim, não consegui controlar meus olhares, afinal, como não notar aquele corcovado em forma de bunda que ele carregava? Cada movimento que ele fazia, meus olhos deslizavam. Era possível ver cada curva do seu corpo. Então ele se vira, levanta da cadeira e aos poucos vai se vestindo. Quando termina se senta e pergunta pelo meu namorado, P’King.

- Ele não quis descer para a piscina, disse que ficou um pouco cansado durante a viagem e que queria descansar no quarto. Então eu vim assim mesmo, estava com calor, e nada melhor pra se refrescar do que um bom banho de piscina, não é mesmo?. - tentei manter um pouco do assunto com ele por esse motivo fui um pouco longo na resposta, ele imediatamente notou que eu queria conversar um pouco melhor com ele. Ele se vira para o copo que estava ali ao nosso lado e pergunta se aquilo não foi o suficiente pra acabar com o calor que eu estava sentido. Sorrio e tento disfarçar o quão sem graça estava por receber aquilo dele. Mudo de assunto no mesmo momento, afinal não era correto ficar de conversa com ele enquanto King estava no quarto.

Nisso, meu celular voltou a tocar, o mesmo número privado, decidi não atender. Mouth me repreende dizendo que poderia ser algo importante, mas me nego assim mesmo, afinal, se fosse tão importante, o porquê de me ligarem e não falarem nada?

A pessoa do outro lado insistiu e eu me nego a atender. Nisso recebo uma mensagem que dizia;

- “Você deveria se preocupar mais com o King, há algo que ele te esconde e você precisa saber, ao invés de ficar de papo com esse garoto que está ao seu lado”.

Naquele momento, fico paralisado, meu rosto pálido e um medo toma conta de mim. O que é isso? Que espécie de brincadeira era essa? Como assim? Tem alguém me espionando?

Mouth ficou preocupado com minha reação após ler aquela mensagem, e começou a fazer várias perguntas, se estava tudo bem, se havia acontecido algo, porem naquele momento estava nervoso e preocupado com aquela mensagem, sem intenção respondi Mouth de uma forma mal educada;

- “Isso não é da sua conta, me deixe sozinho por favor”. - toda aquela conversa que começou a ser criada foi destruída por uma simples mensagem, não sei se ele ficou chateado com minha ignorância, simplesmente pegou toda suas coisas e saiu sem dizer muita coisa.

Fiquei bastante preocupado, não tive tempo e nem vontade de entrar mais na piscina, subo correndo pro quarto. Chego totalmente irritado, pois sabia que aquela mensagem tinha algo haver com aquele envelope que ele tanto me escondeu. Eu não tinha o costume de perder a cabeça e brigar com ninguém pois sempre fui uma pessoa calma e com um temperamento tranquilo, porem alguém me seguir, ficar me importunando e saber que essa pessoa sabe de tudo o que está acontecendo e eu que sou namorado não sabia de nada, me fez perder o controle.

Abro a porta do quarto bastante irritado e começo a gritar pelo nome de King. Ele se levanta assustado sem saber o que estava acontecendo, e sem pensar em mais nada começo a lhe perguntar o que ele tinha a me dizer que estava me escondendo durante esses dias e qual era o motivo de ele estar distante de mim. Ódio e insegurança tomavam conta de mim de tal maneira que não esperava ele nem se quer responder. Ele começou a negar que não tinha nada, que não estava me escondendo nada. Irritado tiro o celular do meu bolso e o mostro a mensagem que havia recebido, quando a encontro jogo meu celular para cima de King e aos gritos mando ele me explicar o que seria aquilo que estava escrito. Ele ficou sem reação ao ler aquela mensagem de uma pessoa anônima mas que provavelmente saberia de algo que ele escondia durante esses 3 dias.

Enquanto continuava a gritar com King escuto batidas na porta, e quando vou atender me deparo com Mouth, estava tão irritando que nem esperei para saber o que ele queria, apenas tentei bater a porta, ele me segurou e disse para esperar pois era um recado da sua irmã. Tentei ficar calmo, respirei fundo e espero ele dizer o que queria;

- P’Mak e P’Beach passaram no meu quarto e disseram pra descerem pra jantar pois ele tem algo a dizer a nós 3.

Peço pra ele me esperar, pois iria descer com ele. Retorno ao quarto e digo para King se levantar pois queria ele la em baixo do hotel pois Mak e Beach queria conversar conosco, mas que não o esperaria iria descer com Mouth.

- Você não vai descer com ele.

- Nesse momento King, você não está podendo exigir nada.

Saio do quarto, e desço com o Mouth, com os olhos lagrimejando de tanto ódio. Ele me pergunta se estava tudo bem, pois por mais que tenha tentando não pode deixar de escutar os gritos que vieram do meu quarto.

