campagnani3

Príncipe encantado é o caralho, eu quero é o lobo mau. Quero um homem que fale menos e aja mais. Que não bata na minha porta mas que pule a janela do meu quarto na calada da noite me surpreendendo com uma boa noite de sexo. Que me tire pra dançar no meio de uma avenida movimentada, que me mate de vergonha subindo na mesa de um bar só pra gritar que me ama mais que qualquer coisa no mundo. Não tô nem aí pra flores ou cartões. Quero mesmo é atitude - beijos de tirar o fôlego, sms à qualquer horário sem medo de me acordar, deixar meu pai boquiaberto com um pedido de gostaria-que-me-desse-a-mão-da-tua-filha em pleno dezoito anos de idade, sem ao menos ter a intenção de se casar comigo tão cedo. Quero surpresas de verdade, sem o mínimo de tradição envolvida. Não tô nem aí pro cavalo branco, pro beijo encantado ou pro cabelo-loiro-divino-sedutor. Só quero alguém que não ligue pro constrangimento no elevador ou pro barulho nas escadas - quero mais é que faça barulho mesmo. E que grite, que sussurre, que me mate de amor. Que me interrompa no meio da conversa só pra dizer o quanto fico sexy pronunciando aquela determinada palavra, que me beije no meio de uma briga, que vá atrás de mim quando eu quiser ir embora me puxando pelos cabelos se for preciso. Quero um homem que me surpreenda, que me enlouqueça. Um homem que me faça sentir medo e coragem ao mesmo tempo, quero um homem que me faça arder em fogo. Já estou completamente exausta desses moleques clichês que fazem uma declaraçãozinha melosa e acham que já me têm nas mãos. Ah, esses ‘príncipes encantados’ não me interessam nem um pouco - eu quero mesmo é um lobo mau que me enxergue melhor, que me ouça melhor e que me coma.  (impossibilitar & cafe-impuro)

Passei um bom tempo deixando aquelas roupas velhas na gaveta. Alguma coisa dentro de mim dizia ‘joga fora, não servem mais’ mas eu simplesmente não conseguia fazê-lo. Enquanto essa voz sussurrava pra eu me livrar, outra gritava pra que eu não deixasse pra trás. Pode servir um dia de novo, quem sabe? Posso dar uma emagrecida e aquela velha calça jeans pode voltar a se encaixar perfeitamente no meu corpo. Aquela blusa que eu tanto amava pode voltar a ser a tendência da moda outra vez. Aquela saia surrada pode ser concertada. Aquele moletom… hmmm já usei tantas vezes! Tudo bem que no calor ele não me serve, me abandona. Mas no frio… pode me fazer bem de novo. Era bom sentir o cheirinho de cada peça enquanto as lembranças tomavam conta da minha cabeça. Queria tanto poder usar de novo. Mas foi aí que eu reparei: tantas peças velhas estavam ocupando demais a gaveta. Roupas novas que poderiam combinar comigo estavam deixando de entrar ali dentro porque eu simplesmente não permitia. Roupas que não seriam como as outras, que se rasgaram, sujaram, me deixando na mão. E pra que tudo isso? Se todas essas roupas velhas nunca vão poder ser usadas de novo? É, está na hora de me livrar de toda essa velharia. Preciso de roupas novas, roupas que permaneçam um bom tempo comigo e que não sirvam pra ser usadas só em uma estação.
