clara aguilar e vanessa mesquita

Em Seus Olhos - Cap 30

Acordamos, e fomos tomar café, era impressionante como ela ficava linda cozinhando, os cabelos bagunçados por conta da posição que dormiu a noite.

- Posso perguntar uma coisa? – ela não respondeu, mas balançou a cabeça positivamente enquanto pegava a xícara na mão.

- Quando é seu aniversario?

- Três de março.

- Já passou. Ela acenou novamente com a cabeça.

- E o seu quando  é?

- Vinte de dezembro.

- Daqui a pouco é o seu.

- Sim

- O que foi? – ela perguntou erguendo a cabeça?

- Eu queria ter comemorado seu aniversário – ela sorriu, voltou para o meu ombro e continuou ali encostada, a mesma pergunta continuava martelando, o que deixava ela tão insegura em se relacionar? Eu pensei inúmeras coisas, ela pode ter sido traída, enganada, o cara podia ser casado e ela só descobriu depois, ele pode ter deixado ela, poderia ser tanta coisa, mas ela nunca me dava uma pista.

Eu beijei sua cabeça e chamei  seu nome.

- Hoje é a festa, você já sabe o que vestir? – Ela se ajeitou virando-se e me beijou rapidamente, meu irmão vinho nos buscar, acho que eu não tinha dito isso a ela, mas assim que ouvimos a campainha tocar, ela começou a dar risada, eu olhei para ela, que me apontou para a janela, uma placa.

Vanessa, o que você fez com a minha irmã? PS: minha mãe está dando pulos de alegria.

Junior! Eu revirei os olhos, fomos lá fora atender.

- Eu vim buscar a senhorita Vanessa, com licença, mais tarde eu falo com você. – e Junior passou o braço sobre os ombros de Vanessa. – Vocês vão ficar lá em casa a partir de hoje, pegue a mala de Vanessa, Clara.

- O que? Você é o homem! Vá lá e pegue, e traga a minha também, esta separada, e solta a minha namorada! – eu disse dando risadas, ele bufou e entrou para dentro de casa pegar a mala.

Fomos para o carro, paramos em frente ao Hyundai do meu irmão, ele abriu a porta do passageiro para ela, certo! Eu iria no banco de trás, coloquei a mala de Vanessa do meu lado e entrei no carro.

- Quer dizer que você é a responsável pelas mudanças da minha irmã rabugenta e mandona.

- Hey! – mas Junior fez sinal com a mão para que eu não falasse.

- Eu não sei se eu sou responsável, acredito que era pura falta de tempo.

- Oh! Não mesmo Vanessa! Possa chamá-la pelo primeiro nome? Afinal você é minha cunhada – ele se virou para mim e piscou.

- Olhe para a estrada Junior.

- Viu? Rabugenta como eu disse! Mas então continuando, minha irmã não é assim, ela ficou assim, e o único motivo que eu possa encontrar para essa  mudança é você, mas calma, isso é bom, nós sempre acharmos que ela precisava encontrar alguém que a fizesse sair daquele mundo, onde só havia negócios. Acho que você deve saber que a única namorada que ela teve não conta, ela era uma louca apaixonada, e ela nem conseguia lembrar o nome dela direito – Vanessa olhou para mim.

- Ele esta exagerando.

- Exagerando? E aquela vez que encontramos vocês no parque, e você não lembrava  nome dela de jeito nenhum, ate que ela disse, isso porque vocês já estavam namorando a seis meses Clara – Vanessa ergueu uma sobrancelha a abriu a boca para mim.

- Não! Ela realmente fez isso? – Junior fez que sim com cabeça, de um modo mais exagerado que  normal.

- Eu não estava tão ligada a ela, foi só isso, e me deu um branco.

- Ela pediu licença e foi chorar no banheiro Clara, e você queria ir para a banca comprar uma revista de finanças – Junior reviro os olhos. – Alias eu não sei como você conseguiu perder a virgindade na época da escola – ele olhou para Vanessa – Isso é um mistério para mim até hoje.

- Vamos deixar o passado para lá, Junior? – os dois deram risadas.

- Mamãe esta muito feliz por vocês estarem aqui – eu fiquei grata por ele ter mudado de assunto, ela não sabia que Vanessa não tinha interesse no meu passado, mas acho que ela não quis ofende-lo então deixou que ele continuasse.

Enquanto Junior tentava destruir minha reputação, eu comecei a observar as ruas familiares, fazia tanto tempo que eu não vinha para cá, uns dez anos provavelmente, assim que me mudei para Nova York eu não vim mais, meus familiares que iam sempre me visitar. Agora que estou em Miami fica mais difícil ainda.

