carolinamichels

Um ano que começou com tantos empecilhos e obstáculos, se tornou o melhor que eu já vivi. Depois de tantas dificuldades e de parecer que nada daria certo, o universo conspirou para que eu estivesse errada. E que bom que ele fez! Não existem palavras suficientes para expressar o sentimento que nasce ao realizar sonhos. E eu, eu que sempre fui tão sonhadora consegui realizar alguns deles. Não me arrependo de não ter ido pra PUC quando passei ano passado, se não fosse isso, não teria conhecido pessoas incríveis e me aproximado de outras que antes não estavam tão presentes na minha vida. Sim, o ano teve seus defeitos, estudei como nunca, a ansiedade foi minha companheira inseparável, e os choros estiveram presentes com alguma frequência. Mas se isso tudo não tivesse ocorrido, não teria ganhado palavras tão carinhosas, abraços tão sinceros e pessoas tão encantadoras.
Realizei o maior sonho de todos, publiquei meu primeiro livro, e nossa, é como se fosse um filho, porque a gente que escreve, se dedica tanto e tem tanto carinho com as palavras e detalhes que sentimos que aquelas folhas de papel nasceram aqui de dentro, e elas realmente nasceram. Junto ao livro, tive parcerias incomparáveis, seja o Aguinaldo com a contra-capa, a Patrícia com a orelha ou o Couto com o prefácio. Além, claro, da editora e do meu anjinho Nélio. Mas a pessoa que mais me apoiou a vida inteira e principalmente esse ano, muitas vezes deixando de lado suas prioridades para colocar as minhas, foi a minha mãe. Eu te amo, mãe!
E agora, final do ano, ter conseguido o quarto lugar na ESPM e passar pra PUC na primeira chamada foram presentes tão grandes que meu peito enche e os olhos produzem lágrimas quando vejo que consegui. E agradecer a todos que tiveram ao meu lado nessa caminhada é quase impossível, nunca vai ser suficiente.
Apesar de tudo isso, encontro um porém que me assusta: a trilha que cada um de nós que compartilhamos momentos especiais,não só esse ano mas durante todo o colégio, vamos trilhar. Alguns eu sei que ficarão pra sempre, outros podem se afastar e tem até aqueles que podem se aproximar, mas os laços e amizades que construímos juntos nunca serão esquecidos e irão ficar na memória de cada um pela eternidade. Seja para contar aos filhos e netos o que vivemos, ou simplesmente para guardar conosco os tempos em que nossa maior preocupação era o vestibular e o autoconhecimento.
Por fim, histórias ainda serão escritas e espero ter coragem para saber lidar com elas, assim como desejo a todos vocês, que estiveram aqui,o mesmo sentimento. Porque a vida tá só começando!
—  Carolina Michels

CARTA AOS AMIGOS DE ESCOLA

Queridos amigos de escola,

Uma vez eu escutei que os amigos que fazemos no colégio provavelmente não seriam aqueles que ficariam perto da gente durante a vida. Não só porque crescemos e amadurecemos mas também porque nossos interesses mudam, e com isso, nossas amizades. No entanto, eu não acredito nessa afirmação. Por mais que nossas vidas universitárias - e futuramente profissionais - possam seguir caminhos diferentes, levarei para sempre vocês em meu coração.
Em um tempo de esperança, de espírito de mudar o mundo, construímos laços, amizades, amores inesquecíveis e é quase impossível fazer isso se apagar por mudanças no destino de cada um de nós. Por maior que seja o tempo que possamos passar separados, quando sentimos saudades, o mundo conspira para fazer com que ela passe. E é por isso que sei que uma parte de nós sempre estará ligada.
Venho também agradecer pelos momentos que compartilhamos juntos, seja com aqueles que vieram lá de trás do sétimo ano do ensino fundamental, ou até daqueles que chegaram de mansinho no terceiro ano do ensino médio. Mesmo que existissem brigas, opiniões adversas e discussões - causados pelos nervos à flor da pele - aqueles olhares de compaixão e os abraços que significavam o mundo sempre estavam presentes. E quando mais precisávamos, cada um estava alí.
É por esses momentos que afirmo que uma amizade escrita no momento mais precioso da nossa adolescência não vai embora. Juntos, descobrimos gostos, reprimimos anseios, rimos da vida e até choramos com ela. Juntos, cada um descobriu quem é e criou laços separados mas que culminavam em pontos em comum. Juntos, nós éramos - e pra sempre seremos - invencíveis.
E agora, eu desejo o melhor que a vida pode nos oferecer. Eu desejo que vocês consigam o melhor estágio - e depois, o melhor emprego - mas que também sejam passados para trás para poderem aprender a dar a volta por cima e mostrarem o lado mais forte que eu sei que vocês têm. Espero que morram de amor, que se decepcionem com ele - e que em alguns momentos até consigam brincar com ele. Se apaixonem pela vida e saibam que quando tudo der errado tem alguém que escreveu essa carta e muitas outras pessoas que também são personagens dela. Sejam vocês e vivam com esse propósito. Sabe por quê? Porque nós não desistimos das pessoas que amamos.

