casa de outros

Eu sinto falta de querer fazer amigos em qualquer festa, só pra conhecer gente estranha e te contar depois. Agora, eu fico pelos cantos das festas. Voltei a achar todo mundo feio e bobo e sem nada a dizer. Porque eu acho que estava gostando mais das pessoas só porque te via em tudo. Agora as pessoas voltaram a me irritar. E eu voltei a ter que fazer muita força pra sair de casa.
—  Tati Bernardi.  


A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber? Não, não preciso. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama. Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspeção noturna.Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem “me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo”. Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada. Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho. Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente. Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não!Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta.Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitações, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei. O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.
—  Tati Bernardi.
As noitadas realmente preenchem seu vazio?

Sair todo fim de semana, beber até vomitar, cair pela rua, fazer uma brincadeira sem graça com alguém, ir pra casa, marcar de sair com outro grupo de amigos, beber, disputar quem bebe mais, cair, levantar, sorrir, ter uma imensa alegria passageira, pegar quem você quiser e quem te quiser também, nunca mais vê a pessoa, leva uma pessoa pra casa, curte, e você não sabe nem o nome dela, experimentar novas coisas, drogas, dançar, pular, se divertir.
O fim de semana acabou, você tem um longo dia de trabalho e sabe porque você reclama da segunda-feira? Porque você não descansou, porque você passou o fim de semana todo numa felicidade de minutos, porque você não é feliz e não consegue enxergar o que te faz feliz!
As festas realmente te faz bem? Sua saúde está acabada.
Sabe porque você chora quando tem uma notícia ruim do médico? Porque a culpa disso tudo é sua!
As noitadas realmente te preenchem? Você só tem amigos no bar, mas se um dia você resolve ficar em casa porque está mal, não estão nem aí.
Você realmente é feliz nessa vida?
Você nunca vai encontrar um amor de verdade, você vai encontrar amores por noite, nunca será completo!
E quando você chega em casa? O que você sente? Você se sente mal, você quer sair daquilo, mas no outro dia um engraçadinho te chama pra sair de novo e você não sabe negar!
É isso que você quer pro resto da sua vida? Não tem essa de “Depois eu vou mudar” Porque nem todos temos o “depois”.
NÃO se culpe, NÃO se julgue, apenas pense mais em você, se ame!

Davi, o homem segundo o próprio coração de Deus, confessou: “Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo. Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá” (SI 27.4,5). O que é esta Casa de Deus tão aspirada por Davi? Estaria o salmista descrevendo uma estrutura física? Estaria almejando um edifício com quatro paredes e uma porta, através da qual pudesse entrar, mas nunca sair? Não. “Deus não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17.24). Ao afirmar que habitaria “na casa do Senhor para todo o sempre” (SI 23.6, Almeida Revista e Atualizada, ARA), Davi não estava dizendo que queria viver separado do povo, mas que ansiava por estar na presença de Deus, onde quer que fosse. Davi anelava estar na Casa de Deus.

A Grande Casa de Deus, Max Lucado.

Em algum momento você muda. Deixa de levar sempre aquela foto na carteira, de olhar pela janela do carro ou ônibus quando passa na frente da casa do outro ou de lembrar as datas importantes. Em algum momento você começa a olhar para frente e se questionar sobre como está ficando para trás. E de tanto olhar percebe que não há ninguém ali para lhe carregar mais adiante, só mais um pouquinho, só até ali a outra quadra. Tem que ser você mesmo, entende? Tem que ser por você mesmo. Eu via as minhas amigas cometendo burradas desse tipo e não entendia, era mera telespectadora. Agora talvez eu entenda, porque mudou a perspectiva e os personagens. Ontem, tirei a sua foto da carteira, mudei o caminho até o centro da cidade e nem me dei conta de que era aniversário da sua mãe e você nunca sabia o que comprar para ela. Em algum momento eu cansei de encher essas páginas, repetir o nosso drama e enlouquecer com as nossas dúvidas. Me desculpa por olhar em frente. Você ainda é o cara que me faz não gostar de todos os outros, eu juro que é, mas você não pode mais ser o cara que me faz viver no ontem quando tem tanto amanhã me esperando lá fora. Me desculpa por não responder o seu convite de mais cedo perguntando se eu queria tomar um café e ter um daqueles nossos papos de meros amigos como tentamos ser, mesmo você me ligando para ser frágil e eu batendo na sua porta depois de umas taças a mais de vinho no jantar com as minhas amigas. Me desculpa mesmo. Hoje eu quero ser só de mim.
—  Camila Costa. - trechos de nós.
A questão principal na vida não é: “Quão forte eu sou?”, mas: “Quão forte é Deus?” Concentre-se na força Dele, não na sua. Ocupe-se com a natureza de Deus, não com o tamanho dos bíceps que você tem.
—  A Grande Casa de Deus, Max Lucado.
Texto aleatório de terça