Estava voltando pra casa no ônibus, escutando aquelas músicas românticas da minha playlist e nossas conversas passavam como um filme na minha cabeça. A bateria do celular acabou e comecei a lembrar de tudo o que aconteceu no meu dia. Poucas coisas interessantes, claro. Mas me deu uma vontade enorme de chegar em casa logo só pra te chamar no bate papo e te contar todas aquelas coisas chatas que me aconteceram. Assim que cheguei, corri pra frente do computador e entrei no facebook. Procurei você no bate papo e… offline. Merda, merda, queria tanto falar com você! Porque não está online? O que será que está fazendo? Ah meu Deus, eu precisava me controlar. Fucei em todas as minhas redes sociais, conferi recados, notificações, mas á cada minuto eu conferia se você não estava online. Quando menos esperava puff, sua janelinha sobe no meu facebook com o seu típico ‘oi minha linda’. Porque diabos você tinha que colocar esse 'minha’ na frase? Só pra me fazer me sentir mais sua ainda? Golpe baixo garoto, golpe muito baixo. Conversa vai conversa vem percebi que concordávamos em tudo como sempre. Tínhamos as mesmas idéias, e á cada ponto em que concordávamos algo dentro de mim gritava 'é ele é ele’, me perguntava se você não pensava a mesma coisa. Mas se não pensasse seria um completo imbecil, está mais do que na cara de que fomos feitos um pro outro. Está mais do que na cara que já não conseguimos mais ficar sem conversar. Está mais do que na cara que você me quer assim como eu te quero. Isso não é nada bom, eu sei. Estou com um baita frio na barriga, tentando deixar o pessimismo de lado e torcendo pra que seja lá o que for que está havendo entre nós dê certo. Peça também meu amor, peça pro universo conspirar á favor de nós dois. Eu quero muito que dê certo, eu quero muito que aconteça. Espero principalmente que você não seja apenas mais uma de minhas ilusões. Quero que venha até mim e faça isso tudo se tornar realidade, a nossa realidade.
Mesmo querendo, mesmo tentando, eu simplesmente não consigo me afastar. Você vai continuar sendo um moleque idiota e sem atitude que não sabe o que quer e mesmo assim eu não vou conseguir te ignorar. Vai continuar me magoando, frustrando minhas expectativas e logo em seguida vai me fazer esquecer tudo o que você fez só com aquele seu sorrisinho safado. Você vai me irritar pra caramba mas vai conseguir um beijo meu ao me fitar com seus olhos tristes e profundos, que me fazem ter uma vontade enorme de cuidar de você e não te largar nunca mais. Vai continuar sendo sem juízo, um vagabundo, mentiroso, otário, canalha e imbecil. Eu vou fugir de você e você vai me deixar ir. Não porque não se importa, mas porque é um idiota sem atitude que fica esperando que eu corra atrás de você. Eu vou conseguir te esquecer após duas, três semanas te ignorando. Mas aí, no dia em que eu conseguir me libertar de você o destino vai fazer questão de te enfiar naquele bar em que eu raramente vou só pra você me abraçar e eu derreter no seu colo. Eu vou tentar me convencer de que você não beija tão bem assim mas não vou parar de me saciar com teus lábios carnudos tão cedo. Vou dizer pra mim mesma que não vale a pena te ver afinal, nem bom papo você tem. Mas aí você vai me mostrar que nem precisa de conversa pra me fazer bem, sua presença me acalma. Vou sair, conhecer outros caras só pra convencer meu coração de que você não passa de um moleque descartável. Mas vou me odiar no final da noite ao perceber que, mesmo conhecendo inúmeros homens interessantes nenhum deles consegue me fascinar como você. Eu vou me segurar pra não falar com você, mas a vontade de conversar contigo vai conseguir vencer o meu lado orgulhoso. Eu vou tentar focar em todas as inúmeras idiotices que você já fez pra ver se assim te tiro da cabeça, mas aí eu vou lembrar daquelas coisas fofinhas que você me diz de vez em nunca e vou suspirar de amores por você novamente. Já chega né? Cansei de lutar. Não importa o que eu faça, eu não consigo me libertar desse maldito sentimento, não consigo me libertar de você. O que é que você tem garoto? O que é que você tem que sempre me faz voltar pra você?