Passamos em frente a escola onde eu e meu irmão estudamos. Então chegamos a grande casa branca, com grandes pilastras Romanas na entrada, e arbustos por todos os lados, eu sai do carro e fui para a porta da Vanessa, abrindo para que ela saísse, Junior foi para a porta traseira e pegou a mala dela, ele pegou a minha e deixou ao meu lado. Entramos na casa, tudo estava como antes, como eu me lembrava o pequeno hall com moveis brancos e flores e a sala com dois ambientes, o sofá vinho, lembrou-me de ter dormido inúmeras vezes nele, nas tardes de calor, Junior não calava a boca, eu peguei na mão de Vanessa.

- Agora é comigo – eu a puxei e fomos em direção ao hall onde havia a escada para o segundo andar, haviam corredores para os dois lados, a esquerda ficava a biblioteca e o quarto de minha mãe, a direita meu antigo quarto e o do Junior, uma sala de antiguidades dos meus pais e dois quartos de hospedes, fora o banheiro do corredor, fui em direção ao meu quarto, mina mãe tinha mantido nossos quartos, minha cama de casal, um tapete grande, alguns instrumentos musicais, uma TV e um aparelho de som, meu guarda-roupa também, ainda haviam algumas roupas nele, deixei nossas malas no chão.

- Então esse era seu quarto?

- Sim, foi aqui que eu passei a infância e adolescência.

- Eu também toco baixo – ela disse apontando para o baixo preto de quatro cordas.

- Eu toquei pouco baixo, preferia violoncelo e piano.

- Hey! Você de cabelo curto! – ela estava olhando para o mural de fotos na parede.

-Sim, foi quando entrei para a faculdade, e acabei deixando crescer quando me formei.

- Eu gostei de você de cabelo curto também, e essa aqui onde foi tirada? – era uma foto minha na beira da piscina sorrindo.

- Em um clube aqui na cidade, eu, meu irmão e alguns amigos costumávamos ir lá.

- Você nunca pensou em ser modelo? – ela estava olhando a foto que a Nicole tinha tirado de mim, sentada no chão com o violão.

- Já recebi propostas, mas eu sempre preferi o mundo dos negócios, isso de moda não serva para mim.

- Você é muito bonita, teria dado certo no mundo da moda, com certeza estaria em varias capas de revistas, ela virou para mim e cruzou seus braços no meu pescoço, eu a beijei enquanto sorria.

- Você precisa de alguma coisa?

-Banheiro, por favor – eu fui para a porta ao lado do guarda roupa, e abri para ela.

Eu estava colocando nossas malas em cima de um móvel no quarto quando ouvi batidas na porta, quando me virei, minha mãe estava abrindo a porta e entrando, só agora diante dela, eu percebi o quanto eu sentia sua falta, minha mãe sempre foi tão companheira e amiga, eu fui até ela e lhe dei um abraço demorado.

- Minha querida, vocês fizeram boa viagem? – ela perguntou enquanto eu a abraçava.

- Sim mãe, fizemos – me afastei e olhei-a novamente, minha mãe tinha os cabelos escuros, se eles já não estivessem ficando branco. Os mesmo olhos castanhos claros que meu irmão tinha puxado dela, ela era uma mulher elegante, um pouco baixa e seu rosto era Suva, eu tinha puxado pouca coisa dela, alguns diziam que e o sorriso, mas eu era a cara do meu pai, principalmente por causa dos olhos.

- Onde está ela? – minha mãe perguntou como uma ansiedade na voz e no rosto, então a porta se abriu, e Vanessa surgiu, ela ficou um pouco sem graça, deu um passo a frente e esticou sua mão para minha mãe.

- Suponho que a senhora seja Rosangela? – e minha mãe sorrindo foi ate ela ignorando sua mão e puxando-a para um abraço materno, Vanessa abraçou-a também.

- É um prazer conhecer você finalmente Vanessa.

- É um prazer conhecer a senhora também – Vanessa disse e agora elas não estavam mais abraçadas, fui para o lado de Vanessa e peguei sua mão, o que não passou despercebido pela minha mãe.

- Eu estava na estufa, e não ouvi  carro chegar, Junior que foi me aporrinhar lá e me disse – ela revirou os olhos, mas depois sorriu, nós duas sabemos como Junior podia ser pentelho com alguém.

- Eu imagino que vocês estejam cansadas da viagem, e queriam descansar um pouco, eu venho chamar vocês para jantar, ai podemos matar a saudade e conversar bastante – minha mãe olhou novamente para nós duas de mãos dadas, deu seu doce sorriso e saiu fechando a porta.

