cay's face

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seriously the DW8 empires cutscene of “x character” being told that “y character” is going to step down and make “x character” their successor makes everyone 10X cuter with how wide their eyes get when they are told the news

É numa dessas noites silenciosas que me apavora a quase intacta plenitude do meu ser. Datada de ser sóbria aos dias claros, perturbo me a noite com pensamentos embreagados. É nessa hora da noite onde cai lentamente a minha face, já não sou mais a mesma. Perco me, enlouqueço. Tudo está fora do lugar e estou imóvel. Já não sei mais onde me encontro, é estranho pensar que nada me é familiar. Reviro e fecho os olhos. Amanhã é outro dia.

Mais uma vez me levanto de madrugada, minha garrafa de vinho se encontra pela metade na mesa de cabeceira, e eu me aprumo na cama para beber o que resta. Pois só resta o vinho em minha vida, em minha vida que já não resta mais nada, já cheguei ao fundo do poço, no rapa tacho; já não vejo mais razões para voltar. Não sei arranjar uma escada, um apoio, não me é atirado nenhum suprimento, apenas o vinho é meu parceiro em meio à esses sentimentos e esse sofrimento todo. Minha vida parece um rosário de lágrimas ultimamente, para cada lembrança uma gota salgada cai de minha face; já não sei retornar à um estado de menos melancolia e demência, já não vejo o porquê de não me acabar por aqui. Quem sabe será com faca no pulso, ou bala no peito, quem sabe corda no pescoço; são tantas alternativas para se acabar com essa vida vazia. Não tenho mais esperança pra minha vida, meu tormento não acaba, o pesadelo não me deixa quando eu acordo. Sinto-me vazia, sei que a loucura está comigo… Virei um fantasma, estou mais morta que viva. Os tratamentos não adiantam, meu coração e minha alma se esgotaram. Estou em um mundo solitário e triste. Minha dor existe e faz questão de mostrar que está bem forte em meu peito, não consigo ficar sem meus machucados e minha bebida, minha paz é dada por vícios, eles são os únicos que me acalmam. Sou uma menina jogada aos monstros. Me tranco em meu quarto, com meus livros, meus discos, meu vinho e minha navalha… Mais um dia está terminando e eu desejo que seja o último.
—  Escalena & Sonhavas

Me vem uma tristeza dessas de viver, sem floreio ou arranjo. Só abraça meus braços inertes e me carrega numa corrente até alto mar. Não quero escrever sobre a dor sem nome que tem me tomado todos os dias, os pensamentos irracionais perduram dias sem cessar. Vezenquando sinto ar preso na costela, um nó na boca do estômago, aquela ardência nos olhos causadas pelo cansaço. Eu bem podia inventar um codinome qualquer que explicasse toda essa face que cai de exaustão, mas sou apenas eu e todas as cláusulas de me ser, dispostas em volta dos pés.

A verdade é que já sei como tudo isso vai acabar, todas essas certezas me corroem. Fecho os olhos e me nego. Sempre disse que a palavra era permissão, a tirei de mim. Encontrei na literatura uma forma de expor sem causar maiores danos, busquei na filmografia histórias que me contassem despropositadamente com aquela desculpa de que é assim o personagem e isso é bonito. Então me permito chorar com a mocinha que se vê desesperançosa, me dói cada momento de agonia. 

Escrevo bilhetes e anotações mentalmente para, quem sabe, finalmente me recolher. Não há culpados ou dedos a serem apontados, sequer existe uma motivação além do fato de não ser. Não era eu ali parada debaixo daquele poste com mal contato, não era eu a menina do cinema que se vê retratada na tela por confusões facilmente arrumadas. Mal passo de um punhado de não-sei-o-quê que tenta ser poesia como se pudesse e ousa sentir para ser sentida de volta na mesma entonação, como uma canção de mpb que canto no rádio a plenos pulmões porque é isso o que faço de melhor, eu me entrego. Tudo soa tão prepotente que sinto a obrigação de contar que enxergo traços meus também nas canções, como se em algum universo paralelo eu pudesse ser parte delas. 

Veja bem, sinto-me num naqueles livros que abomino e resultaram em filmes que não tenho paciência de assistir. Sou um caso que se perdeu. Seria acalentador - até mesmo bonito - pensar em motivações futuras. Vai passar, diriam. Eu sei, responderia sem qualquer traço de compreensão. Vezenquando a gente se dói mesmo. Posso ver quilômetros à minha frente e ainda assim ser completamente incapaz de lidar com todos os pontos finais vistos daqui. 

Poderia dizer aquelas coisas que quero, como numa prece, mas admito que cansei de querer. Finalmente compreendo que não tenho nada a pedir ou a oferecer. O sono me toma gradativamente, foi um dia propositalmente cheio. Encosto o rosto no travesseiro como se ele pudesse me livrar de todas as incoerências teimosas que dançam entre meus olhos. Toda essa prosa pobremente disposta a troco de cinco minutos sem o latejar da cabeça, é tudo tão indefinidamente triste que me rouba o ar.

Ainda me vejo em roteiros bonitos, isso não muda nada. 

G.

Não morra sem antes deitar no asfalto e apreciar as estrelas, sem antes dizer a quem você ama o que ela é na sua vida, sem que você saiba o que é tomar um banho de chuva e aproveitar cada pingo de água que cai na sua face, sem pegar na mão de quem você gosta e deixar que o silêncio tome conta das suas almas. Não morra, sem fazer alguém feliz, principalmente fazê-la feliz. Não perca tempo guardando rancor das pessoas é mais fácil ser bom do que orgulhoso. Não deixe alguém dormir chorando sabendo que você pode o fazer especial. Fale o que o coração grita, viaje até o extremo para se realizar. Faça tudo possuir sentido, e tudo o que não faz sentido em nada...

- Joseph