Já era a oitava semana. A oitava semana em que meus dias monótonos estavam sendo irradiados pela luz daquela garota. Desde a primeira vez em que a vi subindo no ônibus senti algo diferente. Ela era linda, como era linda. Tinha os cabelos longos e lisos, era branquinha e tinha as bochechas avermelhadas pelo sol que pareciam implorar pra serem mordidas. Tinha um olhar que parecia pedir socorro, um sorriso que contagiava á qualquer um, e um andar que parecia de bailarina. Era inevitável não olhá-la. Ela entrava no ônibus seis paradas após eu ter entrado. Como o ônibus rodava toda a cidade, eu podia ficar por volta de 20 minutos a admirando, até o momento em que eu tinha que descer. Sempre estava com seus fones de ouvido, e não conseguia segurar o poder que a música tinha sobre ela, ela batia as mãos nas pernas, de acordo com a melodia de cada canção. Passava o trajeto todo olhando pela janela, sentindo o vento passar entre seus cabelos, e observando cuidadosamente tudo o que acontecia no caminho. Parecia gostar de crianças. Sempre que alguma entrava no ônibus ela observava cada detalhe, e ria feito uma boba. E eu não sei porque diabos mas toda vez que isso acontecia eu me imaginava tendo filhos com ela. Na primeira vez que ouvi sua voz quase pirei de tanto êxtase. Ela tinha uma voz calma, meiga, e falava carinhosamente com seus pais no telefone. Desde a quarta semana, vendo ela de segunda á sexta eu resolvi tentar falar com ela. Um dia eu até consegui sentar no banco ao seu lado, mas era tanta coisa que eu queria dizer á ela que tantas palavras, declarações e definições formaram um nó na minha garganta. Mas eu tinha que dizer pra ela. Tinha que dizer o quanto eu desejava beijar seus lábios avermelhados, o quanto eu queria que ela sentasse ao meu lado encostando-se no meu ombro. O quanto eu queria dizer que ela não sai da minha cabeça desde a primeira vez que eu a vi. Já era a oitava semana, e eu havia jurado á mim mesmo que não sairia dali até dizer pelo menos um oi. Era tanto nervosismo, tanta coisa passando pela minha cabeça que quando me dei conta eu já havia passado do meu ponto de descida. Ela estava se levantando do seu banco, havia tocado o sinal e estava prestes a descer. Eu não podia deixar, não podia ser tão idiota. Ela já havia descido, as portas estavam quase se fechando mas em um impulso eu me joguei pra fora do ônibus, literalmente. Eu precisava falar com ela, e tinha que ser hoje. Me desequilibrei e quase cai. Quando me recompus me dei conta de que ela estava me fitando, com um ar de preocupação no rosto.
— Tudo bem com você?
— Tu-tudo.
— Você mora aqui? - sorriu.
Com um sorriso daqueles, eu só conseguia dizer sim, seja lá o que ela tivesse perguntado ou pedido. Com um sorriso daqueles eu iria até no inferno se fosse preciso.
— Sim.
— Sério? Mas é que você sempre desce antes de mim, então eu pensei que…
Ela havia reparado em mim também. Era tão bom ouvir isso, que se eu pudesse a pegaria nos braços e a roubaria só pra mim naquele momento.
— Ah, quer dizer, não, não moro.
— Tem parentes aqui então? Amigos?
— Na verdade eu não sei porque desci aqui.
Na verdade eu sabia, era por causa dela, por causa daquele sorriso. Porque você não podia dizer isso pra ela babaca?
— Ah, entendi. - ela deu um sorriso tímido. Estava na cara que ela havia sacado. Ela era observadora demais, com certeza já havia percebido antes o quanto eu a olhava. E agora, com uma cena dessas ela deve ter certeza de que eu sou um completo imbecil que não consegue nem mesmo conversar com uma garota.
— Você…. mora aqui, certo?
— Moro.
— Ah sim, eu nunca tinha reparado. Quer dizer, na verdade já reparei, já reparei muito.
— O quê? - ela disse rindo, sem entender bulhufas do que eu disse.
— Me desculpa, eu não sou bom com essas coisas. Ainda mais com você…
— Comigo?
— É. Você é tão linda, meiga e…. eu não consigo parar de pensar em você desde a primeira vez que eu te vi. E eu sei que isso é ridículo, sei que você deve estar assustada porque um idiota do ônibus que você pega de segunda a sexta está apaixonado por você sem nunca terem trocado uma palavra. E aí você vai trocar de ônibus porque vai pensar que sou um maníaco que quer te matar. E eu nunca mais vou te ver e….
— Cara….
— Oi? - disse, parando de olhar pra cima e olhando dessa vez nos olhos dela. Estávamos perto demais, muito perto.
— Você fala demais, sabia?
Ela deu um sorriso tímido e me beijou. É, a garota dos meus sonhos me beijou. Como eu poderia definir aquela sensação? Não teria maneira nenhuma. A única coisa que eu tinha certeza era que, mesmo durante tantos anos tentando me encontrar, com ela do meu lado eu só queria me perder. Me perder naquele sorriso, naquele olhar, me perder naqueles lábios….
