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Pedido por: Anonimo

AVISO: depressão e tentativa de suicídio.


Desde a primeira vez que vi Loki, minha vida nunca mais foi a mesma. Graças ao seu show em Nova York com os Chitauri e os Vingadores, várias pessoas morreram ou perderam alguém importante. Uma dessas pessoas era eu.

Após a tragédia que foi a morte da minha irmã, graças a um dos Chitauri explodir uma cafeteria em que estávamos, resolvi que deveria esquecer daquela cena perturbadora. No entanto, vê-la bem na minha frente implorando por ajuda, nunca saiu da minha cabeça.

E nisso, conheci Loki quando entrei para a SHIELD, dois anos depois, e mesmo sabendo que seus atos fizeram com que pessoas inocentes morressem, ele conseguiu me convencer de que estava sendo manipulado e que não queria que aquilo acontecesse. Ele não queria ter feito todo o estrago que fez. E eu o perdoei, mas nunca cheguei a me perdoar por tê-la deixado morrer.

— Você está bem, S/A? — Daisy Johnson perguntou, com seu típico olhar preocupado.

— Sim, sim — falei com um sorriso leve, sem descolar os olhos da tela do computador à minha frente. Encarar as pessoas estava dificil ultimamente.

— Tem certeza? Você precisa sair um pouco, nunca mais saiu com a gente nem com outros amigos. — ela disse, com animação no rosto. — Acho que a Jemma vai convidar o Fitz e se declarar. Não quer ver esse momento histórico?

Suspirei, imaginando a cena dos meus dois colegas juntos. Eles eram um desastre, mas um desastre adorável, se completavam perfeitamente. Sempre incentivei Jemma a falar o que sentia para Fitz, e acho que finalmente me ouviram. Já eu tinha desistido do amor.

— Legal — sorri. — Estou cansada e essa enxaqueca está me matando. Vou pra casa dormir um pouco.

— S/N, eu te conheço, você era a pessoa mais feliz do mundo e após a morte da sua irmã vive com essa cara triste, isolada de todos, pode continuar mentindo para si mesma, mas não pra mim — Daisy se aproximou. — Se estiver com problemas eu quero ajudar, sou sua amiga desde que me entendo por gente, você deveria confiar em mim. Foi o Loki? O acidente foi há dois anos…

Me afastei.

— Não tenho nada, ok? Você não precisa se preocupar, eu nunca me senti tão bem na minha vida! — abri um sorriso, mas não acho que ela tenha acreditado. — Outro dia a gente marca de sair.

Nisso, ouvi passos se aproximando e agradeci mentalmente ao ver Jemma entrando na sala de controle da SHIELD. Ela sorriu, erguendo uma sobrancelha, e alternou o olhar entre Daisy e eu.

— Vocês duas estão bem?

— Sim — disparei, segurando Daisy pelos ombros e empurrando-a em direção a saída. — Vocês não iam sair e se divertir? Vão logo!

Jemma me olhou desconfiada.

— Não vem com a gente?

— Não, tenho que resolver algumas coisas — falei, já duvidando do meu talento de atriz, quando ele sorriu, piscando para mim. Após minhas amigas irem embora, me permiti pensar um pouco no que faria a seguir. — A vida é uma merda — murmurei para mim mesma, me desencostando da grande mesa.

Desliguei os computadores, apaguei as lâmpadas e saí da sala, caminhando em direção ao estacionamento. Odiava ficar sozinha. Nessas horas os pensamentos ruins voltavam.

Se eu não fosse tão covarde… Droga, eu poderia ter salvo a vida da minha irmã.

Quanto menos eu me mexia, mais cansada me sentia. Meu coração palpitava apenas com a ideia de encarar as pessoas ao meu redor. A cada respiração me sentia ainda mais desesperada. A culpa pesava sobre meus ombros, lembrava da expressão de pânico nos olhos da minha irmã, a dor que a fiz sentir, a culpa me afogando lentamente até que eu não pudesse mais raciocinar.

Por que teria medo de acabar sozinha? Eu já estava sozinha, a unica pessoa que eu tinha se foi. Eu nunca tive medo da morte, mas sempre tive medo da dor que sentiria quando ela chegasse.