Não me contive e comecei a chorar ali mesmo. Nisso, ele me abraça ali mesmo e de alguma maneira, tenta me acalmar. Naquele momento King sai ainda de cueca pra fora do quarto e me vê abraçando Mouth. Perplexo com tudo aquilo ele me dá um grito e me ordena para sair de perto de Mouth, levanto do ombro de Mouth, olho para King e grito mais alto ainda;

- Oh seu embuste, você não está no direito de me mandar fazer nada, volte e se troque, estarei te esperando no primeiro andar com Mouth, vamos Mouth!!!’’, lhe dou as costas e saio.

No elevador, Mouth se manteve em silencio o tempo inteiro, sentiu que eu não estava bem. Tentei me instabilizar para encontrar com meu cunhado e minha irmã, sequei as lagrimas e quando iria começar a limpar meu rosto, ele segura minhas mãos e com uma voz tranquilizante pedi para eu me acalmar e aos poucos vai limpando meu rosto. Um misto de emoções toma conta de mim. Raiva, desconforto, mas de certa forma, uma calma misturada com um sentimento de paz que eu não conseguia explicar.

Encontramos com Beach e Mak. Ela notou que eu estava mal, porém não fez perguntas, logo depois King chegou. Mak e Beach avisaram que naquela noite iria ter um Luau na praia e que todos nós iriamos, pensei um pouco e me neguei a ir, mas Mouth logo me interrompeu;

- Você vai sim, e vai comigo, iremos beber todas!!!

 Apenas com um sinal de afirmação com a cabeça concordo com o convite dele.

 Subimos para nos arrumar, como de costume estaríamos todos de branco.

 

Mandei uma mensagem para Mouth pedindo para que ele não se afastasse de mim naquele local, pois algo estava acontecendo com King e que tivemos uma discussão naquela hora. Ele concorda em me fazer companhia e diz que iria me esperar na porta do quarto e que já estava pronto. Termino e vou a encontro dele junto de King.

 Depois de uma pequena caminhada chegamos ao local do luau, havia bastante gente, mas no meio de todo aquele pessoal fiquei me perguntado se aquela pessoa misteriosa estaria ali também. Mouth me oferece uma bebida que estava sendo servida, digo que não estava com humor para beber e me recuso. Ele entende que não estava bem e a todo momento ficou ali junto a mim. O celular de P’King começou a tocar, e ele já ficou extremamente nervoso com aquela ligação e disse que precisaria atender. Apenas o ignoro, estava muito irritado com ele no momento. Ele se retira, pra bem longe de mim, quando no mesmo momento recebo uma mensagem daquela pessoa misteriosa;

- “Se você quer saber de toda a verdade siga o King, ele está vindo a meu encontro, foi eu quem acabei de ligar para ele.” - mostro a mensagem a Mouth e atônito só tive reação de pedir para ele me acompanhar.

Não demorou muito para eu avistar P’King, começamos a seguir ele. Ele andou um pouco até que chegou em uma pedra que ficava a beira-mar, la se encontrava uma garota e em seus braços uma criança aparentemente recém nascida, não tive dúvidas de que a voz que escutei naquela ligação seria dela. Um pouco longe dos 3 vi que King estava bastante exaltado com aquela garota, não entendia o que ele estava falando porem os gritos eram bastante nítidos. Pedi para Mouth me esperar ali por perto que queria ir sozinho até eles.

 Comecei a me aproximar e escutei King dizendo aquela garota;

- “Você quer destruir meu namoro?”; no mesmo momento parei a discussão deles;

- O que está acontecendo aqui P’King? Como assim destruir o seu namoro? Me fale a verdade, já estou cansado de mentiras.

P'King se assustou ao me ver e ficou mudo, olhando fixamente para mim, quando a garota começou a explicar tudo, King grita e pede que ela pare no mesmo momento. Dava para sentir seu nervosismo quando ele mandou eu sair dalí, pois era algo pessoal dele, porém, me recusei a sair de lá sem saber a verdade. Ele começou a chorar e me pedir perdão repetidamente, estava desesperado. A garota segurava em seus braços uma criança, aparentava ser um menino pelo manto azul que o envolvia delicadamente. Chorando, a garota começa a falar com uma voz bem baixa: “Fall, sei que você não me conhece, mas é o momento de você saber o que aconteceu no passado. Lembra da nossa formatura? Você nunca me notou, mas eu estudava com vocês na aula de biologia e também estive naquela festa, me chamo Kimy. Naquele mesmo dia, quando King lhe deixou em casa…” King a interrompe aos gritos mandando ela não dizer, porém, começo a chorar e peço que ela continue: “…Depois de te deixar em casa, ele me mandou uma mensagem dizendo que queria me ver, me levou para uma balada, bebemos, fomos para um motel e transamos. King te traiu e não foi só uma vez, ele vem te traindo a mais de dois anos comigo, e esse menino é nosso filho! Me perdoe por ter escondido isso duram tê todo esse tempo Fall, você não merecia isso.”

