casa varanda

Quando diz que me ama, meu coração ainda acelera como se fosse a primeira vez. E quando tivermos oitenta anos e estivermos de mãos dadas na varanda de casa, você vai dizer de novo e ele ainda vai acelerar da mesma forma. O friozinho na barriga e o sorriso largo também vão continuar iguais. É só o jeito que meu corpo encontra de te contar que é real; é recíproco.
—  Ingrid Caldas.

São 5:00 horas da manhã. Eu estou olhando o céu escuro se azulando aos poucos na varanda de casa. Acendi esse cigarro velho e amassado. Eu havia prometido pra você que não iria mais fumar, mas você também havia prometido que não iria embora.

A varanda da casa não era grande, mas tinha um tom de aconchego que atraía os olhos de quem ousasse a entrar. Fui convidada, admirei com os preparativos, afinal não era uma festa. Havia todos os tipos de bebida na estante, lanches, mas havia um chá sob a mesa, flores espalhadas e ele veio em minha direção e puxou a cadeira, fazendo um gesto para que eu sentasse. Conversamos e entre os assuntos acabei perguntando daquele chá, algo nele havia atraído meu olhar. Osvald, riu e disse: “És chá de hibisco, não reconhece?”. Fiquei meio sem graça por ele ter falado em um claro português algo que eu deveria ter percebido, afinal ele nem é brasileiro mas conhece muito bem os costumes e o paladar local. Logo eu experimentei, algo diferente nesse chá fez com que eu me apaixonasse. No estante seguinte ele perguntou o que eu achava de novos sabores, o que eu estava achando de sua varanda. Bom, respondi com leveza, mas fui rápida com as palavras, coisas boas são fáceis de se acostumar, já sinto que esse é o local em que poucos possuem a admiração que você tem por ele, mas infelizmente assim que eu sair por aquele portão não terei mais esse prazer, então não posso me acostumar com algo que sei que irá despir minha vontade e prejudicar meus sentimentos.
—  Relatos de uma desolada.
Me peguei um dia desses conversando com uns amigos, contando uns desejos de infância e me peguei falando sobre uma vontade que venho alimentando desde meus 12 anos. Um dos meus maiores desejos de infância, além de ter poderes especiais e transformar tudo em ouro, era poder ter vivido nos anos de 1900. Naquela época pacata, onde todos da mesma cidade se conheciam e um sabia da vida do outro, por mais irrelevante que fosse. Acho que deveria ser interessante, os carros bem estruturados e feitos à mão, as casas históricas e que pertenceram à gerações de uma mesma família, as barbearias com aqueles simpáticos senhores que ficavam sentados na calçada esperando um novo cliente, as belas moças com vestidos longos, cabelos com belos penteados e bons rapazes com boas intenções. Sempre antes de dormir, paro pra imaginar o quão incrível deveria ser começar a amizade com um simples aperto de mão e uma troca de olhares, além de uma curtida numa rede social. Ser popular por ter uma atriz ou uma cantora na família (essas eram má vistas na época, pela exposição), além de ser conhecida por ter postado uma foto semi nua na internet. Ter amigos para passar a noite conversando na varanda de casa, além de virar noites em baladas e festas rave. Discutir com o namorado, noivo ou pretendente e ir correndo à casa das amigas desabafar, além de colocar indiretas difamatórias na internet aos olhos de todos. O século 21 é mesmo incrível por suas tecnologias e facilidades, mas nunca vai se comparar à época que tínhamos que lutar para ter aquilo que queríamos, sem correr à exposição, vulgarização ou difamação. Nunca vai ser melhor do que a época que o sonho da família era além de ter uma casa na cidade, perto da família, também era ter uma casa no campo, com flores e jardins, para criar os filhos, não como hoje, onde muitos só sonham em ter uma Ferrari ou um apartamento beira-mar. Minha mente é do tempo onde as pessoas se preocupavam com a família e com que os amava. Hoje em dia, até um simples joguinho de celular consegue te deixar indiferente à algumas situações. Esse texto foi mais como um desabafo, para dizer o quanto hoje em dia, as coisas estão disfarçadas de ações fúteis. O amor ainda existe, os sonhos também, acontece que as pessoas fantasiam eles. E esse foi só mais um dos desejos e pensamentos que tomavam conta das minhas noites antes de dormir, por vários anos. Posso ser nova de idade, mas sou velha de conceitos e amo ser assim, me mostra que sou diferente e que minha mente não foi afetada com essas vontades jovens e momentâneas.
—  Extinta.
