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Ele pode te ignorar quantas vezes ele quiser, pode fazer você querer se fechar de tudo, pode fazer você se odiar por perdoar tantas vezes, pode te fazer se sentir idiota e também pode fazer da sua vida um estardalhaço de confusões e dúvidas. Mas sabe o que é? É dele que você gosta. E é com ele ao seu lado que você imagina passar a sua vida inteira.
—  Bianca Andrade.
Sou paranóica e desorganizada. Até demais às vezes. Sou muito teimosa, mas também sou muito romântica. Sou carente, mal humorada, animada. Odeio ser cobrada e forçada a fazer algo que eu não queira fazer. Me sobe um ódio. Mas outras vezes vou lá e faço logo. Entendo pessoas que não me entendem porque nem eu mesma me entendo. Não preciso de ninguém fingindo que gosta de mim, nem da pena de ninguém. Sou tipo um mix de tudo. Sou complicada demais, mas ao mesmo tempo simples como o piscar de olhos. Admito que sou cheia de sentimentos e defeitos, mas qualidades são umas e outras perdidas por aí. Não sei o porque, mas não consigo me encaixar em moldes pré-existentes. É como se tudo fosse único pra mim e que ninguém nunca foi antes de mim. Sinto tudo que pesa e tudo que tem o dom da leveza. Choro e me manifesto em sorrisos. Sou tudo que você possa imaginar. Me incomoda pensar que tudo vai cair em cima de mim e ainda mais o meu medo de ser peso demais para o meu colo frágil e inseguro. Sou diferente.Sou algo forte, mas que se desmancha quando encontra a água.
— Você nunca me falou das suas manias.
— Acho desnecessário — retruquei.
— Mas agora eu quero saber.
— Só se você falar as suas também.
— Tá bom, mas você começa.
— Bom…eu falo junto com as mãos, acho que é pra dar mais ênfase, ou sei lá, ser espaçosa.
Ele ri.
— Eu confio nas pessoas erradas.
— Falo demais.
— Sempre penso que amanhã será melhor que hoje.
— Amo andar descalça e minha gargalhada é extravagante.
— Isso eu percebi — continuou — Tenho que admitir, me emociono fácil.
— Me irrito fácil.
— Bom saber — provocou — Sou idiota.
— Isso não é novidade. — retribui.
— Adoro ligar o foda-se.
— Eu também.
— Que mentira!
— Foda-se. — Rimos e depois continuei — Pelo menos temos umas em comum, adoramos irritar quem amamos.
— Só se for você.
— Admite que me ama.
— Mas foi você que acabou de me irritar.
— Mas eu não te amo.
— Nem eu.
— E entre as manias…Eu sei mentir.
— Eu também…
Vou colocar a dor e a decepção no bolso e estampar no rosto a felicidade. Vou esconder a angústia no casaco e andar com o cardigã da alegria. Vou andar de mãos dadas com o amor próprio e fingir que só ele me basta e que nossa relação está ótima. Vou andar armada de indiferença e ver se ela funciona. Irei me encontrar todos os dias com o afeto e fazê-lo conviver comigo antes que a agonia chegue de viagem. A agressividade tá querendo se chegar, mas vou chamar a gentileza pra dar um jeito nisso. Me afastei do apego pra ver se a dose de arrependimento diminui e para que o bom humor volte a ser meu amigo como o ciúme e a carência estão sendo. A confiança e a esperança estão se mudando e me deixando mais uma vez, assim como a coragem. Tô vestida de indecisão misturada com ilusão de tanta convivência com elas. E o desejo como sempre está dando em cima de mim, igualzinho ao medo. E o orgulho está cada vez mais frequente na minha roda de amigos. Sinto falta da paciência, desde que ela se casou com a pressa ela não fala mais comigo. E a saudade que todo dia bate na minha porta? Já está enchendo o saco. Assim como me irrita ver a vontade e a timidez brigando pela minha atenção. Mas sabe o melhor disso tudo? Tô melhor amiga da fé.