Comentei no Twitter que to procurando um tatuador porque quero fazer uma tatuagem da minha cachorra. Ela morreu no comecinho desse ano, e eu acho que nunca fiquei tão na bad na vida.

Como qualquer pessoa que gosta de escrever, tenho muitos textos aleatórios no celular, em cadernos, computador, etc, que faço pra desabafar, organizar as ideias e passar o tempo. A maioria deles eu nunca postei em lugar nenhum, mas tem uns legais que eu acho que vocês poderiam gostar. Por isso vou começar a publicar aqui de vez em quando. Um deles foi esse que eu escrevi pra Pepê, minha cachorrinha e melhor amiga, logo depois que ela foi pro céu dos cachorros. Espero que gostem!

“Desculpa pela vez em que você pulou em mim, me derrubou no chão, lambeu minha boca e eu quis te matar. Mas é que o Leandro me zoa disso até hoje. Você sabe como ele é, não podia olhar pra sua cara que te zuava também. Desculpa pelas vezes em que tivemos que te deixar presa nos churrascos de família, mas você nunca ouvia quando eu tentava te explicar que as linguiças não eram todas suas, muito menos as que estavam na mão das pessoas. Desculpa por ter chorado de tanto rir quando você tropeçou e caiu na piscina. Duas vezes. Desculpa também por ter jogado a bolinha na piscina pra ver se você pulava. Aí você me olhava com cara de "vai buscar você agora, gênia.” Você nunca gostou muito de água. Então desculpa também pelos banhos de mangueira, que eram sempre um evento lá em casa. Você dava um jeito de molhar todo mundo, se enroscava e depois me enroscava na corrente da coleira e tentava fugir do começo ao fim. Quando terminava, a gente ainda tinha que ficar vigiando pra você não rolar na terra e voltar mais suja do que antes. Desculpa por todas as vezes em que eu cheguei em casa com cheiro de outros cachorros. E mais ainda pelas vezes em que o cheiro era de algum gato. Ah, teve aquela vez, quando você ainda era filhote, que você dormiu no corredor porque um gato pegou a sua casinha pra ele. Eu ri muito. Desculpa.
Eu só espero que tudo o que acontece naquele filme “Todos os Cães Merecem o Céu” seja verdade e que você esteja em um lugar melhor agora. Pode ser que tenham outros cachorros aí, e eu bem sei que isso vai ser um problema. Você sempre se deu melhor com humanos do que com seus semelhantes. Mas vou torcer pra você encontrar o Tuli ou o Jones logo e eles colocarem algum juízo na sua cabeça pra você não sair brigando com todo mundo. Logo vai ficar tudo bem por aí. E por aqui também. Eu to muito triste agora, mas só posso te agradecer por ter passado todo esse tempo comigo. Em 15 anos você aprendeu coisas que talvez eu demore uma vida humana inteira pra aprender. Talvez eu nunca aprenda. Parece que você já nasceu sabendo como ser a melhor amiga do mundo, proteger meu irmão pequenininho na rua, receber bem as visitas (nem todo mundo entendia que pular, latir e derrubar tudo pela frente era sinal de boas vindas), reconhecer quando eu tava triste pra me deixar feliz e, claro, que comer é a melhor coisa da vida. Agora não vou ter mais pra quem pedir pelo amor de Deus pra parar de olhar pro meu prato com cara de gatinho do Shrek. Desculpa por ter te comparado com um gato também.
Pepê, obrigada por estar em tantas lembranças boas minhas. Pelo menos eu vou ter muitos momentos bons pra resgatar quando sentir saudades de você. Eu te amo muito, e obrigada mais que tudo por me amar de volta. Você vai estar pra sempre no meu coração, raposinha.“

