cartas que nunca enviei

Eu só queria entender o porquê. Faltou pouco, tão pouco para dar certo.

Mas, infelizmente, um pouco que pesa, que perturba, que frustra, que dói, que interfere totalmente no todo.

Não há culpados. Talvez não era pra ser.

Se eu pudesse, eu teria feito dar certo. Se estivesse ao meu alcance, eu teria feito dar certo.

Não queria te perder, não queria te deixar. Essa nunca foi uma escolha.

Que fique claro: eu não escolhi seguir sem você. Simplesmente a gente se perdeu.

Eu espero, de verdade, que, um dia, a gente se encontre. Que possamos, em outras circunstâncias, ter a conexão que não tivemos. Que possamos descobrir o que não descobrimos. Que possamos preencher o vazio que o tempo criou.

Tem dias que as perguntas rondam a minha cabeça. Faltou dedicação? Talvez, de ambas as partes.  Intensidade? Acredito que sim. Experiência? Certamente, mas que culpa temos se o destino nos uniu cedo demais?!

Hoje, já não cabe mais tentar compreender o que passou. Como diz a música “João de barro”, “o meu desafio é andar sozinha, esperar no tempo nossos destinos, não olhar pra trás, esperar na paz o que me traz a ausência do seu olhar”. Agora, meu amor, só me resta entregar meu destino nas mãos do tempo. Ele é quem vai ditar minha vida.

E se nossos caminhos não mais se cruzarem, aceitarei isso também. Por mais que doa. Aceitarei o fato de que, apesar de nossa bonita e rara história, o final não tinha que ser feliz.

Só espero que, comigo ou não, você tenha um final feliz.

Você vale muito.

Te amo.

— Renata Stuart

A verdade é que eu tenho medo. Medo de sentir tudo isso que estou sentindo agora. Medo do arrepio que me dá ao ouvir tua voz. E as vezes que fico rindo feito boba quando estou com você. Eu tenho medo de me entregar. Tenho medo de quebrar meu coração outra vez. Tenho medo quando teu toque arrepia cada parte do meu corpo. Mas eu adoro quando você me beija devagar como ninguém nunca beijou. A verdade é que tudo com você é diferente, por isso eu tenho medo. Medo de realmente ser feliz. De me entregar de corpo e alma pra uma pessoa e ser correspondida totalmente pela primeira vez na vida. Isso tudo me assusta, pois nunca deu certo antes. Tudo o que eu sinto quando estou com você é diferente de qualquer outra coisa que já senti. Por isso eu tenho medo. Eu admito pra você, eu não sei o que é o amor. Eu nunca amei. As pessoas que passaram pela minha vida, que eu dizia que “amava”, eu estava enganada, eu nunca senti esse tal de amor, eu apenas me apaixonei. E eu tenho muito medo de estar sentindo ele pela primeira vez. E se meu coração acabar despedaçado outra vez? As outras vezes era você quem juntava os caquinhos e os colava novamente, mas e se for você quem quebrou, quem irá colar? Eu tenho medo, esse medo me arrepia até a alma. Mas ai quando você chega, com essa voz mansa em meu ouvido, no seu abraço eu me sinto segura. Quando estou sentindo seu cheiro é como se o mundo parasse, ou que pelo menos eu não precisasse pensar em nada mais, que não tivesse mais preocupações, e eu só quero fica ali, sentindo teu cheiro, ouvindo a tua respiração, e o teu coração bater no meu ouvido. E por um momento todo esse medo passa, e me vem uma certeza de que eu te quero pra minha vida inteira. Eu ainda estou muito confusa, você é tudo que eu preciso e tudo que eu mais temo ao mesmo tempo. Você é a única pessoa que sabe exatamente tudo que eu sinto sem eu dizer uma palavra, tudo que eu estou pensando, apenas quando eu suspiro. E eu tenho medo disso tudo, você conhece as partes mais obscuras de mim, e mesmo assim ainda não foi embora. Eu ainda me pergunto o porque. Porque você ainda não foi embora? Todos os outros foram, quando descobriram a “garota problema” que eu sou. Mas você continua aqui, continua fazendo piadas pra me fazer sorrir. Continua me cuidando de um jeito que ninguém nunca cuidou. Eu quero muito que esse medo vá embora. Porque eu quero muito você. Quero muito me entregar, só preciso que ele vá embora, quando ele for, eu serei totalmente sua. Mas enquanto ele estiver aqui, vai ser assim, eu não sei o que eu sinto. Só tenho certeza que quero você.
—  Cartas que nunca enviei.
Estou escrevendo para dizer que sinto saudade, para confessar que, às vezes, bate aquela vontade, para te lembrar de que você ainda é uma das minhas melhores lembranças e dizer que nossos dias difíceis não conseguiram apagar tudo de especial que vivemos juntos. Estou escrevendo para te contar que a minha cachorrinha morreu, que o meu irmão se casou, que os meus pais se separaram, que a minha tia adoeceu, que a minha avó foi morar lá no céu e tantas outras coisas que aconteceram depois que nos afastamos e que você foi a primeira pessoa a quem quis contar. Quero confessar que precisei de você nesses momentos e em vários outros, que desejei receber o seu abraço, o seu carinho e ouvir aquelas palavras de conforto que você saberia me dizer. Assumo também que andei mentindo sobre a gente e que, muitas vezes, fiz de conta que já tinha superado. Confesso que já te procurei em outros sorrisos e, vez ou outra, acabo esbarrando com o seu perfume por aí. É claro que devo contar também o lado bom de tudo isso. Contar que morei fora por uns tempos e que terminei a faculdade. Contar que me apaixonei de novo, e de novo, e mais outra vez, mas que nenhum desses sentimentos foi tão forte quanto o nosso. Que aprendi a me conhecer melhor e que hoje não sou mais aquela menina que você viu chorar algumas vezes. Agora estou escrevendo querendo saber mais de você… Saber se tem outro alguém, se ainda sente cócegas na barriga e se guardou aquele presente que te dei no nosso último Natal. Na verdade, estou escrevendo mesmo para dizer que ainda sinto muito a sua falta e que, mesmo que não queira, sei que vou te levar comigo pelo resto da vida. Escrevendo porque é o que me resta. Escrevendo o enredo de um filme que em nada se parece com o romance que eu tanto planejei. Registrando e guardando os meus rabiscos naquela caixa que você sempre quis mexer. Escrevendo de alma e coração, já que tenho a certeza de que você nunca vai ler. Vou escrevendo e colocando dentro do armário o sentimento e as verdades que eu nunca assumirei. Simplesmente porque essa é só mais uma das cartas que escrevi, mas que nunca te enviei. ✏️💭
—  Rafael Magallhães