- Carolina Michels

Eu quero ter a sensação de me apaixonar pela primeira vez. Quero ter alguém que vá gostar de mim pelas minhas qualidades e me amar pelos meus defeitos. Eu sei, é clichê, mas o que nessa vida não é? O problema é que eu espero por uma pessoa que não existe. E eu não me contento com pouco. Eu quero alguém que vá me olhar com olhos profundos de desejo, mas que ao mesmo tempo seja singelo o bastante para se bastar com as mãos entrelaçadas as minhas. Eu quero uma paixão arrebatadora, daquelas que te fazem perder o ar, o chão e tudo aquilo que é palpável porque o erotismo não cabe em nós. Porém, eu procuro por aquele alguém que vá acrescentar algo novo, que vá escrever os versos mais lindos e completar os meus. Aquele que será meu confidente, meu melhor amigo e meu melhor amante. Não precisa recitar Fernando Pessoa, mas saiba que eu tenha uma queda pelos letrados que dizem ao pé do ouvido qualquer frase boba com algum significado. E as cordas do violão dedilhadas em seus dedos são a mais bela música para os meus ouvidos, porque nelas eu vou viajar e me encontrar todas as vezes. Sei lá, me diz o que eu quero ouvir, simplesmente porque você saber o que é, e eu vou te admirar quando você conversar com seus amigos, quando tiver à vontade em uma mesa de bar, assistindo ao jogo com os seus amigos ou na areia da praia. Eu quero ter a sorte de um amor tranquilo, mas ao contrário de Cazuza, eu não me importo de viver uma paixão intensa, é só que acredito mais na filosofia de Fernando Pessoa, o valor das coisas está na intensidade com que acontecem. E eu sou inteira, me entrego da cabeça ao pés. Ah, se quiser mesmo me cativar, ninguém é tão sábia quanto a raposa do Pequeno Príncipe, afinal tudo o que eu queria era ser A Rosa de alguém.
—  Carolina Michels
Acho que me desencantei por você. Não sei, é só chute, mas é que meu coração não dispara mais ao te ver, e por mais que eu fiquei arrepiada quando você me toca, não é a mesma coisa. Talvez pela primeira vez a razão esteja falando mais alto, e isso acontece porque a paixão já não é mais prioridade e não se faz mais valer como antes. Você me deu momentos incríveis, mas foram só momentos que guardarei aqui dentro em um lugar onde quando eu estiver pronta pra acessá-los novamente, farei. Desculpe-me mas acho que cansei, cansei de suas dúvidas e incertezas, cansei de me doar demais e não receber o mesmo em troca, cansei de gastar energia em algo que não tem futuro. Talvez eu tenha até cansado de você, não sei o porquê, mas talvez tenha. Enfim, muito obrigada por tudo o que vivemos, mas chegou a hora de devolver a você o que me deu. Beijos, abraços, se cuida, quem sabe se um dia a gente não se encontra?
—  Carolina Michels
Obrigada, de verdade, obrigada. Sem ironias, sem deboche. Quero te agradecer por ter partido meu coração uma vez. Por você, eu ganhei amor próprio, desapego, e força de vontade. Com você, eu aprendi a não me apegar as pessoas só por elas se interessassem por mim. Eu aprendi que sou muito maior que pequenos relacionamentos que brotam na minha vida e não dão frutos. Então, obrigada por ser diferente, e ter dado fruto sim. Você deixou heranças grandiosas pra mim. Fez com que eu mudasse meu comportamento e aceitasse mais ser quem eu sou. E cara, se eu pudesse, te agradeceria todos os dias por isso. Sem regalias, você foi a pessoa que mais me fez bem. Apesar da nossa história ter sido escrita por linhas tortas, beijos e desentendimentos, eu amadureci mais em seis meses do que em dezoito anos. Ganhei força, respeito e amor por mim mesma e isso, não tem agradecimento suficiente que mostre minha gratidão. Nunca pensei que diria isso, mas muito obrigada por, um dia, ter partido o meu coração.
—  Carolina Michels