Cap 42


Clara narrando…

Sai daquela sala despedaçada, eu não acredito que eu fiz isso com ela, posso ter perdido o amor da minha vida pela minha estupidez, fui desesperada pra minha sala, hoje ainda seria o anuncio que ela seria a nova chefe do setor, hoje esta sendo o pior dia da minha vida… mandei minha assessora avisar a Vanessa sobre o anuncio, marcamos a reunião, agora ia ficar tudo pior, eu teria que estar uma vez por dia com ela com certeza, porque ela teria que me passar os relatórios de todos do setor todos os dias…meu deus que inferno…

Ou eu lutava por ela ou esquecia de vez, ela agora so ia querer a segunda opção, mas eu resolvi fazer alguma coisa que preste uma vez na vida, ia terminar com Juliana e ia tentar recuperar o tempo perdido com Vanessa…


Vanessa Narrando…

Agora eu tinha que seguir minha vida, sem Clara. Alias não queria nem mais falar sobre ela, vou seguir em frente. ou eu tentava voltar com Claudia ou seguia minha vidinha que no momento estava sendo a mais medíocre possível. Continuei meu trabalho aquele dia, desanimada, desiludida pra ser mais sincera. No fim da tarde de trabalho cansativo, o entregador da empresa me trouxe um buquê de tulipas, sem muita empolgação e fui ver o cartão “e esse amor não vai sair de mim por nada e nem tente se afastar de mim, Vai ser muito ruim se eu não puder te ver… Clara!

Ela so pode estar brincando comigo, aquilo estava passando do limite, nesse momento Claudia entrou na sala, olhou na mesma hora pro buquê, balançou a cabeça negativamente…

Claudia – já estão em lua de mel?
Vanessa – nunca estivemos…
Claudia – bonito buquê…
Vanessa – são horríveis… (joguei no lixo do lado da minha mesa)
Claudia – porque isso?
Vanessa – Claudia a gente tem que conversar…
Claudia – pra que? Pra você me dizer que a ama? Obrigada, to bem sem ouvir isso…
Vanessa – eu quero que você volte pra onde nunca deveria ter saído…
Claudia – pra onde?
Vanessa – pra minha casa…
Claudia – kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk é piada neh?
Vanessa - ……………………………………(muito seria e irritada)
Claudia – você é uma comedia…
Vanessa – então sai daqui de uma vez, não me tira do sério…eu quero ficar com você, se você não quer, beleza, saia da minha vida de uma vez…
Claudia – desde quando você se tornou um pessoa bipolar?
Vanessa – desde que mulheres como você estão me enlouquecendo…
Claudia – não sou eu que te enlouqueço…
Vanessa – é você que eu quero que fique comigo…
Claudia – você não sabe o que quer?
Vanessa – agora eu sei, e é você…só você que eu quero, tenho certeza absoluta disso!
Claudia – tem certeza?

Me aproximei dela e disse em seu ouvido…

Vanessa – quero passar o resto da vida com você ao meu lado!

Ela não resistiu ao meu charme, obviamente, se entregou em meus braços mais uma vez, foi so um beijo, mas foi bom, ela me amava, aquilo agora seria o suficiente, não seria sacrifício algum ficar com uma mulher daquela…

Clara narrando…

Mandei um buquê, ia cercar ela por todos os lados, ela ia ceder mais uma vez, ela sempre cedia… poderia demorar mais tempo que o normal, mas ela ficaria comigo, eu ia terminar com Juliana quando pudesse, por enquanto ia passar mais um tempo com ela pra não ficar sozinha, tenho certeza que Vanessa não ia ficar com Claudia por muito tempo, eu ia fazer alguma coisa pra elas poderem se afastar, não seria muito difícil, mesmo Claudia sendo uma mulher linda, Vanessa me amava e era comigo que ela ia ficar, era questão de honra agora.

Vanessa narrando…

Eu e Claudia saímos juntas do trabalho, ela foi pra minha casa, que já era tão dela também, fizemos um sexo pra esquecer de tudo, ela queria saber o que tinha acontecido na outra noite, eu contei omitindo inúmeras partes, mas disse que tinha chegado ao fim, que agora eu tinha decidido ficar com ela, porque gostava dela,e ela me fazia realmente melhor que aquela cachorra.

Claudia – porque eu te amo tanto meu deus?
Vanessa – eu sei que sou irresistível kkkkkkkkkkkkk
Claudia – idiota
Vanessa – eu também gosto muito de você…
Claudia – mas não ama…
Vanessa – você quer que eu minta?
Claudia – não…
Vanessa – quando eu realmente estiver sentindo vou ter muito orgulho de dizer, você merece tudo isso e muito mais…


Passamos uma noite maravilhosa, depois da briga, a reconciliação é a melhor parte de um relacionamento, no meio de nossa conversa na madrugada ela me disse algo que me deixou triste…

