coberta

Sabe, Lucky, sou uma garota solitária. Gosto de estar sozinha e fazer as coisas do meu jeito. Não sou daquelas pessoas desesperadas por amor ou daquelas que adoram falar abertamente sobre sua vida para alguém que acabaram de conhecer. Sou uma garota que trocaria facilmente uma noite na balada cercada de gente por uma noite debaixo da coberta com um bom livro nas mãos. Sabe, Lucky, gosto de colocar os fones e mergulhar em todos os universos irreais que criei pra mim porque a humanidade me enlouquece. Lucky, eu acho que cada um tem uma modo de fugir da realidade e ficar sozinha é o meu. E naquela noite quando você sussurrou que me amava, eu enlouqueci, Lucky. Como diabos você podia me amar? Me odiei por ter deixado isso acontecer. Não queria parti seu coração, mas também não queria abrir mão de estar sozinha. Era como se estivesse me pedindo pra escolher entre você e eu. E, Lucky, sou muito egoísta. Depois que mandei você embora e pedi pra ficar longe de mim para sempre, ciente do quanto estava machucando você, me vi sozinha naquele quarto. A chuva e o vento lá fora, o cheiro de café e dos livros antigos na estante… eu gostava de poder desfrutar daquilo sozinha. Porque você sabe, Lucky. Sou uma garota solitária.
—  Bruna Gomes
Desculpa te ligar às 4 horas da manhã, é que eu não consegui dormir, eu precisava ouvir a tua voz, a saudade gritou tão alto que acordou a casa inteira. Desculpa atrapalhar o seu sono, mas eu precisava dizer que te amo, que dormir sem você do outro lado da cama é uma tortura, eu que sempre achei minha cama pequena, sem você nela se torna imensa e vazia. Vem aqui, por favor, deite sua cabeça no meu peito e ouça as batidas do meu coração, ele só bate assim por você, ele sorri quando você está perto. Dorme comigo essa noite, eu sei que você é bem espaçoso, mas eu não me importo de dividir minha cama com você, também não me importo de você me tomar toda a coberta á noite, te faço cafuné até caí no sono, fico te olhando dormir, porque é algo tão lindo, você parece um anjo. Deixa eu matar minha saudade, no outro dia te acordo com beijinhos e café da manhã na cama, vê o teu sorriso logo cedo faz com que o meu dia seja incrível. Desculpa te acordar, só preciso de você aqui, porque eu te amo e a saudade não me deixa dormir.
—  Priscila M.

Ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Ninguém nunca viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente.

–  Tati Bernardi

2

“De pronto la noche dejó de existir y todo fue un continuo de sol y luz. Al principio pensé que era debido al cansancio, al shock producido por la repentina desaparición de nuestros padres, pero cuando se lo comenté a mi hermano me dijo que a él le pasaba lo mismo. Sol y luz y explosión de ventanas.”

Bianca en Una novelita lumpen, de Roberto Bolaño.
dibujo hecho con la luz del Sol, interpretando la cubierta de Anagrama y la fotografía que la ilustra, de Stefan Bremer.



drawing done with sunlight, based on the book cover of Roberto Bolaño’s Una novelita lumpen, published by Anagrama, the photograph of the woman is by Stefan Bremer.

Esconde esse absorvente
Essas espinhas
Arranca esses pelos
Da um jeito nesse seu cabelo duro
Mal cuidada
Porca

Feche esse sorriso
Sua mãe não te ensinou
Sobre o perigo de andar sorrindo na rua?
Abaixa essa cabeça
Para de encarar
Você esta chamando atenção
Assim vão achar que você esta dando mole

Delicia
Gostosa
Oh la em casa
Fecha essa boca e não reclama
Saiu de casa de saia curta
Camisa decotada
Maquiagem
Sem um homem
Tem que aguentar

Como assim não sabe cozinhar?
Você é mulher
Tem que cuidar do lar
Como assim não quer engravidar?
Você é mulher
Tem que engravidar

Faculdade? Viagem?
Mas você é mãe
Tem que cuidar
Abriu as pernas, agora não adianta
Largar na creche
Irresponsável

Mãe solteira?
O pai foi embora?
Não sabe quem é o pai?
Transou sem camisinha
Vai ter que aguentar
Vadia

Esse roxo ai
Tenho certeza que apanhou
Que teu marido te bateu
Mas você mereceu
Provocou ele
Você sabe que não pode se levantar
Mulher tem que ser submissa
O homem é que comanda o lar

