chorando pouco

IMAGINE LOUIS TOMLINSON.

– Freddie chegou. Está subindo. – Louis anunciou com um suspiro quando desligou o telefone. Ele estava extremamente nervoso com a reação do primogênito ao conhecer a irmã recém nascida, a pequena Louise, tinha medo de que Freddie não encarasse bem a chegada de um novo membro em sua família. Suspirei ao ver seu nervosismo e me sentei na cama, ignorando as fortes dores, a tontura e o meu cansaço da noite sem dormir para poder acalma-lo. Odiava ver Louis nervoso, ainda mais quando eu também estava nervosa, já que não conseguia dormir decentemente há três dias.

– Lou, ele vai adorar ter uma irmã. No começo é meio difícil, você sabe, mas logo ele se acostuma e vai começar a curtir ser o irmão mais velho. Tenho certeza disso.


– Não sei, não, (Sn). Freddie perguntou para a Brianna se iríamos deixá-lo de lado quando Louise nascesse e eu estou realmente preocupado com isso. 


– Eu também estou preocupada com o Freddie, Louis, mas ficar andando de um lado para o outro não vai adiantar nada, só vai me deixar mais agoniada ainda. Pode parar, por favor?? – pedi, tentando manter a calma. Louis deve ter percebido que eu estava sem paciência pois parou imediatamente, sentando-se no pequeno sofá que estava do outro lado do quarto do hospital. Agradeci mentalmente e voltei a ninar Louise que estava agoniada, chorando por algum motivo que eu não conseguia descobrir qual era. Cocei minhas sobrancelhas frustrada por não saber acalmar minha própria filha e mordi a língua para não começar a chorar junto com ela. Ela precisava de uma mãe calma e controlada. Eu precisava dormir urgentemente. – Hey, meu anjinho, o que você quer, hein? Mamãe ainda não consegue adivinhar, você tem que ajudar a mamãe. Vamos fazer o seguinte, uma piscada é fome, duas é dor, três é…. Eu não sei o que é o três. 


– Eu acho que ela quer mamar. – Louis sussurrou, visivelmente incomodado pelo choro. 


– Não, ela não quer. Já ofereci meu peito um milhão de vezes e ela recusa. A fralda não está suja, ela não está com fome, não quer dormir, não quer arrotar, não quer nada. Ela só quer me enlouquecer. – murmurei entre os dentes, implorando para que minha mãe voltasse logo, ela com certeza saberia o que fazer. – eu sou um desastre como mãe. 


– Não, não é. Você é uma mãe maravilhosa, só precisa se acalmar. Quer me dar ela? – Louis não precisou perguntar duas vezes, assenti, erguendo a pequena chorona em sua direção, mas uma batida na porta o impediu e eu voltei a segura-lá perto de mim, enquanto Louis se levantava para abrir a porta para Freddie. Eu só implorava que ele a fechasse logo depois, pois a tentação de fugir era grande demais para aguentar.


Freddie entrou no quarto com passos lentos, ainda tímido e inseguro em estar nesse novo ambiente que exalava o cheiro de Louise mas quando me viu arregalou os olhos diante do estado deplorável em que eu me encontrava, com olheiras enormes, cabelos despenteados e uma expressão de puro desespero no rosto. Sorri envergonhada e tentei arrumar meu cabelo com as mãos trêmulas, mas não havia muito o que eu pudesse fazer. Seu olhar então desviou para o pequeno pacote rosa em meus braços e pude sentir seu nervosismo mesmo estando tão longe. 


– Oi, meu amor. Tudo bem? – perguntei, tentando deixá-lo mais à vontade. Era notável que ele não sabia o que fazer. Era tudo muito novo para ele. 


– Oi… Hm, eu estou bem e a senhora? 


– Vou sobreviver. – sorri – Louise finalmente nasceu. Quer conhecê-la?


– Hm, acho que sim. – sorriu nervoso, apertando os dedos freneticamente. Arrumei Louise no braço e fiz sinal para que se aproximasse da cama, mostrando-a para ele que a analisou minuciosamente, desde seu pezinho minúsculo até seus olhinhos azuis tão parecidos com os do pai e com os seus. Era possível ver a confusão de sentimentos que ele vivia, apesar de tentar veemente não demonstrar nenhuma reação. 