— Me desculpa, você deve estar pensando que eu sou uma atirada né? - ela disse se afastando, parecendo se sentir arrependida.
— Não, não! - disse a puxando pra perto de mim - Claro que não. Você não é assim. - sorri.
— E não sou mesmo. Mas é que… eu não aguentava mais esperar você tomar uma atitude, desculpa.
— Eu sou um banana mesmo, me desculpa? É que eu estava pensando que uma garota como você nunca olharia pra um cara como eu.
— O quê? Está brincando! Eu te observo desde sempre. Ficava esperando todos os dias que você viesse falar comigo. Aquele dia que sentamos juntos, eu pensei que você tivesse sentado ao meu lado pra que pudéssemos conversar, mas como não disse uma palavra eu pensei que estivesse me iludindo, que fosse coisa da minha cabeça e que você nunca nem reparou em mim.
— Aquele dia o que eu mais queria era falar com você. Mas eu não consegui…. sou um babaca mesmo.
— Pára de se xingar assim! - ela disse tocando meu rosto e me fazendo olhar pra ela - Estamos aqui agora e isso que importa, certo?
Sorri e a beijei de novo.
Nesse dia, a levei até a porta da sua casa e ficamos mais um tempo trocando carinhos.
No dia seguinte, quase morri de tanta ansiedade.
Guardei um lugar pra ela ao meu lado no ônibus, e assim que ela entrou estampou aquele lindo sorriso em sua face.
Trocamos carinhos durante todo o trajeto, perguntei a ela seu nome mas ela não quis me responder, disse que isso evitaria muito sofrimento. Não entendi absolutamente nada, mas quando desci do ônibus com ela, ela me explicou: iria se mudar pra Austrália daqui a dois dias. Eu senti tristeza, decepção, ódio… tudo de ruim que você possa imaginar ao mesmo tempo. Eu queria quebrar tudo, queria acabar com o passaporte dela e impedir que ela fosse. Mas eu não podia. Sua mãe estava doente e ela tinha que ir até lá pra cuidar dela. Eu juro, queria chorar naquele instante. Mas ela não deixou, ela me beijou como se fosse o último beijo de nossas vidas e me acalmou. Fiquei a noite toda com ela e em seguida, fui embora. Depois disso, aproveitamos até o último segundo juntos. A levei até mesmo no aeroporto, ela se despediu de mim com um abraço e sussurrou no meu ouvido:
— Fico feliz que tenha se jogado do ônibus por mim.
Uma lágrima caiu em seu rosto e eu a vi indo embora pra sempre.
As primeiras semanas sem ela foram muito difíceis. Porque tinha que ser assim? Porque ela tinha que ir embora? Essas e inúmeras outras perguntas dilaceravam meu coração. Mas após algum tempo, eu finalmente entendi. Ela ir embora seria inevitável. Mas dependia de mim fazer acontecer antes que ela se fosse. Dependia de mim dizer tudo o que eu sentia enquanto tive tempo. Foram quatro dias ao lado dela, quatro dias inesquecíveis, quatro dias que marcaram a minha vida. E hoje em dia eu me agradeço todos os dias por ter me jogado do ônibus por ela. Já se passaram dois anos, mas até hoje eu me lembro da garota do ônibus. A garota que me fez entender que não devemos ter medo de dizer aquilo que sentimos e que o pra sempre não se torna necessário quando você eterniza cada momento ao lado de quem se ama.