Naquele momento fiquei paralisado, minha respiração ficou ofegante e na minha cabeça se passava milhões de coisas, apenas olhei fixamente nos olhos de P'King e saí correndo. Corri por alguns minutos sem nem saber para onde estava indo, avistei umas rochas, me deitei sobre elas e apreciei o céu. Só queria ficar sozinho, pensar e refletir sobre tudo. Tirei praticamente toda a minha roupa, ficando apenas de cueca, estava ficando sufocado com aquela camisa branca, saí correndo pela areia, gritando e chorando desesperadamente, não podia acreditar e aceitar que aquilo tinha acontecido, de repente eu olho para a lua e me sinto um pouco calmo, como a perceber a beleza daquele mar e o som das ondas me chamando até elas, mergulhei, e como não sabia nadar direito acabei me afogando e perdendo a consciência.

Do nada eu sinto um calor rodeando meu corpo, não era mais aquela água gelada de alguns segundos atrás, ouço uma voz masculina mas ao mesmo tempo suave e doce me chamando: “Fall! Por favor, não me deixe! Eu não o conheci agora para te perder, Fall!!! Acorde!.” Ainda estava desacordado, porém, conseguia ouvir essa voz que se tornava cada vez mais desesperada e gritante. Aos poucos recuperei a consciência, me deparei nos braços de Mouth que chorava descontroladamente, ele me abraçou e me agradeceu várias vezes por eu estar vivo. Ele me levou para o seu quarto, eu estava fraco e com muito frio, mal sentia as minhas pernas e por conta de tudo que tinha acontecido, eu desmaie e me perdi num sono profundo.

Quando acordei já estava amanhecendo, ao lado da cama estava Mouth dormindo no chão enquanto segurava uma de minhas mãos, tentei me levantar sem acordá-lo, mas falhei. Neste momento, Mouth se joga em cima de mim, me abraçando fortemente: “Jamais faça isso de novo, eu te imploro.” Sem entender bem o que estava acontecendo eu tento me levantar mas não consigo, sinto meu corpo pesado. Mouth pede para que eu continue na cama, ele iria fazer algo para eu comer, assim sigo suas ordens e me mantendo deitado.

Alinhamento Planetário

Não sou terráqueo, não sou normal e muito menos humano no sentido da palavra. Derivo da fração que é a arte. Residente no espaço que paira em meio à gravidade, em sua obesidade a colidir com asteroides e traçar o curso desta galáxia. Tudo aqui parece ser feito para ti enquanto direcionam-se para o vulcão solar. Os franzinos-sóis juntamente dos obesos astros num (des) alinhamento, com causa maior e por você contemplam tua beleza que chega a anos luz.

Eis que eles se pronunciam de uma forma pitoresca, de uma forma individual expressando teus efeitos sob a atmosfera.

Mercúrio é onde a arte toma fôlego e a extensão cinza muda para um tom abóbora sem tempero.

Vênus, uma fração mostarda-avermelhada que parece explodir e mimetizar o sol. Como se a atmosfera fosse proposital para chamar a tua atenção, numa espécie de cortejo que permanece pelas eras.

Terra, um conglomerado azul e marrom que se esconde em densas porções de chantilly. Brilha com um azul precioso e audaz para refletir tua proporção. Pois, a Terra e as estrelas nasceram para ti.

Marte, a parte da astronomia que completa a alma. Com um rubor tão vivo, pois tuas cavernas negras penetram deixando hematomas de vergonha. Então, essa atmosfera que nos leva a uma dimensão quase particular na ausência de água, pois tu fizeste toda umidez evaporar.

Júpiter, um planeta que de tão grande e curioso sai do eixo solar para te observar assim tão nua e tímida com esse sorriso bobo. “Eu amei as estrelas tão afetuosamente que é impossível ter medo da noite. E cada parcela pequenina e brilhante é de certa forma um traço de ti”.

Saturno, mesmo com 5 sentidos (anéis solares) para examinar teus rastros em torno da galáxia, tão vão que implode em ventos fortes, das cores marmóreas ao ouro. Ainda sim, com auroras e atrações mil nada é suficiente para presentear você que de tão esquiva, prefere fazer shopping no sol.

