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A eternidade se faz no instante, a ausência se declara no momento, o desamor rompe o apego e a morte se dá pela vida.
Tudo que existe parte do pressuposto contrário, pelo seu mais tênue desígnio paradoxal. A luz só preenche algo anteriormente escuro, assim como o vazio te corrói após algo destruir teu conteúdo. E é assim que a vida caminha: a saudade abraça a amargura, a tristeza beija o desapego, o desamor conquista a mentira, o adeus desata o carinho e com isso eu deixo você. Te deixo porque na eternidade eu senti a saudade, na tua ausência senti a tristeza, no desamor senti a angústia e em minha vida te digo adeus, pois você é o meu desígnio paradoxal, meu mais doce objetivo inalcançado, uma vez que tudo que entra na minha vida tem a possibilidade de deixá-la também.
—  Gabriel Malaquias
Um olhar que vai te deixar tímida. Um aperto de mão forte que vai te dizer sem palavras o quanto você é especial para mim e que eu estou contigo para tudo, não importa o que aconteça. Um jantar todo especial que terá como único objetivo saciar a vontade de ter você ao meu lado hoje, amanhã e para todo sempre! Um beijo um abraço, seu perfume entra em minha mente, nossos corpos iniciam um ritmo acelerado do amor até se entregarem ao cansaço obtido pelo intenso prazer.
—  Lucimara.
Em vida, nada ao homem é certo. Não há certeza única na caminhada percorrida às suas respostas inconscientes, pois sua alma é pobre em essência. Nada a ele pertence realmente, uma vez que até a morte – sua fiel companheira – o trai no fim, roubando-lhe vida.
—  Gabriel Malaquias
Acordei sem nenhuma rima ou combinação. Hoje levantei da cama com a mesma monotonia de antes. O excesso de poética que antes habitara em mim, sumiu de minha alma. É por isso que hoje não faço poesia. Não as escrevo hoje, por faltarem versos em meu cotidiano. É preferível a prosa, pois nessa madrugada árdua e insípida, a continuação das frases nas linhas de texto é a mesma que a da minha ausência. Não que seja um incômodo, essa indisposição já é fiel em minha vida. Acredito que volta e meia, todos as pessoas sentem isso. Essa falta de poesia. Essa falta de vivência.
—  Gabriel Malaquias
Sempre fui um bom leitor, aquele tipo de pessoa que gosta de ler tudo, desde Crime e Castigo do grandíssimo Dostoiévski a lábios de pessoas estranhas conversando entre si no meio da rua. Não por curiosidade extrema ou falta do que fazer, é que sempre fui detalhista demais, entende? Por motivos complexos eu sempre gostei de analisar as coisas e imaginar que o mundo seja a literatura em si, o berço de todas as ideias que fazem do homem criativo e magnífico. Mas eu não estou aqui para fazer uma comparação do que entendemos por mundo com  nossa magnífica literatura, muito menos falar sobre meu aspecto detalhista em analisar pessoas, é que sempre tive o péssimo hábito de enrolar, de fazer círculos em torno de um assunto para, no final, dizê-lo, e isso sempre me causou problemas. O que eu quero dizer desde o começo é que eu gosto de ler pessoas. Gosto de tentar entendê-las, imaginar o que elas imaginam, pensar o que elas pensam, sentir o gosto do que elas gostam ou estão a saborear, – mesmo que seja fruto da minha imaginação – e isso me vem acontecendo com uma pessoa em especial, e por mais clichê que seja, é com a pessoa que amo. E como tudo no mundo é literário, podendo ser decodificado, pois todas as coisas servem de inspiração e talvez virem histórias, sejam elas de ninar ou contos de guerra que atravessam gerações, minha relação com ela também foi, também é e também será. Talvez um livro mal contado, mal escrito, sem inspiração e tão gélido quanto o Polo Norte, mas não deixa de ser literatura, não deixa de cativar aquele que busca extravasar o limiar da vida cotidiana pra viver histórias diferentes. A garota, que não é a protagonista da história, muito menos a coadjuvante, foi o meu romance de outono, mas que pareceu durar as quatro estações por causar as quatro estações em meu interior, e ultimamente eu vivo o inverno. Vivo a decepção amorosa, por saborear o desespero da curiosidade ao ler aquela garota, ao contemplá-la e buscar inseri-la em minha vida. Vivo o inverno por ter sido ingênuo demais em acreditar que a arte é sempre bela, que o amor, por ser tão magnífico na literatura, seria capaz de me revigorar e me dar forças para aguentar o resto. Me enganei. Não haviam restos para se aguentar, pois os mesmos haviam sido destroçados por tudo aquilo que a nova história que eu havia começado me causou. Minha vida havia se tornado uma anáfora decepcionante, uma repetição de tristezas que me derrubavam e pareciam não ter fim. Era o fim da minha peculiaridade em transformar pequenas coisas em arte, dentro de minha mente. Ela havia me enganado, e eu estava no chão da vida. Estava arruinado como um bêbado que foi despachado por sua esposa. O mundo já não parecia mais belo como antes, estava cheio de prédios cinzentos, de fumaça de carros e pessoas frias andando pelas ruas. Eu  havia caído na realidade, tudo por conta de uma mulher que eu havia conhecido no outono e me causara um inverno interior. Mas foi aí que eu acordei: a vida é sim, literatura. A questão é que não somos nós os escritores de verdade, apenas guiamos o rumo de sua história, e quando esta chega ao fim, a vida nos dá a capacidade de criar novas histórias após o término de outras, assim como o inverno congela o nosso interior para que nos preparemos para a chegada da primavera, pro resplandecer de um novo ano, de uma nova estação, de uma nova história, de uma nova vida.