—   A garota do ônibus - Glenda Campagnani (via impossibilitar)
Eu sei que você acorda lembrando da imagem do meu sorriso e que dorme implorando pelo meu abraço. Sei que pensa em mim na maior parte do dia, sei que você morre de vontade dos meus beijos e que sua boca não se satisfaz com lábios que não sejam os meus. Eu sei que quando acontece algo inusitado você logo pensa em como gostaria de contar isso pra mim. Sei que quando alguma garota se aproxima, você pensa porque nenhuma delas consegue te fascinar como eu te fascino. Sei que você escuta aquela música só porque eu te disse uma vez que ela era linda. Sei que quando digo que vou dormir você pensa em como seria bom ir comigo só pra eu usar teu peito de travesseiro. Sei que me imagina acordando ao seu lado, vestida com sua camisa favorita. Sei que você deseja desfrutar do meu corpo aliás, muito mais do que isso. Você gostaria de me fazer sua. Sei que nas suas crises de carência é do meu colo que você precisa. E que pra você sou perfeita pra ser sua ouvinte, conselheira, confidente. Sei que morre de ciumes desses caras que dão em cima de mim mesmo sabendo que não me interesso por nenhum desses idiotas. É só seu lado machista e mesquinho falando baixinho ela-é-minha-e-ninguem-tasca. Sei que você vê minhas fotos só pra matar a saudade e que fuça nas minhas redes sociais pelo menos duas vezes no dia. Sei que quando me abraça você gostaria de não me soltar nunca mais, que você se arrepia quando eu te beijo, que você ama meu corpo colado no teu. Eu sei de tudo isso meu amor, tal paixão que sinto por você me fez observar cada detalhe. Tenho certeza absoluta de que você sente o mesmo por mim, só espero que assim como eu você também perceba logo. Meu sentimento tem pressa. Pressa de você, pressa de nós dois.
Uma explosão de sentimentos. Era como se todo o mundo tivesse parado só pra que pudéssemos contemplar aquele momento. Teu gosto tomou conta dos meus lábios e o calor do teu corpo me fazia ter sede de mais. Mesmo que não houvesse um milímetro de distância entre nós dois eu queria ficar mais perto, sentir cada vez mais você. Meus dedos encravados em teus cabelos, suas mãos dançando pelas minhas costas, meus lábios encaixados nos teus… Era tudo uma combinação mais que perfeita que me levava á puro êxtase. Nossas respirações ofegantes, corações acelerados e nossos corpos ardendo em fogo. Então nos afastamos mal podendo respirar, você estampou aquele lindo sorriso em sua face e me envolveu em teus braços fechando aquele momento com chave de ouro. E assim, com meu coração colado em teu coração minha alma sussurrou baixinho que eu precisaria sentir esse gosto durante todos os dias da minha vida pra poder ser feliz.
—  Quando te beijei pela primeira vez - Glenda Campagnani (via impossibilitar)

Versão Dela: Todos diziam que ele era um perdido, a fama dele não era nada boa. Mas não pude deixar de me encantar desde a primeira conversa. Quando nossos risos entraram em sintonia eu vi algo diferente, senti algo diferente. Ele não era um perdido, ele só precisava se encontrar. E eu senti uma vontade incontrolável de ajudá-lo a conseguir isso. Nos aproximamos, conversávamos todos os dias. Não demorou muito pra que nos apaixonássemos. Ele se tornou melhor. Dei uma forcinha, confesso. Ajudei ele a se livrar das drogas, aquela coisa maldita que queria de toda forma levar ele pro fundo do poço. Ele voltou a estudar, a trabalhar, até mesmo seu semblante mudou. Nos tornamos um só e foi tudo perfeito enquanto durou. Horas pareciam segundos ao lado dele. Apesar de ainda saber que ele tinha muito o que caminhar pra ser a pessoa que ele gostaria de ser eu continuava ali, ao lado dele. Eu me desgastava, confesso. Eu sofria por conta das coisas que ele passava, eu chorava, me preocupava. Mas tudo valia a pena quando eu via o sorriso de perto. Tudo valia a pena quando eu o abraçava e sentia seu coração batendo em sintonia com o meu, tudo valia a pena quando ele me beijava e quando fundíamos nossas almas. Mas aí, um dia durante uma de nossas conversas ele mudou totalmente. Estava oco, vazio. Parecia ter perdido a fé em nós dois, tinha perdido a fé nele mesmo. Eu tentei segurar as pontas, tentei fazer com que ele ficasse mas não foi o suficiente. Ele foi embora, levando uma parte de mim junto com ele. Eu sofri por um bom tempo. Não via graça em mais nada, me afastei dos meus amigos, não sorria como sorria com ele. Nada fazia sentido sem ele ali do meu lado, eu simplesmente precisava dele comigo pra seguir em frente. Mas eu não poderia esperar, ele