Urano, arado o pó das estrelas e direcionado, tu sopras sobre a atmosfera que se mistura com o vento e dança num carnaval gélido e azulante que expulsa gotículas d’água. Reluzindo lentamente num modesto brilho gelo e nuvens esparsas.

Netuno, navegar num oceano azul, o qual tão carmesim quando encontra a luz, além do sol num banho oeste de estrelas desconhecidas. Rompendo o vácuo estelar para conquistar tua atenção.

Plutão, um planeta verme-nanico que por não respirar oxigênio acompanha uma tristeza solene vestida de prata. Por não ter tua presença, então excluído e vitimizado com tanto amor resguardado. Mas com certeza, há algo em algum lugar incrível esperando para ser exibido.

E eu um mero mortal em traje. Visualizando você… A minha lua. Emitindo sinais fracos que não perpassam o que realmente reside no peito. Projeto de foguete rompendo a ionosfera para na tua extensão derivar como um lixo espacial, a rodear na tua orbita, rompendo a velocidade da luz e até o vácuo. Mas sem sucesso de aterrissar sobre ti, os teus cílios negros e os teus sons que me guiam, porém não saciam o que somente teus beijos fariam. Sem ar antes da hora como o teu afago, ou sem forças suficientes para não soltar a mão tua. Então, eu só posso observar você desalinhar da minha orbita e partir cravando um sentimento em mim.  

-GREGO

Então todos os dias alguém me perguntava o que havia acontecido. Pois o que aconteceu, meu bem, foi simples: eu matei a flor. Na minha ânsia de cuidado, afoguei a pobre. Era mais do que ela podia suportar, eu sei, e nunca fiz por mal. O meu amor era tão grande que transbordou, superconcentrou, e murchou cada pétala. Porque a gente nunca espera que a intensidade maltrate; a gente espera que o carinho floresça em cores fortes, em ramos verdes e firmes. E o que aconteceu foi que, meu bem, tudo murchou nas minhas mãos molhadas. Porque nem toda espécie se adapta às chuvas constantes e à terra úmida. E certas coisas a gente só entende quando se dá por perder. Os cactos gostam de solo seco e fim.
—  Rio-doce
Preference - Ele te faz passar vergonha.

Harry:

Cheguei no restaurante combinado e fui direto a recepção, sorri e antes de dizer algo uma música alta começou a tocar do meu lado e eu olhei assustada, encontrei uma banda de mexicanos com chapéus gigantes e bigodes, sorrindo e tocando violão, pra mim.

-Bem vinda senhora - a recepcionista disse feliz e eu fiquei parada.
-Oque é isso? - tentei dizer alto.

Eles fizeram um arranjo com violão e umas batidinhas de palma enquanto cantavam algo com ‘bela muchacha’, juntei os olhos quando vi Harry sair de trás da banda com um sorrisinho de lado e uma roupa estranha, ele usava calças normais e uma camisa florida, nas cores mais fortes que existem, a banda finalizou a musica e todos em volta aplaudiram.

-Oque é isso Harry? - falei enquanto ele vinha rindo.
-Gostou “muchacha”? - ele falou - fiz pra voce.
-Pra mim? - disse confusa - porque?
-Porque voce é minha pimentinha mexicana - ele disse imitando voz de bebe e segurando meu nariz.
-Oque - tentei falar - que merda voce ta fazendo?
-Awn não gostou tchutchuquinha? - ele fez biquinho.
-Harry sério - falei puxando ele que falava alto atraindo a atenção de todos - vamos conversar.

O puxei pelo braço um pouco depressa e paramos num canto do lugar, o encarei séria do tipo “oi?” e ele continuou sorrindo feliz.

-Voce não ta com fome? - ele falou indiferente.
-Quero saber porque fez esse show - falei óbvia - e essa camisa?
-Ah voce notou? - ele riu com vergonha.
-Voce parece uma batida de abacate com cenoura, eu não notaria isso?
-Boba - ele riu me puxando - vamos comer.

Tentei ignorar o começo e o segui para dentro do restaurante, ele agiu normal ao solicitar nossa mesa e eu me dirigi a cadeira em silencio.

-NÃO - ele gritou me fazendo pular - eu sou um cavalheiro.
-Que merd

Então ele puxou a cadeira pra mim e eu me sentei devagar ainda o encarando assustada, então ele foi rapido pro seu lugar e se sentou, colocou a cabeça sobre as mãos na mesa e sorriu doentil.

-Harry - falei calma.
-Não - ele disse manhoso - Harry não, me chama de moreco.
-Que? - dei risada.
-Eu sou o moreco e voce é a mômo lembra?
-Meu deus - levei a mão a boca e o garçom chegou.
-Olá - Harry sorriu largo pra ele.
-Olá - o garçom cumprimentou - os senhores já vão pedir?