—  Gabriel Malaquias
apago e escrevo,
escrevo e apago.
vida de poeta é assim,
porque poeta também é humano.
dos que mais sofrem,
mas é.
escreve e apaga,
vive e não vive,
escolhe ou mantém,
duvida ou aponta
e navega sem receios
sabendo que a vida,
apesar de um belo oceano
azul feito o céu com gaivotas
tem lá suas tempestades e marés altas,
e que mesmo assim,
é o infinito do mar que encanta
nossos pobres olhos.
—  Gabriel Malaquias
Às vezes nos deparamos com buracos enormes no meio da nossa caminhada. Buracos tão grandes que nos obrigam a seguir na contra-mão. Esses abismos nos fazem pensar o quão insignificantes nós somos perante às catástrofes que a vida nos impõe. Só que além de insignificante – tão insignificante que nem controlar meus próprios pensamentos consigo –, também consigo ser extremamente covarde e desamparado. Não que isso seja um drama excessivo (eu acho), é que é complicado ter que seguir em frente, como dizem as pessoas, quando as suas pernas são pequenas demais para saltar grandes obstáculos. Às vezes penso que eu sou o meu próprio abismo. Que eu sou a causa do meu próprio naufrágio, e creio que, paulatinamente, isso aconteça com a maioria das pessoas. É, eu não sou um caso à parte. Aliás, ninguém é. Estar vazio não é ser diferente de ninguém, até porque eu não tenho nada em que eu possa me diferenciar dos demais, muito menos ser igual a eles. E esse vazio me faz pensar qual o propósito da vida, qual o objetivo em acordar todos os dias de uma noite mal-dormida esperando que a próxima chegue, por saber que o dia será novamente chato, monótono e desagradável – ao ponto de me tornar escrúpulo. E sei que logo mais estarei novamente deitado. Estarei novamente pensando excessivamente sem objetivo algum, tornando – de novo – este texto a minha realidade (ou ilusão) de que eu sou o meu próprio buraco. E passo a pensar que comecei a vida com o pé esquerdo, pois a mesma me obrigou quando o direito já estava afundando. E com isso, venho a duvidar de que tudo não passa de uma ilusão, e que esse abismo que a vida colocou é fruto da minha imaginação fértil. Pois é, posso até concordar que esse tal abismo é ilusão da minha cabeça. Mas o que fazer quando a própria vida também é?
—  Gabriel Malaquias
A estupidez humana está na hipocrisia. O ato de ser pseudomoralista é a maior prova de ignorância no mundo, pois além de mentir aos outros, também engana a si próprio.
—  Gabriel Malaquias
vá se foder!
mas de um jeito bem poético;
com uma maldade rimada
e uma desgraça bem bonita.
então se foda, por favor
e suma de minha vida!
por poesia ou prosa
que acabe em ponto final;
pois todo livro tem sua história
e por mais romântica
que seja,
um dia chega ao fim.
—  Gabriel Malaquias
A solidão, meus caros, é o mais puro relacionamento. É a proposta inicial da vida, a condição necessária de SER humano. É o encontro essencial do corpo material com o corpo espiritual. É a junção das dores externas com a ausência da quietude. É o momento exato em que o vazio existencial parece a melhor saída da vastidão preponderante que é o peso de ter que ser o ter, e não somente ser. É a tragédia de pensar alto o suficiente e perceber que a queda é uma questão insignificante, pois já não há mais para onde cair: você já sabe o que é viver.
—  Gabriel Malaquias
essa ardência,
talvez em exagero,
mais parece uma cadência
que toca em desespero.
é a harmonia da dor,
a escuridão do meu anseio
que se define amor
no tal verbete alheio.
mas quem dita o terror
de ter o peito cheio
de alucinação ou horror
por viver em devaneio?
—  Gabriel Malaquias
É morte rápida ou
Fartura de sofrimento.

Amar é não ter mais a sanidade
Por viver só de ternura.
É a falsa-liberdade
Que sempre nos procura,
Para que morramos de saudade
Ou agonizemos na loucura.
—  Gabriel Malaquias
saudade, meu bem
ora é nó cego, ora vira laço
mal-feito, mal-laçado
envolve feito abraço.
é o presente combinado
do remetente errado
contendo o bagaço
de um sentimento arranjado.
saudade é coisa bela
é a mais doce sentinela
que rompe o cabaço
e a vontade daquela.
se brincar é a paixão
que talvez habite nela
ou a maior ilusão
de uma prisão sem cela.
é a pseudo-emoção,
a enorme caravela
que pisa na razão
sem deixar de ser bela.
—  Gabriel Malaquias
não peço esmolas.
amor é coisa grande
que cabe em minúscula matéria.
não sou mendigo de amor,
tampouco chego a ser degenerado;
sou poema amargurado
num tal panfleto de dor.
só cuido do que é meu,
sem que se torne cousa
tão pequena
ao ponto de virar teu.
e da vida faço lousa
ou pequeno pedaço de papel!
saio escrevendo tudo feito arte,
até que a mesma me faça réu
e me condene em maior parte
por amar tão pouco o mel,
da vida doce-amarga-doce
que ora é abismo, ora vira céu.
—  Gabriel Malaquias
se estou bem?
esta é a pergunta que me fazem
todo santo dia.
estou vivo — os respondo.
vivinho da silva, pra ser mais direto.
e isso basta, e me revigora
porque viver já é muita coisa.
o que querem de mim?
e vivo de novo, mas não como antes
pois eu vivo a rima contida
noutra rima encarcerada;
e sempre acordo em vida nova!
é que eu vivo porque sei.
tem questionário para isso?
—  Gabriel Malaquias