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7º Capítulo

O tempo nublado que tomara a cidade carioca no início da manhã, agora dava espaço para o sol. Depois de decidir viajar com os amigos, e suas novas amizades de carnaval, Vanessa seguia rumo ao apartamento de Clara. A mudança nos planos, feita de última hora, dividiu os carros em trios. E Vanessa teria a companhia de Clara e Amanda. Não demorou muito a arrumar-se. Praticidade também era uma característica de Vanessa. Vestindo um jeans rasgado nos joelhos, e uma regata preta, que deixava a mostra sua barriga definida, Vanessa encontrava-se em frente a porta do apartamento de Clara. Pensou em apertar a campainha, mas percebeu que a porta estava entre aberta, e preferiu entrar. Dentro do apartamento, Amanda ajudava na caça ao biquíni de Clara, que continuava insistindo ter visto o traje na gaveta de seu armário.

— Desiste, Clara. Ou o seu biquíni foi abduzido, ou ele nunca existiu — Amanda falava rindo, enquanto se jogava no sofá.

— Eu gostava tanto daquele biquíni — Clara lamentou.

— Quais são as chances do biquíni ser aquilo ali, em cima da geladeira? — Vanessa estava parada em frente a porta, do lado de dentro do apartamento, que também dava de frente para cozinha. Apontava em direção a geladeira. O espaço pequeno do apartamento, obrigou a seu dono dividi-lo em espaços conjugados. E era assim com a cozinha e a sala. Estáticas, Clara e Amanda olhavam para Vanessa. Percebendo os olhares sobre si, Vanessa andou em direção a geladeira, e tirou de cima dela o biquíni de Clara.

— É isso que procuram? — Ela perguntou. Sem reação, Clara permanecia parada, tentando puxar na memória o motivo para seu biquíni ter parado em cima da geladeira. Diferente dela, Amanda logo suspeitou de que Vanessa era a amiga de Júnior.

— É Vanessa, né? — perguntou Amanda, ainda com um ar confuso.

— Isso. E vocês são …? — Vanessa só percebera a presença de Amanda, depois que a moça dissera seu nome. Desde que entrara no apartamento, Vanessa perdeu-se a admirar a beleza hipnotizante de Clara. Não conseguia desviar o olhar daquela bela jovem de cabelos na altura do ombro, levemente cacheados, e claros como a luz do sol.

— Eu sou a Amanda, e essa é a Clara. Ah, e esse é o biquíni que estávamos procurando — Amanda tomou o biquíni das mãos de Vanessa, e ia colocá-lo dentro da mochila de Clara, mas antes, virou-se novamente para Vanessa, e comentou.

— Acho que eu já te vi antes — disse Amanda. O comentário fez Vanessa sorrir.

— Olha, normalmente são os homens que usam essa cantada — disse Vanessa, deixando Amanda sem graça, e fazendo Clara rir da cara feita pela amiga. Preferindo ignorar a situação, Amanda foi para o quarto.

— Você fala? — perguntou Vanessa, encarando Clara.

— É claro que eu falo! — Clara deu um sorriso fraco, quase constrangido, e cumprimentou Vanessa com dois beijos no rosto, o que deixou a morena sem jeito. Devolvendo um sorriso tão constrangido quanto o de Clara, Vanessa afastou-se da presença da loira, e logo inqueriu.

— Vocês já estão prontas? Ou ainda tem mais algum biquíni escondido por aí? — Falava rápido, quase que cuspindo as palavras. Para quem não conhecesse a moça, ousaria dizer que Vanessa estava nervosa. O motivo para tal nervosismo? Ela também não sabia.

— Estamos sim! Já podemos ir — exclamou Amanda, voltando do quarto cheia de bagagens.

— Nossa, vocês estão indo pro mesmo lugar que eu? — duvidou Vanessa, sorrindo ao ver o quanto de roupa as duas estavam levando.

— É sempre bom ir prevenida — retrucou Amanda, entregando duas mochilas para Clara, e deixando o apartamento.

— Sua amiga é sempre assim, toda pilhada? — Vanessa sorria ao falar com Clara, e a loira se viu pela primeira vez reparando na beleza de Vanessa.

— Ela é quase médica. Por isso é assim — respondeu Clara.

As duas ficaram trocando olhares, e sorrisos tímidos. Clara tentava achar uma forma de agradecer a Vanessa, mas não sabia muito bem como fazê-lo. Ia dizer algo, quando Amanda interviu.

