cardumes

As coisas que nos circundam
(Na aparência desiguais)
Conservam em suas essências
Ai, aquela mesma e triste
Parecença.
Difícil é escolher
Entre viver e morrer.
Difícil é o escutar-se
E ao mesmo tempo escutar
Rigores que vêm da terra
Lirismos que vêm do mar.
Auroras imprevisíveis
Entre Platão e Plutão.
Entre a verdade e os infernos
Dez passos de claridade
Dez passos de escuridão.
Consinto que me surpreendas
Dizendo palavras densas.
O não dizer é o que inflama
E a boca e o movimento
É que torna o pensamento
Lume
Cardume
Chama.
Não tenho tido descanso
Do falarar de quem ama.
Amor é calar a trama.
É inventar. É magia.
As palavras engenhosas
E os teus dizeres do dia
À noite não tem sentido

Quando arquiteto a elegia.
E sendo assim continuo
Meu roteiro de silêncio
Minha vida de poesia.

Hilda Hilst

GoPro no cardume. E a mesma situação em holografia

Wagner Brenner

https://youtu.be/poF-_lqwG3E

Dois posts em um.

O primeiro é esse sensacional video de um mergulhador (William Mitchell) completamente envolto por um cardume na águas claras das Ilhas Cayman e que, para nossa sorte, estava com uma GoPro para registrar as imagens. Um túnel de peixes, assista:

E depois de ficar completamente hipnotizado pelo mergulho, lembrei de outro video, o “Fishing Day”.

É um curta com um aquário holográfico (e portanto sem paredes de vidro), criado por Memukhin Oleg com softwares de animação (VEX, Houdini) que simulam justamente a relação entre um cardume de peixes e seu entorno, uma técnica de animação bastante sofisticada e realista que, ao invés de animar elemento por elemento, usa algumas regras para reproduzir a física e o comportamento animal deste pequeno mundo, como aproximação entre os peixes, desvio de obstáculos como o submarino, etc. Cada peixe “sabe” o que tem à sua frente, dos seus lados e atrás – e reage de acordo, como na vida real.

https://vimeo.com/122942653

Será que nosso cardume humano um dia vai funcionar assim, tão harmoniosamente?

Diving, gopro

Ar puro

Me pego pensando na vida. Me pego pensando em tudo que eu quero fazer. Então eu entendo que não posso perder tempo, eu quero fazer muitas coisas, caminhar por campos de girassóis, subir em lugares bem altos, mergulhar com a companhia de um cardume de peixes… Quero respirar ar puro!

As vezes eu acho que a tecnologia é maravilhosa, mas as vezes penso que ao mesmo tempo eu me distraio muito, perdendo tempo em que eu poderia estar fazendo alguma coisa que acrescentasse algo a minha pessoa.

Estou pensando na hipótese de deixar a tecnologia de lado por alguns instantes e sair, respirar o tão ar puro que minha mente suplica.

Eu amo fotografia, eu podia todo final de semana sair com minha câmera, meu celular e fazer tantas fotos, expressar tanto sentimentos nelas e respirar o ar puro que eu preciso.

Eu quero ler mais, estudar mais, viver mais a minha vida, deixar um pouco minha cama parar viver novas aventuras, mesmo elas atrasando o jantar.

[Secrets] Cartas à uma Sereia:

Acima de rochas rubis, me é intocável,
seus cabelos pintados refletem os movimentos do mar,
os mares que inundam meu peito refletem as estrelas de seu sorriso,
o tranquilizam quanto os balançam,

sorrir que me acanha, que me extremesse,
lábios que anseio como um cardume a água,
para que me nutra a vida no verdadeiro pulsar,
não faz ideia da alegria que me nasce em te admirar,

do outro canto da sala, um oceano parece nos separar,
te monto em meus pensamentos, construo cenários,
mas os quebro com agridoce pesar,
talvez um dia possa te provar seu valor pra mim,

neste oceano, me sou apenas um pescador,
que me encanto por um cantar distante, de sorrir caloroso e reluzente,
me é especial como uma pérola,
lábios docemente ardente.

Enquanto nos atormentam as furiosas serpentes da solidão
Eu sei de ti, como nenhum menino sabe de si mesmo
E te salvo da sombra de todos os teus espelhos
De onde emergem intactas as imagens claras da compaixão
E cai no fundo das águas o céu do verão
Frutas vermelhas amadurecem o peco desejo
Há um cardume de ânsias mergulhadas no peito
Estás com o ar transfigurado, a insone paixão
Nunca abandona o insondável aquário
E disfarças como ontem o inevitável beijo
Anunciando a Narciso seu adiado naufrágio
—  Capinan (‘Narciso’)
Consciência coletiva salva cardume de peixes do ataque de tubarões

Consciência coletiva salva cardume de peixes do ataque de tubarões

COORDENADOS POR UMA ÚNICA INTELIGÊNCIA


Se, no ar, uma andorinha só não faz verão, no mar um tubarão ou uma garça solitária podem passar fome caso desafiem cardumes de certas espécies de peixes, mesmo encurralados em águas rasas.