Vento. Frio. Inverno. Tudo passa e aqui dentro um turbilhão de emoções se constrói. Aquela menina temerosa está deixando esse coração em busca de aconchego. Ela quer proteção, procura refúgio em um lugar aquecido por carinho. Do lado de fora, os muros da cidade vão construindo a mulher de ferro. Aquela que não tem medo, pavor ou temor. Mas por outro lado, não tem sentimentos, ou pelo menos, os esconde muito bem para mim. Enquanto escrevo à caminho da Escócia não vejo final feliz para ela. Perdida dentro de si mesma. Parece tão obscuro o caminho que percorreu, a direção de sua vida. A mulher refugiada aparece somente quando suas emoções vacilam. Ela sofre. Dentro dela o inverno é constante e eu tenho vontade de acolher aquela menininha, mas tenho medo do metal e dos espinhos que cercam a mulher.

- Janeiro de 2014, em algum lugar em um trem no Reino Unido

—  Carolina Michels
Tudo começou com um popstar. Tudo por um popstar. Depois até veio alguns fala sérios e a Thalita foi marcando presença na minha estante. Só que ai eu conheci o fantástico mundo da fantasia, e com ela a história de amor, nem tão de amor assim de Edward e Bella. Eu sei que vampiros não foram criados para brilhar, foi por isso que logo foram substituídos por Elena, Stefan e Damon. Mas eu sempre fui romântica, e a receita de bolo do Nicholas Sparks conquista qualquer pré-adolescente sensível. Foi então que me apaixonei por Landon e Jamie, Ronnie e Will, Noah e Allie, John e Savannah. Só que o grande problema, é que não se vive de estórias pré-formuladas e romances com doenças terminais. Então sofri com Romeu e seu amor por Rosalinda, e depois sua súbita paixão por Julieta, que mudou todo o rumo da trama, e fez com que pessoas de famílias rivais morressem em nome do amor. Shakespeare, sempre tão trágico, Hamlet não aguentou a pressão de ser ele mesmo e nos comprovou essa teoria. Com toda a sublimação, Elizabeth e Mr. Darcy embalaram, se não a mais, uma das mais bonitas e empolgantes histórias de Jane Austen. Só que o legado das escritoras clássicas inglesas não termina por aqui. Jane Eyre, Emma e o Morro dos Ventos Uivantes nos mostram personagens femininas fortes que lutam pelo amor de sua vida, mesmo que no final não fiquem com ele, contrariando a tendência Romantista. O problema seria falar de amor, sem falar de traição e os olhos de cigana dissimulada de Capitu deixam nosso herói Bentinho encucado a vida inteira. Só acho que o grande Dom Casmurro pensava demais sobre as coisas do coração. E a própria raposa disse ao Pequeno Príncipe que só se vê bem com o coração - o essencial é invisível aos olhos. Falando em ver, pensar, vi tanto, pensei tanto, refleti tanto que Macabéa não é párea para mim. Clarice me transformou em uma conhecedora de minha própria alma, ou aprendiz de, como Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres. Não posso deixar de mencionar que Tati Bernardi me fez ver que eu na verdade, eu era a Mulher Que Não Prestava e Nelson Rodrigues, A Vida Como Ela É. Só que o bom filho a casa retorna, e até as fotografias de Clea em Elixir, eu li. Ou então os rabiscos mágicos da saga de John Boyne retratando a familia real russa em O Palácio de Inverno. Só que nada me comoveu tanto como Hazel e Augustus em A Culpa É das Estrelas, e a culpa é delas mesmo, afinal, apesar de não gostar dele, até Christian Grey já passou pela minha estante. Até que eu resolvi fazer o que eu tinha vontade, pegar um caderno e um lápis e fazer como Jack Kerouac e seguir Na Estrada, quem sabe lá a inspiração não é melhor? E tantos outros me acompanharam, me fizeram rir, chorar, soluçar, viajar. Muita Meg Cabot, Lauren Kate, Richelle Mead, Rafael Gomes, Paula Pimenta, Leasley Pearse, Sidney Sheldon, Lewis Carroll, Fernando Pessoa, Caio Fernando Abreu, Cecília Meireles e outros tantos. E essa foi a melhor droga que já tomei, a literatura.