Quando vamos a Cristo, Deus não apenas nos perdoa, como também nos adota. Através de uma série de eventos dramáticos, passamos de órfãos condenados sem nenhuma esperança a filhos adotados sem qualquer medo. Veja como acontece: você chega perante a cadeira de julgamento de Deus cheio de erros e rebeliões. Por causa de Sua justiça, Ele não pode deixar de lado o seu pecado, mas por causa de Seu amor, Ele não pode deixar você de lado. Então, num ato que atordoa os céus, Ele pune a si mesmo sobre a cruz, por seus pecados. A justiça e o amor de Deus são igualmente honrados. E você, criação de Deus, é perdoado.
—  A Grande Casa de Deus, Max Lucado.

cheguei de ressaca no meu segundo dia de trabalho, vomitei bastante, disseram que eu podia ir pra casa e quando eu tava no ônibus quase chegando em casa vomitei de novo; no outro dia os boatos era que eu estava grávida.

Quando eu tinha 15 anos, tinha um amigo muito querido que é meu amigo até hoje e tinha um membro de sua família, um primo e esse garoto tinha um maravilhoso senso de humor, era muito engraçado, ele podia pegar a situação mais negativa, passar por ela e você iria esquecer por que estava bravo porque está rindo demais, o único problema era que ele tinha provavelmente a mais baixa autoestima que eu já vi, ele não achava que era importante, que valia alguma coisa. Um dia, no Natal para ser mais preciso, o meu amigo foi pra casa desse seu primo, porque estavam fazendo um enorme jantar de família, era uma família muito, muito grande e moravam a duas casas de distância um do outro, enfim, ele foi até a casa, na sala de estar que era onde seu primo estava normalmente jogando videogame, ou assistindo tv, ou simplesmente se divertindo mas no dia ele estava no seu quarto, então meu amigo foi ao seu quarto tentou abrir a porta, mas estava trancada e ele gritou “Yo, hey, vamos, todos estão esperando você”, só se ouviu silêncio e o que aconteceu depois, foi ele tentar de novo “Hey, vamos, hora de ir, todos estão esperando por você” e mais uma vez houve silêncio… e então houve uma voz do outro lado da porta e disse: “Eu não posso fazer isso, eu não sei como continuar, não tenho uma direção, não sei pra onde ir e a frustação será o mínimo que irei sentir”, então alguns segundos passaram antes que meu amigo pudesse dizer algo, “BANG”, então o tempo parou, e se passaram mais alguns segundos e mais alguns, e de repente, um som veio do outro lado da porta de novo e haviam movimentos, eram como se objetos que estavam empilhados tivessem sido derrubados, a mobília que havia sido colocada no lugar errado foi arrastada pelo piso de madeira e de repente a maçaneta da porta virou e meu amigo que a esse ponto já estava caído no chão, se levantou… e a porta abriu e lá estava meu amigo, e lá estava seu primo com um olhar apavorado olhou pra ele e disse: “Olhe pra mim, nem isso eu consigo fazer, nem isso eu consigo terminar, me ajude a entender o que devo fazer e quem eu sou… porque estou completamente perdido” e meu amigo colocou suas duas mãos sobre as mãos dele, o olhou nos olhos e disse: “Você ainda nem começou a arranhar a superfície do quanto sua vida importa não só pra mim, nossos amigos, nossa família, mas a sua vida é um dom para o mundo que está esperando por você”.
Então ele me disse algo que jamais vou esquecer, isso ficou e ecoa na minha cabeça todos os dias que estou aqui, ele me olhou pela última vez naquele dia e disse: “A vontade de viver, sempre vai prevalecer sobre a habilidade para morrer”.
—  Shinedown, sobre a música 45.
A saudade mais bonita guarda o seu nome sem dúvida alguma. E se por acaso, algum dia distraidamente estiver saindo de sua casa do outro lado da cidade, passe por aqui por coincidência. São tantas coincidências na vida, não é mesmo? Espero que por coincidência você também tenha saudade de mim, e não seja covarde e deixe a morrer de fome.
—  Os porquês de Amélia Roswell.
A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber.
Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama. Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspeção noturna.Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem “me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo”. Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada. Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho. Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente.Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não!Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta.Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitações, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei.O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.
—  Eu preciso saber. Tati Bernardi.