— Pensei que a gente estava com pressa — implicou Amanda, olhando principalmente pra Vanessa, que permanecia parada em frente a Clara.

— A gente já estava indo, Amanda. Relaxa, você tá muito pilhada, amiga — comentou Clara, rindo, e tirando um sorriso de Vanessa.

— Acho que vamos conseguir chegar em Angra em três horas — completou Vanessa, andando até a porta.

— Angra? Mas a gente não ia pra Ilha Grande? — indagou Clara, que mais um vez arrancou um sorriso de Vanessa.

— E até onde eu sei, Ilha Grande fica em Angra dos reis. Ou não? — ironizou.

A cara de paisagem de Clara, era a mesma de Amanda. Preferiram não prosseguir com as dúvidas geográficas, e logo saíram do apartamento. O carro já se encontrava a espera delas. Mais alguns minutos até decidirem quem iria no banco do carona, e a viagem começaria. A torcida de Vanessa para que o trânsito estivesse fluindo, também deu certo. Seguiram sem maiores problemas. A viagem seria calma. Tão calma, que uma hora depois de já estarem na estrada, Vanessa não aguentava mais o silêncio presente no carro. Ela seguia com atenção na direção. Amanda lia um livro sobre neurociência, de uma grossura que garantiria a ela, até o final da viagem, poupar-se de qualquer diálogo. Ao lado de Vanessa, Clara se perdia nas paisagens. Admirava a natureza, e o quanto a cidade, que por dez meses passara por ela despercebida, esbanjava beleza. Encontrando dificuldade na árdua missão de ficar quieta, Vanessa pedira o consentimento para ligar o rádio. No que foi atendida sem nenhum problema. Brincadeira do destino, ou só coincidência, assim que sintonizou sua estação de rádio favorita, Vanessa, Clara e Amanda foram presenteadas com a canção Crazy, do Aerosmith. A música seguia tocando dentro do carro, e a ausência de diálogos persistia. O desconforto de Clara também já dava sinais. Ela tentou disfarçar o que sentia ao ouvir aquela canção, mas seus olhos, pareceram não concordar com seu disfarce. A música parecia não ter fim. Clara tentou distrair-se com o celular, mas o mesmo, estava descarregado. Amanda não interrompera a leitura sequer um momento, e foi Vanessa a única a perceber o desconforto da loira.

— Tá tudo bem? — Vanessa perguntou, alternando o olhar entre Clara e a estrada.

— Unhum… — Clara confirmou com a cabeça muito mais do que com a voz, que pareceu falhar.

— Tem certeza? — insistiu.

— Tenho sim — Clara forçou um sorriso, e torcia mentalmente que a música acabasse logo. Seu pedido não fora atendido, e pra completar, Vanessa começava a cantarolar junto com a canção. Impulsionada pelo desespero das lembranças, Clara perdeu o autocontrole, e desligou o rádio.

— Ei, qual o seu problema? Tava na parte do solo de guitarra do Joe — reclamou Vanessa, indo ligar novamente o rádio.

— Não! Não liga — pediu Clara, deixando escorrer uma lágrima de seu olho. Vanessa sentiu-se mal pela situação, e não insistiu. Também não ousou perguntar nada a Clara, e deixou o silêncio de antes voltar a pairar entre elas.

Sentindo-se sonolenta, Vanessa travava uma luta entre ela e o cansaço de horas de sono perdido, depois que passou a ir visitar seu avô no hospital. Sem o rádio, e estranhando sua dificuldade em puxar assunto com Clara, ela se viu obrigada a parar em um posto de gasolina.

— Acabou a gasolina? — perguntou Amanda, estranhando a parada.

— Não, mas preciso ir ao banheiro — explicou Vanessa. — Podem ficar aqui no carro, ou irem comer algo — completou. Amanda escolheu permanecer no carro. Clara também queria ir ao banheiro pra lavar o rosto, e livrar-se da expressão de tristeza que a tomou, porém, ela não queria mais se expor a uma pessoa que mal conhecia, e acabou ficando no carro. Minutos depois, Vanessa voltava. Trouxe consigo uns biscoitos e refrigerante. Deu novamente partida no carro, e viu-se mais uma vez na companhia do silêncio. Faltava pouco mais de cinco quilômetros para chegarem. Clara e Amanda haviam pegado no sono. E o tédio ainda seria companheiro de Vanessa por mais algum tempo.