Amo conversar com você. Sobre tudo. Seja televisão, filmes, música […] E amo ver você ficar bravo por ciúmes, de uma maneira ou de outra isso me atrai e me deixa cada vez mais fascinada por você. Adoro ficar ao seu lado, sem fazer nada, pode parecer estranho mas é um dos meus passatempos prediletos ficar parada ouvindo o seu silêncio. Na verdade, te curto de todos os jeitos, quando está feliz, que é quando você ganha luz própria e quando está triste, onde você se mostra humano e frágil, como qualquer um. E você não sabe como me encanta ver você batendo o pé acompanhando uma música que você goste. E não vejo a hora de te observar dormir. Gosto de imaginar nós dois juntos, seja no cinema ou tomando um sorvete. E o melhor de tudo, gosto de pensar que você sente algo por mim.
Esses dias eu pude afirmar que não estou mais apaixonada por ninguém, ou pelo menos eu acho que não. Descobri da maneira mais inesperada que pude imaginar, mas descobri. Me senti livre. Nunca escrevi cartas muito bem, mas espero que pelo menos essa você entenda com clareza. Eu não te amo mais. Pelo menos não como antes, e de um jeito torto mas sincero hoje tive forças para admitir. Acho que não passamos tanto tempo juntos para resolvermos quaisquer que sejam os problemas que já existiram entre nós, por isso mesmo ainda não tenho certeza que se te entregarei esta carta. Seja por mim, seja por você. Apenas não sei. Tenho pensado muito em mim ultimamente e descobri o quão presa eu estava a você e a esse sentimento que durou e morou bastante tempo no meu coração. Então cheguei a uma conclusão — Eu tinha que passar por você, não sei o porquê, apenas sei que minha jornada teria que passar por você e por cima de mim também. Mas sei também que ela ainda não chegou ao fim, porque o caminho é longo e sinuoso, entretanto me leva em direção ao lugar que eu pertenço. E eu não pertenço a você. Nem você pertence a mim. Nós não nos pertencemos como eu queria que pertencéssemos a pouco tempo atrás. Quero acreditar que isso é verdade — vamos mudar isso, eu sei que é verdade. Impossível eu estar mais perdida do que eu estava antes de nos conhecermos e eu vi algo em você que me fez enxergar um rumo novo. Me enganei. Você nunca esteve comigo. Passei um bom tempo digerindo tudo isso e agora sei que chegou o momento de ir embora e não tenho certeza quando ou se vou voltar, e apesar de não fazer muito tempo, não sinto mais tanta saudade como um dia eu senti. Parte de mim gostaria se guardar esse amor numa caixinha e só tirá-lo de lá na hora certa, outra parte quer aproveitar e jogá-lo no lixo como todos os outros. Afinal, se tudo fosse tão verdadeiro como eu pensei que fosse nós teríamos dado certo. Fui fraca. Não é algo em que eu me orgulhe, mas fui. Porém, me sinto aliviada por não forçar mais sorrisos e enxugar lágrimas com a justificativa de olhos úmidos por conta do vento. Eu me sentia numa praia ensolarada, mas o tempo ficava cada vez mais frio. E o problema foi estranhamente eu gostar do frio. Mas finalmente olhei para o céu e vi as nuvens no tom de cinza, tempestade a caminho. Então eu não tive muita escolha e acordei. Aposto que sua expressão nesse exato momento é de surpresa. Apenas percebi que só devo colocar minhas esperanças quando o interesse de quem quer que seja por mim, seja pelas coisas que ninguém pode ver. Humor, Integridade, Sensibilidade. Seria realmente estranho, mas cativante. Eu não te amo mais. Não sei por quanto tempo isso irá durar, mas aproveitarei cada segundo. Não sei explicar porque me sinto assim, ou o porquê isso teria importância para você. De qualquer maneira, recebe esta carta com carinho e com o coração aberto, porque é exatamente assim que estou escrevendo-a. Ah, e fica bem. Com amor, uma apaixonada de longa data.