—  Carolina Michels
Ela fala de tempo, mas não sabe administrá-lo. Fala de música, mas não sabe tocá-la. Fala de paixão, mas seu coração é frio. Ela fala de tudo aquilo que sonha em ter e nunca viveu. Ela fala daquilo que deseja sentir mas nunca teve coragem nem força suficientes para desvendá-los. Ela vive em um mundo paralelo de uma vida que criou para si. Uma vida que ela sabe que não vive, mas não porque não quer, e sim porque não pode. Ela vive aprisionada em um castelo de mágoa, angústia e desilusão que ela mesma criou para si. Ninguém sabe quem ela é, nem ela, e é esse mistério que faz todos quererem desvendá-la.
—  Carolina Michels
Eu deixei ir. Deixei ir tudo aquilo que me preocupava, e passei a viver o presente em vez de me preocupar excessivamente com o futuro. A ansiedade só me fazia mal, e me angustiava, me dava dor no peito. Mas acredito que o céu tem planos para nós mesmos, muitas vezes maiores do que aqueles que fizemos. Criou planos que estaremos preparados para assumi-los na hora em que tiver que ser, na hora em que estivermos preparados para tal e não hora em que quisermos. Porque o ser humano é exigente, quer tudo para ontem e infelizmente, por mais clichê que possa parecer, a pressa é inimiga da perfeição, e a gente só aprende isso com muita prática, e paciência. A ansiedade me consome, te consome, e consome a todos nós a cada minuto, pode ser o grande vilão nas situações em que deveríamos nos sobressair, pois sabemos que somos bons naquilo que estamos fazendo e temos preparação suficiente. Mas o anseio, o desejo de perfeição nos cega de uma forma que nenhum outro faz. E isso é um problema. É um obstáculo. Uma barreira que só nós mesmos temos o poder de quebrar, e mostrar a ela que somos maiores que qualquer sabotagem que ela pretenda. Porque no final de tudo, a pior autossabotagem do homem é a sua ansiedade, e na maioria das vezes o vilão de seus próprios insucessos.
—  Carolina Michels

Ela vive em um reino tão tão tão distante. Onde “Era uma vez” e “Felizes para sempre” são obrigatórios. Nesse reino tão distante existem príncipes, princesas, reis e rainhas, e por incrível que pareça eles têm suas diferenças. Ela vive em um mundo mágico onde dragões cospem fogo e fadas realizam desejos. Ela vive em um mundo de sonhos, fantasias, cachoeiras de chocolate, jardins de duendes e céus de estrelas. Um mundo onde os vilões parecem bonzinhos, onde as aparências enganam, e o mais belo nem sempre é confiável. Um mundo onde espelhos falam, maçãs são envenenadas e agulhas queimam. Ela vive em um mundo onde os relógios, candelabros, bules e xícaras esperam ansiosamente que a rosa não se despedace. Um mundo em que sete pessoinhas pequenas e tão diferentes são seus melhores amigos, onde a fada madrinha a ajuda a realizar seus sonhos. Um mundo onde o príncipe não vai embora e o sapatinho de cristal é encontrado. Ela vive em um mundo onde as mulheres não têm voz, e que até se vestir de guerreiro, ela já fez. Um mundo onde só tem direito a realizar três desejos, seja pelas três fadinhas ou pela lâmpada do gênio. Mas ela também vive em um mundo onde o encanto acaba à meia noite, o seu sapo vira um príncipe, roubam sua voz, a separam de sua família e cortam seus lindos cabelos. Ela vive em um conto de fada chamado realidade.