Capitulo 209

Clara disse com a voz embargada, encostada na porta.

– Clara? Mas… O que faz aqui? Como você…?

Vanessa assustada gaguejou, limpando imediatamente as lágrimas do rosto.

– Desculpe-me, eu não queria te assustar. Eu tinha a chave daqui ainda, bati, te chamei, mas acho que você não me ouviu.

Clara respondeu se aproximando de Vanessa que se esquivou imediatamente caminhando em direção a porta. A loirinha olhou com tristeza as fotos que continuavam ali submersas se desfigurando, perdendo as formas.

– Vanessa nós precisamos conversar…

– Não temos mais nada para conversar doutora Clara, eu soube que se afastou do Ministério Público, que agora assumiu uma função condizente com sua personalidade: juíza! Parabéns.

Vanessa foi irônica, deixando exposta sua mágoa, deixou o quarto escuro caminhado em direção a sala, que surpreendentemente estava repleta de rosas, e outras dezenas de fotos dela com Clara espalhadas.

– Mas… O que é isso? Como você fez isso?

– Acho que você demorou demais naquele quarto escuro, pensei que você nem estivesse aqui…

– Pra que? Por isso Clara? – Vanessa perguntou desconcertada.

Clara com a voz embargada caminhou até as fotos e respondeu:

– Pra te pedir perdão. Pra dizer que você é o amor da minha vida e que preciso que você me perdoe e volte pra mim. Por que nossa história não pode acabar. Cada foto dessas tem um pedaço da nossa história, não vê que ela não tem um final? Nossa história começou com essa foto aqui, não foi você que fez, virei motivo de piada na faculdade, mas, apesar de todo mal que ela me causou também é um marco do primeiro dia que te vi. Está vendo essa daqui? Foi a primeira que você fez minha, no Ibirapuera, aquele dia eu percebi que minha vida mudaria pra sempre e que em nada coincidia com meus planos. E essa aqui foi do dia mais mágico da minha vida, foi quando eu me entreguei pra você naquela cabana, não tem imagem nossa, só daquela árvore que você subiu para fazer as fotos… Enfim a desculpa que você utilizou para me prender ali e me fez a mulher mais feliz do mundo. Essas daqui eu retirei do nosso quarto, no dia que você me preparou aquela surpresa de aniversário, que foi o mais perfeito de toda minha vida por que logo depois veio o carnaval mais fantástico que tive até hoje porque foi nele que você me chamou de namorada pela primeira vez, acho que minha felicidade está bastante óbvia nessas fotos que fizemos lá no meu quarto na casa dos meus pais… Essa foi naquele dia que você pagou a aposta e se vestiu de caipira na aula da Dorothea, a caipira mais linda que vi em toda minha vida. Essas foram as primeiras daquela câmera digital que ganhou de sua mãe, se lembra? A gente estava morando juntas cheias de planos… – Clara pausou limpando as lágrimas – Essas, são mais recentes, no dia da sua exposição aqui na embaixada, e essas tiramos em Nova Iorque… Todas revelam o quanto pertencemos uma a outra, são anos de uma história de amor que não pode acabar assim. Eu errei Van, você errou, a gente deixou que outras pessoas interferissem na nossa história, mas, eu vim aqui hoje te pedir perdão e te pedir pra continuar a nossa história como ela merece, com todos os nossos planos que não se concretizaram e todas as promessas que não foram cumpridas. Eu te amo Van, fica comigo.

Vanessa completamente tomada pelo pranto olhava para as fotos com os braços cruzados. Clara se aproximou igualmente emocionada e repetiu:

– Volta pra mim meu amor.

Lentamente Clara tocou o rosto de Vanessa colhendo suas lágrimas, a fotógrafa por sua vez, permanecia de braços cruzados e imóvel. Quando Clara buscou os lábios da fotógrafa se decepcionou com a recusa magoada de Vanessa, que se afastou, descruzou os braços para alcançar o jornal que estava sob uma poltrona.

– Você esqueceu uma foto da nossa história Clara.

Vanessa entregou o jornal aberto com a foto e uma pequena notícia da prisão de Acrisio Mesquita. Clara baixou os olhos e ficou muda.

– Acho que essa foto encerra essa história.