não voltaria. Reuni forças não sei de onde e recomecei minha vida. Conheci um garoto da escola, ele era bem legal e me deixava alegre. Logo me pediu em namoro. Minhas amigas diziam que eu deveria aceitar, que ele faria bem pra mim ao contrário do meu antigo amor. Mas alguma coisa dizia que eu deveria tentar voltar com ele antes de qualquer coisa, alguma coisa dentro de mim dizia que ainda havia chances pra nós dois. Liguei pra ele, perguntei o que ele achava esperando que ele viesse correndo até mim pra me fazer mudar de idéia, pra me fazer ter certeza de que eu sou só dele, e de mais ninguém. Meu coração estava quase saindo pela boca de tanta esperança, mas praticamente parou quando ele disse que eu tinha que aceitar. Desliguei o telefone fraca, e eu não tinha outras alternativas á não ser tentar ser feliz com outra pessoa. Eu não poderia continuar ali, esperando por ele sendo que ele não voltaria. Aceitei o pedido de namoro e estamos juntos até hoje. Não posso dizer que sou apaixonada, mas ele me faz bem, ele me ajudou a me recuperar. Me afastei do meu antigo amor, se eu continuasse mantendo o contato eu fraquejaria. Mas não posso dizer que o exclui da minha vida. Ele ainda está aqui comigo, dentro da minha alma. Sempre procuro saber noticias, e as noticias nunca são muito boas. Ele voltou a se perder, e meu coração se machuca demais ao saber disso. Como eu queria ajudá-lo de novo. Eu seria capaz de doar minha força pra que ele conseguisse sair de tudo aquilo que o prende. Eu ficaria fraca, eu morreria pra que ele conseguisse se encontrar de novo. Eu faria qualquer coisa se ele permitisse. Mas como ele não acredita mais em nós dois, como ele não se importa que eu esteja com outra pessoa não á mais nada que eu possa fazer. O jeito é seguir minha vida, mesmo tropeçando quase sempre nos buracos que a falta dele deixou no meu coração. Eu só queria que meu sentimento fosse o suficiente pra ele, mas não é.

Versão Dele: Eu era um perdido. Aliás, sempre fui mas aí ela apareceu sabe? E eu me encontrei. Eu me achava uma completa merda, mas ela me fez enxergar algo de bom em mim. O que eu sentia por ela era bom, me fazia melhor. Então eu resolvi tentar ser melhor por ela, resolvi tentar escapar de toda a escuridão que me prendia pra encontrar a paz ao lado dela. Aqueles olhos castanhos me ajudaram a ter forças pra seguir em frente, aquele sorriso meigo me fez querer ir longe, me fez não querer mais nada a não ser acordar com aquela imagem ao meu lado todos os dias. Eu abandonei absolutamente tudo que fazia parte do meu presente e enterrei no passado. Terminei com a minha namorada, comecei a trabalhar, voltei a estudar. Abandonei as drogas, o mais difícil. Fomos felizes, por um bom tempo. Conversávamos por horas na porta da casa dela. Ela me contava como foi o seu dia, dizia que tinha um garoto da sua sala que adorava tirar onda com a cara dela. Não pensei duas vezes, no dia seguinte fui lá e dei uma prensa naquele idiota. Quem ele pensa que é pra deixar oco o sorriso lindo da minha pequena? Ela achou loucura, mas depois riu, me abraçou e me agradeceu por a proteger. Nem precisava, era involuntário. Era como se meu corpo e minha alma estivessem predestinados á não permitir que nada de mal acontecesse com ela. E é por isso que eu me afastei. Era tudo tão bom. As nossas risadas, as nossas conversas, o modo como ela se apoiava no meu ombro. O jeito que ela me olhava com desejo antes de me beijar, e a forma que ela sorria envergonhada depois do beijo. O abraço dela que me acalmava, o modo como ela acariciava a minha nuca, a forma como ela se preocupava comigo e me ajudava a ser uma pessoa melhor. Mas por mais que eu tentasse eu não conseguiria ser o suficiente pra ela. Durante uma de nossas conversas eu percebi a merda que eu estava fazendo. Ela, uma garota linda, cheia de vida, quase se formando na escola, com um futuro lindo pela frente estava presa á um cara como eu, que aos 18 anos de idade ainda estava na sétima série porque foi burro o suficiente pra parar de estudar pra vadiar por ai, estava presa á um cara que mesmo tendo parado de usar drogas morria de vontade de se afundar na cocaína todos os dias. Eu não poderia me arriscar, não poderia arriscar a felicidade dela. Eu sou estragado, sou sombrio, e ela? Ela é totalmente o contrário. É perfeita, e tem uma luz sem igual. Eu não a merecia, ela não merecia ter um encosto como eu em sua vida. Eu iria voltar a ser aquele merda e acabaria levando ela junto comigo, e eu não queria que isso acontecesse. Foi por isso que