capitulo iv

A los mayores les gustan las cifras. Cuando se les habla de un nuevo amigo, jamás preguntan sobre lo esencial del mismo. Nunca se les ocurre preguntar: “¿Qué tono tiene su voz? ¿Qué juegos prefiere? ¿Le gusta coleccionar mariposas?” Pero en cambio preguntan: “¿Qué edad tiene? ¿Cuántos hermanos? ¿Cuánto pesa? ¿Cuánto gana su padre?” Solamente con estos detalles creen conocerle.
—  El principito
Capitulo 21- Namorando parte IV-

- Não pense mal de mim, Vanessa – pediu – por favor.

- “Essa voz melosa de novo… ela… ela está me assustando”.

- Fale alguma coisa – pediu, abraçando o corpo da menor.

- “Eu não consigo falar nada… você está sendo tão doce e eu tão cretina. Eu queria que não sentisse nada por mim”.

- Van… desculpe se ficou irritada com isso. Mas no começo eu nem sabia quem era você – disse – fiz aquele acordo com Fabricia, pois como eu disse antes, a gente sempre dividiu as nossas parceiras.

- “E ela está se explicando… e se explicando, tão desesperadamente. Eu quase posso sentir seu coração chorar por causa do meu silêncio. Mas na verdade, eu não consigo falar nada contra essas palavras tão carregadas de paixão”.

- Pode descontar sua raiva em mim se quiser, eu não farei nada – disse, afundando sua cabeça na curva do pescoço de Van, beijando a região.

- “Descontar o que? Você está sendo tão amorosa… por quê eu reclamaria ?”.

Vanny… não fique brava… eu… eu acho que te… te amo – revelou, num sussurro extremamente baixo. Os braços de Clara fecharam-se com mais força no corpo da menor.

- “Ela disse… que… me ama ? Ama… me ama ? Amor ? Me ama! ?” – pensava, não conseguindo organizar seus pensamentos.

- Fala alguma coisa – pediu – fala!

- “Falar… falar… eu não sei o que falar…” – pensava – Clarinha… eu… não estou brava – disse baixinho, essa foi à única coisa que poderia falar – perdão – pediu em seguida.

- Perdão pelo o quê ? – indagou – você não tem que se desculpar, eu deveria ter aberto o jogo com você. Agora que estamos falando tão claramente, eu vou te contar que fiz o acordo sim, com Fabricia e com Mayra, mas isso foi no passado.

- Já entendi Clara. Eu não sou idiota, isso não é uma novela e eu não vou sair correndo achando que você mentiu para mim. Eu entendi – disse baixinho, desejando que o coração de Clara parasse de bater tão rápido – eu pedi perdão por ficar em silêncio enquanto você pedia que eu falasse.

- Você… Entende-me tão bem. Obrigada – disse, afastando-se de Vanessa por um momento para poder olhá-la, exibindo um sorriso sincero e carregado de ternura.

- “Mesmo que eu não precisasse mais da proteção de Clara… eu não conseguiria dizer a ela palavras frias, pois esse sorriso é tão sincero e caloroso, que me deixa desarmada. Será que eu to me apaixonando? Será?” – pensou, permitindo se envolver naquele momento tão caloroso.

As duas deitaram-se na cama e ficaram abraçadas sem dizer nada, apenas sentindo o calor e a respiração da outra, deixando o tempo passar sem nenhuma preocupação. No entanto, elas sabiam que tinham que arrumar suas coisas e mudarem para seus novos quartos. Elas se separaram e começaram a arrumar suas coisas. Vanessa era a mais organizada e terminou de arrumar suas coisas primeiro.

- Eu vou indo lá – a menor disse.

- Nos vemos depois – Clara disse, caminhando até Van, passando sua mão atrás da nuca da menor e a puxando para beijá-la nos lábios. Depois de beijar seus lábios, deu um beijo na sua bochecha e se afastou, voltando a mexer na mala.