– Não Vanessa, não encerra. Você mesma disse que não era seu pai que estava nos separando e hoje eu sei disso. Minhas atitudes nos separaram estou aqui assumindo isso e quero me redimir, mas preciso do seu perdão, preciso de uma chance para te mostrar o quanto te amo e o quanto estou arrependida por ter sido tão dura, cega, intolerante.

– Agora é tarde Clara. Não te mostrei essa foto como fim de nossa história por causa da prisão do meu pai, essa foto mostra nosso fim porque ela representa o contexto da minha conclusão. Meu pai quase morreu para salvar sua vida, de uma vez só eu enfrentei a dor de ver meu irmão tentando matar a mulher que eu amei e atingir o meu pai que sobreviveu para passar o resto da vida preso por algo que não fez, eu passei um mês esperando que você mesmo que não ligasse para a vida de meu pai aparecesse nem que fosse para aparentar gratidão pelo que ele fez, ou ao menos me consolar como uma amiga, e onde você estava Clara? Escondida para que a lama dos Mesquita não respingasse na sua reputação?

– Não Vanessa, eu não me escondi, eu só não queria complicar mais as coisas para você, para sua família.

– Mentira! Você só pensa em si mesma Clara. Demorei muito tempo para enxergar o tamanho do seu egoísmo. Amava você demais para reconhecer isso, mas agora está tudo muito claro.

– Amou? – Clara perguntou com lágrimas nos olhos.

– Chega Clara. Nós sabemos que tudo isso aqui – Vanessa apontou para as fotos e as flores. – Não resolve o que nos afasta. Você não foi capaz de dar um passo em minha direção quando mais precisei, e será sempre assim, por que você nunca vai se rebaixar ou se expor pela filha de Acrisio, ainda que esse homem tenha arriscado a própria vida para lhe salvar para me provar seu amor de pai. Todo esse tempo e você aparece só agora, depois de estar tudo calmo, devidamente protegida na privacidade do meu apartamento para declarar seu amor. Que amor é esse Clara? Como seria se eu te aceitasse? Continuaríamos em segredo por que afinal de contas meu pai é um assassino condenado e meu irmão um psicopata que daqui a pouco será condenado também, como ficaria sua reputação de juíza se todos soubessem da sua relação comigo?

– Não Vanessa, não é bem assim, acharíamos uma solução juntas como sempre encontramos…

– Cala a boca Clara, não venha usar seu talento com as palavras para me ludibriar, não sou membro de um júri que você precisa convencer. Você nunca vai sair da sua zona de conforto de me manter como seu segredo sujo.

– Van por que você está falando assim comigo meu amor? Nunca vi nada de sujo em nosso amor. Pelo contrário ele é o que tem de mais puro em mim. Eu estou aqui lutando por nós, não fala assim meu amor…

– Essa luta exige mais do que um gesto romântico entre quatro paredes Clara, exige atitudes que eu sei que você nunca vai tomar.

– Como não vou tomar? O que você quer que eu faça pra te provar que estou disposta a tudo por você?

– Case comigo Clara.

– Claro que caso meu amor! – Clara respondeu emocionada.

– Casa mesmo? Publicamente, com tudo que isso implica, buscar um cartório que faça isso, lutar na justiça para nossa união seja reconhecida, enfrentar as pessoas, seus pais, a imprensa, tudo isso. Aceita?

– Van, pra que isso? Nós nunca precisamos levantar bandeiras, nunca precisamos nos expor, por que isso agora? Não basta a exposição de você, sua família teve nos últimos anos, pra quê colocar um alvo em nossas testas para levantar polêmicas, você sempre criticou isso, sempre se preservou, e agora me pede o contrário?

– Quero essa atitude, você casa comigo assim?

– Você está impondo essa condição? Só casa comigo nesses termos? O que houve com nossos planos? Não precisamos disso tudo para provar nosso amor.

– Eu sabia que você não aceitaria. Não preciso mesmo de tudo isso, mas eu queria saber se você realmente seria capaz de se expor por minha causa, e como eu pensei você não é.

– Vanessa você fala como se eu te escondesse por vergonha. Até hoje meus motivos para manter nosso namoro em segredo foram bastante justos não acha? Você lembra que eu queria que todos soubessem na faculdade e você não deixou?

– Eu tinha meus motivos, desnecessário relembrar isso por que você sabe bem que eu estava certa, e agora, quais são seus motivos?