eu fui embora. Foi dificil, mas eu precisava proteger ela. Protegê-la de mim mesmo. Depois de algum tempo ela começou a namorar um cara da escola. Ela tinha me contado antes por uma conversa no celular, pediu opinião e eu dei forças, claro. Disse que ela merecia ser feliz e que se ela não aceitasse eu a obrigaria. Ela respondeu meio oca, parecia desejar que eu dissesse que não, que ela não deveria aceitar, que eu ainda a amava. Mas eu fingia que não, fingia não sentir mais nada. Você pode me achar louco, mas meu amor não é egoísta. Eu só quero que ela seja feliz e sei muito bem que ela só conseguirá alcançar a felicidade bem longe de mim. Com o tempo fomos perdendo o contato, mas eu ainda sei tudo o que acontece com ela. Sei que ela está á dois anos com aquele garoto, sei que ela já se formou e que em breve vai começar a cursar faculdade de jornalismo, o curso que ela sempre quis. Já eu? Voltei pras drogas. Voltei a ser uma completa merda. Não consigo ter forças sem ela do meu lado. Mas prefiro ficar assim, fraco, acabado, do que ver ela se acabando por conta da minha escuridão. Ela não merece alguém como eu na vida dela, ela merece alguém que seja realmente bom e essa pessoa não sou eu. Eu queria que meu sentimento fosse o suficiente pra ela, mas não é. (Glenda Campagnani)

Uma segunda chance pra nós dois. Uma segunda chance pra vivermos tudo aquilo que interrompemos abruptamente. Uma segunda chance pra deixarmos o orgulho de lado e passarmos a deixar nossa vontade falar mais alto. Uma segunda chance pra que tenhamos mais paciência, mais zelo, menos vontade de fazer durar e mais vontade de eternizar cada segundo. Uma segunda chance pra mais beijos, mais mordidas, pra mais frases clichês e pra inúmeras noites assistindo filmes românticos de conchinha debaixo da coberta. Uma segunda chance pra superarmos juntos todo o ciúmes exagerado, toda a insegurança, tudo aquilo que corrói um sentimento verdadeiro. Uma segunda chance pra ficarmos sem fôlego com nossos beijos, pra nos arrepiarmos com nossos sussurros, pra nos acabarmos entre quatro paredes. Uma segunda chance pra deixarmos a sensatez de lado e simplesmente deixar nossa história fluir. Você nos permite mais essa chance pequeno? Nossa história merece isso meu amor aliás, muito mais do que isso. Nossa história merece dar certo.
No meio daquela festa onde todos estão se divertindo, bebendo ou beijando na boca você se pega pensando nela. Pensa em como seria muito mais gostoso estar ao lado dela do que estar naquela festa idiota. Festa aliás do tipo que você sempre gostou, mas que passou a achar vazia depois de conhecê-la. Porque você percebe que aquele globo de luz não tem nem comparação com o brilho do olhar dela. Que aquela garota mais bonita da festa não te faz ter vontade de beijá-la como sua garota te deixa. Que dançar e cantar ao som da sua música favorita não chega nem aos pés de ouvir a voz dela. E de repente você não está mais naquela festa. Ok, seu corpo está mas sua mente, sua alma e seu coração só gritam o nome dela. Você olha aquela garota de vestido vermelho e lembra que a sua garota tem um vestido exatamente da mesma cor e que ela fica deslumbrante com ele. Olha aquele casal dançando no meio da pista e pensa em como seria bom se fosse você e ela dançando agarradinhos ali, como se não tivesse mais ninguém em volta. Quando seu amigo te oferece vodka você dá uma risada lembrando dela dizendo que vodka era a coisa mais horrível do mundo e que preferia mil vezes coca cola. E aí você sorri feito bobo ao lembrar do sorriso dela, da voz dela, do olhar dela refletido nos teus. E quando seus amigos te apontam aquela garota ali no cantinho que está te dando mole você simplesmente diz ‘não serve’ enquanto pensa que nenhuma serve mesmo, só ela. Porque vocês dois são como a coca cola dela. É, vocês dois juntos são a coisa mais gostosa do mundo. E aí aquela música romântica começa a tocar, os casais começam a dançar e se beijar. E passa pela sua cabeça beijar qualquer outra garota ali, só pra curar a carência. Mas não adiantaria. Porque nenhum beijo te satisfaz como o dela. Você vê aquele garoto no meio da festa pegando todas, bebendo, se divertindo feito um louco e se lembra que há duas semanas atrás você era aquele garoto. E se pergunta: porque diabos está assim agora? Porque nada mais parece fazer sentido? É porque ela é o amor da sua vida, cara. Chega de ficar perdido, você sabe muito bem onde vai se encontrar. Sua verdadeira casa agora tem olhos azuis, cabelos negros e um lindo sorriso que te deixa feito bobo.
