conversacult

Ela tinha dois braços
Sete canetas pra quebrar
Mas um único jorro de ideia
Que se refez em mil pedaços
Uma loucura.
Um jogaço!

De quatro fomos a onze
As colunas gerando ouro no bronze
A tv da janela
A postagem pautada
Jornalistas? Que nada!
Éramos uma merda

Mas hoje, olha só
Veja bem, não somos um nó
A Pauta cortada
O particípio evitado
Viramos gerúndio
Que inesperado!

Balançando literatura
Falando de cinema às quintas
Uma montanha com moldura
É o vídeo sem muitas rimas.

Nós somos a conversa que vai longe
Uma debate misturado,
Uma publicidade com letrados
Um roteiro sem retrato.

Temos até médico, que bizarro!
Quem escreve não é o homem
O artista orienta
Para que o texto tenha, enfim, um nome.

É cultura, é ignorada
100 curtidas, uma piada
Mas começou com um tiro
E agora somos 2 mil num segundo
Videogames, um mundo.

A nossa rima é banal
A estrofe descompassada
Mas a tentativa não foi frustrada
Acabo de perceber, veja bem
Seríamos mais que uma empresa
Seríamos maior que a Galáxia!

Portanto, não se esqueça
Verso falso tá valendo
O que não vale
É dizer que somos um fiasco
Ou esquecer de assinar lá embaixo.

—  I.M.

Eu comia saudade
Vomitando sacanagem
Como num sexo selvagem
Imaginava-o nu, você sabe
O prazer bem a vontade

Eu comia apego
e você discorria desassossego
Para com isso, meu nego
Para de pintar a parede
Com essa sua sede
Com essa sua insistente carnificina
O sangue é nosso,
O sangue é raso
E eu já tomei a sua vacina

Vem pra cá,
Me ilumina
Me imagina
A noite toda
Toda fina.

—  I.M.