Ah, mas que criança linda
É uma menina?
Toma aqui esse vestidinho rosa
Essa coberta de florzinhas
Pinta o quarto de rosa
Um rosa bem bonito
Porquê mulher é monocromática durante a infância

Ih, chegou a menarca
Essa vai dar trabalho
Ensina pra ela a se valorizar
Mulher tem que se dar ao respeito
Fala pra ela não deixar ninguém ver esse absorvente
Esse sangue sujo

Vai ter que começar a usar sutiã
Os mamilos estão aparecendo pela camisa
Que coisa horrível
Adolescente descuidada
A mãe dessa ai não ensinou nada

Foi estuprada?
Morreu no processo?
Devia estar pedindo
Sem sutiã, andava sozinha
Aquele batom vermelho
Aquela bunda enorme
Não sabe que menina tem que ficar em casa?
Deu sorte pro azar

Não foi educada
A mãe era solteira
O pai estava é certo de ir embora
Se ela era assim com a filha, imagine com o marido

Não foi respeitada
Opressão?
Imagine

Olha lá a mãe dela
Na beira do caixão
Olhando pro rosto da filha
Sem cor, sem vida
Um futuro morto antes mesmo do nascimento
Filha de mãe solteira
Sem pai, sem respeito

Morreu tão jovem
Aos 17
Uma menina tão linda
Maldita sociedade
Espero que a mãe dela aprenda a lição
E não tenha mais filhos

Suicídio?
Mas ela poderia ter começado uma vida nova
Agora que tinha perdido a filha
Poderia terminar a faculdade
Arrumar um emprego
Mas era uma fraca
Era mulher
O destino, a vida, as possibilidades
As pessoas
Cavaram a cova e jogaram ela lá dentro

Vitimismo? Preconceito?
Abuso? Agressão?
Cala essa boca e vai lavar uma louça
Você tem uma delegacia só sua
Tem seus direitos
Não luta na vida
(Mas luta na rua)
Não morre na guerra
(Mas morre em casa)

- Cintia Duarte Montilla

Gratidão

Seja grato pelas pequenas e grande coisas da tua vida.Seja grato pelas coisas que você come, seja grato pela tua família, pelos seus amigos, seja grato pelos seus relacionamentos, seja grato por aquele abraço que te aquece todos os dias,seja grato por você pode abrir os teus olhos e dar o seu primeiro suspiro todos os dias. seja grato até pelas cobertas que te cobrem na noite fria.Pois são essas pequenas coisas que tornam o teu dia melhor. A gratidão é a unica coisa que pode salvar esse mundo medíocre e sem amor em que vivemos. Com pequenos gestos de gratidão podemos fazer grande diferença.

 - Marinna Estela

Eu estava sentada na praia, como uma criança, toda coberta de areia. Eu havia me rendido, decidi me sujar de areia, cavar buraco e construir castelo. Olhei para mim e disse:
- Tô ridícula assim.
Então o primo do meu namorado, de 7 anos, virou para mim e perguntou:
- Por que?
- Porque tô coberta de areia.
- Eu também.
- Sim, mas sou dez anos mais velha que você.
- E daí?
E percebi que “e daí?”.

- L

“E nós nunca vamos nos beijar na chuva. Eu também nunca vou calar sua boca com um beijo e nenhuma das nossas brigas vão acabar na cama. Eu nunca vou te observar enquanto você dorme e nunca vou fazer cafuné em você quando você estiver com a cabeça deitada no meu peito. Não vamos passar tardes assistindo filmes românticos debaixo das cobertas e comendo brigadeiro. Também não vamos passar madrugadas acordados conversando. Nossos planos não vão se concretizar. Eu não vou ficar com vergonha conhecendo sua família. Não vamos contar aos nossos filhos a longa e estranha história sobre como nos conhecemos. As pessoas não vão olhar pra nós e falarem sobre como nós somos bonitinhos juntos. Não vamos discutir sobre quem vai levantar pra apagar a luz do quarto. Não vamos ter um futuro. Tudo isso poderia ter acontecido, mas não vai. Porque nós dois fomos feitos pra nos conhecermos, nos apaixonarmos, mas não pra ficarmos juntos.”

— Vinícius Kretek.

Ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser bom o suficiente. Ninguém nunca viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonito e inteligente.
—  Tati Bernardi.