Claudia – eu não vou voltar pra cá…
Vanessa – porque não? (assustada)
Claudia – amor, a gente acabou de brigar e já voltamos, eu acho que fomos muito precipitadas quando decidimos morar juntas…
Vanessa – não entendo… esta arrependida?
Claudia – claro que não… mas olha só, na nossa primeira briga realmente seria, você sumiu, eu sai da sua casa como se estivesse fugindo de algo, isso não esta certo, temos que ter mais certeza sobre nossos sentimentos, você não tem.
Vanessa – amor…. eu já disse que eu adoro você demais…
Claudia – eu sei Vanessa, mas eu te amo, quando as coisas ruins acontecem eu sofro muito mais que você, então é melhor eu ficar com minha mãe por um tempo… ela sente falta de mim por perto…
Vanessa – você que sabe…quando quiser é so pegar suas coisas e voltar…

Ela dormiu comigo abraçadinha, aquela segurança que Clara nunca me passou, ela me passava com a maior facilidade do mundo, era incrível como ela tentava ser perfeita sempre, me arrependi demais de ter ficado com Clara naquela noite, não deveria ter acontecido mesmo. Eu estava com uma dificuldade enorme pra dormir, lembrei do buquê que aquela cachorra me mandou, é muito cara de pau.

O sábado chegou, na sexta eu não pude sair porque tive reunião ate tarde na empresa, fiquei super cansada, detalhe, reunião com Clara, eu já tinha sido anunciada como a nova chefe, ou seja, contato direto todos os dias com ela, espertamente eu sempre dava um jeito de alguém estar comigo quando eu tinha que passar algo pra ela. No sábado a tarde Claudia foi la pra casa, ficamos vendo um filminho em dvd, meu telefone toca com Junior me procurando como louco, algo estava errado em algum relatório que passamos pra Clara, ela estava um pilha de nervos e disse que não tinha conseguido falar comigo, mentira, meu telefone estava funcionando perfeitamente, ela não quis ligar pra mim.

Eu tive que ligar pra histérica, ela atendeu o celular já sabendo que era eu e irritada…

Clara – ate que enfim me ligou…
Vanessa – o que houve?
Clara – você e o Junior cometeram um erro num relatório, quero um novo ainda hoje, você que tem que resolver isso, Junior só te ajudou a errar mais…pode fazer isso agora neh?
Vanessa – poder eu até posso, o problema que os gráficos estão todos no meu Noot e ele esta na empresa, eu não trouxe esse fds.
Clara – PQP…. eu vou ligar pra alguém da segurança do prédio pra abrir pra você e te ligo de novo, tchau.

Nossa, mas ela tava um poço de educação hoje, que coisa. Claudia já estava me olhando irritada, mas ela sabia que era coisa de trabalho, chamei ela pra ir comigo na empresa, sei la neh, vai que eu chego lá e a Clara ta lá, olha a merda, eu agora penso em tudo, ela é louca.

Eu e Claudia fomos na empresa, peguei meu Noot, voltei pra casa e perdi meu sábado, Claudia dormiu me vendo trabalhar, tarde da noite eu acabo de fazer, liguei pra Clara na mesma hora…

Vanessa – Clara ?
Clara – fala… (ela estava com uma voz estranha, acho que estava bêbada)
Vanessa – acabei de fazer o relatório, vou te mandar por e-mail tah?
Clara – tah bom!
Vanessa – ta tudo bem? (olha a idiota preocupada)
Clara – claro… ta tudo ótimo, a mulher que eu amo me ignora, esta tudo ótimo!
Vanessa – você esta bêbada…eu vou te mandar a parada ok?
Clara – porque você não trás pessoalmente?
Vanessa - …………. Clara , computador existe pra facilitar a vida das pessoas, eu não vou sair da minha casa essa hora pra te entregar nada, vou te mandar por email.
Clara – então eu vou buscar…
Vanessa – ta louca?
Clara – to, completamente louca por você.
Vanessa – haha já chega Clara , não apareça na minha casa, não quero problemas entre você e Claudia…
Clara – hum ela ta ai ainda? Ate quando essa palhaçada de vocês duas vai durar?
Vanessa – palhaçada? ……………….(me irritei) a única palhaça aqui é você, eu e você agora só temos uma relação de trabalho, então por favor não tenta atrapalhar mais a minha vida do jeito que já atrapalhou, você não vem aqui de jeito nenhum, eu não vou ate aí e ficamos assim. Boa noite pra você!

Desliguei o telefone sem deixar ela falar nada, que mulher irritante, ainda vem falar que meu relacionamento é uma palhaçada, que ódio. Ainda bem que Claudia dormia que nem uma pedra e não viu essa cena via telefone.

Enviei o que tinha que mandar pra ela e fui deitar ao lado da minha mulher.

Clara narrando….