A menor pegou suas duas malas de rodinhas e saiu do quarto, dando uma última olhada para Clara que estava concentrada em procurar seu inseparável isqueiro.

Com passos lentos e com cuidado para não bater na mala das outras garotas no corredor, a menor conseguiu ir até o início da escadaria. Ela colocou as mãos na cintura e ficou olhando para cima, pensando que era um grande problema não ter elevadores naquele colégio. A menor  encostou sua mala num canto e voltou para seu quarto, adentrando, encontrando Clara de quatro no chão, procurando alguma coisa embaixo da cama.

- Clarinha?

- Hum? – ergueu-se, olhando para Van.

- Me ajuda?

- Com o que?

- Carregar minhas malas para o segundo andar – disse.

Clara sorriu adorando aquele pedido, ela passou a mão por seus cabelos e caminhou até a menor, saindo do quarto indo até a escadaria onde estavam as malas da loira. Clara pegou a mais pesada e Vanessa a outra e elas começaram a subir.

- Hum… que bom ter alguém forte! – a menor comentou, rindo baixinho.

- Se aproveitando da minha nobreza! – disse, rindo também.

Quando chegaram ao corredor do segundo andar, Clara começou a carregar a mala até o quarto vinte, o futuro quarto da menor. Ela abriu a porta do quarto que estava vazio, ela adentrou e colocou a mala de Vanessa perto do armário que estava vazio.

Van caminhou até o banheiro, abrindo a porta e vendo que a suíte era igual a do seu antigo quarto, apenas as paredes eram pintadas de verde claro.

- Algum problema, Vanny? – Clara indagou do quarto.

- Nenhum – disse, saindo do banheiro – obrigada.

- Ah… de nada, eu vou indo. Qualquer coisa me ligue – disse, saindo do quarto, fechando a porta.

Com um longo suspiro, Vanessa começou a arrumar suas coisas no armário, e quando terminou; Ela sentou-se na sua cama e ficou lendo um romance que havia pegado na biblioteca por indicação da professora Melchar. A porta do quarto abriu lentamente, revelando uma garota, que com certeza deveria ser a aluna nova.

- Olá! – ela cumprimentou Van, com um sorriso no rosto – meu nome é Mirian.

- Mirian? – indagou, rindo baixinho em seguida, achando aquele nome engraçado.

- Sim – disse, rindo junto – e qual seu nome? Você está faz tempo no colégio? Você ficará nesse quarto, não é?

O livro de Van foi fechado, ela olhou para a garota que se sentou na sua cama, ficando-o a olhá-la com curiosidade com seu par de olhos violetas e brilhantes. Ela tinha cabelos negros e curtos, mais bem desenhados.

- Meu nome é Vanessa, eu estou apenas um mês nessa escola, sou tão novata quanto você. E sim, eu serei sua colega de quarto – respondeu.

- Nova? Que bom! Assim eu não me sinto tão estranha – disse – todas vieram correndo falar comigo, foi tão estranho.

- Ah… pois é, as garotas daqui são bem… como posso dizer… er… sociáveis! – disse, olhando com certa pena para a garota à frente.

- Você poderia me falar mais sobre o colégio ? – indagou.

- Sim, eu poderia.

- Mas antes eu vou ao banheiro, espera aí! – disse, indo até seu armário, pegando uma muda de roupa e adentrando no banheiro, ficando lá por alguns minutos, quando saiu, Mirian estava trocada, ela usava um short jeans e uma camiseta preta, ela estava descalça e pulou na sua cama, voltando a olhar para Vanessa.

- “Como é que eu vou contar como é esse colégio? Céus… eu vou assustar essa garota” – pensou, olhando para os olhos sedentos de informação de Mirian.

- Diga, diga, diga! – pediu, balançando seu corpo infantilmente para frente e para trás.

- Bom… esse colégio é terrível, se você não gostar do que eu vou falar, você deveria pedir transferência – disse.