Me virei pro cardápio e Harry se levantou, o encarei com medo e ele parou ao lado do garçom e o abraçou de lado.

-Olha pra ela - Harry disse a ele apontando pra mim - não é a coisinha mais linda que voce já viu?
-Harry - falei alto envergonhada.
-Não, é sério - ele voltou a dizer - pode falar, não sou ciumento.
-Senhor - o garçom começou sorrindo.
-Um chuchuzinho não é? - Harry disse.
-HARRY - gritei e ele me ignorou.
-Ela é bonita sim - o rapaz disse.
-Ela não parece um moranguinho com leite condensado? - ele disse e eu me levantei.
-Chega Harry - falei o pegando pelo braço de novo.

O arrastei de volta pra fora e quando saimos ele começou a gargalhar, cruzei meus braços fechando a cara e ele sentou na guia da rua com a mão na barriga de tanto que ria, perdeu o ar e voltou a rir de novo apontando pra mim.

-Lindo - falei ironica.
-Moranguinho com - ele não aguentava terminar - voce tinha que ver sua cara.
-Voce é um idiota sabia? - falei negando com a cabeça.
-Ah para - ele se levantou ainda rindo - foi a melhor de todas essa.
-Como é idiota - falei cerrando os olhos.
-Para moranguinho - ele disse manhoso batendo os pés e voltou a gargalhar quando dei de costas e sai andando pela rua - ESPERA AMOR.

Louis:

Louis pegou os ingressos da mão do atendente e depois fomos direto para as escadas rolantes, ele estava um pouco quieto demais e eu estava estranhando isso, subimos e chegamos nas catracas do cinema, ele entregou os bilhetes e entramos.

-Tudo bem? - falei pegando na sua mão.
-Sim - ele sorriu de volta.

Entramos na sala e os trailers já haviam começado, procurei nossos lugares e o conduzi pela mão, nos sentamos em silencio e eu desliguei meu celular, alguns minutos se passaram e os trailers não acabavam, Louis tirou a mão da minha e pousou na minha coxa, o olhei desconfiada e ele fingiu não saber de nada.

-O filme nem começou e isso aqui já ta uma chatisse - ele disse no meu ouvido.
-Voce tem que tirar essa sua má impressão dos cinemas - falei batendo em seu ombro.
-Eu vou - ele disse e apertou um pouco minha coxa.

Ignorei e os trailers finalmente acabaram deixando a sala escura novamente, a sessão estava lotada e tinha gente em todos os lados, esperei e então vieram as chamas pro filme, Louis subiu sua mão na minha perna e eu o olhei na mesma hora.

-Nem pense nisso - falei e ele riu baixo.

O filme começou e eu tentei cruzar as pernas mas ele não deixou, o vi se ajeitar na poltrona e ele soltou um gemido rouco, me virei pra ele de novo e ele continuou na mesma posição, pensei ter ouvido errado então ele soltou mais um gemido, dessa mais um pouco mais alto.

-Para amor - ele disse num sussuro audivel.
-Oque? - falei indignada.
-Tira a mão dai - ele disse no mesmo tom e algumas cabeças se viraram.

Abri a boca chocada e ele sorriu sacana, o belisquei na perna e ele gemeu mais alto agora, pessoas viraram para nós assustadas.

-Desculpe, ela não resiste a uma sala escura - ele falou baixo mas todos escutaram.
-Eu mato voce - falei pra ele.
-Para S/n, assim não, machuca - ele disse se virando pra mim - faz devagar.
-Louis Tomlinson - eu já ouvia risadinhas e zuações em volta, meu rosto queimou.
-Ai amor - ele gemeu - vamos, mais rapido - ele ofegava - assim, isso.

Tentei me levantar mas ele me impediu segurando minha cintura, sentei na poltrona de novo e ele começou a me abraçar dando risadas abafadas.

-ISSO - ele gritou e olhou em volta - desculpem.
-Desgraçado - falei batendo em seus braços que me prendiam.
-AH CHEGUEI -ele disse alto de novo e fingiu soltar o ar aliviado - obrigado amor, foi ótimo.
-Sai daqui - falei quando ele me beijou gargalhando agora.

Liam:

Ele estacionou num posto de gasolina e pediu para encherem o tanque, esperei balançando a cabeça no ritmo da musica e ele começou a me encarar sorrindo.

-Com fome? - perguntou.
-Um pouco - disse dando de ombros.
-Vamos procurar algo.

