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RETRATOS DE AFETO > VALDIR CRUZ

Retratos de Afeto (Terra Virgem, 2017) , do fotógrafo paranaense Valdir Cruz, que será lançado com exposição no Conjunto Nacional, em São Paulo, no próximo dia 16 de maio, às 19 hs ( na Av. Paulista , saída para a rua Augusta), traz 82 imagens e 25 histórias de pessoas em tratamento pelo Hospital de Câncer de Barretos , HCB, no interior de São Paulo. A publicação em um conjunto duplo de capa dura, onde um lado contém retratos de pacientes e os seus relatos  e do outro um histórico do Hospital e retratos de médicos.

Valdir Cruz tem em sua bagagem livros memoráveis como Faces of the rainforest- The Yanomami, (Aperture, 2002), também editado no Brasil pela Cosac e Naify em 2004, O caminho das Águas (Cosac Naify, 2007) e Bonito- Confins do Novo Mundo ( Capivara, 2010) entre outros. Divide seu tempo entre a capital paulista e Nova Yorque onde se instalou há mais de 30 anos. O livro, essencialmente documental, traz também uma busca mais ontológica sua pela representação da saúde. É uma construção, segundo ele, com pessoas e não com personagens.

O fotógrafo conta que, por ser um projeto polêmico, foi “vagarosamente se aproximando de um universo complexo e fora dos padrões estabelecidos.” De fato o livro mostra retratos impactantes como das irmãs Joice e Josilene de Santana, que sofrem de xeroderma pigmentoso, retratadas em Barretos ou de Anida Riston Braun, de 62 anos, fotografada em Porto Velho, Rondônia, vítima de um câncer de pele que desfigurou parte de seu rosto. Cruz, também esteve em outras cidades onde o hospital tem base, como em Pilão Arcado e Juazeiro na Bahia.

Em seu prefácio, o pesquisador e professor paulista Rubens Fernandes Junior, alerta que “em uma época em que tudo é apresentado pela mídia a partir do conceito de perfeição e beleza, choca entrar em contato com imagens que permitem que a diferença e a coragem se mostrem com outra sensibilidade. Ele tem razão quando nos encontramos diante de imagens que primam por uma apresentação contrária ao mainstream e avançam no sentido mais humano do que a mera representação estética a que somos fustigados diariamente.


O grande desafio foi ter contato com outra realidade "buscar dar uma consistência conceitual as imagens” Ainda, ele sentiu a necessidade de “dar voz as imagens” ouvindo os relatos e transformando-os em histórias verdadeiras “que tratam a questão humana de modo tão simples que se tornaram profundamente filosóficas.

Cada retrato é acompanhado de um pequeno texto contextualizando o paciente, a descoberta da doença e o tratamento, transcrito de maneira direta, mas com muita sensibilidade  a partir de entrevistas feitas por ele e sua assistente Sabrina Pestana. O conceito e produção é do fotógrafo e tratamento de imagens foi do americano Robert Hennessey, que já trabalhou com grandes autores e seu parceiro de longa data.

Apesar de livros significativos onde a paisagem ganha relevância- principalmente por serem acompanhadas de impressões fine art produzidas em parceria com Hennessey- como em Caminhos das Águas, Bonito ou Raízes- Árvores na paisagem do estado de São Paulo (Imprensa Oficial, 2010) o fotógrafo já mostrou retratos contundentes em seu Faces of the Rain Forrest e no último Guarapuava (Terra Virgem, 2014), sua terra natal, repleto de imagens que  mesclam o humano com a paisagem paranaense, fazendo a ponte para este livro.

A ideia de produzir um livro específico relatando o trabalho de uma instituição não diminue aqui a sua carga autoral. Ela se mantém intacta como nas publicações anteriores, o que nos faz lembrar da genial fotógrafa americana Mary Ellen Mark (1940-2015). Uma de suas particularidades era a opção por ensaios cujo o envolvimento humano fosse constante, e nisso não havia diferença entre seus trabalhos mais conhecidos e estar trabalhando em um hospital na Finlândia, como no livro “Child” (2011-2012)  feito para o laboratório Novartis- e que ela acreditava ser um dos seus ensaios mais livres.

Temática difícil de trabalhar em fotografia, onde uma linha fina separa o contundente e humano do sensacionalista e dramático, Valdir Cruz soube equilibrar seus conceitos mostrando que a luta destas pessoas se reveste mais de altivez e esperança do que tristeza e desespero, como encontramos nas poses poderosas de  Maria Alice de Oliveira e Maria Madalena Rodrigues, de Juazeiro, que tiveram câncer de mama. Retratos definitivamente de afeto, que se completam com os dos médicos que ilustram o livro complementar.

Fotos © Valdir Cruz  Texto © Juan Esteves

Além dos 3000 exemplares impressos pela Gráfica Ipsis,  que serão distribuídos gratuitamente no lançamento do dia 16 para quem enviar um e-mail para valdir@retratosdeafeto.com confirmando a presença com nome e cpf completos, o autor também imprimiu 50 exemplares para uma edição limitada que vem com um estojo acompanhado de um cópia em platina-paládio de 18X18 cm aproximadamente (a imagem Afeto ), numerada e assinada pelo autor. ( para saber das condições de aquisição destas obras, contate o autor)