(Carolina Michels)

Mesmo ela sabendo que nada a destruiria, ela tinha medo. Era insegura em relação a tantas coisas, e tão confiante com outras, não entendia ao certo o que fazer, e nem como agir, mas sabia que em algum lugar do mundo, ela entendia o que estava prestes a acontecer. Ela podia ter tudo, e sempre querer mais, como podia não ter nada, e se contentar com isso. Era uma menina de altos e baixos, em um dia transbordava alegria, no outro, era puro gelo, uma frieza no coração que correspondia à sua insegurança, ela causava isso, ela fazia com que durante tantas vezes a demonstra-se tão fria, chamada de grossa muitas vezes também. Mas a realidade, é que ela atacava para não ser atacada, e não deixava ninguém se aproximar o bastante para não se machucar no futuro, pensava a longo prazo, fazia planos, em vez de viver o presente, o agora, e por isso ela sofreu. Por isso ela lutou tantas vezes, e sentiu-se fraca tantas outras. Ela era amada por muitos, mas odiada por tantos outros. Isso não a incomodava, realmente, porque ela sabia que apesar de disso, havia pessoas que a faziam se sentir única, amada, desejada e tantas outras que só com um abraço conseguiam iluminar o seu dia. Ela aprendeu a levar alguns desaforos pra casa, aprendeu que nem sempre é certo falarmos o que pensamos, e principalmente, a não julgar um livro pela capa. Ela aprendeu que nem tudo é preto ou branco, e que na vida há vários tons de cinza, como seu pai dizia. Aprendeu que nem tudo é daquele jeito certo, e que há várias formas, jeitos e lados de uma mesma história. Ela viu que a vida dela estava mudando, de maneiras inexplicáveis, e viu mais ainda, que ela estava gostando de toda aquela mudança.

(Carolina Michels)

Ele: Eu gosto de você

Ela: Por quê?

Ele: Porque eu adoro o jeito que você fala, e as gírias que você usa me fazem rir, sua risada é estranha, mas é música pros meus ouvidos. Eu adoro o jeito que você mexe no cabelo, sem pretenção de nada, mexe só pra tirar ele do rosto, eu adoro o seu jeito de se vestir, e como você trata as pessoas a sua volta, eu amo como você odeia usar salto alto, como você não liga se a sua unha borrou, ou se você não está maquiada vinte e quatro horas por dia, mas só nas horas certas. Eu amo o jeito como você me olha, e como você me faz sentir. Eu amo como você chora que nem uma criança toda vez que vê um filme emocionante, como você coloca as suas expectativas altas demais sob qualquer coisa. Eu amo essa sua cara de envergonhada quando alguém te elogia, eu amo o jeito que você se diverte com as suas amigas, sem precisar de vestidos curtos, de bebida ou drogas. Eu amo como você consegue ser ao mesmo tempo uma aluna excelente, e ás vezes nem tão boa assim. E eu amo até os seus defeitos, na verdade, eles me fazem te amar mais, porque assim sei que você não é perfeita, mas que foi feita exatamente sob medida pra mim. 

(Carolina Michels)