Ela me disse palavras tão duras, parecia mesmo decidida, eu bebia meu copo de Wisky na beira da piscina, estava sozinha, Juliana me disse que ia sair com uns amigos, sei bem que amigos são esses, mulher é foda, agora ela vai me colocar mais chifres do que não sei o que, olha minha cara de preocupação? Haha hoje estava me sentindo mais sozinha que o normal, comecei a reparar que Vanessa não queria nem me olhar, fazia tudo por obrigação mesmo, eu não iria desistir tão rápido assim, eu amava aquela mulher demais, muito mais que eu imaginava, aquilo era muito novo pra mim, sempre tive minha aventuras, eu nunca sofri por ninguém, me sentia um lixo, é normal isso? Não sei, mas eu estava muito mal pela forma que tratei Vanessa, eu tinha que ter terminado com Juliana na frente dela, assumido ela, mas não, eu fiz tudo errado.

fabian estava quase casado com Edu, então eu me sentia mais sozinha que de costume, não tinha nem ele pra conversar, agora ficava no hotel direto, Edu ficava com ele por lá, minha vida estava desmoronando literalmente, queria poder ligar pra minha mãe, mas o que eu ia dizer? Que estava sofrendo por que? Pelo fabian? Haha não dava neh! Vanessa tinha razão em tudo que me disse, ninguém nunca me amou, eu não tenho amigos, eu não sabia pra quem ligar, pensei ate na Mayra…mas vou falar o que também? Minha vida não tinha nenhum sentido, eu estava a beira de uma depressão e só reparei isso hoje.

Liguei pra Juliana no meio da madrugada, ela atendeu o telefone numa barulheira do caralho, tentei falar com ela nem sei o que, eu estava bêbada e sozinha, ela bêbada e com um monte de gente, pensei em Vanessa, na verdade ela não sai da minha cabeça nunca, existem apenas momentos em que minha cabeça se ocupa com outras coisas, imaginei que ela deve ter feito amor com sua namorada, so de imaginar aquela mulher beijando sua boca que era tão minha, lembrar seu toque me dava frio na barriga, como é estranho senti essas coisas por uma pessoa.

Desliguei o telefone sem falar muita coisa, so disse que a gente tinha que conversar, fui pro meu quarto cambaleando, liguei o pc pra imprimir o relatório, eu poderia fazer isso amanha, mas estava sem sono, lembrei de pegar uma coisa na minha bolsa, assim que abri dei de cara com a foto, minha e de Vanessa bebendo naquela noite, olhei pra foto e meus olhos encheram de lagrimas, desisti na hora de fazer qualquer coisa em computador, me joguei na cama com a foto nas mãos, apertei contra meu peito, chorei lembrando da primeira vez que ouvi da boca dela ‘eu te amo’, ela achava eu que dormia, mas quando ela esta ao meu lado gosto de vê-la dormindo, ouvir sua respiração, fazer carinho, ver seu semblante enquanto dormia era uma das coisas que eu mais amava, na noite que ela me disse tais palavras, eu esperava que ela dormisse pra poder fazer meu ritual de vê-la dormindo, aquilo não aconteceu naquela noite, mas eu pude ouvir algo que foi a melhor que ouvi em anos. Adormeci com a tristeza no meu coração.

Vanessa narrando…

Acordei cedo pra fazer minha caminhada, Claudia ainda dormia, estava quase pronta pra sair quando ela acordou…

Claudia – amor?
Vanessa – Bom dia minha linda(fui dar um selinho nela)
Claudia – vai aonde?
Vanessa – hoje é domingo amor…
Claudia – não vai hoje não, fica deitada aqui comigo fica?

Ela foi tão fofa pedindo, tirei minha roupa de correr e voltei pra cama com ela, fizemos amor e adormecemos, esse negocio de namorar as vezes começa a ficar um pouco monótono.

Clara narrando…

Acordei cedo com uma ressaca básica, wisky acaba comigo. Coloquei meu biquíni e fui dar um mergulho na piscina, mandei a empregada preparar um almoço legal, so pra mim, mas não é porque minha vida estava uma merda que eu vou deixar de comer neh?! Juliana me ligou logo cedo, eu mandei ela ir la pra casa pra gente poder conversar, eu nem sabia o que eu queria falar com ela, acho que eu não queria era me sentir tão sozinha. Fiquei vendo tv muito entediada ate a hora que ela chegou, na hora do almoço, fomos almoçar antes de qualquer coisa, ela falava da noite dela com as amigas animadamente.