Às vezes me pego sozinha, trancada no meu quarto pensando em você. Ou em nós. Ou como seria se um dia eu pudesse te abraçar. Ou como seria se pudéssemos assistir a um filme juntos num domingo chuvoso. Como preferir. E como costume, pego meu caderno e a caneta para tentar te escrever de novo. Não sei o porquê, mas nesse dia as palavras não saíam. O que eu sentia eram somente raiva e medo. Dessa distância. Eu nunca fui de acreditar nesses amores que se revelam e crescem mesmo com uma distância enorme atrapalhando tudo. Nunca tive tempo de me questionar o porquê de me fechar tanto a algo. Só que… isso não é caso a se pensar, acontece. Mesmo com mínimas possibilidades. Como foi o meu caso. Eu não era de me apaixonar nem por quem estava a menos de um metro de mim, imagina só a quilômetros? Só que veio você e me mostrou algo diferente. Novo. E estranho. Até então não sei de onde tiro forças para continuar, seja lá o que seja. Acho que elas surgem quando ouço sua voz me dizendo o quanto sou forte, mais do que eu possa pensar. Mas você sabe tanto quanto eu que não é nada fácil. E também existem as emoções, essas, eu não posso controlar. Eu sei que ainda vou chorar, ainda terão momentos em que irei achar que não conseguirei continuar. Mas prometo agir como se eu fosse conseguir. Por você. E nesses momentos, vou tentar controlar o que posso, que são minhas ações. Eu havia me apaixonado por alguém que nunca sequer toquei. Isso mexe com o subconsciente de qualquer um. Acredite. E mesmo que um dia tudo isso acabe, ainda terei as lembranças, as quais terei um cuidado infinito. São e serão tão reais como se um dia tivéssemos passeado pelo parque de mãos dadas. Ah, e ignore as manchas no papel, assim como estou ignorando as lágrimas que começaram a cair no vazio do meu quarto. Eu te amo, e tenho certeza que você sabe disso. O que você talvez não saiba é que tenho minhas dúvidas se um dia eu soube o que era amar alguém realmente antes de você chegar. Quando escrevo pra você, sinto sua respiração. E espero, que ao lê-las, você sinta as minhas. Essas cartas já fazem parte de tudo que somos, parte da nossa história, elas sempre irão nos lembrar que superamos esse período que não pudemos ficar explicitamente juntos. Obrigada por me ajudar a sobreviver a estes momentos sem você. E obrigada mais ainda, pelos momentos que virão, ao seu lado.
—  Bianca (contra-dizer)
3

Não são só lembranças. São momentos. Únicos. Não é só a sensação de tudo ter acontecido muito rápido, é muito mais que isso. É vontade. É angústia. É desespero. É alegria. É tristeza. Lembrar de você é voltar ao nosso primeiro “oi”, a nossa primeira conversa, a nossa primeira risada […] E sem falar da tortura que é para o meu ego. Tortura, para falar a verdade, é relembrar o dia em que realmente me toquei que estava apaixonada por você. Puft, parece que foi ontem. Quando me dizem a seguinte frase “o amor só é verdadeiro quando se é recíproco” , me dá um aperto no coração. Fico confusa. Porque é assim que você me deixa, sem saber o que realmente você sente por mim. Você me olha de um jeito indisvendável, e eu nunca consigo saber o que você realmente está pensando . Você ama me irritar e eu amo acreditar que esses são sinais que você sente algo por mim, aumentam minhas esperanças. Mas não o bastante. Por outro lado você às vezes me esquece (ou finge, ainda não consegui descobrir), e você não mostra se importar. Assim fica difícil né? Como vou saber se esse meu amor é recíproco pelo mínimo que seja? É esse silêncio que me corrói. Odeio esse silêncio. É como se toda coragem que existisse dentro de você sumisse quando se trata de mim, de você, ou quem sabe de nós. Mas também possa ser que isso só aconteça na minha mente iludida e que deseja que isso seja verdade mais que tudo nessa vida, mas as dúvidas e questionamentos são frequentes e não deixam que esse sentimento, seja lá qual