Sai do carro e ele tambem, pagou ao frentista e trancou o veiculo, peguei em sua mão e caminhos direto para o mini mercado que ali tinha, entramos e parecia um tanto cheio, franzi a boca e Liam deu de ombros me puxando pra dentro, fomos direto ao corredor de bebidas e eu abri uma geladeira para pegar refrigerante, a lata escorregou e eu deixei cair sem querer.

-EU NÃO ACREDITO - Liam gritou me fazendo encara-lo assustada.
-Calma já peguei - eu ri e devolvi a lata.
-DEPOIS DE TUDO OQUE EU FIZ? - ele gritou abrindo os braços.
-Que? - disse encarando sua cena.
-S/N EU NÃO ACREDITO NISSO - ele gritou mais alto ficando vermelho.
-Liam - falei alto - oque voce ta falando?!
-EU SOU UM OTÁRIO MESMO - ele disse.

Ele começava a atrair a atenção de todos, as pessoas invadiram nosso corredor com cara de curiosas e um rapaz até chegou a ficar ao lado de Liam com medo que ele avançasse em mim ou algo.

-Eu devo ser o cara mais idiota do mundo - ele olhou em volta - sabem oque ela fez?
-Oque? - eu disse assustada.
-ELA ME TRAIU - ele gritou e todos suspiraram - COM MEU PAI.
-QUE?! - eu gritei de volta.

As pessoas em volta se olharam indignadas e me encararam com ódio, abri minha boca totalmente chocada e o encarei sem ter algo pra falar, Liam começou a ter lágrimas nos olhos e se ajoelhou no chão.

-Eu acabei de ver o vídeo dos dois - ele dizia com voz de choro - na cama.
-LIAM - gritei mas era tarde.

Alguns vieram e o abraçaram confortando, fiquei parada e sendo encarada por dezenas de mulheres e homens.

-VAGABUNDA - uma mulher alta gritou.
-Mas eu te perdoo - ele voltou a dizer e se levantou - te perdoo porque te amo.
-Eu não acredito nisso - falei baixo.
-Pois acredite, meu amor é maior do que isso - ele disse e me abraçou a força.
-Me solta - falei baixo e ele riu.
-Desculpa - ouvi entre suas risadas.

Niall:

Ele tinha organizado mais uma vez uma tarde de futebol para a caridade, era a segunda esse ano e como eu não pude ir na primeira, ele praticamente me intimou a essa, sentei em uma das poltronas na sala da coletiva de imprensa e esperei com tédio que ele chegasse.

-É agora - ouvi alguém gritar e a porta abriu.

No mesmo segundo alguns flashes invadiram o palco e ele surgiu sorrindo e acenando, um jogador famoso da seleção inglesa tambem estava junto, os dois se sentaram já com os uniformes prontos para a partida a seguir.

-Olá, bem vindos - ele começou - obrigado por estarem aqui, posso começar com voce?
-Niall - o rapaz que ele apontou se levantou - quanto pretende ganhar pra instituição?
-Minha meta são quarenta mil - ele respondeu.
-Niall - uma moça se levantou - essa é a ultima partida?
-Não, quero fazer mais uma esse ano - ele falou.

Um outro senhor levantou mas dirigiu a pergunta ao jogador do lado dele e então ele me encarou e sorriu, sorri de volta e observei o andar das perguntas, o tédio estava voltando com todas aquelas perguntas sobre táticas, fundos, partidas, amigos, abri a boca bocejando até que ouvi uma pergunta interessante.

-Niall - era uma mulher - quer dizer algo a sua namorada?
-Não - ele disse sorrindo envergonhado - na realidade quero sim.
-Pode nos dizer? - um senhor perguntou e eu sorri pra ele.
-Sim - ele disse e todos vibraram - S/n, eu vou contar pra eles - ele me olhou - eu sou gay.

Um minuto de silencio se propagou e as pessoas ficaram sérias encarando ele, esperando que Niall desse risada ou algo mas ele não fez, ficou sério tambem e chamou a próxima pergunta, eu prendi a respiração desacreditada e então uma explosão de risada se deu.

-Do que voces estão rindo? - ele disse sério - eu não estou brincando.
-Niall - cada um gritava de um lado com as mãos levantadas e ele pediu silencio.
-É a primeira vez que toco no assunto - ele disse - sou gay sim, estou em um relacionamente sério com um amigo da familia.

Abri a boca chocada com a revelação, mesmo sabendo que era pura brincadeira eu não disse nada, todos se viraram pra mim procurando alguma explicação e eu não me mexi, Niall também não riu.

