cemiterio

Desistir é feio. 
Embora todo mundo faça, ninguém gosta de admitir que está parando de tentar. Existe algo no “eu desisto” que tira a glória da inteligência que é saber escolher suas batalhas. Por algum motivo, nossa cultura considera mais digno morrer tentando lutar com um leão do que sair correndo e sobreviver. Ser estúpido até o final é ser corajoso, e a coragem é uma qualidade superestimada e mal-entendida nos dias de hoje. Por isso, desisto.
—  Cemitério dos sonhos: eu desisto.
Basicamente, o que eu quero é totalmente diferente do que preciso. Quero ser livre, rico, destemido e amado por todos. Mas, tudo o que preciso é ser grato por ter a oportunidade de me moldar todos os dias. Posso ser quem eu quiser, basta mudar meu comportamento. No entanto, o ócio não me abandona e resolvo continuar inerte, reclamando dos meus próprios defeitos. Ou seja, sou basicamente uma daquelas pessoas que vêem um papel no chão, reclamam daquilo, mas não o pegam e jogam no lixo. Sou um dos males da sociedade, inevitavelmente.
—  Cemitério dos sonhos: inércia. || azarão
Desculpa, mas nunca vou ser uma dessas pessoas que escolhe agradecer sobre algo do que reclamar. Acho meio absurda a ideia de que temos que agradecer por estarmos vivos ao invés de reclamar das dificuldades. Afinal, ninguém pede para nascer e nem conhece a morte. Tudo bem, é terrível reclamar de tudo. Mas se eu tenho um problema, preciso reclamar sim. Preciso me incomodar com ele e dar um jeito de resolver. Se eu for agradecer por tudo que me deixa insatisfeito e me acomodar, minha vida não vai para frente. É uma pequena questão de lógica. Se te incomoda, você procura mudar. Mas, não existe lei nenhuma que me proíba de fazer isso reclamando.
—  Cemitério dos sonhos