comensal-da-morte

Ubermensch

chovia como nunca nos braços de meu reino natal.
os antigos ainda estavam esgrimindo.
um sigilo aqui se dava por quebrado:
triz que me anuviava,
solta em carne, bramindo.

o rei dos lobos dominava o coração das montanhas,
no breu de sangue e de entranhas,
de dentes grandes: um cão alado
que ensinava, paciente, a mil pessoas
para, depois, comer a todas
– em carne viva, a devorá-las.

e assim pairavam as 36 hordas
na descrita sina triste do medo,
cujo epíteto era o de Glasya-Labolas,
comensal rei da morte e degredo.

de corpo fechado, miro o avatar encarnado,
gargalhando na mata para espantar maus espíritos.
presunçosa em vontade, hereditária entidade:
vai se renovando, de família em família.

no astral via sóis que choviam
bem na falha da parede do umbral.
era eu um super homem interino:
corpo aberto à magia do caos.