‘Borboletas no estômago’, sempre achei isso uma invenção besta criada só pra romantizar ainda mais o amor, até que me apaixonei por você. Quanto te vejo não são simples borboletas que invadem o meu estômago. São borboletas bailarinas que dançam no ritmo das batidas do meu coração. Borboletas que só não se mexem mais que minhas pernas que ficam trêmulas e bambas com sua presença. Quando te encontro são tantas coisas que eu gostaria de lhe dizer que as palavras acabam formando um nó na minha garganta, me fazendo gaguejar e sorrir feito boba. E quando não gaguejo eu fico calada por opção pois afinal, você é tão tudo que eu sempre quis que eu morro de medo de falar bobagens e estragar a chance de te ter pra mim um dia. Sou uma idiota mesmo, sou insegura até na hora de falar ou de agir. Tenho cuidado com cada palavrinha, com cada mínima ação só pra não perder você. Me sinto tão atrapalhada assim porque é a primeira vez que sinto algo tão bonito. Mais bonito que os poemas de Machado de Assis, mais bonito que os sentimentos expressados nas comédias românticas. Não liga pra essa minha confusão não. É que com todo esse sentimento eu me sinto como se estivesse na beira de um penhasco, sem saber se pulo e descubro o que me espera ou se não arrisco e dou um passo pra trás. Eu tenho medo sim meu amor, mas eu dou até mesmo um salto mortal se você me der a mão. Você vem comigo?
Ele tinha todos os defeitos que eu não suportava em um garoto. Se achava a última bolacha do pacote. Me irritava profundamente com todo aquele ar de eu-sou-o-bonzão sendo que nunca foi merda nenhuma. Vinha pra cima de mim com todo aquele papo furado de ‘você é única’, 'quero que você seja só minha’, e mesmo sabendo que era tudo caô pra me ganhar eu não deixava de achar fofinho. Era um analfabeto virtual. Escrevia tão “difísil” que até sangrava os meus olhos mas mesmo assim eu nunca tive vontade de bloqueá-lo nas minhas redes sociais. Era uma vagabundo que não queria mais nada da vida á não ser farrear e jogar futebol. Era um moleque. Não de idade, mas de atitudes. Sua idade mental era de um garoto de 14 anos, e mesmo sabendo que eu preciso é de um homem eu perdia meu precioso tempo beijando aquela maldita boca carnuda sempre que podia. Ele falava em namoro, eu fugia do assunto. Ele não me merecia, e eu não aguentaria suportar essa praga como namorado. Aliás, porque insistia em me namorar se só vive na galinhagem? Era um filho da puta mentiroso, desses que vem com mil promessas que todos sabem que não vai nem tentar cumprir. E mesmo se cumprisse, seria só mais um relacionamento falido. Ele não aguentaria as minhas exigências, mas mesmo sabendo que seria uma grande perda de tempo, eu não consigo deixar de pensar nesse blá blá blá de felizes pra sempre ao lado dele. Acho que preciso de terapia. Que diabos eu vi nesse moleque?
Ele tinha todos os defeitos que eu não suportava em um garoto, mas nem todos eles conseguiam arrancar aquele idiota do meu coração.