Sabe o que eu tenho medo de acontecer? Eu tenho medo de um dia te encontrar na rua e não sentir nada por você. Tenho medo de não sentir aquela agitação no estômago, o desejo pulsando e a vontade de estar ao seu lado a todo instante. Não me entenda mal, eu não sou apaixonada por você, mas fui. Um dia eu fui. E as memórias continuam vivas, embora não com tanta frequência. Elas existem para me fazerem acreditar que no futuro ainda iremos nos encontrar, quer a vida queira ou não. É que quando eu me lembro de você, lembro do seu toque em minha pele e aí todos os sentimentos subitamente me envolvem como se não existisse o tempo, a distância, ou qualquer impasse. Só existe você. E você é tudo o que eu preciso naquele momento. Esse não é o primeiro, nem o último texto que escrevo para ti, mas tinha tanto tempo que não surgia em minha alma, que meus versos sentiram tua falta. Sei lá, hoje acordei pensando em você, faz tanto tempo que até assusta. Mas eu não venho te pedir nada, não quero mensagens, cartas ou ligações, pois se um dia aparecer de novo na minha vida, que seja completo, de corpo e alma, e disposto a se entregar a mim como eu sempre estarei disposta a me entregar a você.
—  Carolina Michels
E eu finalmente percebi que nunca fui apaixonada por você. O problema é que por algumas horas você foi príncipe enquanto o último relacionamento que tive era cercado por um lago, eu estava no meio e o meu acompanhante era um sapo. Essa é a verdade. Eu não gosto de você, não do jeito que eu pensava que gostava. Você só me tratou de um jeito diferente do dele e eu achei aquilo legal, achei que você tivesse feito eu me sentir única. E na verdade, por um pequeno período de tempo, você fez e foi bom. Então, não, eu não me iludi. Eu não me apaixonei, nem quero casar com você. Mas gosto de te ter por perto, sua companhia me faz bem e seus carinhos são gostosos. Mas é isso, sabe? Você cuidou de mim quando estávamos juntos, enquanto no último relacionamento que tive, apesar de ele me tratar diferente das outras não era carinhoso, nem nada. Eu fiz da exceção uma regra. O normal,seria todos serem como você, afinal, respeito, ações carinhosas e beijinhos ao pé do ouvido são comuns, mas eu pensei que não. Eu achei que o normal era um beijo e pronto, dai veio você, uma semana depois, de uma forma tão diferente, e já pareceu um príncipe. Mas também, pudera, perto de um sapo quem não pareceria? Sei lá, só quero dizer que eu gosto de ficar com você, mas é só isso, não quero você pra mim, assim como você não me quer assim. Mas a gente pode se curtir de vez em quando, se a gente tiver afim, uma hora ou outra, amanhã, daqui a uma semana ou quem sabe em dois meses.
—  Carolina Michels

O que fazemos com o primeiro amor? O que sentimos ao certo para saber que é o primeiro amor? Não sabemos, e essa é graça de tudo, não sabemos se o que sentimos é amor, porque nunca tivemos esse sentimento antes, só o que sentimos são um conjunto de emoções todas novas, além das famosas borboletas no estômago, temos a ânsia para ver aquela pessoa. Esperamos ansiosamente pelo sorriso dela, e pensamos nela em todos os momentos. Estamos apaixonados, quando temos ciúmes, e sentimos necessidade de cuidar daquilo que é nosso, queremos estar com a pessoa o tempo todo, queremos ser parte da vida dela, saber mais sobre ela, suas manias, manhas, medos, desejos, e temos necessidade de tornar realidade tudo aquilo com o que ela sonhou. Sentimos que o primeiro amor chegou quando dentro de nós o coração bate mais forte, e a timidez apareceu no mais simples gesto de carinho, quando queremos falar com a pessoa a qualquer momento, nem que seja brigando, mas o mais importante é que o primeiro amor nunca esquecemos, ele fica com você pra sempre, lembrando que pode não ter sido o melhor, mas foi o mais marcante.

(Carolina Michels)

Já caí de bicicleta, e não quis mais andar. Já chorei porque ralei o joelho, mas também por ter perdido o meu brinquedo favorito. Já vi o pôr do sol na praia, e casais sob a luz do luar. Já vi amigos se reencontrarem, já vi amigos se afastando. Vi melhores amigas se abraçando, mas também já as vi brigando. Já senti o amor de uma mãe inundar o mundo de felicidade. Já vi irmãos nunca terem brigado, e vi aqueles que pareciam cão e gato. Já fiz peças de teatro que retrataram minha vida, mas também vivi coisas que poderiam virar peças de teatro. Me apaixonei por seriados, músicas, artistas, filmes e livros. Me vi cercada de amigos que transpareciam e faziam tudo aquilo com que sonhei, mas também já me vi cercada de gente e não parecer pertencer àquele lugar. Tive sonhos realizados, tenho sonhos a serem realizados. Já me arrependi de um último beijo, de um sorriso, ou de uma palavra. E os guardei, porque não são fáceis de lidar, como as folhas que o vento leva. Me apaixonei por um olhar, me apaixonei e fui correspondida, mas também já me apaixonei e não deu em nada. Me vi perdida, me vi salva. Me vi lutando contra o que não acreditava, tentando parecer imparcial, e não conseguindo de fato. Já viajei de todas as formas possíveis, com pessoas que amo, e pessoas que aprendi a amar. Encontrei em mim, a luz que precisava para brilhar, a luz que as pessoas tanto dizem existir dentro de nós, são estrelas? Talvez, ainda não as nomeei. Não crio mais rótulos, não acredito mais em estereótipos. Estou vivendo uma transição, rodando em volta no do que não sei, e não pretendo saber, deixando os dados rolarem e a imaginação dominar. Penso que não tenho jeito, estarei sempre em constante mudança. Quero pessoas, preciso delas, mas quero a mim mesma também, quem eu sou? O que vou ser? Como vou ser? Ainda não tenho respostas para essas perguntas, mas continuarei a viver para desvendá-las. 