– Louise, esse é seu irmão mais velho, Freddie. De oi para ele. – acenei com sua pequena mãozinha enquanto ela continuava chorando, mas um pouco mais baixo dessa vez. – desculpa, meu amor, ela está enjoada hoje, não para de chorar desde que acordou.


– Eu, hm, posso segurar ela? – perguntou baixo, surpreendendo-me com pedido. 


– Claro que sim, mas tem que ser sentado. Louis coloque Freddie aqui na cama, por favor. 


Depois de arruma-lo na cama, cuidadosamente, coloquei Louise em seu colo. E então, magicamente, ela parou de chorar. Arregalei os olhos estarrecida e encarei Louis que estava igualmente surpreso.


– Aí meu Deus…


– Ela parou de chorar…– completei ainda estática. – Freddie, você acalmou ela.


– Eu? Como eu fiz isso?


– Vai ver ela se sente protegida perto de você, meu filho. – fuzilei Louis com o olhar, indignada que ele insinuasse que minha filha não se sentia protegida comigo, mas ele levantou as mãos, pedindo calma e então eu entendi o que ele estava querendo fazer. 


– Perto de mim?


– Claro. – entrei no jogo. – você é o irmão dela e ela já te ama imensamente. Além do mais, os irmãos mais velhos protegem as irmãs mais novas, deve ser por isso que ela se sente tão segura perto de você. Ela sabe que pode contar com você pra qualquer coisa que ela precisar.


– Como ela sabe tudo isso? Ela acabou de nascer.


– Eu contei para ela. – Louis disse, sentando-se ao lado do filho na cama. – quando ela estava na barriga da (Sn), eu conversava com ela e contava sobre você. 


– O que o senhor dizia, papai? – perguntou, curioso. Louis sorriu ao escutar a pergunta, começando a acariciar os cabelos do filho enquanto encarava Louise que prestava atenção em tudo que o pai fazia. 


– Eu dizia assim “ Louise, quando você nascer, você vai conhecer o Freddie, seu irmão mais velho. Ele é meu primeiro filho, sabia? Ele já tem seis anos de idade e é meu rapazinho. Ele vai me ajudar a cuidar de você, a te proteger e a te amar. Às vezes ele tem medo de que eu o deixe de lado por sua causa, mas isso jamais vai acontecer, porque eu o amo muito muito muito e não consigo viver sem ele. – encarou o primogênito – Ele acha que vai perder um pai e uma madrasta, quando na verdade vai ganhar uma irmã, mais uma pessoa para amar ele incondicionalmente e o proteger de tudo que possa fazer mal a ele. Tenho certeza que vocês vão se amar muito.” – sorriu. – Nós conversamos muito sobre você, sabia? toda vez que eu dizia seu nome, ela já começava a chutar a barriga da (Sn).


– Isso é verdade. – concordei, emocionada. – ela ficava toda animada. 


– Eu não sabia disso… – sussurrou um pouco envergonhado. 


– Ei, não tem problema sentir ciúmes da irmã nova. Na verdade, isso é bem normal. Eu morri de ciúmes da minha irmã até meus vinte anos de idade, quando finalmente entendi que ela era minha parceira, não minha inimiga. – tranquilizei-o, passando a mão em seu rosto. – só espero que vocês demorem menos tempo. – rimos.


– Ela também tem olhos azuis, pai. Igual a gente. – comentou, encarando os pequenos olhinhos cor de céu que o encarava de volta. – ela é linda. 


– Sim, ela não é a minha cara? – perguntou todo babão. Revirei os olhos.

 
– Não. – riu da cara indignada de Louis. – ela é cara da (Sn). As duas são lindas.


– Oh, Meu Deus!! – sorri toda boba, tentando não derreter. – não faz assim que eu te sequestro. – apertei suas bochechas rosadas enquanto ele ria. Freddie sempre adorou que eu fizesse isso. – por que você não é assim, Louis?


– Eu? O que foi que eu fiz??


– Por que você não é desse jeito? Tem que aprender com o seu filho a ser tão…tão príncipe. 


– Eu tento ensinar, mas ele nunca aprende. – negou com a cabeça, fingindo frustração.