for, saia de dentro de você, para se tornar meu, para se tornar nosso. Eu sei que também sou covarde em esconder tudo isso de você, em guardar tudo para mim ao invés de meter a cara e seja lá o que Deus quiser. Mas simplesmente eu não posso, porque meu orgulho é grande, supera minha coragem e a minha vontade, não a vontade de ficar com você, mas a vontade de te falar tudo, aos mínimos detalhes. Não vou mentir, tento te esquecer todos os dias da minha vida, tento não te “stalkear”, tento não lembrar do seu abraço, tento não lembrar do seu sorriso, da sua voz […] Ta aí, não tem como, tudo me lembra você. Seja aquela música triste e me faz ficar no fundo do poço, seja aquela música animada que você gosta, ou seja aquele rock que adoramos compartilhar juntos. É impossível, pelo menos pra mim viver e não lembrar de ti em cada detalhe que eu vejo, ou que ouço…Você é muito mais do que aquele cara engraçado, lindo e infantil. É otário. É cego. É criança. É imaturo. Mas não falando nada disso pra você, me torno mais imatura ainda. O medo é outra coisa que me intimida, me incomoda e me enfraquece, porque a soma do medo e do orgulho é assustadora. O orgulho de um lado, fazendo que eu me humilhe dizendo tudo que sinto, e você por cima. E o medo de outro lado, lembrando e relembrado constantemente de que as chances de eu tomar um “não” na cara não são descartáveis, e sim enormes. Tudo isso está me sufocando de uma maneira sobrenatural, assim como o poder que você tem sobre mim, como me odeio por apenas um olhar seu me deixar hipnotizada.  Assim eu sigo, enganado a mim mesma que sou forte e que aguento tudo isso, mas no fundo sei que não, porque já levei outros tombos antes e não é nada fácil levantar e tentar seguir em frente outra vez, afinal, sou boa nesse tipo de disfarce. Vai me dizer que não é melhor dizer que está tudo bem? Porque achar os que se importam de verdade é difícil e dividir seu coração com qualquer pessoa é uma missão suicida. É cedo pra desistir, admito. E nem eu mesma quero isso. Você pode me achar louca e contraditória ao saber disso tudo. Não é normal, eu sei. Mas existe mesmo limite de normalidade para o amor? — Biancacontra-dizer

  • Ele:Você está namorando?
  • Ela:(longa pausa) Sim, estou. Algum problema?
  • Ele:(Morde os lábios, prende as lágrimas) Não.. Nenhum, eu desejo que vocês sejam felizes.
  • Ela:Obrigada, sei que seremos muito felizes, pois eu amo ele como nunca amei ninguém!
  • Ele:(Deixa as lágrimas escaparem, sussurra) Eu estou mentindo..
  • Ela:(Olha para ele com os olhos cheios de lágrimas) Eu também..
  • (contra-dizer)
Não era pra ser assim. Não era pra ser covardia, rancor e indiferença. Era pra ser amor, carinho e compreensão. Eu te amei, de todas as maneiras que possam existir, eu te entendi da forma mais compreensível que pude e você não enxergou nada disso. É como se você gostasse de me fazer de idiota, será que eu sou mesmo tão fácil de ser manuseada assim? O que você pensa sobre mim agora, eu não sei, mas o que eu penso sobre você esbarra em desgosto, angústia e decepção. De todos os cafajestes que pensei ter amado, você eu realmente amei. E amar por dois não dá pra mim, é muito masoquismo para uma pessoa só. O tempo de te esperar passou, sei que te esquecer eu não vou conseguir, mas quem disse que preciso disso pra seguir em frente? Você perdeu quem mais te amava. Eu queria o nosso amor, não apenas o meu.
Já perdi algo que não pude substituir. Amei alguém que eu não podia ter. Ou ainda amo, sei lá. Já tive tanta coisa pra falar e não soube dizer. E pior, já falei tanta coisa e ninguém soube ouvir. Mas a vida não é mesmo feita assim? Erros e decisões que podem mudar o rumo das coisas completamente. Mas também já entraram pessoas maravilhosas em minha vida. Não foi você e nem será você que vai me fazer acreditar que a vida não vale a pena. Eu vou me convencer que viver não é amar você.
