canseidesersardinha

Ontem eu resolvi dar uma chance para o transporte público de São Paulo.

Na verde foi uma opção -que já estou tendo ultimamente- de depender menos do carro e andar um pouco mais (faz bem para a saúde).

Como tinha um almoço no Berrini e 2 reuniões próximas, resolvi fazer tudo de metrô/trem/caminhando. De carro eu teria levado um bom tempo para chegar nos diferentes lugares (mesmo que próximos) e iria gastar cerca de R$50,00 em estacionamentos.

Tudo foi dando certo, até começar a chuva.

Quando decidi voltar para casa, fiquei cerca de mais de 1h esperando chegar um trem com espaço para entrar (na verdade a média era de 1 trem a cada 20 minutos). E o mais impressionante é que chegava um trem -já lotado- e mesmo assim alguns rapazes ainda conseguiam entrar. As portas acabavam batendo em mochilas, bolsas ou até nas costas de quem não cabia no trem e ficava bloqueando o fechamento delas. Mas em momentos como esse, o povo se ajuda. As pessoas que estavam fora do trem ajudavam a fechar as portas com as mãos e empurravam as costas de quem estava quase caindo do trem na porta. “Pronto… foi mais um trem com milhares de pessoas parecendo sardinha enlatada.”

Depois de 1h surgiu um trem com um pouco de espaço. Na verdade foi um pequeno engano, porque com cerca de 5 pessoas que entraram o trem já estava lotado. Porém, eu tinha um compromisso superimportante e não poderia esperar o próximo -que sabe-se lá quando chegaria- então fiz uma coisa que sempre achei icônica/assustadora, eu fui esse cara que as pessoas empurram para fechar as portas.

Fiquei completamente colado na porta do trem ao lado de Juliana, Fabrício, Ricardo, Graziele, Fernanda e Helton (se não me engano), sei os nomes porque estive tão próximo físicamente que fiquei constrangido de ter assediado - involuntariamente - todos eles e nem ao menos saber o nome de cada um. rs

Passavam-se estações e eu rezava para não ter pessoas como as que vi antes quando esperava o trem… Que chegavam pulando e empurrando quem já estava na porta como eu (às vezes de forma agressiva).

Mas graças a Deus as próximas estações foram tranquilas e só entrou mais uma pessoa para a família do trem da pesada. Como uma pessoa saiu, ficou “elas por elas”. E assim fomos todos até a baldeação com o metrô da linha amarela. Na linha amarela foi mais tranquilo, nada tão lotado quanto o trem e contamos até com ar condicionado.

O engraçado é o que ouvi durante essa jornada:

Um amigo disse ao outro: “Mano, o dia que eu tiver um carro nunca mais vou passar por isso na minha vida. Toda vez a mesma história.”. Um outro senhor disse para o pessoal do seu trabalho: “Maldito dia que resolvi deixar meu carro no estacionamento do metrô. Eu podia estar no carro com o ar condicionado, sozinho, vendo até um DVD.”

Mas sabe o que é mais interessante? 

Eu poderia ser esse cara dentro de um carro, sozinho, ouvindo minha música preferida, com ar condicionado ligado, etc. Mas confesso que eu estaria bem mais estressado com o trânsito, com a chuva, com os motoristas e motoboys imprudentes, etc., do que com tudo que passei para pegar um trem.

Na verdade parece loucura mas não foi nada estressante, pelo contrário, foi divertido e diria até antropológico. Foi muito bacana ver como a população se ajuda em momentos de calamidade, às vezes empurrando as costas de quem não está conseguindo permanecer dentro do trem, outras vezes cantando ou contando coisas engraçadas para alegrar quem está revoltado com a situação. E, acredite ou não, o clima de alegria reinava dentro desses vagões.

Um tema bom para se debater seria a obrigatoriedade a higienização no interior dos ônibus. Geralmente se vê apenas um ou outro motorista que passa uma vassoura no fim da noite. Já que querem que paguemos o absurdo de R$ 3,00 (SP), precisamos cobrar a altura de nossos gastos.
Em muitos lugares pessoas pegam ônibus com baratas, pó, terra, lixeira quebradas, sujas ou mal cheiro. Corrimão ensebados, bancos rasgados ou com grampos estragados, pichações, janelas emperradas pela sujeira. Se fossemos falar nos dias de chuva… ai… ai…ai… Lei para punir pichadores ou vândalos existem, mas para cobrar a obrigatoriedade das empresas manterem limpos está aonde? Se existe, por que não cumprem? Pagamos caro para andar em péssimas condições.