28 de março de 2015
Querido Você,

Te peço perdão. De joelhos imploro: quero que me perdoe. Talvez eu não tenha sabido ser nós dois. Talvez eu não saiba nem ser eu. Desculpa pelo que vivemos. As histórias, os risos, as descobertas. Me desculpa pelos fins de semanas saudosos, os abraços apertados, as conversas intermináveis. Desculpa pelos meus olhos que brilhavam em meio à opacidade impregnada em minhas íris, e pelas minhas mãos trêmulas que não sabiam segurar as suas direito. Perdoa essa alma pesada, as manias anormais, meu complexo de inferioridade. Desculpa minha ânsia de atenção, essa carência, minhas saudades excessivas. Desculpa as músicas melancólicas, as palavras desconexas, os choros abafados, os risos passageiros. Desculpa. Desculpa por tudo. Pelas cartas que escrevi e nunca te enviei — inclusive esta. Pelas lágrimas que derramei, por meu sorriso amarelo de canto de boca. Desculpa o papel manchado e as letras borradas. Esquece minhas insônias constantes que te faziam perder o sono, minha boca seca, minha inconstância persistente. Eu sei, eu te entendo. Você não soube lidar com tantos paradoxos de uma só vez. Desvendou minhas entrelinhas, mas não teve estômago para digerí-las. Totalmente compreensível. Eu tenho que pedir perdão, não o contrário. A culpa não foi sua, não se preocupe. Não foi você que não soube me fazer feliz, eu é que não soube deixar de ser triste. Mas agradeço, de todas as formas, por mostrar que o amor não brota somente em corações felizes.