– Ei, eu ainda estou aqui!! – rimos da cara indignada do meu namorado.

 
– Você sabe que eu te amo. – mandei um beijo em sua direção. Ele apenas revirou os olhos tentando não sorrir.


– ECA!! Não veja isso, Lou, é nojento!! – Freddie sussurrou, aproximando seu rosto do rosto da irmã, tampando sua visão para que ela não nos visse, logo dando um beijo delicado em sua testa. Tive que segurar fortemente o lençol para não chorar com a cena. Até mesmo Louis parecia estar emocionado.


– Eu, hm, eu vou aproveitar que você chegou para cuidar dela e vou tomar um banho, tudo bem? – perguntei, tentando fugir do quarto antes que eu começasse a chorar. – cuida bem dela, viu? Seu pai ainda não sabe como fazer isso direito. 


– Não se preocupe, eu vou cuidar direitinho da minha irmãzinha.  


[…]


– Sério, não existe nada melhor na vida do que um banho revigorante. Eu me sinto uma nova (Sn). – comentei assim que sai do banheiro, arrumando minha camisola e secando meus cabelos, parando ao entrar no quarto e encontrar, pai e filho em pé no meio do cômodo  com Louise no colo. – o que está acontecendo? O que vocês aprontaram?


– Nós não aprontamos nada, mas acho que Louise fez cocô. – disse com uma careta, estendendo a bebê em minha direção. Franzi o cenho e o encarei como se estivesse analisando-o. – o que foi?


– Eu estou pensando em qual seria o motivo de você não ter trocado ela ainda, já que suas mãos ainda estão grudadas ao seu corpo, ou seja, não há motivos para você ter esperado por mim, sendo que você podia muito bem ter feito isso. – sorri irônica. – se você acha que vai escapar dessas tarefas, Louis, você está muito enganado. 


– Isso não passou pela minha cabeça em nenhum momento, (Sn), como ousa me acusar assim? Eu só ia te pedir para me ensinar mais uma vez como fazia, porque eu não lembrava o procedimento. Só isso.


– Hm, sei, quem não te conhece que te compre, Louis Tomlinson!! Essa vai ser a última vez, ouviu? – avisei, pegando Louise. – só vou fazer isso porque tomei banho e uma mulher banhada é uma mulher renovada. – ri, cheirando a bunda da pequena que não parava de sorrir e se mexer, visivelmente animada.– ela não fez cocô, Louis, deve ter sido só um punzinho de nada.


– Pelo bem dos órgãos dela, não é possível que aquele cheiro era só um pum, (Sn). Era horrível, ainda nem consigo acreditar que saiu desse bebê tão pequeno. – fez cara de nojo. – Não é melhor abrir a roupinha dela só para ter certeza?


– Frescooo…– cantarolei, deitando-a na cama e notando que ela, por baixo da manta rosa, vestia um outro macacão. – ué, você trocou a roupinha dela? – perguntei enquanto tirava a manta que cobria seu corpinho e paralisava ao ver o macacão que ela vestia. 


Pisquei repetidas vezes ao ler e reler a frase em negrito estampada na roupa e quando finalmente consegui processar o que aquilo queria dizer, não consegui segurar as lágrimas, chorando copiosamente, abafando os ruídos com minhas mãos. 


– (Sn)? – Louis me chamou, segurando meu braço, fazendo com que eu me virasse para ele que estava ajoelhado ao meu lado. Apesar de emocionada, lembrei de segurar Louise que estava sozinha na cama a minha frente, pousando minha mão bem em cima da frase mais linda que eu já havia lido. “Mamãe, quer casar com o meu papai?”.