Oi meu bem. Queria te contar uma historia, um pequena historia, ela é sobre um garotinho engraçado e uma garotinha boba. Ele não é só um garotinho. Ele a ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios dela. Ele existe. A garotinha boba sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas ela prefere ser a garota dele.E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre independentemente de tudo que estiver pra acontecer. Porque ele não é só um cara. E ele é tudo que ela quer. Nada foi planejado, simplesmente aconteceu, eles se amaram desde o primeiro olhar. Mas a garotinha boba nem sabia disso, e o garotinho engraçado teve que guardar esse amor por muito tempo, teve que a esperar, e saber o tempo certo pra poder dar todo seu amor a ela . Sabe o mais engraçado? Essa é minha historia, é sua historia, é NOSSA historia.E eu sei que no final eu não vou terminar essa historia com um “final feliz”, porque essa historia nunca vai ter final.
Eu poderia dizer mais e mais desculpas pelas coisas ruins, porem dessa vez eu só quero te lembrar de mais e mais coisas boas.
Ah meu bem, brincando de ser adultos descobrimos o amor, um amor de verdade que hoje nos move. Te entrego minhas dores, meus medos e inseguranças para que você com um simples olhar os faça se desziparem. Vamos lá, apenas pegue minha mão, eu vou te ensinar a dançar. Você quer guiar? Então me deixe subir nos seus pés, não me deixe cair. Me gire, gire e gire, até ficarmos tontos de amor. Você me faz ficar assim, tonta de amor. Esse mesmo amor, que nós une e nos faz completos.
Um primeiro encontro sobre as mãos de Deus, guiados para um lugar perfeito, onde os sonhos a partir dali se tornariam reais. Tão reais, que agora somos esse sonho que muitos esperam anos e anos para encontrar, e nós encontramos. É, encontramos assim, com olhares e sorrisos sinceros.
Você está me ouvindo,meu bem? Eu sei que está, porque eu sou você, e você sou eu. Não existe um nós. Só existe um ser. Esse ser que nos tornamos quando estamos juntos, quando estamos com a nossa sintonia perfeita. E esse é nosso lar, somos nosso lar. Um lar perfeito.
E você sempre me lembrando, com um sorriso,um abraço ou um beijo, que eu tenho que me dizer como me sinto. E vou te fazer isso. Tenho que dizer como me sinto agora.
“Você é meu ar, quando eu sinto que não posso respirar. Me Segura quando estou tropeçando em meus pés. Nós superaremos isso juntos. Você é meu sorriso, quando eu só quero chorar, fazendo tudo melhor quando você beija meus olhos tristes. Eu estou te dando o meu para sempre e sempre. Meu eterno sempre”
Terei toda um eternidade ao seu lado pra te dizer todos os dias que te amo, mas todos os dias será um “eu te amo” único.
Eu te amo de manhãzinha com beijinho bom-dia-minha-vida.
Eu te amo no café da manhã com gostinho de amor instantâneo.
Eu te amo na varanda de casa ouvindo o som dos pássaros cantando ao mundo nosso amor.
Eu te amo na cozinha fazendo o almoço e colocando carinho demais na comida.
Eu te amo no almoço com um miojo, porque foi carinho demais, e o arroz queimou.
Eu te amo na sala vendo Bob Esponja, com todo e qualquer barulho que para os outros seria um gato em convulsão, mas é só você com a risada mais linda do mundo.
Eu te amo brincando com nossos gatos e sem saber quem é o mais peludinho, você ou eles juntos.
Eu te amo na janta com a sobra do miojo, e a louça convidando nós dois para tomarmos um banho.
Eu te amo na hora de nós deitarmos e ficarmos falando sobre qualquer bobagem que nós faça rir.
Eu te amo de noitinha com beijinho de boa-noite-minha-vida.
E eu sei que muitos “eu te amo” ainda serão acrescentados. Eu te darei meu melhor, te darei meu tudo. Pois ele te pertence. Todos verão o nosso amor, todos verão que nós tornamos o nosso sonho realidade. Todos tão oque é o amor. Todos verão. Meu mundo com você é infinito, já com a sua ausência ele fica um imenso vazio, que parece não acabar.
Porem essa nossa historia não acaba. Ainda falta a melhor parte. Quer saber qual é? pense um pouquinho,meu bem. Quer uma dica? Um vestido branco, um piano, duas alianças e EU ACEITO. Essa é a parte da nossa pequena infinita historia que vamos escrever em breve. Bem breve,meu bem. Vamos escrever na nossa vida que o nosso amor é eterno, e que ele é e vai ser mais forte que tudo. Nosso amor vai quebrar todas as barreiras que o destino colocar. E quer saber, vamos provar isso depois que casarmos e tivermos nosso filhinho, poxa, que lindo filhinho. Ele terá sua força de vontade, e meus grandes sonhos. Ele será o fruto de tudo mais bonito,e mais puro. O nosso amor.
Você é meu. Eu sou sua. E nós somos o nosso lar. Nosso doce,amável e eterno lar. Eu te amo.
—  De uma namorada que ama seu namorado.