– Convicção, bom senso e a certeza de que isso não é um ato de amor, é um capricho seu, um desafio, e não quero mais jogar, estou sendo honesta, transparente, você é o amor da minha vida e quero me casar com você, não me tornar uma líder da causa gay.

Vanessa deixou escapar um riso sarcástico.

– Você não entendeu nada mesmo não é Clara? Acha que é um capricho também esperar que você fique ao meu lado até mesmo quando isso significar você se expor?

– Não, não é. Eu tive a intenção de ficar ao seu lado, mas…

– Seu medo, seu orgulho foram maiores não é?

– Não Vanessa, não foi por orgulho, eu só vi a Dani e você juntas e…

– E deduziu tudo, como sempre, tirou suas próprias conclusões e preferiu me deixar a lutar por mim, assim como me deixou partir anos atrás, você simplesmente desistiu, não devo mesmo valer a pena para você.

Vanessa berrava em um tom magoado sem pausas, enquanto Clara balançava negativamente a cabeça:

– Quer saber Vanessa? Essa briga já me cansou.

– E e o que você vai fazer a respeito? Fugir de novo?

– Não. Vou fazer isso…

Clara avançou empurrando Vanessa contra a parede, roubando-lhe um beijo urgente, faminto, derrubando todas as defesas da fotógrafa a que a principio hesitou em corresponder, mas, acabou se entregando ao desejo despertado pelas memórias do seu corpo que pertencia a Clara, por isso a cada toque da loira em sua pele alva Vanessa se desfazia em gemidos que excitavam ainda mais Clara.

A loira dominou o corpo leve de Vanessa completamente, arrancou com volúpia algumas peças de roupa da fotógrafa, suspendeu seu corpo encaixando sua coxa entre as pernas da loira e deslizou sua língua pelo pescoço e colo dela, arrancando arrepios da sua pele. Vanessa travava com sua razão e seu desejo uma luta, cravou as unhas nas costas de Clara, anunciando quem vencia aquela batalha.

Clara conhecia as reações do corpo da sua amada, assim seguiu aquilo que lia no arrepio da pele, no arqueamento do tronco, no descompasso da respiração, e finalmente no sexo pulsante e encharcado de Vanessa, quando o tocou levemente massageando o clitóris que se edemaciava a cada movimento.

Buscando mais espaço Clara arrancou o short de Vanesa e a conduziu até o sofá deitando sobre ela. Por uma fração de segundos os olhos se encontraram, e o desejo que transbordava deles deu lugar a um lampejo de culpa, uma epifania de sensatez, claros o suficiente para fazer Vanessa se travestir de autocontrole.

– Não Clara, pára.

– Mas Van…

– Pára, você sabe que isso não nos levará a nada.

Vanessa afastou Clara e se levantou procurando as suas roupas. A loira constrangida fechou sua blusa entreaberta, balançou a cabeça negativamente enquanto seus olhos marejavam.

– Que nós nos desejamos isso não tenho a menor dúvida. Eu sinto uma falta absurda do seu corpo, de estar com você, dos seus beijos, de fazer amor com você, mas isso não basta. Está evidente que algo se rompeu Clara, então um sexo quente entre nós agora é tão sem sentido quanto continuarmos essa conversa.

– Não tenho dúvida que isso aqui não é só desejo, não é só saudade. A gente se ama Vanessa, mas você está tão ferida que está negando até isso. O que não faz o menor sentido para mim é ficarmos separadas, eu nasci pra você e você pra mim. Mas você claramente não acredita mais em nós.

– Não acredito mais que você seja capaz de me amar como preciso, ou como é necessário para ficarmos juntas. Não aceito as condições que vivemos até hoje. Não concebo mais a ideia de aceitar qualquer coisa para fazer dar certo. Eu quero tudo de você Clara, eu quero a felicidade, o amor completo, não um arranjo que me conforme a uma relação limitada.

– Acha mesmo que não posso te dar isso? Que não podemos conquistar isso juntas? - Clara indagou em tom magoado deixando as lágrimas escorrerem por sua face.

– Não Clara.

Também tomada por lágrimas Vanessa respondeu caminhando em direção a porta, abrindo-a. Entendendo o convite a se retirar, Clara viu-se invadida por uma dor descomunal, aos soluços caminhou até Vanessa que sequer conseguia lhe encarar.

– Eu vou te provar que você está errada Van.