carol bandel

Zona de Conforto (parte 1)

Na minha vida a tal zona de conforto sempre foi monstruosa. Quando eu optei por ficar nela me fez mal; quando optei sair fiquei pior. Tem todo o dilema da proteção exagerada que te priva de ter experiências fodásticas mas nesse texto vou contar o que eu ganhei e o que eu perdi.

Mais ou menos em Julho do ano passado resolvi entrar nessa filosofia que achei na internet que se trata de dizer sim pra tudo desde que não machuque (fisicamente) os outros nem si mesmo. Eu tinha acabado de achar a melhor amiga que eu poderia ter, terminei meu relacionamento de 4 anos, cortei vínculo com amizades tóxicas e troquei de faculdade. Por que eu diria não pra filosofia de dizer sim pra tudo? Eu não tinha motivos e tava com a vida completamente vazia, com espaço de sobra pra novas experiências e novas pessoas. Comecei a fazer tudo que eu nunca tinha feito antes:

- entrei num aplicativo de relacionamentos;

- beijei boca de gente estranha que eu nunca soube o nome;

- passei a frequentar festas;

- passei a beber nessas festas;

- comecei a consumir cigarros, brownies, brigadeiros e cookies de maconha sempre que eu tinha oportunidade;

- e fiz uma tatuagem bêbada numa festa que ficou… uma bela duma bosta (mas eu amo).

Acho que essas foram as piores, entre uma ou outra que eu não me sinto confortável pra contar. Entendo que tem gente que faz pior e que muitos não vão achar grande coisa o que eu fiz mas como eu nunca fui acostumada com vida social, fiquei meio assustada. Enfim, só compartilhei essa meia dúzia de aventura porque eu aprendi bastante, coisas boas e coisas ruins. Segue a segunda listinha:

- aprendi que nem sempre você vai ser assassinada se encontrando com pessoas de aplicativos (ou talvez sim, né?);

- desenvolvi mania de perseguição com esse app porque achava que as pessoas iam me reconhecer no ônibus até que cancelei minha conta;

- aprendi que beijar gente estranha não é pra mim;

- aprendi que sou muito antissocial pra festas e tinha crises de ansiedade pré e pós festa a ponto de ficar 40 horas sem conseguir dormir;

- beber é legal mas eu fico deprimida no dia seguinte e faço bobagens que eu não lembro;

- a maconha é o menor dos problemas, melhorava minha ansiedade e foi só isso que eu aprendi mesmo;

- aprendi que vou ter que gastar 3x mais pra arrumar a banana que foi tatuada em mim;

- aprendi que tenho sentimentos e que sou um ser humano.

As lições a gente adquire dos erros, já dos erros que a gente não aprende nada e fica insistindo várias vezes só nós trazem tomação no cu mesmo: confia nas pessoas erradas; continua insistindo nas pessoas erradas; acha a pessoa certa mas é muito fácil ser feliz, eu quero é complicar; se engana sendo ingênua com pessoas mal intencionadas; conta coisas pessoais pra pessoas que cagam e andam pra você; é traída e recebe como desculpas um coração partido e ¾ da culpa; entre outras merdas que a gente fez, faz e vai continuar fazendo simplesmente porque sim.

Uma hora eu sabia que chegaria no meu limite mas foi o limite que chegou em mim. Chegou e disse:

- Nah, bitch, acabou essa filosofia de dizer sim pra tudo. Tu precisa descansar, dar tempo pro coração, re-estocar as energias e voltar pra onde tu nunca deveria ter saído.

Vou explicar no próximo post qual é esse lugar de onde eu nunca deveria ter saído e como tem funcionado essa pausa que eu resolvi dar na minha filosofia e da rápida saída da monstruosa zona de conforto.