—  Bianca Andrade (contra-dizer)
Não, eu não tô mais machucada. Francamente, você acha que eu sou leiga nessa coisa de apaixonar? Fala sério. Eu entendi que o entendimento liberta. Entendi que mágoa é quando os outros não são como a gente gostaria que fosse. Aí então também comecei a entender um pouco sobre se apaixonar. Eu meio que não sabia exatamente o que eu sentia quando te conheci, ou quando nos aproximamos, sei lá. Só que eu tipo meio que me deparei com a paixão no meio desse caminho e então segurei minha onda. Porque qualquer que seja o que tava nascendo, uma paixão (ou obsessão mesmo) jamais seria como eu esperava e queria que fosse, como na maioria das vezes. Então fui pensando nas diferenças que existiam entre nós pra ver se aos poucos eu poderia largar essa necessidade de ter comigo. O meu ego gritava aos meus ouvidos que minha vida não seria a mesma sem você, mas se eu der trela pra tais berros eu vou estar literalmente num beco sem saída. Esqueci o mundo e os seus conceitos de certo ou errado e lembrei que você não tem que ser do jeito que eu espero, nem do jeito que eu acredito que deveria ser, porque esse certo em que todo mundo busca, é relativo. Cada um é cada um. Eu sou eu. Você é você. Não precisa se explicar porque não me ama. Não precisa me prometer nada. Absolutamente nada. Não quero te prender com minhas expectativas egoístas que são baseadas na minha felicidade. É inegável que viver uma paixão correspondida contigo seria visto por mim como um paraíso. Mas também é inegável que essa paixão poderia ser (e provavelmente seria) passageira. E nós dois sabemos que um relacionamento verdadeiro deve ter como alicerce sentimentos profundos como respeito, amizade e amor fraterno. E não baseado na paixão, que é um entusiasmo adolescente e uma empolgação súbita e breve. Mas tudo isso não é fácil porque é da vida se apaixonar, sentir ciúmes, criar expectativas, se frustrar, se magoar e chorar. É inevitável e natural. E vai acontecer com você também, bobinho. E eu tendo não me submeter a esses instintos irracionais e inconscientes. E se cuida, porque me machucar você não consegue mais.
—  Paixão não é amor. Bianca (contra-dizer)
Não vou forçar nenhuma situação. Vamos nos conhecer melhor antes de tentar resolver quaisquer problemas que existem entre nós, pois assim não temeremos a qualquer sombra de medo que cruze o nosso caminho. Teremos segurança. Porque cá pra nós, esse tempo que já compartilhamos juntos… me parece algo que eu não sabia que existia. É como um sonho. Você tem sido um sonho. E só em pensar na possibilidade de perdê-lo sinto que minhas últimas forças estão me abandonando. Não sei se significa o mesmo para você, mas percebo a emoção em seus olhos, assim como nos meus. E nesse momento enquanto você me prendia com seu olhar, eu pude saber que estou apaixonada por você. E com um suspiro revelo meu nervosismo. Medo e esperança, confusão e aceitação, era tudo isso que minhas expressões diziam. Mas isso não pode estar acontecendo. Porque eu jurei para mim mesma não me entregar mais, não ceder e não ser fraca diante dos meus sentimentos. Posso ser uma adolescente, mas penso ser madura o suficiente para saber que isso que está acontecendo conosco não pode ser verdadeiro. Pode ser fruto da carência de ambos, ou algo do tipo. Mas não pode ser amor. Mesmo assim, com todos esses pensamentos rodando na minha cabeça, continuo olhando fixamente em seus olhos. Observando seu olhar inconfundível, o tremor da sua voz..[…] Nesse momento eu soube que era. Soube que esses meus sentimentos eram verdadeiros. Assim como os seus. Mas o que isso pode significar? Para mim e para você? Saber que nosso amor é recíproco, por mais maravilhoso que possa ser, não é tudo. É preciso incluir tudo o que se imaginava que deveria ser compartilhado por um casal, confiança, compromisso, sonhos, esperanças e uma promessa de fazer tudo para que dê certo independentemente do que nos reserve o futuro e suas interrogações. Temos que fazer especial até o beijo de boa noite no portão da minha casa. Podemos tentar, só não teremos garantia do acerto. Não é preciso compreender ainda, vamos apenas sentir. Vamos tentar descomplicar. Vamos nos permitir.