Clara – humm…. mas e ai? Você foram pra onde?
Juliana – uma boate.
Clara – que boate?
Juliana – ahhhh…. (ela enrolada toda vida) aquela que a gente se conheceu.
Clara – hum… legal.
Juliana – você esta chateada?
Clara – não.
Juliana – também neh,nem pode.(falou muito baixo)
Clara – o que?
Juliana – nada
Clara – repete
Juliana – ihh amor não é nada…
Clara – não posso neh? Acho que a gente que não pode mais…
Juliana – que?
Clara – eu e você, nós duas…acho que vai ficar muito difícil Juliana.
Juliana – não estou te entendendo.
Clara – ai meu deus… Ju, acho melhor a gente dá um tempo.
Juliana – tempo?…………….. tempo? (irritada) você quer me pedir um tempo? Você so pode esta brincando, eu te pego na cama com outra, te perdôo e você quer um tempo?
Clara – é… não vamos voltar nesse assunto por favor Juliana.
Juliana – é claro que vamos voltar, eu te pego na cama com uma vadia de quinta…
Clara – ela não é vadia…
Juliana – não vem defender aquela lá não, você fala um monte, diz que gosta de mim, que quer ficar comigo, que ela não é nada pra você e agora você quer um tempo? Tempo pra que?
Clara – na verdade eu não quero um tempo…. (ela se levantou irritada e fui atrás dela pra sala)
Juliana – não?
Clara – eu quero terminar de vez! (ela me deu um tapa na cara)
Juliana – não trate as pessoas assim Clara , você não tem esse direito.

Ela saiu da minha casa que nem uma louca, eu fiquei em estado de choque, levei um tapa na cara, magoei mais uma pessoa, como eu tenho habilidade pra essas coisas. Fiquei meio desconcertada, liguei pro Fabian me da aquele auxilio, ele ia ligar pra Juliana pra vê como as coisas iam e tal, me retornou logo depois.

Em Seus Olhos - Cap 33

Ela estava sentada na escrivaninha do quarto com a toalha enrolada no corpo se maquiando, eu já estava pronta.

- Vou falar com Junior e já volto – ela acenou para mim.

Junior estava pronto também, ele estava na sala no celular, eu aguardei enquanto ele falava – Mamãe já estava voltando com Ana – ele disse sacudindo o celular.

- Você trouxe os colares?

- Colares? Que colares? – eu não vi piada nos olhos dele, e já entrei em pânico.

- Junior, se você não trouxe, nós vamos ter que buscar e.. – mas ele me interrompeu.

- Clara, é disso aqui que você esta falando? – ele pegou uma sacola do lado da lareira, dentro estava a caixa de encomenda fechada ainda. – Você não me disse o que era, por isso que perguntei. – eu peguei a caixa e fui em direção a cozinha, Junior veio junto, eu achei uma faca para abrir o pacote.

- Você vai dar para ela agora então?

- Sim. – Finalmente consegui abrir, eu vi a caixa preta de veludo fechada, abri o pequeno feixe de metal e lá estavam, os colares.

- Woww! Acho que ela vai gostar.

- Eu espero que sim, ela não é igual as outras garotas que já sai.

- Eu entendo, mas acho difícil ela não gostar por ser um presente seu, acho que ela vai entender isso.

- Bom, me deseje sorte então. – ela estava colocando o vestido, para minha sorte o vestido não tinha gola, era de seda e bordo. Minhas mãos estavam nas costas com a caixa preta de veludo.

- Bom, eu comprei algo ara você, eu queria algo que nós duas tivéssemos em comum, algo nosso entende? Espero que você goste.

- Ai meu Deus Clara, não precisava.

- Eu sei, mas quero te dar, por favor aceite. – eu mostrei a caixa para ela, que não pegou de imediato, ela ficou avaliando, então ela estivou o braço para pegar, ela encarou a caixa por alguns segundos, ate que ouvi o clique do feixe.

- Eu realmente não tenho palavras Clara, é tão lindo, é muito mais do que eu mereço.

- Não, não é muito, isso não é nada perto do que eu quero dar para você, e por favor você acabaria com a minha noite se não aceitasse esse presente. – ela franziu a testa para mim.

- É lindo demais. – SUS voz ainda entregava o desconforto, mas ela cedeu um pouco, e abriu um sorriso.

- Obrigada! – eu disse a ela, e ela revirou os olhos, eu tirei da caixa de veludo, abri o feixe, ela levantou os cabelos e eu coloquei em seu pescoço. Logo depois ela pegou o outro e fez o mesmo comigo. Era delicado, nada com pedras enormes e extravagantes, combinou perfeitamente com ela e com o vestido que estava usando, ela foi para o espelho e se viu com o colar.

- É realmente bonito, talvez o tipo de jóia que eu compraria. – a satisfação tomou conta de mim. – Bom, vou colocar os saltos e descemos sim? – eu fiz que sim com a cabeça, assim que ela calçou os saltos, ela passou seu braço em volta do meu e nós descemos as escadas, a tarde já estava ido embora, por sorte hoje não estava tão frio quanto ontem, as luzes na tenda já estavam acesas, eu tinha pego as duas caixas de presentes para minha mãe, nós estávamos na sala quando ela desceu, e ela estava linda, usando um vestido salmão claro, com um coque no cabelo, assim que ela nos viu ela abriu um sorriso.

- Parabéns mãe!