eu nunca mais irei dormir até você aparecer no meu quarto, não consigo parar de bocejar, depois que eu tomei três comprimidos de uma vez, eu posso jurar, estou ouvindo a sua voz dentro da minha cabeça. já era de madrugada quando fui me sentar na varanda de casa, fiquei observando as luzes dos postes. o meu coração é um subúrbio e você é a garota desse subúrbio que dança debaixo da luz do poste. mas quando eu esfrego os olhos ou limpo meu óculos, você some, então não vou conseguir dormir até você aparecer novamente. você tem uma cidade inteiramente sua dentro de mim, com seu nome escrito em cada muro, todas as luzes estão acesas e o motivo é você, que faz isso se tornar divertido, dançando sem música, vamos amanhecer juntos.

pedro (00008b)

Notas iniciais da autora: “Confesso que a ideia base deste imagine já tem mais de um ano e meio desde que eu ouvi pela primeira vez ‘Always In My Head’. Porém, nunca consegui de fato terminar de escrever a minha ideia. Eu começava a escrever, apagava, tentava reescrever, desistia, isso durante meses até que finalmente consegui terminá-lo há alguns dias. Essa música, assim como muitas outras do Coldplay tem significados especiais para mim. Não sei se consegui transmitir por meio da escrita a mesma sensação que eu sinto quando escuto ela, mas mesmo assim espero que algumas de vocês escute-a (ou qualquer outra música que seja especial para você) e aproveitem suas emoções, sonhem e sejam felizes. Tenham uma boa leitura Xx

Eu a conhecia há muito tempo, mas nunca pensei que S/n gostava tanto de Colplay. Lembro-me do momento em que eu a convidei para assistir ir ao show deles e quase surtou quando viu os ingressos em minhas mãos, os quais já tinham se esgotado quando ela tentou comprá-los.

Nunca tinha visto ela tão feliz. Estava radiante, cantava todas as músicas do repertório, e quando Chris Martin começou a cantar Green Eyes, S/n se abraçou fortemente a mim. De alguma forma eu sabia que aquela música era especial para ela, sentir seu rosto sobre o meu peito, sussurrando baixinho a letra da música inteira, me fazia acreditar que estava conversando com o meu coração.

Suas mãos em volta do meu quadril me apertavam como se buscassem apoio ao seu corpo frágil que estava se cedendo às emoções capturadas pela música. Quando a música acabou por fim, ela se desencostou levemente do meu corpo para enxugar algumas lágrimas que escorriam pelo seu rosto e eu não esperei para juntar meus lábios aos dela. Um beijo dado calmamente com carinho, como se fosse uma resposta à música que ela cantou e dissesse: “Querida, você deveria saber que eu também que eu nunca poderia continuar sem você”

Na volta para casa, nenhuma palavra foi dita dentro do carro. Coloquei meu casaco sobre seus ombros para proteger o seu corpo do frio. S/n estava encolhida no banco do passageiro, com a cabeça encostada na janela, distraída e soltando alguns sorrisos bobos enquanto estava perdida em seus pensamentos, ela logo retornou ao presente e passou a me olhar enquanto dirigia, como se eu fosse uma verdade inexplicável, mas essa era ela. Contive o meu sorriso envergonhado pela sua admiração, e agradeci por ser noite.