-Meu namoro com a S/n era uma fachada - ele falou baixo - eu gosto de homem.
-NIALL - começavam a ferver os gritos.
-Gosto da fruta - ele dizia - adoro ser a dona de casa pervertida - ele piscou rindo abafado e eu abri mais a boca.
-NIALL AQUI - gritavam filmando tudo.
-Não sou bi, sou gay mesmo - ele continuava - tenho nojo de beijar mulher, gosto mesmo é de uma testosterona.
-NIALL POR FAVOR - alguns gritavam.
-S/n desculpa - ele se virou pra mim - mas estou pegando na bunda desse cara do meu lado agora mesmo.

O rapaz se virou pra ele e então ele não se aguentou, começou a gargalhar alto e ficou roxo de tanto rir, abaixei minha cabeça entre as pernas e ouvi sua gargalhada alta sem poder dizer nada.

-Filmei - ele disse ainda gargalhando alto.
-Meu deus - falei baixo tapando os ouvidos.

Zayn:

Zayn pegou na minha mão e entramos no corredor escuro da balada, a musica alta agora era ouvida por nós e eu sorri gostando da vibração que ela fazia dentro de mim, entramos no lugar por uma escada enorme e eu olhei pra pista lotada.

-Isso ta fervendo de gente - falei alto e ele concordou.
-Vou beber - ele disse.
-Não amor - puxei seu braço - vamos dançar.
-Odeio dançar S/n - ele disse com uma careta e eu virei os olhos - pode ir voce, depois te encontro.

Concordei de prontidão e nos separamos, eu andei depressa pela pista cheia de gente e comecei a me balançar no ritmo da batida, cheguei no meio da pista e agora a musica parecia mais alta, estava cheio mas dava para dançar bem, rebolei e fechei os olhos sentindo a emoção.

-Oi - ouvi ele dizer no meu ouvido.
-Nossa já? - falei sorrindo.
-Vim te mostrar como se dança - ele falou pedindo espaço.

O encarei sem entender e então ele começou a tirar a jaqueta que usava de uma forma um pouco desajeitada, continuei encarando sem alguma reação iminente e então ele jogou a jaqueta pra mim ficando só de camiseta regata.

-Eu sei, voce ta com inveja - ele apontou para um cara que passava.
-Zayn? - falei.
-Agora não - ele disse empurrando meu rosto.

O olhei indignada e então ele subiu a regata gingando, abri minha boca inconformada e ele girou o pano acima da cabeça gritando, todos em volta abriram espaço e começaram a olhar sua performance.

-Segura essa - ele jogou a regata pra mim.
-Zayn - gritei assustada e ele me ignorou.
-Voces me querem peladinho né - ele gritou pra multidão que gritou de volta - assim que eu gosto.

Então ele desabotoou a calça e a desceu de uma vez só arrancando pelos pés, levei a mão a boca e o dj começou a tocar uma musica de strip tease e todos da balada pararam pra ver, tirar foto, gritar, rir, eu tentei me esconder.

-Grita pra mim - ele dizia e todos obedeciam.
-Chega - gritei de volta e invadi seu espaço pegando ele pelo braço - poe essa calça.
-INVEJOSA - ele gritou na minha cara e subiu a calça.

Enfiei a unha em seu braço e o puxei dali fazendo ele vestir o resto das roupas, quando chegamos no bar ele já gargalhava alto apontando pra mim e eu fechei minha cara esperando ele terminar.

-Não tem graça - falei.
-A gatinha toda toda se achando porque queria dançar - ele continuava a apontar pra mim rindo.
-Mato voce - comecei a dar tapas em seu braço.
-Ai, adoro fazer voce pagar mico - ele disse respirando.
-Quem pagou foi voce - gritei nervosa.
-Eu não - ele disse - quem é gostoso assim nunca paga mico.
-Idiota.

Honestly it’s so weird that if there’s someone no longer on screen, supergirl just pretends they don’t exist anymore???? Like even if they weren’t series regulars, characters, we spent several episodes on lucy and vazquez–hell, quite a bit of the plot hinged on lucy and she was finally finding her own family and had people who really cared about her and was doing what she loved–helping people– and now she’s just gone??? For no reason??? And we’ve literally heard cat talked about 0 times really like we haven’t even heard anything like Kara listening to the radio or watching tv to hear various news sources talking about what she’s doing, hell we haven’t even /seen/ kara at catco in a while????

We have 0 idea of what she’s really doing as a reporter, or how that’s fairing, or how she feels with Cat gone. Even with Calista off screen there’s still plenty to do with that. Or how Clark and Kara talked about how there’s a bunch they needed to talk about–like alex bringing up the fact that Clark ABANDONED HER– and just last season we saw kara and Clark texting a bit and we haven’t seen that at all this season? And they could have done that at least a little with Cat?

