cheioliveira

Vamos tocar nossa velha música. Passa teus dedos no meu rosto, faz dos meus seios o braço do teu violão. Cochicha no meu ouvido a música que é teu gemido. Faz meu corpo produzir de tom em tom, uma nova canção.
—  Cheiene Oliveira
Todos nós sofremos de alguma maneira, por falta ou excessos, por lembrar ou por ter esquecido. Sofremos, e é o que nos torna humanos, com todos os desastres que causamos, e que nos causam.
—  Cheiene Oliveira
Eu sou muito pessimista, não é mesmo? Também sou chata, dramática, infeliz. Dizem vai ficar tudo bem, você é nova, olha aí a vida bem na sua frente. E só o que vejo no horizonte é decepção sobre decepção, um sol quente e muros onde picham que tenho direito de ir e vir. É tudo tão irônico, alguns querem dormir e acordar ricos, outros casados e com filhos, outros ainda, acordar no início da viagem dos sonhos… Eu só quero não acordar.
—  Cheiene Oliveira
Não é sobre amar. É sobre não amar. Não amar nada, não amar o dia, não amar a própria respiração, não amar a brisa, nem a lua. Não amar as pessoas, nem os sorrisos, nem os olhos. É sobre não amar o reflexo no espelho. É sobre não querer ter espelhos. É sobre não querer. É sobre desistir. É sobre não poder desistir por fora, embora há muito tempo tenha desistido por dentro.
—  Cheiene Oliveira
O que move cada canto do meu corpo é a ideia de que tudo pode melhorar. Uma ideia mínima, profunda, que deixa um gostinho que quase não dura, na boca. E é isso que tem que me sustentar, todos os dias, até que finalmente melhore, pois se um dia esse gostinho some e o amargo prevalece, meu corpo vira imã e se atrai ao chão, e eu to aqui no topo do prédio, olhando lá embaixo a vida passar.
—  Cheiene Oliveira
Não, não vou mais escrever sobre a gente, ou melhor, sobre você. Até porque não tem a gente, tem um nós recolhido lá no fundo de uns olhos tristes por uma saudade não dei do que, ou de tudo isso que não sabe nomear, tem um nós dentro de um nó que faz engolir seco para não chorar a todo instante, tem um nós duvidoso que tem medo de tudo, de ser um nós, tem um nós que é pelo laço que se cria que vai além daquele nós que uma hora dessas aconteceu, mas não… Não tem “a gente”. Não vou e não posso mais, além do mais não posso escrever daquilo que não lembro. Não me lembro dos seus olhos que ficam mudando de cor dependendo da claridade da luz, nem mesmo dos beijos que vão arrepiando até a alma, mal me lembro do quanto é calmaria deitar no seu peito e ouvir seu coração bater enquanto seu cheiro transborda meus pulmões, que bobeira… Mal posso lembrar-me de todas as vezes que ficamos perdidos no tempo e quando nos demos conta, já era tarde. Pois então não escrevo, não penso, não sufoco com meu desespero, porque se for para mentir para mim mesma sobre o quanto eu não te amo, que seja feito de verdade, sem linhas tortas sobre alguém que é a mais pura saudade, sem você nos meus textos sem nexo, porque já me basta tanto do seu eu em mim, sem essas verdades jogadas e estampadas em cada parágrafo, se vou fingir que está tudo bem, que seja por inteiro.
—  Cheiene Oliveira
As vezes eu queria viajar, mesmo que a pé, todos esses quilômetros só para te dar um murro e dizer que você é um otário. Mas tenho medo, certamente eu não o faria. Eu sinto tanto sua falta, e ao mesmo tempo, queria achar um modo de não precisar mais da sua presença. Mas preciso, vou precisar de você aqui, não vai ser fácil, não está sendo. Eu sei que não sou muito mais na sua vida, e que se quer me quer em teus braços, mas você sabe bem que eu sou dessas pessoas que sempre amam sozinhas, por mais ridículo que seja.
—  Cheiene Oliveira.