Quando chegamos à minha casa, ela estava um pouco sem jeito, seria a primeira vez que passaríamos a noite juntos, e eu confesso, até eu estava me sentindo nervoso. Mas aí lembrei de uma coisa que eu  adorava fazer quando estava sozinho e ela com certeza iria gostar também. Pedi para que ela fechasse seus olhos enquanto eu a guiava até certo local da casa. Chegamos até a varanda do meu quarto e pedi para que ela subisse umas escadinhas que levavam até o telhado.

Quando finalmente permiti que S/n olhasse aonde nós estávamos, ela gritou e se agarrou ao meu corpo fechando os olhos novamente com medo da altura que nos separava do chão. Tentei não rir do seu desespero tentando tranquilizá-la garantindo que era seguro estar ali e a fiz deitar sobre o telhado.

Suas mãos fortemente entrelaçadas à minha,  suavam frio. Segurei em seu queixo e a beijei transmitindo segurança até ela se acalmar. Mordi os seus lábios e senti seu corpo começando a ficar menos tenso e seu coração finalmente desacelerar. Pedi para ela abrir os olhos e olhar para o céu.

Tinha uma vista incrível ali de cima. Mesmo morando no meio da cidade, em noites de céu limpo, sem  nuvens escuras, conseguíamos ver o céu estrelado com vários pontos brilhantes acima de nós. Ficamos ali por um bom tempo sem dizer nada, eu fazia carinho nas suas costas. O alívio preenchia o meu peito só de estar ali com ela.

Os últimos meses me fizeram repensar em algumas coisas ditas. Talvez eu não tenha pensado direito quando uma vez disse que não acreditava no amor, quando tantas outras vezes eu acabava decepcionando alguma garota quando descobriam que não seria recíproco.

Mas a vida decidiu me mostrar o significado dessa pequena palavrinha, de quatro letras, e que muitas pessoas dizem ao vento sem ao menos saber o seu significado, quando conheci S/n. Uma pessoa incrível por dentro e por fora, que me mostrou que o amor transforma o mundo e as pessoas.

A gente sente quando o amor chega para ficar. Você sente aquela sensação de conforto. A calma. A paz. A tranquilidade. Era incrível como uma pessoa podia chegar na sua vida e ajeitar tudo lá dentro do peito. O amor consegue arrumar tudo, fazer uma faxina emocional, como S/n conseguiu trazer a serenidade do amor. Era por isso que eu adorava ficar com ela. S/n foi a primeira garota que não tentou me impressionar o tempo todo. Ela se aceitava, mas, além disso, me aceitava do jeito que eu era. Uma pessoa normal que gostava de passar o final de semana em casa ao invés de sair para algum lugar como todas as minhas ex faziam. Nós podíamos fazer coisas simples, como tomar uma xícara de chá no final da tarde e conversar. Então nada mais importava. Bastava nós dois.

— Harry? — Choramingou cutucando, tentando chamar a minha atenção. Dei um beijo em seu ombro e concordo com qualquer coisa que ela disse a seguir. — O que aconteceu?

— Nada, eu só… — Comecei a dizer levantando o braço e apoiando atrás da minha cabeça e a observar  me encarar sério. — Só estava pensando

— Eu sei, você estava tão concentrado que não respondeu a minha pergunta. — Reclamou e eu me senti mal por não estar dando atenção à ela.

— Desculpa bebê. — Passei a encará-lo e ela fez o mesmo comigo. Ela tinha um sorriso bobo brincando nos lábios e aposto que eu não estava diferente. Uma das minhas manias que eu nunca me enjoava, era observá-la. Eu tinha uma pequena visão da perfeição à minha frente. Seus olhos tinham o brilho do luar refletindo neles. Seus lábios sempre convidativos e rosados. S/n percebeu meu olhar sobre aquela parte do seu rosto e me provocou prendendo com os dentes

— Você é mal! — Falei trazendo seu corpo para meu peito e ela riu me beijando.