Sinta a dificuldade dos predadores para se alimentar. Numa ação coordenada, como que movidos por um único cérebroou consciência coletiva, os peixes confundem os…

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Algumas coisas me deixam profundamente tocado, seja pelo que despertam, seja pelo que representam. Uma aventura que me levanta este tipo de reação é a travessia de Amir Klink, cruzando da África ao Brasil a remo, num barquinho que só vendo pra não acreditar. Foram 100 dias entre céu e mar (contados em livro, aliás, lindíssimo), impressionantes 30 anos atrás. Remar todo este tempo solitário, trouxe a ele companhias de peixes e cardumes e o mar, ondas, tempestades e certamente um eu mesmo a cada dia, a cada novo horizonte na imensidão azul. Curioso é pensar que depois de algo assim botar os pés em terra firme pode significar deixar a segurança do que se conheceu profundamente. Bastariam aos navegadores, quase 500 anos antes, as águas calmas do canal, passada a Boca da Barra? Talvez. Mas certo mesmo é que ao navegador basta o mar.
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Foto: @donromero7
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Foto selecionada por: @jr_mbarreto
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Texto: @jr_mbarreto
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Apoio oficial: @riointerior @etcetera.arte
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#cabofrio400anos #cabofrio400anos_refugio
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Me auto vetei

Fui vetada por querer o diferente,vetada por olhares e palavras alienadas,usando a unica argumentação de que estudo e sacrifício é necessário ,vetada por desejar me encontrar em outras formas de conhecimento e não numa sala de aula onde conteúdos quase inúteis em sua vida profissional são passados até você ser avaliado em um cardume de questões
Não ser mais um,devia haver problema nisso ?
Quem me ver andando pelos corredores do colégio,nem prever que guardo essa revolta no peito,revolta contra um sistema que te faz chegar na faculdade,e ser orientado a esquecer tudo que lhe foi dado durante todo um preparatório de ensino médio.Chega ser engraçado chegar assim falando,como se pedisse uma resposta do mundo internauta,mas é que pra mim , é um desabafo , um grito de liberdade , porquê sim , eu não sou só mais um,e sim eu escolhi diferente,eu escolhi a minha forma de ser feliz. Até que me conformo,e vejo que continuo refém desse sistema…
R.D

Camilo e as polêmicas, II

“Isto é uma nação pequena de mais para monstros tamanhos em arrojos de instrução primária, palavra de honra! Êle, o pujante demolidor, com êste cortejo de discípulos dá a lembrar um pomposo baleote à flor da onda do mar alto com um cardume de carapaus que lhe vão na esteira ao lambisco das suas sobras de gorda pescaria. Que os vareje e sacuda com a cauda, e faça-lhes saber o grande crítico que tem em si uma luz clara e independente da opacidade dos outros planetazinhos subalternos.

Espantosamente se deu o caso de me saírem açulados uns frandliqueiros — a cainçada que esburga o osso do noticiário. Se eu não fôsse um homem tão alegre, tão reportado, tão transigente com as garotices dêste país de cocagne, com os seus soberanos literários de Yvetot, teria sossobrado a um sombrio desprêzo e a um grande nojo dêles e de mim por ter aquí nascido. Dizem-me que há aí uns sábios de reserva — os molossos de dentadura refilada, que hão de mais tarde explosir. Eu lhes envio daqui um suave pontapé ao depósito timpanítico das suas cóleras. Rebentem.”

Peroá de Marataízes volta com força total

Peroá de Marataízes volta com força total

As peixarias de Marataízes ficaram lotadas depois do surgimento de uma grande cardume de peroá no litoral capixaba, os empresários são obrigados a trabalhar até a noite para atender a demanda.

Um dos mais tradicionais empresários do ramo, Luiz Antônio da Silva de 48 anos conhecido por Buguinho trabalha com pescados há 35 anos desde que herdou a peixaria de seu pai. “Estou vendendo nesses últimos…

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Pelo vento, pelo rumo da brisa, era pouco provável que algo desse naquele dia. As campanhas na areia, a campanha da vez na Praia Grande do pequeno arraial, escorada na canoa, sentada abaixo da sombra da amendoeira, jogava conversa fora e escutava as histórias da turma da antiga, lembravam os grandes arrastos, que certamente mentiam pra baixo em relação ao que se pescava ali, faz uns anos. Mas pra ele o caminho era lida diária e a subida ao ponto do vigia era necessária. Não pra ver os cardumes, muito menos pra surpreender a todos com a fralda ao vento, colocando os camaradas na canoa e braços ao remo em dias que ninguém esperava nada. Não que não soubesse fazer isso, não que já não o tenha feito, cansou de fazer… a subida era necessária só pra ele, a subida era dele, só. Sentia falta da vista, sentia falta do sol, peixe era quase detalhe. A verdade era que ele precisava ir lá, certificar se o sol ia mesmo se por pra ele mais uma vez.
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Foto: @caroladom
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Foto selecionada por: @jr_mbarreto @_pachen
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Texto: @jr_mbarreto
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O espaço entre o escrito e o escritor é assustador. Talvez doa; talvez, até, faça calor. Há sangue, há estrelas, há pó e purpurina; há um mar de segredos - ou até uma piscina. Há fontes de esperança, de dados de pesquisas - fontes que matam a sede. E há e os peixes que nadam nela, contemplando a solidão; há cardumes, entretanto, numa rede.
O compasso e o descompasso são segredos desse espaço. As palavras, todavia, se atropelam em meio a passos. No guidom e no volante estão a vida e o além; no acelerador, entretanto, os sentimentos também vêm. A razão é como um freio, pra não andar na contra-mão - quem diria que escrever dava esse trabalhão?