Com Amor,
Eu

—  Cartas não entregues, Parimundi

Porque de manhã eu era só uma carta não enviada
Enviei
E agora que sou uma carta enviada
Nunca cheguei
E quando chegar
Ainda serei
Carta
Ignorada
Morrer em silêncio é lei

Lucas,

Esta é a carta que eu deveria escrever. Mas que não vou, porque apesar dos pesares (e que pesares), não estou de fato escrevendo. Essa é apenas a formulação de toda a parte racional da minha mente, um conjunto de jorros indignos ou algo assim.
Eu estou indo embora. Arrumei minhas malas, reuni minhas roupas, não necessariamente nessa ordem. Peguei um avião de volta ao meu eu, porque eu estou indo embora. E eu demorei. Eu havia estacionado perfeitamente naquela vaga, tão perfeita para o meu rubro carro de duas portas. Era um Gol Bolinha. Era, porque eu capotei e só restou ferro retorcido, exatamente como seria se tudo houvesse pegado fogo.
Mas pegou, no fim, e é por isso que eu estou indo embora. Eu pediria, nessa parte da carta, para você não vir atrás de mim. Então não venha. Já arrumei outro Raphael, outro Eduardo, dois João’s e um Gustavo. Todos barbados, para a minha alegria - ou alergia. Eles são ótimos. Pagam minhas cervejas para me ver soltar ladainhas sem sentido pela garganta arranhada.
Elogiam minhas saias estampadas e meus vestidos infantis, me compram flores e riem das minhas piadas fracas. Tão fracas quanto eu, pequena, esfolada, maltratada.
Eu estou indo embora. Houve ciúmes que engoli, houve saudade que dilacerei. Mas mais do que isso, houve amor.
Pena que você nunca compartilhou.

Espero que você jamais leia isso. É a carta que eu nunca enviei (pior: nunca enviaria), porque ela nem sequer é o que eu quero dizer. 

Eu sinto muito. 

Com amor, 
Pequena.