— Você está aéreo ultimamente — Sussurrou dando um beijo no meu pescoço, todo o meu corpo estremece e eu aperto em meu peito. — Não adianta tentar esconder algo de mim, eu te conheço Harry. — É verdade, ela me conhecia como ninguém. Ela sabia das minhas palavras sinceras e das minhas emoções.

Eu penso em você — comentei baixinho e vi sua expressão se suavizar. — Eu não tenho dormido, não consigo te esquecer. Você está sempre em minha mente. Eu te amo tanto, tanto que dói — sussurrei e entrelacei nossas mãos permitindo que ela a puxasse para perto de seus seios. S/n sabia que eu tinha problemas em expor meus sentimentos, mas de alguma maneira ela também conseguia me compreender. Tinha algo nela que me fazia pensar ser impossível viver sem ela. S/n entrou na minha vida como quem não queria nada, mexeu comigo de uma forma inacreditável. Me ensinou a amar, cuidou de mim  e me amou.  Eu só queria que ela soubesse de uma coisa – É você aquela que eu amo.

Amiga é aquela em que você passa horas e horas conversando sobre o mesmo assunto e nunca se cansa. Amiga é aquela que te aguenta, quando ninguém mais quer estar perto. Amiga é aquela que te entende em um olhar, e sabe te confortar. Amiga é aquela que te empurra, te chama de besta, mas te ama como ninguém. Amiga é aquela que chama a sua mãe de tia, ou até mesmo de mãe. Amiga é aquela que você olha e fala: Espero de verdade que possamos sempre ser unidas. Que possamos um dia, já velhinhas, sentar na varanda de casa e lembrar de tudo que passamos juntas. E falar, ainda bem que sempre tive você minha amiga.
—  Vittoria Catarina.
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Blog Amor Arquitetura: Balanços na Decoração - Dentro de casa, na varanda ou no jardim, o balanço não é só um brinquedo que encanta as crianças, ele ainda faz muito adulto sentir um friozinho na barriga ou só aproveitar o embalo para relaxar. Aproveitar o balanço é como flutuar, é uma sensação muito boa e além de tudo eles podem ser muito charmosos nos ambientes, fazendo parte da decoração. Quem acompanha um pouquinho a decoração já deve ter encontrado algumas fotos em que eles aparecem como inspiração. 

Dos mais simples aos mais incrementados, eles têm um grande poder de encantar adultos e crianças que sentem liberdade ao se balançarem. E acreditem que não é preciso muito para ter um balanço, só é preciso cuidar em qual lugar ele vai ficar preso, deve-se escolher um lugar forte para aguentar o peso. Agora é só aproveitar.

Vejam como um detalhe como este pode mudar totalmente a cara de qualquer ambiente, confiram:

Sentei na varanda de casa, para refletir sobre a vida. Apenas refletir. Sem me preocupar com o tempo passando, fiquei lá, por horas e horas. As pessoas de hoje em dia, estão sempre atrasadas, atarefadas e cansadas. Se doando por completo no trabalho, esforçando-se ao máximo para subir na vida, e ganhar mais e mais dinheiro. Pessoas pesadas, vazias e infelizes. Estão sempre em busca da “felicidade”. Será que a bebida é a verdadeira felicidade ? Que tal as drogas ? Dinheiro ? Sexo ?! Idiotas! Enganam-se esses que pensam, que tais coisas irão trazer a felicidade para as vossas vidas. Vivemos em um período de escassez de amor, compaixão e afeto. Levantei da cadeira a qual estava sentado por um bom tempo, ali na varanda. E falei para mim mesmo: “É Zé, ainda temos esperança de que teremos um mundo melhor.” Ainda.
—  Algo sobre a vida.
Sem Destinatário

Fecho os olhos e inspiro profundamente como se, ao expirar, todos os anseios fossem desaparecer. A televisão está no mudo, ao fundo é possível escutar o som dos grilos cortando o silêncio. É irônico pensar que o cenário contradiz o personagem, essa calma da natureza não me pertence. O pranto tem me buscado frequentemente e, como sempre, o renego. É inviável para mim embaçar a retina com o mesmo tema, como se a vida fosse um clássico do cinema capaz de emocionar incontáveis vezes com as mesmas cenas. Admito em tristeza, o ceticismo me tomou.