Se eu pudesse apenas olhar para trás, te lagar e seguir em frente estaria tudo certo. Mas não são assim que as coisas funcionam. Não assim, fáceis. Não posso controlar o mundo a minha volta, apesar de ser uma atraente mentira. Você prometeu tanta coisa e não cumpriu, me magoou tantas vezes que minha reserva de compreensão se esgotou. Te perdoei setenta vezes sete, todos os dias…E não foi suficiente pra fazer você cumprir tudo, ou pelo menos aquela em que você dizia que iria me fazer feliz. Daí a frustração, daí o arrependimento, daí a mágoa, daí eu. Mas largar é uma atitude de coragem que eu nunca tive. Até agora. Porque se algo que você não me deu, foram as garantias. Eu não sou mais obrigada a te aturar numa vã esperança de que você mude, e também a aturar minhas expectativas baseadas em especulações. Na moral? A vida está me parecendo tão boa que não adianta ainda ficar apegada a alguém como você, que não quer nada com a vida. Enfim eu aprendi a enorme diferença entre a esperança e a expectativa. Enquanto a esperança abre caminhos e nos anima, a expectativa os fecha e nos frustra. Mas…eu te perdoo. Porque isso me alivia e me diz que eu pude largar o que não me serve mais ou na verdade nunca me serviu. Larguei você porque eu sei que a vida me reserva algo melhor, não vou mais esperar quem não ficou de vir.
—  Sempre há outra oportunidade depois da esquina. Bianca (contra-dizer)
Não queria dizer tudo que penso, gostaria ter o dom de pensar antes de falar, acho que tomaria decisões mais sábias e maduras em vez de agir por impulso de vez em quando. Ou de vez em sempre. Aprenderia a dar valor as coisas pelo que elas realmente significam, não pelo que deveriam valer. Se eu pudesse escolher eu ganharia asas, mas não aprenderia a voar sozinha. Ensinaria aos velhos ranzinzas que não é a idade que os impedem de se apaixonar, mas a falta do amor que os fazem envelhecer. Se pudesse escolher sonharia mais e dormiria menos, aproveitando cada segundo dos momentos sonhados. Saberia escutar mais, entender mais, compreender mais, ser feliz demais.
Não será por falta de tentativas que não ficaremos juntos. Não será por falta de tentativas que não poderemos construir uma história juntos. Eu irei tentar. Enfrentarei obstáculos, passarei limites e usarei todas as minhas forças. Mas você tem que dar valor. O problema é que todo esse amor que eu sinto por você me afasta da realidade em qual eu estou e que tento fugir de todas as maneiras para não encará-la. Passam uma controvérsia de ideias na minha cabeça, menos o fato de possa ser que você não lute comigo, que não reme esse barco comigo, que não queira ficar comigo. Mas eu sei porquê. As pessoas só acreditam no que querem, não importa qual seja a verdade. E eu sou assim, tentando, seguindo e acreditando que algum dia você irá olhar para trás e me ver do jeito que te vejo. Toda vez que te vejo minha ansiedade toma conta de mim, me coloca num patamar que eu não consigo sair, na verdade, eu nem quero. Eu quero é acreditar que isso tudo valerá a pena, que não me arrependerei de nada. Por mais que eu me pergunte não encontro nenhum sentido em continuar, mas continuo. Não vejo nenhum sentido em te amar, mas continuo amando. Odeio sentir a sensação de que existirá um dia em que irei te procurar, mas não irei te achar, odeio pensar que um dia possa ser que não verei seu distante sorriso, me corrói por dentro e me transforma em um nada. Será realmente isso amor? Mas se eu não te amo, o que sinto? Me questiono todos os dias e todos os dias obtenho respostas diferentes. Fico imaginando de como seria se um dia eu me tocasse que você não me amava e seria mais ou menos assim… Eu iria me declarar, demonstrar em gestos e palavras tudo que passava em meu coração e tudo ainda ficará na mesma. Passará um bom tempo e então poderei enxergar que fui idiota. Me sentirei culpada, estúpida e tudo que tiver direito. Mas ainda não terei te esquecido. Vou tentar fugir, desviar pensamento e colocar a culpa na fatalidade do destino e porque faz parte da vida cair às vezes. Vou sentir a dor de orgulho, porque ninguém nessa vida gosta de perder e a dor do medo de quem sabe não conseguir te tirar do coração. Mas será uma dor diferente, porque eu sei que fiz minha parte. Mas depois eu vou perceber que talvez nem fosse realmente amor, poderia ser somente uma dependência emocional que eu tinha sobre você e eu irei me acalmar. Aí então o senhor tempo curará essa minha ferida, meu coração começará a bater mais forte por outra pessoa, e quando vou ver, terei te esquecido. E no final você será apenas a história que eu não vou querer mais contar. Mas, enquanto isso tudo não acontece, deixa eu te amar mais um pouquinho.