Em casa, me olhando rapidamente pelo espelho do banheiro, abri o armário de remédios e peguei varios potes com comprimidos. Antidepressivos, tranquilizantes, peguei todos que vi pela frente, com as mãos tremendo, voltei a me olhar no espelho.

Joguei na boca todos os comprimidos de uma vez, engolindo com dificuldade.

Não fiz nenhuma carta de despedida, não conversei com ninguém sobre o que estava fazendo. E era melhor assim, eu não queria que os meus problemas incomodassem os outros.

Cenas aleatórias da minha infância se passaram bem diante dos meus olhos, meus pais em um jantar com toda a família reunida, meu primeiro beijo, o ataque à Nova York, minha primeira missão na SHIELD, a captura de Loki, eu apaixonada pelo assassino da minha irmã.

O quão patética eu podia ser? Confiar em alguém que matou centenas de pessoas, me iludiu e sumiu completamente?

Já era tarde demais para voltar atrás, uma tontura me fez cambalear e cair de joelhos, meus olhos pesados, se fechavam lentamente. Caí no chão, com uma grande dor no peito, senti tudo à minha frente escurescer.

Então essa era a sensação?

Minha vista estava tão escura que eu não conseguia enxergar nada, por mais que abrisse os olhos, era inútil. Passos apressados se aproximaram, um corpo pesado caindo sobre mim e segurando minha cabeça para a frente. Algo entrou na minha boca, eram dedos, forçando minha garganta, me fazendo vomitar.

Tossi, tentando me recuperar do que havia acabado de acontecer. Agora enxergando um pouco, olhei ao meu redor, dando de cara com um homem perigosamente próximo, com seus grandes olhos verdes sobre mim.

— Ah, humana, por que fez isso? — Loki murmurou, me surpreendendo com um abraço apertado. — Por que tentou se matar, por quê?

— Eu não aguento mais — não contive as lágrimas, que desciam descontroladas pelo meu rosto. — Isso é demais pra mim, Loki!

— Sua irmã — ele deduziu. — Aquilo não foi sua culpa.

Funguei, olhando para os potes de comprimidos vazios. Eu vomitei todos e ainda estava viva. Por quê?

— Tem razão — falei. — Foi sua culpa! — bati com toda força em seu braço, mas ele não tentou se proteger ou me parar, apenas de cabeça baixa, aceitou meus golpes. — Seu desgraçado, você é um assassino! Não bastou tirar a minha irmãzinha de mim e ainda tem coragem de tentar me salvar? Eu não quero ser salva por você!

— Eu não ligo, não vou deixá-la morrer.

— Por que não tenta dominar o mundo e me deixa em paz? — gritei.

— Por que eu a amo! — ele gritou de volta.

Me calei, apenas observando-o, surpresa. Como alguém como ele poderia amar? Era esse mais uma de suas tentativas de manipulação?

— Não minta para mim, deus da trapaça.

— É a mais pura verdade, desde que fugi da prisão da SHIELD, quando você me capturou, tenho pensado em te visitar. Infelizmente, fui preso por Thor, o que dificultou a minha vinda à Midgard. Quero te levar para meu palácio, fazer de você rainha de Asgard.

— O quê? Você ficou louco? Thor nunca deixaria que você tomasse o trono.

— Thor está desaparecido, não sei onde ele está. Meu pai está passando pelo sono de Odin, então alguém tem de ficar no poder.

Arfei, eram informações demais.

— S/N, por favor… Não quero que se machuque por minha causa.

— O motivo pelo qual entrei para a SHIELD foi ajudar quem precisasse. Quando minha irmã estava lá… pedindo por ajuda, eu corri para longe na primeira oportunidade. Eu fui covarde, deveria ter ficado ao lado dela. Tentei achar um policial ou ambulância, sei lá, mas todos estavam ocupados. Tentei voltar para ajudá-la, mas já era tarde demais. O prédio desabou.

— Eu sinto muito.

— Não, você não sente. Você é um egoísta, só pensa no benefício próprio. Tentou matar seu irmão diversas vezes. Você não ama, Loki, você só manipula as pessoas para que pensem que ama.

— S/N…

— Vai embora. Não quero te ver nunca mais.