Frequentemente tenho pensado e feito rascunhos sobre lares. Sempre quis ter um lar, não da forma social, tampouco romântica. Não me cabe decidir que só sentirei alento numa casa de varanda e janelas azuis ou numa cidade do interior. Lar, para mim, seria o local da minha paz. Piso que meus pés tocariam e algo dentro de mim dissesse aquelas coisas incapazes de serem traduzidas senão em forma abstrata. Seria quase como o amor, nós pensamos que o conhecemos até realmente encontrá-lo numa rua qualquer, num dia qualquer, num momento de breve descompostura.

Tenho lido cada vez mais sobre assuntos pouco significantes intelectualmente, e ainda assim sou capaz de encontrar signos adversos nos romances mais banais. Pergunto-me se é de interesse do autor ou se lentamente caminho para algum tipo de insanidade. Loucura é uma palavra que me cabe na contradição dos dias, penso e ajo de formas ineficazes e espero compreensão. Conversas me provam que há outros como eu. Afirmo a insignificância e me apetece saber que não sou a única. 

Passei a evitar canções por me transbordarem (uma heresia da minha parte, mas necessária). Veja bem, a verdade é que não aguento mais ser quem sou e não há ninguém nesse mundo capaz de me convencer a aceitar todas essas incoerências casuais e a genética que me fizeram esse grão entre tantos outros. Busco ajuda e me automedico, aceito todo o drama como parte de ser alguém de vinte e poucos que ao mesmo tempo que se vê em tudo - por zombaria da vida, acredito eu -, não se encaixa em absolutamente nada. 

Não espero que você entenda. Admito meu desejo de que não compreenda absolutamente nenhuma palavra dita, pois isso significará que o sentimento já caminhou entre seus cílios em noites insones. Estaríamos, assim, condenados.  

Salve-se, se puder. 

G.

Capítulo 110

Eu não podia simplesmente ficar parada, pois cada segundo que eu demorasse para correr atras de Eliza, dificultaria mais para encontra-la. Sem muito pensar peguei uma direção e comecei a correr em busca da menina, eu não fazia ideia se estava indo pelo lado certo ou errado, apenas confinei que algum tipo de ajuda divina me agraciaria e eu iria seguir o caminho certo.

Eu gritava chamando horas por ‘Eliza’ horas por ‘Elizabeth’ , em nenhum dos modos ela me atendia, eu sabia que ela podia ter pego qualquer lado, mas algo me fazia continuar naquele caminho que eu tinha escolhido.

Eu já estava quase que com uns cinco minutos de corrida física e visual quando enfim à avistei, mal pude acreditar que de alguma forma eu tinha seguido o caminho certo até ela. A noite já tinha se feito presente e junto da chuva tudo tinha virado um breu, foi realmente por sorte, puro milagre que eu tinha encontrado Elizabeth.

Ela estava escorada embaixo de uma grande e velha arvore, parecia apenas está pegando folego para continuar a correr, porém dessa vez eu tinha ela ao alcance da minha vista, ela não fugiria de mim novamente.

Quando a vi, parei de correr por alguns segundos para apenas sorri animada em ter a achado, mas agora eu voltei a correr em sua direção, Eliza me viu aproximar-se dela. A menina estava à horas sozinhas, provavelmente sem comer e, obviamente em pânico, ela tentou correr de mim ao notar que eu já estava bem próxima a ela, entretanto seu corpo pequeno já era frágil naturalmente e com toda a situação estava mais débil que o normal, Eliza acabou derrotada por seu próprio corpo e desmaiou, por sorte eu estava realmente muito próxima a ela, cheguei a tempo suficiente de a segurar e impedir o choque de seu corpo ao chão.

Seu corpo caiu desfalecido em meus braços, ela era uma criança alta e magra, não pesava muito, o pouco peso dela sobre meu colo apenas fez aumentar meu compadecimento com ela, era só uma menina, era só uma criança, não merecia nada que tinha ocorrido com ela hoje e provavelmente o que lhe ocorreu nos últimos dias, talvez até mesmo durante toda sua vida, quem sabe?