- Aqui, seu presente.

- Lindo Clara, esses brincos são lindos, obrigada! – ela me deu um beijo na bochecha,

- Senhora Aguilar, parabéns, eu desejo o melhor para a senhora.

- Querida, sem senhora, me chama de Rose, venha cá – ela puxou Vanessa que a abraçou também, ela disse algo em seu ouvido, mas não pude ouvir o que era, ela se soltou e entregou seu presente.

- Que linda, que gentileza Vanessa, muito obrigada! – minha mãe tirou a pulseira e colocou imediatamente no pulso.

- Querida desculpe, eu amei seus brincos, mas eles não combinam hoje com esse vestido, já a pulseira combina perfeitamente.

Junior voltou da cozinha mastigando algo, ele também trazia uma caixa na mão. Vanessa voltou para o meu lado e Junior abraçou nossa mãe, e depois

Lhe entregou a caixa, de dentro ela tirou um envelope, deixou a caixa de lado, e abriu o envelope, era uma passagem.

- Junior! Navio pela Itália? – ele fez que sim com a cabeça e beijou sua bochecha também.

Nós fomos para fora, algumas pessoas já tinham chegado e estavam sentadas em suas respectivas cadeiras, nos certificamos de colocar tia Dora bem longe da nossa mesa, Junior queria colocar a mesa dela mais longe próximos aos banheiros, mas eu não deixei.

Revi pessoas que eu não vi há muitos anos, primos e primas que vieram para a festa, a todos apresentei Vanessa como minha namorada e aparentemente todos gostaram dela. Minha tia não deve ter tido tempo de desfilar o veneno ou então todos já estavam de saco cheio dela e não deram importância, as mesas tinham três tamanhos diferentes, minha tia Dora ficou em uma mesa pequena com apenas quatro lugares, e nela estavam ela, Alex e seu esposo meu tio, mas ele nunca falava muito, um homem de muita paciência imagino eu.

Para minha total alegria o garçom que veio nos servir não era o garoto, e sim um homem, em nossa mesa estávamos mamãe, Junior, Vanessa e eu, as irmãos de minha mãe seus maridos e filhos, Ana também ficou em nossa mesa, fazendo minha tia retorcer a boca quando viu.

Meu irmão contratou uma banda, e a seleção de musicas estava repleta das preferida dos meus pais, eu sorri para ele.

- Dança comigo? – Vanessa se levantou e veio comigo ate a pista de dança, onde poucas pessoas dançavam agora, era These Foolish Things, meu irmão levantou e chamou uma de nossas primas par dançar, acho que eles já tiveram alguma coisa, pobre garota, ela foi com sorriso de orelha a orelha,dançamos mais uma quatro musicas, e agora a pista estava cheia.

- Sede? – ela fez que sim com a cabeça, voltamos para a mesa, e bebemos uma taça de vinho branco cada, dei uma olhada em volta, ate minha mãe estava dançando, com meu tio, irmão do meu pai, ele era viúvo também, ela parecia muito feliz.

- Eu já volto – eu disse indo em direção ao palco com a banda, fui ate  pianista, que não estava tocando agora, a musica não exigia.

- Você conhece essa musica? – mostrei meu celular a ele e ele fez que sim com a cabeça.

- Pode ser a próxima?

- Temos outra para a próxima, mas depois será essa tudo bem? – fiz que sim pra ele e voltei para a mesa, Vanessa sorriu para mim, mas não perguntou nada, era típico dela. Me sentei e aproveitei para descansar mais um pouco.

A musica já estava quase acabando, eu me levantei e estiquei o braço, Vanessa pegou minha mão, abrindo espaço para chegar ao meio onde estavam meu irmão e minha mãe, e foi o tempo das notas familiares começarem a tocar, Vanessa abriu o sorriso e beijou meu queixo, eu não falei nada, porque ela já estava cantando com a cabeça apoiada no meu ombro, Belief.

- O que minha mãe te disse quando ela abraçou você? – ela parou e pensou um instante.

- Oh! Sim, eu sabia que você ia querer saber, ela me agradeceu por estar te fazendo feliz.

- E você esta. – beijei sua testa. Senti uma mão em meu ombro, quando me virei era Alex.

- Poderia dançar com seu primo a próxima musica? – ele pediu educadamente, eu não queria desgrudar de Vanessa, mas ela deu espaço e Alex veio para minha frente, vi que enquanto Vanessa voltava Junior foi ate ela, que sorriu e ele a levou para a pista de dança, fiquei mais aliviada, assim ela não ficaria sozinha.

- Você realmente foi pega pela garota Clara, eu me lembro quando éramos pequenos, minha mãe sempre achou que eu me casaria com você ou Taylor, mas ela mudou de opinião quando ela começou a ficar mais.. Hmm que palavra posso usar?