– Louis, o que…


– Shiu, não me interrompe, eu preciso dizer umas coisas e se você me interromper eu não vou conseguir. – respirou fundo, exalando lentamente, tentando se acalmar. – eu não sei direito por onde começar, eu queria fazer esse pedido há muito tempo, mas quando comecei a planejar como seria, você me disse que estava grávida e eu achei que ela tinha que estar presente quando eu pedisse a mãe dela em casamento. Sei que ela é muito pequena e provavelmente não está entendendo nada, mas não posso esperar mais, então pedi que Freddie voltasse mais cedo da viagem de férias para que, além de conhecer a irmã, ele estivesse presente no pedido, já que ele também é parte da nossa família. Ok, vamos lá. (Sn), você sabe que eu não sou muito bom nessa coisa de falar bonito e isso está me deixando louco, principalmente porque eu esqueci todo o meu discurso que passei horas ensaiando e estou aqui dizendo a primeira coisa que vem a minha mente, mas eu quero que saiba que é sincero tudo o que eu digo. – exalou novamente – eu te amo. Eu te amo muito. Muito do tipo pra caralho, entende? Sei lá, é uma coisa doida e ao mesmo tempo calma e então volta a ser doida que eu nem consigo explicar. Sempre achei que amava as minhas namoradas, mas nada do que eu senti por elas se compara ao que eu sinto por você. É um misto de segurança de saber que eu tenho alguém com quem eu sempre posso contar com uma vontade louca de me doar e ser sempre melhor para essa pessoa a cada dia. Você me transformou, (Sn). Você me apoiou em todas as decisões mesmo quando queria me matar, me fez sentir que eu tinha algo de bom, algo de especial, me fez sentir que era capaz. Você me deixa à vontade, você me compreende, sabe como lidar comigo, mesmo quando nem eu sei. Você me ajudou a criar o Freddie e a não surtar quando minhas crises de “sou um péssimo pai” chegava. Até hoje eu me lembro do que você me disse quando eu te contei que era pai, eu estava morrendo de medo daquilo atrapalhar uma relação que estava começando tão bem e você afastou qualquer medo quando disse “eu tenho um puta tesão por pais”. Sério, aquilo foi demais. Ainda não consegui superar. – riu. – você me deu a Louise, (Sn), e não têm presente melhor do que esse. A questão é que são todas essas pequenas coisas que me fazem te amar, me fazem querer estar sempre perto de você e me fazem querer te ver entrando em uma igreja vestida de branco. Para se casar comigo. – sorriu. – ficou meio confuso o que eu disse, mas eu ainda quero saber se você quer se casar comigo?!


– Oh, meu Deus, Louis… – sussurrei enquanto meus ombros saltavam devido aos soluços. – Oh, Louis..


– Isso é um sim?


– Eu nunca poderia te dar uma resposta diferente. É claro que isso é um sim. – consegui dizer entre as lágrimas, logo sendo abraçada fortemente por Louis, que tremia.


– Graças a Deus… – sussurrou aliviado. – Graças a Deus…


Sorri em seu ombro, ainda segurando Louise na cama com um braço, até que Louis pegou a filha que sorria e me entregou, logo pegando Freddie no colo. Minha boca doía muito, mas eu não conseguia parar de sorrir. 


– Abraço em família!!! – Freddie gritou, erguendo os braços, animado. Rimos de sua empolgação e nos abraçamos fortemente, sendo interrompidos só quando ouvimos o seu sussurro. – papai, o que é tesão?

Não é fácil ser sozinho mas se torna ainda mais difícil quando a pessoa que você mais deseja atenção te deixa sozinho, isso sim destrói por dentro, você se vê num abismo prestes a cair e ninguém pra te salvar. E então essa pessoa vai te machucando, você vai chorando, sofrendo, morrendo aos poucos, até que um dia não sente mais nada e você percebe que aquele sofrimento foi em vão e que foi perda de tempo sofrer por quem não se importa.
—  Desajustou.

“Minha irmãzinha chegou em casa depois da escola um dia, e exigiu que eu levasse ela a uma biblioteca para que ela pudesse pegar livros para aprender a linguagem dos sinais. 

Eu perguntei o motivo, ela disse que tinha uma novo garoto na escola que era surda, e ela queria ser amiga dele.

Hoje, eu estava do seu lado em seu casamento vendo ela falar na linguagem de sinais: Eu aceito." 

Sinto-me terrivelmente vazio. Há pouco estive chorando, sem saber exatamente por quê. Ás vezes odeio esta vida, estas paredes, essas caminhadas de casa para a aula, da aula para casa, esses diálogos vazios, odeio até este diário, que não existiria se eu não me sentisse tão só.
—  Caio Fernando Abreu