Mesmo com ela desmaiada seu corpo trepidava em meu colo, ela tremia de frio. Eu não tinha muitas opções, em verdade, apenas tinha uma, leva-la até a casa de minha vó sem me importar com a confusão que aquilo iria gerar.

Andei o mais rápido que pude até a casa com ela em meu colo, quando eu ainda estava a uns cinco ou dez metros de distância, mas já avistava a velha casa, pude ver todos na varanda olhando em volta, provavelmente me procurando, Clara foi a primeira a ver-me, sem se importar com a chuva ela correu até mim, Max tentou seguir sua mãe, mas minha vó o impediu.

“Vanessa, aonde você estava? Quem é essa menina? Por que saiu no meio dessa chuva?” Clara não sabia muito como agir, primeiro ela tentou me abraçar, em seguida tirar a menina do meu colo e ao mesmo tempo entender toda a situação.

“Depois eu explico” Foi tudo que disse e voltei a andar, Clara ficou momentaneamente para trás, mas logo ela veio correndo atrás de mim com suas indagações.

“Não pense que vai fugi de explicar isso, quem é essa menina?” Ela perguntou, a ignorei, eu realmente não estava com cabeça para explicar nada agora, minha preocupação era toda em acordar Eliza e mudar suas roupas para a deixar quente e protegida.

Assim que cheguei na varanda da casa, já fora da chuva, minha vó logo me recebeu com uma toalha, usei para embrulhar Eliza, Max tentou vir me abraçar, mas novamente minha vó o impediu.

Entrei dentro da casa e deitei Eliza no sofá, já era para mais de cinco minutos que a menina estava inconsciente, eu não era médica, mas sabia que aquilo era tempo demais. Minha vó logo correu para busca mais toalhas, Clara apenas ficou de lado com Max observando tudo.

“Como faço para acorda ela?” Perguntei em voz alta, mas não necessariamente a Clara e sim a mim mesma “Ela já está a um bom tempo desmaiada” Conclui.

“Desmaiada?” Clara perguntou com uma voz um tanto incrédula “O que está acontecendo aqui, Vanessa? Quem é essa menina? Ela não está desmaiada, apenas de olhos fechados”

“Como?” Foi minha vez de perguntar incrédula “Ela está desmaiada” Afirmei.

Clara se aproximou de mim e ficou ao meu lado

“Eu sou mãe e já tive irmãos mais novos e sobrinhos, essa menina está apenas fingindo dormir” Eu não sabia explicar o motivo de Clara está tão áspera, se era devido a minha reação ao ignorar suas perguntas e não explicar sobre a menina ou se tinha sido simplesmente por algum tipo de sexto-sentido em saber que aquela criança era filha de Adrien e uma parte dele que Clara não conhecia, seja por que motivo fosse, Clara parecia hostil a presença daquela criança, ela sempre foi doce, ainda mais com crianças, mas aquela menina não tinha lhe despertado nenhum tipo de compaixão.

“Impossível ela está fingindo” Falei convencida.

“Impossível? Tudo bem, veja” Clara deu alguns passos e se aproximou mais ainda da menina que estava deitada no sofá, desfalecida “Hei, menina, acorde sua mãe chegou” Foi instantâneo, no mesmo segundo a menina abriu os olhos e olhou em volta, seus olhos azuis tinham um brilho não mais de medo e sim de esperança, ela olhou cada canto daquela sala até se da conta que tinha sido enganada, o brilho em seus olhos mudou, em verdade, já não existia nem mais brilho, se tornou opaco, sem vida e ela simplesmente voltou a deitar e fechar os olhos como se estivesse desmaiada, ou talvez, morta.

Sim, Clara estava certa e Elizabeth estava apenas fingindo esta inconsciente, porém Clara tinha passado do limite ao servir-se do argumento de mãe para a menina abrir seus olhos, por mais que Clara não soubesse de nada e tivesse agido de forma inocente, no momento eu apenas tinha ficado irritada com ela e seu feito.

“Que merda você acha que está fazendo?” Gritei com Clara, no mesmo segundo seus olhos me olharam aturdidos para em seguida ela apenas me olhar tão irritada quanto eu estava, nós duas quase nunca brigávamos, sempre mantínhamos um dialogo e nos entendiamos, porém certamente aquele era um momento distinto.