And don’t get me wrong I am so glad I don’t have to see trashwell lords face anymore–although there’s a huge relief now that I know there’s 0% chance they’d have alex and max get together now– but like. He was p much the main antagonist last year, and Cadmus is something right up his alley. And last we saw of him was general lane handing him the fort rozz core. Like what. What happened there. Don’t bring him back or anything, but at least be like “oh yeah we found lord tech at the cadmus warehouse, big surprise and we’d question him but too bad he moved to insert country here”

nós criamos o nosso inferno; desenhamos seu mapa, colocamos tijolo por tijolo um a cima do outro, enfeitamos e o pintamos de cores fortes. escolhemos a dedo as cores e usamos contrastes para estampar nossos excessos. passamos a nos sentirmos em casa em nosso inferno particular lar-doce-lar mas ainda temos coragem de dizer que foram eles que compraram as tintas eles que nos manipularam a criar desenhar e construir e que eles também devem pagar usar e gostar do que nós fizemos pra nós mesmos

Muda

Ela dizia: você não muda.
Mas também nunca se fez solo fértil e cabia à mim olhar pro céu e pedir chuva pra aguar tanta secura.
Certo dia, por piedade ou engano, o passarinho do destino me levou dali, depois o vento, tempestades, outros campos, outras covas rasas, ou profundas demais, rebuliços e primaveras.
Eu mudei tanto, me plantei no chão do meu coração, no útero da minha alma, semeadura de amor próprio, que me fez mudar, florir, jardim de raízes fortes, cores das mudas de mim, que agora via a verde relva do mundo que sorri de volta.
Aprendi: Ninguém muda ninguém, mas pode crescer junto.

- J. Victor Fernandes,
Transtorno Poético.

Era uma...
Foi embora. Deixou tudo pra atrás. E agora? É seguir o caminho da paz. Cansado da vida. Fez plano de viagem. Lembranças e sonhos. Botou na bagagem. A visão dos que chagavam em seu apartamento era de.. Uma sombra cuspindo cores fortes que fizeram sua mãe chorar. Um carta que dizia que ele nunca mais ia voltar. A solidão o tomou a falta de atenção. Fez sua emoção falar mais alto que a razão. O laudo disse que ele não pensou no que fez. Porque.. se pensasse, não teria feito. Costuma ser desse jeito. O detetive a explicou que não tinha sido nenhum fator externo. Ele próprio quis embarcar nessa viagem. Não havia sequestro, nem indícios disso. O garoto quis ir embora e assumiu o compromisso. Todos sabiam o motivo mas não era o momento apropriado para revelar. Sempre foi estranho e sua estranheza faziam todos se afastar. O silêncio de um choro deixava os que estavam no local surdos. O desespero, o barulho daqueles que ficaram mudos. Fica difícil acreditar.  Que Deus queria isso. Mas em quem confiar quando se precisa apenas dele. A única esperança é que o garoto estaria em seus braços. Braços esse que nunca acreditara. A visão de um menino que perdeu a esperança. Era apenas do horizonte. A trilogia de cores que se misturavam sem estar juntas. Três opções, apenas dois caminhos. Em poucos segundos, seu destino seria traçado. Mas será que ir pro inferno quando se busca viajar. É injustiça ou aprendizado. Não se tem a chance de aprender quando o castigo é eterno.  O azul no meio era tão intenso que.. Parecia misturas de águas do mar com as cores do céu. O branco ao alto parecia o infinito, seu abismo. E em baixo havia o sol, de um vermelho tão forte. Que mau podia olhar fixamente, pois, perderia sua visão. Esperou por horas o a sua condução. Nenhuma carona apareceu, percebeu que teria de se virar sozinho. Procurou a cor mais agradável. E seguiu andando. Poucos segundos depois, se arrependeu de ter comprado a passagem.
Quisera eu, no leito da cinza morte
Flores negras pra m'estilhaçar o peito!
Em négreos devaneios-azedume
Como aquarelas de cores tão fortes
Na palidez do silêncio derradeiro
Arder-me em memórias de amar
E no afiado gume: lembrar teu beijo!
Suspiro meus tantos romances
Que tive com a mesma mulher
Incêndios! Ígneos sempre amantes
Mas nunca de fagulhas quaisquer!
Na noturna entoo meu canto
Aos lábios que jamais beijei
Perdão se outrora, me fiz egoísta
Mas tempo algum tive paixão divida
Pois nos imensos viveres da vida
Somente uma flor-mulher amei!
No sepulcro meus olhos se rasgarão!
Pelos febris vergalhos de saudade
Qu'esta velha e surrada alma invade
Por ter ciência que os meus olhares
Nas noites invernais não mais te fitarão!
—  Annd Yawk