Sempre fui daquelas de me doar pra fazer as coisas darem certo. E com você não poderia ter sido diferente, mesmo sabendo que tudo poderia ter ser passageiro, inconstante. E eu estava certa. No início eu estava completamente realizada no que a gente criou juntos, no tempo que desperdiçamos tão alegremente. Tivemos nosso tempo de nos conhecer, nosso tempo de criar intimidade, aí então se tornou oficial. Não só nosso relacionamento, mas também eu estava oficialmente apaixonada por você. Nosso primeiro aniversário de namoro você me levou no restaurante mais caro da cidade, tentando me impressionar. Não sabia você que só de estar ao seu lado eu já estava realizada. E nada foi mais marcante do que no dia que você conheceu minha família, minha mãe foi com sua cara na hora, mas meu pai… Enfim, você sabe como são os pais. E não posso deixar de dizer que seus pais me amaram, não é? Queriam minha presença em todo almoço de família que organizavam na sua casa. Sempre brigávamos na fila do cinema, porque eu queria assistir um filme de romance e você um de ação. E a solução? Tínhamos que assistir os dois. Verdade, sempre fui cabeça dura. Mas você também nunca foi de ceder. A gente era assim, a gente se doou, tentamos, crescemos, realizamos durante todo o processo que foi o nosso amor. Só que eu não sei como aconteceu. Juro que não. Se você souber me diz, porque isso me atordoa todos os dias. Nós paramos mais de nos ver, paramos de fazer questão de assistir os filmes que queremos, os dois cediam. Era incrível. E então teve um momento que eu me dei conta que a nossa história tinha acabado. Nosso tempo tinha passado tão rápido e despercebido que nem me dei conta. Assim, a gente teve que deixar esse apego (porque não era mais amor) para trás. Mas isso não quer dizer que eu não lembro de você e do quanto você me fez feliz. Me realizou como ninguém. Ainda me pergunto se vou encontrar alguém que me fez tão bem assim. Bom, eu te peço que quando olhares para trás não pense “é…não deu certo”, mas pense “é, não deu mais, mas foi bom e positivo enquanto durou”. Porque apesar dos pesares, tudo acabou bem. Foi bem melhor para nós acabarmos antes do que deixar o ego nos dominar tentando fazer com que tudo seja do jeito que a gente achasse melhor. Isso seria implorar pra sofrer. Tem a hora de cuidar, tem a hora de largar. E o que me orgulho de nós, foi nossa maturidade. Afinal, foi muito mais sensato vermos os nossos feitos felizes juntos do que continuar na persistência gastando nossas energias e atrasando nossas vidas. A gente soube reconhecer as coisas boas. A gente soube amar. De verdade.
—  Foi bom enquanto durou. Bianca (contra-dizer)
Você mudou tanto e acho que nem percebe. Acho que te conheço o bastante pra falar do quanto você se tornou um babaca. Hoje em dia você curte mais suas farras com seus amigos e ter fama de pegador na sua escola do que namorar a menina que você julgava certa pra você. Dá mais bola para os conselhos dos seus amigos skatistas que você só vê nos finais de semana do que aos conselhos da sua mãe. E essa semana fiquei sabendo que você ficou com aquela ruiva do corpão que você vivia a elogiar só pra me fazer ciúmes. E você acha que eu sinto sua falta, mesmo? Pois é, sinto. Porque além de namorado, você foi meu melhor amigo, você me consolou quando eu mais precisei e me fez rir quando ninguém podia. Esfregava na minha cara o quão ruim eu era no vídeo game, mas me fazia cócegas enquanto eu jogava pra me desconcentrar. Apesar de que você nunca precisou disso pra ganhar de mim, mas eu sei que era só pra arrancar um sorriso meu. Quando eu estava mal você nem me perguntava nada, só chegava perto de mim, me abraçava apertado e dizia: “Vai ficar tudo bem, pequena. Eu te amo”. E aquilo era o suficiente para que a minha dor cessasse, pelo menos por aquele segundo. Nossas tardes de domingo chuvoso eram comendo pipoca assistindo um filme qualquer, rindo de todos os personagens. E veja só no que esse garoto se tornou. Se tornou tão fútil ao ponto de não admitir o quanto foi bom pra mim. Pois é, você foi bom pra mim todo instante que estivemos juntos. Mas agora eu não enxergo nada do garoto que eu amei em você, nada. Até a nossa amizade você conseguiu estragar. Talvez eu ainda queira que aquele garoto volte. Talvez. Se é que seria possível ele renascer das cinzas, porque né. Me lembro dos apelidos que você me chamava e me pego sorrindo, mesmo não querendo. E nos meus dias de TPM? Você só me chamava de “picolé de limão”, só porque era azedo, mas mesmo assim você sempre queria um. Isso você nunca vai apagar, nem mesmo se quisesse. Vai, não deixa que esse babaca em que você se tornou apague tudo que eu tenho guardado do seu “antigo eu”. Se você voltasse ao que era talvez eu iria te querer de novo. Talvez iria sentir tudo de novo. Talvez você seria meu, outra vez.