- Ah, eu vou bem nos estudos, isso não vai ser problema – disse, não fazendo idéia ao que Vanessa estava se referindo.

- Não, as garotas são agressivas e…

- Eu faço judô! Qualquer coisa… jogo no chão! – disse, interrompendo Vanessa.

- Bom, isso não vai ajudar muito se…

- Eu sou forte apesar da aparência! – disse, levantando seu braço e exibindo seu pequeno bíceps com muito orgulho.

- Deixa-me falar! – a menor pediu, com certa impaciência. Mirian parecia uma criança e a estava deixando irritada.

- Sim, Any! Desculpe-me – pediu, voltando a balançar seu corpo para frente e para trás, como uma criança.

- Esse colégio não tem regras quanto ao tratamento de uma aluna com a outra. Então se uma garota quiser te bater, ela vai te bater e nada vai acontecer a ela, bom tem algumas punições em casos mais sérios, mas nada muito relevante – disse pausadamente, olhando para Mirian com atenção, procurando saber que entrou alguma informação naquela cabeça de vento.

- Hum… que coisa feia bater nos outros – comentou, balançando a cabeça negativamente.

- E não é só isso… a maioria das garotas aqui são lésbicas. Entende?

- E o que tem? Você não gosta? – indagou.

- Não, eu também sou – revelou.

- Ah, eu também sou – disse – como você é direta Vanessa! Eu nunca conheci garotas que falassem tão abertamente como você!

- Mas… mas aqui as garotas falam abertamente, não tem porquê esconder. E mais, elas estupram as garotas, entende? Violentam quando você resiste… elas pegam você, trancam numa sala… e fazem… o que quiserem – disse, com certa raiva na voz, lembrando-se de sua experiência naquele colégio.

Mirian pareceu levar as coisas mais a sério, ela parou de balançar seu corpo e deu mais atenção à expressão revoltada de Vanessa, vendo que não havia nenhuma mentira em suas palavras.

- Como assim ? E a direção da escola? Já fizeram algo com você? – indagava, mostrando certo desespero no olhar.

- Mas… Van… fizeram algo com você também ? Digo… você é uma aluna nova como eu!

- Sim, fizeram – disse, num sussurro, abaixando sua cabeça em seguida.

Mirian levantou-se de sua cama e sentou-se ao lado de Vanessa, passando sua mão por seu rosto, erguendo-a, olhando para os olhos assustados de Van com muita pena. Ela inclinou-se para frente e abraçou a menor com bastante sentimento, dizendo que sentia muito em seu ouvido.

Nesse instante, a porta do quarto abriu, chamando a atenção das duas garotas para a visitante mal educada e inesperada que nem sequer fez questão de bater na porta. Era ninguém menos que Clara, que olhava a cena a sua frente com ódio.

- Já está se relacionando com a aluna nova? – Clara indagou, olhando para Mirian que se afastou de Vanessa e começou a encará-la.

- Não é isso que está pensando, sua sem educação; bata na porta antes – Van disse – eu estava comentando sobre as condutas das alunas nesse colégio.

- Hum! E essa pirralha ficou com medo e te abraçou? – indagou, adentrando no quarto e fechando a porta num estrondo.

- Não foi isso! – Mirian disse, elevando seu tom de voz – ela me contou algo muito ruim que aconteceu com ela. Não pense besteira! E bata da próxima vez que entrar no quarto.

Vanessa bateu sua mão contra seu rosto, pensando em como Mirian podia ser tão boba a ponto de querer enfrentar Clara no seu primeiro dia naquele colégio.

- Que pirralha inconveniente – Clara resmungou.

- Que velhota sem modos – Mirian retrucou.

- Chega vocês duas! – Vanessa gritou, levantando-se e ficando no meio daquelas duas garotas, evitando que uma futura briga ocorresse, ou melhor, que Clara espancasse aquela garota.