—  Igraínne M.
Sabe o que acontece? Eu sou completamente ingênua, eu fico imaginando que você vai mudar, que vai aparecer na minha porta com um buquê de flores se desculpando por todas as grosserias que já me fez. Fico a todo momento olhando para o celular na esperança de ter uma mensagem sua que não soe arrogante, eu fico esperando por um carinho que nunca vou receber. Mas foi uma escolha minha, eu sei disso. Ainda tenho a esperança que você mude, que me chame de “minha princesa” todos os dias. Era assim que eu queria ser tratada, não da forma como é. Quando eu pergunto alguma coisa, imediatamente já me arrependo pois sei que a resposta irá me magoar. Você não tem o chamado “filtro” antes de falar, você simplesmente fala o que vem a mente, e as palavras machucam, e muito. Meu coração está todo quebrado de tanto ser maltratado, e no fundo eu não tenho coragem de te dizer adeus. Me sinto uma fracassada por não me impor e resolver as coisas. Várias vezes eu tentei conversar com você e tudo o que eu recebi foram palavras frias, e olhares que me doeram na alma. Como você consegue me ver em prantos e continuar imóvel como se nada estivesse acontecendo? As vezes penso que você realmente não tem sentimentos, não demonstra nenhum tipo de afeto, nem compaixão, nem mesmo no olhar. Porque afinal, estamos juntos?  Eu não vejo uma finalidade para o nosso relacionamento, pois nem os meus problemas eu não te conto, muito menos você os seus. E isso é o que mais me dói, saber que você não confia suficientemente em mim para contar o que acontece dentro de você. Qual a finalidade de tudo isso? Só para dizermos que estamos comprometidos e ficarmos juntos nos finais de semana? Na verdade eu me sinto um peso pra você, como se você me carregasse por ai com pena de me entregar a alguém, no fundo penso que você tem pena de mim. Por eu não ter amor próprio, você pensa que irei morrer sem você. Na verdade eu não iria, eu já estou me afundando mesmo com você do meu lado, parece que nada melhora, nada se resolve, apenas piora. Eu preciso de alguém que me coloque pra cima, que diga que estou linda mesmo quando estou de pijama descabelada e sem maquiagem. Mas essas gentilezas nunca viriam de você, ilusão minha. As vezes chego a sonhar que você é uma pessoa diferente, sabe? Algumas pessoas diriam que estou sendo idiota por querer mudar uma pessoa para ficar “perfeita para mim”, mas na realidade não é isso, eu apenas queria que você fosse gentil e carinhoso, são duas qualidades que qualquer pessoa que quer ter outra ao seu lado teria, ou tentaria ter. O problema é que você não faz nenhum esforço, é como se não valesse a pena. E eu estou tão farta de me sentir esse lixo o tempo todo e não ter ninguém para me segurar. Ninguém, isso mesmo, pois quando estou no meu quarto, sozinha, é meu travesseiro que eu abraço até dormir depois de chorar horas, muitas vezes por sua causa. Eu sou realmente muito idiota, pois ainda tenho a esperança que as coisas mudem, que eu me sinta segura, e que principalmente, eu não duvide de nenhum sentimento que você tem por mim. Todas as pessoas que eu converso sobre nós me dizem que nosso relacionamento não é normal e que não agimos como namorados. E eu concordo, e isso dói, pois eu queria que tanta coisa fosse diferente. Eu te amo, apesar de tudo, mas meu coração está tão machucado que eu realmente não sei para onde ir, preciso de uma resposta, e só você pode me dar.
—  Cartas que nunca enviei.
De uma coisa você pode ter certeza: eu te amei mais do que devia. Eu me entreguei de corpo e alma a você, na ingênua expectativa de receber o mesmo em troca. Mas com o passar do tempo, e das brigas e choros, comecei a perceber que você não era a pessoa ideal pra mim. Não imaginava nós em uma casa grande rodeados por filhos. Eu percebi que eu não via um futuro do seu lado, que não me imaginava velhinha do seu lado numa cadeira de balanço. Eu queria mais, queria que as coisas fossem diferentes, mas o seu pouco amor por mim foi esfriando cada vez mais. E o seu frio estava me consumindo. Os olhares não eram de amor, eram de ódio. Comecei a ter raiva de você, e de todas as vezes que ia dormir chorando por sua causa. Eu escutava os comentários do tipo “se fosse eu, não aguentaria uma semana com alguém assim”. Mas no meu caso eu aguentei, até demais. E uma hora todo mundo cansa né? Cansa de ser magoada, de chorar, de passar noites em claro pensando que poderia ser diferente. Uma amiga minha me disse que na verdade eu nunca te amei, que você era apenas um relacionamento diferente de todos o que eu já havia tido. E no fundo ela tem um pouco de razão. Na verdade eu ainda acho que foi paixão, porque se fosse mesmo amor não acabaria. Esses primeiros dias tem sido difíceis, eu tenho que admitir. Quando você se acostuma com a presença de uma pessoa e isso é tirado de você de repente, você se sente meio sem chão, ou com medo de pisar em falso e cair. E por incrível que pareça eu não chorei. Não derramei uma lágrima sequer depois que terminamos. Talvez uma hora eu chore, mas não sei quando irá acontecer. Lembro de todas as vezes que fui dormir chorando por alguma coisa que você me disse, e que no fim, achava que era infantilidade da minha parte. Depois de tudo isso eu aprendi uma coisa. Que não importa o quando você chore, implore ou espere. Se uma pessoa não quer mudar por ela mesma, não irá acontecer. A partir do momento que uma pessoa resolve mudar e se esforça pra isso as coisas acontecem e melhorar. Se não? Melhor virar a página, e começar a escrever um novo capítulo para essa história. Sem criar expectativas. Sem finais felizes, apenas escrevê-la, mas dessa vez, sem você. Vai ser melhor assim, vai ser melhor pra mim.
—  Cartas que nunca enviei.