—  Só talvez. Bianca (contra-dizer)
Eu gosto de me sentir especial. Gosto de ser única e importante, gosto de ganhar atenção e mimos. E tem um detalhe, que me faz me sentir dessa maneira são as que mais eu valorizo. Falo isso porque tem gente que não sabe se relacionar, não sabem que suas atitudes querendo ou não podem atingir o outro. Não estou dizendo que gosto de puxas saco e derivados, porque afinal, esses são os denominados interesseiros e isso pode ter certeza que percebo facilmente. Eu falo é de atenção autêntica, pura, natural. Como as que eu dou pra quem eu amo. Amar não é somente querer o bem da outra pessoa, seria fácil demais assim. Melhor do que querer bem é fazer a outra pessoa se sentir bem, consequentemente, fazer bem é dar atenção a ela, certo? E a atenção que eu gosto não é somente aquela que me faz me sentir exclusiva (apesar que isso conta bastante), mas também falo de gentilezas, presentinhos inesperados, de cuidados. Gosto de me sentir um pouco mimada. Mas sei que essa atenção deve ser retribuída no mesmo nível. Porque a quantidade de exemplos toscos de amor que a gente ver por aí não é brincadeira. A garota diz que ama o garoto e quando o encontra fala de tudo que fez durante o dia, mas não tira um minuto para perguntar como foi o dia dele. E fulano diz que ama a menina, mas adora citar seus casinhos passados. Isso me irrita profundamente. Ninguém gosta de ouvir isso, se deve respeito a pessoa que está agora ai ao seu lado. Pode até ser difícil, mas rodear a pessoa amada de atenção é a melhor forma de amar.
—  Empatia zero? Assim não dá. Bianca (contra-dizer)
De vez em quando me pego abismada por conta de umas definições criadas e espalhadas pela sociedade de uma forma equivocada e fazendo com que as pessoas deem valor a coisas irreais. E uma delas é o molde com que se cria em relação à conquista. Para muitos, uma mulher precisa se vestir como uma modelo, usar um vestido típico de parar o trânsito e usar o melhor perfume do momento para conquistar um homem. Mas isso somente se associa à uma doutrina capitalista e consumista que a sociedade constrói a cada dia. Propagandas são exemplos claros disso, afinal, algumas mostram que com determinado produto você conquistará para sempre o homem que deseja. Fala sério né? Ideia mais idiota não existe. E mais tolo ainda é quem acredita. Sem falar da tremenda perda de tempo que é viver de ilusões. Não é errado sermos bem sucedidos no que se refere a bens materiais, mas eles sozinhos não são capazes de nos preencher. Esse é um trabalho do amor, do carinho, afeto, amizade. Querem uma dica? Experimente usar sua inteligência e seu bom humor para conquistar “o” homem ao invés de mais um. Mostre sua personalidade, seu conhecimento, seu humor. Mostre-se, cresça, desenvolva. Assim, sendo homem ou mulher, você conquistará o que lhe interessa e que ainda valerá a pena.
—  Patético. Bianca (contra-dizer)