- Petulante! – eu disse com meio sorriso para ele, vi Junior conduzindo Vanessa de forma engraçada e fora de ritmo, ela estava se divertindo com ele.

- Isso, e então foi você, eu estava planejando uma viagem para Nova York, ficar uns dias, mas então sua mãe disse a minha que você estava em Miami, e que não tinha data para voltar, e sinceramente eu não gosto de Miami, muito cinza, muita chuva, e dizem que as pessoas lá são mal educadas.

Mal educadas? Eu pensei comigo, o que ele achava do comportamento da mãe dele?

- Miami é uma cidade linda, eu gosto do tempo cinza e a chuva, principalmente a chuva, e as pessoas lá não são mal educadas, isso eu lhe digo por experiência própria com algumas que realmente são. – ele deve ter entendido, mas se fez de desentendido, e deu uma bufada.

- Bom, eu queria ter conversado com você a sós antes, eu queria que você tivesse a chance de me conhecer melhor, eu mudei Clara, eu cresci, e acho que agora seria uma boa oportunidade para isso, já que você esta no inicio de um relacionamento, e bom serei franco, ele esta fadado a não dar certo – eu parei de dançar, e olhei nos olhos de Alex, era uma pena que ele fosse meu primo, porque o meu sangue ferveu, da mesma maneira que ferveu quando Richard insultou Vanessa.

- E porque você acha isso?

- Oras, uma hora ela terá que voltar para o país dela, e como você mesmo disse, seus negócios estão em Nova York e Miami.

- Eu já resolvi esse probleminha, ela não precisara mais voltar com uma data prevista. Mas Alex, mesmo que ela voltasse… bom, mesmo que fosse realmente necessário, ou ela quisesse voltar ao Brasil e ficar por lá, eu iria com ela.

- Mas Clara, acho que você deveria dar um chance para me conhecer melhor, e uma chance a você mesma, antes que as coisas possa ficar realmente seria.

-Alex, eu não quero te conhecer melhor, o pouco que eu conheço já me desagrada. Eu estou no inicio de um relacionamento, mas não é qualquer um, é o único que eu realmente quis e o único que eu quero, ela é inteligente, divertida, descontraída, com um coração bom e ela me deu a oportunidade de entrar no coração dela, uma chance que eu agarrei e não vou soltar por nada. Você pode achar que esta fadado a não dar certo, mas uma coisa eu garanto a você, eu vou fazer todo o possível para que de certo, porque eu a amo. Acho melhor voltar para sua mesa, com licença – dei as costas a ele e fui para a mesa, Vanessa ainda estava dançando com meu irmão, era melhor assim, eu peguei uma bebida e fiquei sentada, respirando calmamente, antes que eu expulsasse tia Dora e seu filho daqui.

A Musica durou mais dois minutos, muitas pessoas ainda estavam na pista, minha mãe era só sorrisos, vi Vanessa e Junior voltando.

- Dança agradável com nosso priminho? – meu irmão perguntou enquanto se sentava, eu puxei Vanessa pra o meu colo e a apertei – É um doce de pessoa igualzinho a mãe. – eu disse, Vanessa beijou meu cabelo e apoiou seu queixo na minha cabeça.

- Acho que vou lá dar uma lição nesses dois. – e ela começou a levantar, mas eu a segurei, Junior dava risada – Eu estava brincando, mas o que houve então? – Vanessa queria saber? Isso era raro.

- Ele queria que eu o conhecesse melhor, falou que ele tinha planejado me visitar em Nova York, mas mudou de idéia quando mamãe disse a tia Dora que eu estava em Miami, ele não gosta de lá.

- Acho que seria uma ótima idéia nos mudarmos todos para lá, já pensou? Nunca mais tia Dora e seu adorável filho? – nós três demos risada.

- Então ele queria que você desse uma chance para ele? – Vanessa perguntou.

-E você respondeu algo? – Junior perguntou.

- Eu disse a ele que o pouco que eu o conhecia, já tinha me desagradado, e disse a ele, que eu amo você – olhando para cima nos olhos dela eu disse – Que você é a pessoa, a única que eu quero na minha vida, e que você me deu uma única oportunidade de entrar em seu coração, e eu não ia largar essa oportunidade e que eu ia fazer todo o possível para fazer dar certo.

- Caramba, você é romântica e eu não sabia, o que a Nicole não daria para ouvir isso de você. -  eu nem olhei para meu irmão, Vanessa estava em silencio ainda, mas então ela levantou e saiu, passando pelas pessoas. Meu irmão levantou os ombros, como me perguntando o que tinha acontecido, eu sai e fui atrás dela, passei pelas pessoas na pista de dança e pela mesa de Alex, minha tia tinha um pequeno sorriso de triunfo nos lábios e com a taça na mão apontou para a estufa de minha mãe, eu corri para lá.