- Clara, essa é Mirian, e Mirian essa é Clara – disse, apresentando uma para a outra – e a Clara é assim mesma, e ela não vai bater na porta mesmo que a gente peça educadamente.

- Ah, mas que garota mais xereta. E se a gente quiser privacidade? – Mirian resmungou, não gostando daquela situação.

- Privacidade é uma coisa que você não terá aqui – Vanessa disse – lembra do que eu falei ? Ninguém respeita as outras aqui.

- Privacidade com ela? tá afim de morrer garota ? Encosta um dedo na minha loira pra ver se te mostro o que é privacidade - Clara indagou num tom alto.

- Ahhhh!! A primeira garota que se meter a besta comigo eu vou… jogar ela pela janela – gritou, franzindo o cenho e começando a gesticular seus braços como se estivesse enforcando alguém na sua frente.

Vanessa achou sua colega de quarto maluca, quanto a Clara, ela olhava para Mirian com raiva. Ela caminhou na direção da aluna nova a fim de lhe dar uma bela surra, mas Van postou-se na sua frente, segurando seus ombros, tentando empurrá-la para trás.

- Ah, vai querer me bater? – Mirian indagou, começando a caminhar na direção de Clara.

- “Eu não vou agüentar segurar essas duas…” – pensou, sentindo Mirian a puxar para trás e Clara tentar tirá-la de sua frente.

Num puxão mais agressivo, Mirian conseguiu puxar Vanessa para trás, deixando a loira rodar e cair no chão, batendo a cabeça na beirada da cama. Van gemeu alto e levou sua mão até a cabeça, sentindo a dor daquele baque. Mirian e Clara pararam e correram até o corpo de Van, que começava a se ajoelhar no piso frio, gemendo e falando alguns palavrões. Vanessa sentou-se na cama e sentiu a mão de Clara na sua testa, tocando com atenção.

- Você sempre bate essa cabeça dura – Clara comentou.

- Isso porque você está querendo dar uma de durona contra essa coitada. Pare com isso Clarinhaa, deixe-a em paz – pediu.

- Coitada? Eu não sou coitada, Van – Mirian disse, sentando-se ao lado da menor e tocando na sua testa também – desculpe Vanzinha.

- Tudo bem, Mirian, eu acho melhor você ficar quietinha na sua cama. E você Dulce. O que você queria aqui?

- ah novatinha filha da puta, tira a mão dela - disse Clara tirando a mão de Mirian da testa de Vanessa - Depois eu falo Van – disse – agora tenho outro assunto.

Clara deixou a menor de canto e voltou sua atenção para Mirian, puxando a garota pelo braço e a jogando num empurrão para o outro lado do quarto, fazendo Mirian bater seu corpo contra a porta de madeira. Vanessa levantou correndo e abraçou Clara por trás, tentando acalmá-la, ela começou a dar alguns beijos rápidos em suas costas.

- Hum… isso é bom, Van. Mas eu não quero agora, só depois que eu colocar essa pirralha no lugar – disse, olhando para trás.

A karateca virou-se e tirou os braços de Vanessa em volta de sua cintura, pegando a menor e a jogando na cama com cuidado para que Van não batesse a cabeça em qualquer outra parte. Ela voltou sua atenção para Mirian, que abriu a porta do quarto e saiu no corredor.

- Vai fugir pirralha? – Clara indagou.

- Não. Só não quero quebrar o quarto com o seu corpo – disse.

Clara saiu no corredor e fechou a porta do quarto, trancando-o com a chave que pegou na fechadura, assim não teria interrupções de Vanessa novamente. A porta do quarto começou a balançar com os tapas e chutes da menor, Clara podia ouvir seus palavrões, mas não ia soltá-la. Algumas garotas pararam com o que faziam para observar a cena. A aluna nova estava xingando Clara que estava com uma cara péssima. Aquela situação era inédita, nunca nenhuma aluna novata havia xingado a loira daquela forma.