Oi, tudo bem? A quanto tempo não te escrevo não é? Pois bem, tenho andado meio ocupada, sabe como é, faculdade, trabalho, mal me sobra tempo para respirar. Mesmo assim eu penso muito em você. Talvez estivesse pensando que te esqueci ou algo do tipo, mas isso definitivamente não aconteceu, nem nunca vai acontecer. É tecnicamente impossível te tirar dos meus pensamentos. Mas me diga, como você está? E aquele machucado na sua mão, cicatrizou? Acredito que sim, mesmo assim me preocupo com você. Tem falado com sua mãe? Bem, ela me ligou esses dias perguntando de você, eu tive que engolir o choro e dizer que estávamos bem. Eu sei, eu menti, e você odeia mentiras, mas se eu contasse a verdade a ela, seria bombardeada de perguntas, e meu psicológico anda meio ferrado pra essas coisas. Te peço perdão. Queria saber se em alguma noite fria antes de dormir você pensa em mim, pensa “o que ela deve estar fazendo agora?”, enquanto estou aqui, ouvindo aquela nossa música e lembrando do seu sorriso. Se eu fechar os olhos consigo ver você sorrindo pra mim, mas nesse momento isso dói, antes seu sorriso era tudo que eu tinha, agora lembro dele com tristeza, e sinceramente não queria que fosse assim. Enfim, e a reforma do seu quarto, como anda? Confesso que a dias iria te mandar uma mensagem, mas aquela voz em minha cabeça me dizia “não faça isso, ele nem vai te responder” e eu acabei ouvindo ela. Mas a vontade de saber como você está, o que está acontecendo na sua vida ultimamente foi mais forte que eu, por isso resolvi te escrever, nem sei se ainda é o mesmo endereço e se você receberá mesmo essa carta, acho que isso que me deu coragem de escrevê-la. Lembro-me que da última vez que nos falamos você disse que nenhuma pessoa valia a pena, e que passaria o resto da vida sozinho. Já mudou de opinião? Encontrou alguém especial? Bem, não quero me intrometer na sua vida pessoal, só é curiosidade mesmo, quero saber se alguém está te fazendo feliz assim como eu fui incapaz de fazer. Eu espero que em algum momento dessa carta você tenha sorrido, pois esse é o único motivo de eu estar escrevendo, se assim aconteceu, já fico contente, não espero que me responda, você não tem obrigação a nada. Mas quero que saiba que ainda penso em você e que sinto muito a sua falta. Mais uma vez, perdão por não ter sido e não ser quem você merece. Se cuida, amo você.
—  Cartas que nunca enviei.
Eu não sei porque ainda te escrevo, porque ainda gasto minhas palavras com você. Nunca irá ler essas cartas, nem nunca saberá da existência delas. Mas eu sinto uma necessidade inexplicável de te escrever, de sentir que pelo menos um pouquinho fico mais perto de ti. Porque estamos tão distantes. Porque agora, simplesmente nos tratamos como dois desconhecidos? Nós já fomos muito, agora somos nada? Não consigo entender a lógica disso tudo, uma pessoa pode num dia ser totalmente sua e no outro não ser mais? Simples assim? Ou conforme o tempo passa o amor esfria e as pessoas se tornam diferentes? Por favor, só me dê uma explicação razoável para tudo isso, eu ainda sinto a sua falta, ainda passo madrugadas acordada pensando em ti. É loucura minha, eu sei, mas não tenho como evitar. No começo pensei que sofria de insônia, agora eu sei que sofro de lembranças. Lembranças suas que nunca vão se apagar. Eu sinceramente não acredito nisso que dizem de que o tempo cura tudo, que é somente esperar, eu estou esperando, e poxa, a saudade só aumenta. Tem algo errado com essa teoria. O tempo não cura nada, não leva nada embora, e a dor não passa, apenas nos acostumamos com ela.
—  Cartas que nunca enviei.
Eu simplesmente não sei por onde começar. Eu sempre pensei em te escrever uma carta, mas não achei que teria coragem. Eu tenho tanta coisa pra te dizer, mas tanta coisa! E não sei o que falar primeiro. Eu não consigo acreditar que você está indo embora. Que vai mesmo me deixar. É como se todos os esforços que eu fiz até agora, foram em vão. Eu me sinto completamente vulnerável, sozinha e desamparada. Não sei como você pode ter um coração tão frio ao ponto de não pensar nas pessoas que gostam de você. Já pensou como vai ser o seu velório. Sua mãe chorando ao lado do seu caixão se perguntando o que ela fez de errado para que você decidisse ir. Eu sei que você vai ser muito egoísta quando for partir. E terá que ser. Não vai ser difícil pra você, você quer isso a muito tempo. Vai se libertar de todo esse sofrimento, vai finalmente ser livre. Não haverá nada, nada, nem luz, nem som, nem choro, nada. Isso vai ser maravilhoso. Mas e eu? Já parou pra pensar as noites que vou passar em claro chorando e me perguntando porque não fui capaz de fazer você mudar de ideia, ou pelo menos adiá-la? Vou me culpar pelo resto da vida. Vou ligar pro teu celular mesmo sabendo que ele não irá tocar. Vou te mandar mensagem mesmo sabendo que você não vai ler. Vou sofrer, muito, e o pior de tudo, a saudade vai me torturar. Vou sentir falta das nossas conversas, risadas, de tudo. Você foi a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci, e a vida é tão injusta que vai tirar você de mim. Eu não entendo porque tem que ser assim, ainda passo muito tempo pensando que você ainda está aqui e que ainda tem uma chance. Não queria que 90% dos seus pensamentos fossem de como irá morrer. Eu também já quis morrer, já tentei, e hoje eu penso que não valeria a pena. Pois estou sendo útil para alguma coisa. A saudade vai doer, vou encharcar meu travesseiro com as suas memórias, que tem um gosto salgado. Eu não queria que terminasse assim, queria que no momento em que você fosse ir , te abraçar e pedir para você ficar. E eu te amo, pra caralho! Mas não posso mudar o que você pensa. Nem sei se um dia lerá essa carta, mas eu espero que ela chegue em suas mãos. Adeus.
—  Da baixinha que bate o pé e faz bico. Cartas que nunca enviei.
Sabe, é estranho comparar como éramos próximos no ano passado e hoje em dia nem nos falamos mais. O mais engraçado é que eu realmente sinto falta de como a gente era. Lembro que você cantava aquela música idiota que não saía da minha cabeça quando eu estava triste, só pra me fazer rir. Lembro de uma vez que você disse “já percebeu que quando te ligo está chorando e sempre desliga o telefone rindo?”. E aquilo era verdade, porque você sabia exatamente como me fazer sentir melhor. Como me fazer esquecer de todos os meus problemas e rir de coisas absolutamente idiotas. Eu sinto falta disso, falta de você. Não te escrevi mais por medo, medo de não ser respondida, de ficar esperando a sua resposta e ela nunca chegar. Eu quero saber como você está, como está sendo no emprego novo, se você já encontrou alguma garota que fez seu coração pular, sabe? Eu gostaria de ter notícias suas. Me perdoe por ficar tanto tempo sem te escrever, eu estava sem coragem na verdade, espero que não esteja zangado comigo. Eu ando tentando levar a vida sabe? Tive algumas crises essa semana que me fizeram pensar na possibilidade de voltar a ir ao psiquiatra, mas não fui. Continuo escondendo minha tristeza, eu guardo ela só pra mim, é um segredo, mas você já sabe, já me conhece. Estou com saudades, amo você.
—  Cartas que nunca enviei.
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É você tem razão, não dá para nós dois sermos amigos. Porque ser só seu amigo, para mim não basta. Eu quero mais, muito mais que ser chamado de amigo. Não sei se você acredita mas talvez seja a hora de você saber, que eu te amei muito, ainda te amo, sei que sempre vou te amar e ainda acredito em nós.