(Carolina Michels)

Ela sorriu para ele enquanto as gotas de chuva molhavam seus cabelos. Ela, que sempre teve certeza de tudo, não sabia ao menos seu nome naquele momento. Ele ria da transparência com que seus sentimentos se enlaçavam. Eles estavam se apaixonando. Espontânea e gradualmente. Sem motivos, sem experiências, sem consequências. A garoa molhava a cidade e amolecia seus corações, enxugava suas lágrimas por mais contraditório que pudesse parecer. Enxugava porque esqueciam de seus medos e pretéritos. Ela ansiava por seus carinhos como uma lagarta anseia pelo dia em que se tornará borboleta, apesar de desconhecido, saberia que encontraria seu êxtase. Ele a via tão frágil e segura, tão intocável e seus dedos coçavam para tocar a pele dela. Queria sentí-la. Era o prelúdio de um amor, de uma paixão que se iniciava do lado esquerdo do peito. Eles caminhavam juntos para o infinito, mesmo que não soubesse aonde iriam chegar.

(Carolina Michels)

Ela viu ele. Ele viu ela. Ela não sentiu nada demais. Ele se interessou. Ela gostou de ver ele interessado. Ele gostou de ver que ela tinha gostado. Ele insistiu em ficar com ela, fez tudo o que pôde, moveu montanhas, mas sempre fez tudo por ele mesmo, sem pedir ajuda pra ninguém, e era isso o que deixava ela mais balançada, ela sabia que ele corria atrás do que queria sem ter que colocar amigos ou qualquer outra pessoa entre os dois. Ele queria ela. Ela queria ele. Ele insistia, ela não dizia nem que sim nem que não, mas dava corda. Passou tempo, ele desistiu, cansou de correr atrás. Mas ela viu ele, e ele viu ela. E todo aquele interesse que os dois tinham um pelo outro, voltou. Ele  queria ela. Ela queria ele. Ele teve ela, e ela teve ele. Uma, duas, três vezes… E hoje, bom, hoje, nenhum dos dois diz o que quer e se quer. Hoje, eles não sabem o que um sente pelo outro, mas sabem que sempre vai existir alguma coisa ali.

(Carolina Michels)

Te escrevo assim com começo, meio e fim. Te escrevo assim, desde o início, sabendo que para mim um dia vai ter fim. Pode ser que esse dia seja amanhã, ou pode até ser que ele nunca chegue. Mas eu te escrevo assim nas imperfeições do seu rosto e do grafite na folha de papel, te escrevo nas verdades das palavras e dos sussuros em sua voz. Te escrevo com a velocidade da luz, e com a calmaria que as flores se brotam. Te escrevo na melancolia da noite, na sofreguidão das estrelas, na força do mar. Te escrevo na alegria de uma criança, na simplicidade da flor nos cabelos da menina, na fantasia de um sonho. Te escrevo assim, meio torto, meio sem jeito, meio meu, meio nosso, meio inteiro. Te escrevo sem partes na minha vida, no refúgio do teu olhar. Te escrevo para mim em forma de canção ou de poema. Te escrevo do meu jeito, mesmo que este não seja o seu.
—  Carolina Michels