                     - 3ª Carta dele para ela, por Jeen Cavalcante

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Como eu queria ter recebido suas cartas, talvez tudo pudesse ter sido diferente. Eu sempre sinto falta de você e às vezes te imagino aqui. Você, ciumenta, mimada e possessiva? Você sabe muito bem que sou tudo isso e mais 10x a mais que você. Sabe, perder você foi a maior perda da minha vida. Ah… se eu pudesse voltar no tempo. E como não falar do passado quando ele ainda está presente? Você não é meu passado, pode não ser meu presente mas acredito que você é o meu futuro.  Eu só preciso saber de uma coisa: Você ainda me ama?

                     -  2ª Carta dele para ela, por  Jeen Cavalcante

Meu amor, meu bobo, meu idiota. Como explicar o que não pode ser explicado. Como negar algo que faz parte de mim. Como dar as costas ao que eu sinto?! Você tem sido muito mais do que parte do meu dia, tem sido parte de mim. Sinto coisas que nem eu sei explicar, quando estamos bem, fico feliz ao extremo mas quando brigamos é como se algo se rompesse, como se nada mais fizesse sentindo. Me apaixonei de repente, inesperadamente. Sinto como se a vida toda, todos os caminhos e escolhas que tomei fossem para um dia chegar até você, está pronta para viver essa história, esse amor. Sei que nem sempre as coisas serão fáceis, e que passaremos por várias provas de fogos mas se por acaso a sobrevivência desse sentimento, dessa história depender de 1/3 do que sinto por você, tenha certeza que sobreviveremos ao que possa vir pela frente. 

                                  Jeen Cavalcante