calavaes

Você queria que as coisas fossem apenas do seu jeito. Queria que a última palavra sempre saísse da sua boca, que cada encontro marcado fosse somente no lugar mais viável para você, que cada minutinho de atraso que excedesse o nosso limite proposto, fosse apenas da sua parte. Até a última mensagem de texto tinha que ser sua. Quem por diabos é encanado em “últimas coisas”? Esse era o seu problema. O seu egoísmo só não falava mais alto porque você queria gritar mais que ele. E gritava. Você era o tipo de pessoa que com certeza, teria que falar as últimas e dramáticas palavras antes de morrer, enchia seu peito de ar e as recitava como quem dita uma lei. Só que essa lei, você não podia me prender por não cumprir. Também confesso que uma parte dessa culpa era minha, porque enquanto você ditava essas últimas palavras letra-por-letra para que todos entendessem, eu me calava. E quem cala, talvez conceda. Porque eu acabava te dando carta branca e você sempre retribuía com um cartão vermelho, mesmo sabendo que eu odiava essa cor e o significado dela. Mas ainda assim, mesmo com todas imperfeições que você tinha, eu te aceitava. E fazia isso porque era a única alternativa que me pertencia naquele momento. E juro que não conseguia me imaginar sem ela. Eu aceitava porque apesar da última palavra ser sempre sua, ela ainda era a única que eu queria ouvir no final do dia. Aceitava porque mesmo que o lugar fosse escolhido por você, eu gostava de pensar que ele era nosso, que ali a gente encontrava nosso ponto de paz e abrigava nossos desejos mais íntimos. A questão é que tudo era perfeito demais. Ou eu enganava a mim mesmo tentando acreditar que era. Porque sua vida era baseada nisso, num parque onde você se dava ao direito de levar quem quiser, se divertia o tempo suficiente pra fazer alguém gostar da viagem e depois simplesmente mandava embora e fechava as portas, como se elas nunca estivessem sido abertas. Mas de tanto eu tentar, insistir e bater o pé, os seus conceitos finalmente mudaram. Sua essência se perdeu em alguma parte de sua mente egoísta, e você já não pensava mais apenas em si. Porém, era tarde demais. E apesar de você ser fascinado em últimas coisas, na nossa breve história, foi eu quem recitei as últimas palavras e dei o último adeus. Confesso que você me ofereceu várias probabilidades para ficar. O problema, é que eu nunca gostei de exatas.
—  Pedro Pinheiro.

te amei porque você calava os gritos da minha pré-insanidade fingindo que não te afetavam (como naquela tarde em que te machuquei para não me machucar e você sorriu como se a tua dor fosse nada por não ser a minha). te amei porque você criou um mundo paralelo para nós onde eu parecia sã, sendo que, no mundo real, até à distância a minha loucura - já não mais camuflada - era patente. te amei porque tu eras salvação para minha mente, alma e corpo (e mentecorpoalma, tudo junto, ao mesmo tempo, na mesma hora, do mesmo jeito). te amei porque os pedacinhos que me formam (e que um dia deixarão de me formar) cativaram os que te formam (e que um dia deixarão de te formar) como ímãs instigados à união para um fim sem fim. te amei porque o simples lembrava você, e o complexo recordava-te na mesma intensidade. te amei porque você estava nas paredes, no acastanhado do céu, no ar, no chão, na água, na minha cabeça, nas minhas pálpebras. eu só conseguia ver você. em tudo. no tudo. e no nada.
te amei porque não existia uma forma de não te amar. te amei porque você me amava e ninguém havia cometido tal loucura antes - era por isso que você me queria? porque eu era tão louca quanto você? - te amei porque o dia vira noite e a noite vira dia e eu te prometi - por mais eu não tenha cumprido minhas outras promessas - que assim seria o meu amor (um ciclo sem fim). te amei porque você não foi. você ficou. mas eu fui. porque ficar era o pior ato que eu poderia cometer contra você.

os motivos pelos quais eu sempre voltei:

1. porque você calava os meus gritos rotineiros quando os meus surtos eram a representação viva de que eu não sei lidar com a vida fadada ao erro. um fado que ainda não aprendi a levar nas costas. e eu sou convicta de que você foi o meu erro mais bonito e verdadeiro. eu caí de peito nas tuas águas geladas e apesar da hipotermia alarmante, era o teu amor que queimava a minha pele no meio do teu mar morto. você ainda conseguia me trazer a tona quando eu não mais enxergava ali no fundo do abismo, o mesmo em que me submeti para te manter comigo.
2. porque você alimentava as minhas borboletas estomacais famintas. porque você se apaixonou pelo o meu amor e pela a idealização do meu romantismo barato. você se apaixonou pela minha fraqueza tanto quanto se encantou pela construção da minha ruína. o nosso amor destinado ao fim te era combustível porque todo desafio é válido para quem sabe perder. e você soube e me perde muito bem. é por isso que eu sempre volto.
3. porque quando eu acho que te esqueci, você me liga no meio da noite. e a tua voz rouca é como ignição para as esperanças renascerem em cada vértebra do meu corpo doente. e só você sabe maquinar cada engrenagem do meu ser mecanizado.
4. porque você é um trem desgovernado que me esmaga nos trilhos e também consegue ser a minha fuga da cidade, como se prender nos vagões e observar os prédios diminuindo de tamanho na distância e tempo. é que você me salva e me mata na mesma proporção e eu não sei se te amo por isso, mas sei que o meu sentimento não é em vão, porque cada partícula do meu sangue sussurra teu nome no meio da noite quando você não liga.
5. porque você sempre disse que o meu chorar era bonito e triste e beijava minhas lágrimas e eu ria porque o meu choro não são feridas vermelhas no joelho, mas você cuidava de cada gota que saía dos meus olhos com uma preciosidade classuda e eu te admiro por saber o que é gentileza.
6. porque você sempre foi a única pessoa que entendeu as minhas metáforas nonsense e os meus textos de madrugada e é por isso que você será o único a entender esse. e eu sei que se você pretendesse me machucar, replicaria esse texto me explicando porque nunca ficou, aqui comigo. mas eu sei que você também nunca pode. você me beijava com beijo de eternidade, você cheirava a eternidade e você caminhava comigo com jeito de eternidade, mas o teu olhar sempre foi de passagem e é por isso que você nunca ficou. e eu também nunca soube ficar porque você nunca me ensinou a ficar, você só me ensinou a ser uma mulher tão forte capaz de amar e de perder com a mesma intensidade.
7. porque as suas constelações mentais combinavam com as minhas e os nossos universos possuíam conexões intergalácticas que só nós e os nossos corpos entendemos. e dói mais ainda saber que ninguém entende os nós de nós. nosso amor nunca foi laço e nunca será, porque ele não é enfeite decorativo, ele só nos enforca. e é por isso que eu sempre volto, mas não fico.

Estava preso, sólido, totalmente frio. Sem reação a mais nada, completamente congelado, vazio por dentro. É certo de que não estava bem. Estava tudo muito confuso. Não sabia mais se falava ou se calava. Pensava ou repensava. Resolvia ou confundia. Estava, por mais uma vez, preso. Preso em seu mundo banal e supérfluo…
—  Desmoralizado.
ACABOU

Eu te amei muito, na verdade ainda amo, mas isso agora não faz mais diferença. Sabe por que? Porque você me deu amor pela metade enquanto eu dava por inteiro. Vou me lembrar de tudo que você me falou, que iria mudar, que não iria me decepcionar e que dessa vez seria diferente. Eu me enganei de novo, fiz meu papel de trouxa e o pior, acreditei em você. Acreditei que você estava mesmo disposto a mudar por mim e eu até te ajudaria se preciso fosse, acreditei que você dessa vez me faria feliz, acreditei que você realmente tinha se arrependido do que havia feito e que dessa vez você iria aproveitar a chance que eu te dei. Mas foi tudo o oposto. Você me enganou, pisou nos meus sentimentos, jogou eles no bueiro como se fosse uma lata de coca cola vazia. Cara, você foi a minha âncora que na tempestade fez como os marinheiros, me jogou só pro teu barquinho não se perder, mas quer saber de uma coisa ?! Assim como chega a hora de puxar essa âncora vai ser como vou viver minha vida, de cabeça erguida, vai ser assim agora. Acho que por um sinal você me ensinou que não devemos acreditar logo de primeira na pessoa pela qual só fez pisada contigo. Meu coração doeu sim de te dizer adeus, mas é como você mesmo disse, alguém um dia terá que partir e infelizmente esse dia chegou mais rápido do que eu pensava. Você não merece nada meu, muito menos o meu amor. Não te desejo nenhum mal e torço para que você não faça isso com nenhuma outra garota, porque nenhuma delas merece passar por isso, nenhuma delas não merecem ter o coração partido por quem não sabe valorizar o amor que existe dentro dele. Fui feliz com você sim, apesar dos apesares eu me sentia feliz todas as vezes que eu te abraçava, beijava e olhava nos teus olhos brilhantes e me sentia segura nos teus braços. Você era a minha calmaria. Você era a solução, mas preferiu virar problema. Eu te amo tanto, porra! E dói eu ter que te esquecer, dói eu ter que dizer adeus pra pessoa que insiste em permanecer na minha mente me trazendo todas aquelas lembranças filhas da puta. Mas eu agora vou seguir em frente, vou erguer minha cabeça e tentar ser forte, fazer como sempre fiz nos fracassos que já tive na vida, porque independente de qualquer circunstância a vida continua. Sei que nos primeiros dias eu vou estar frágil, sensível, confusa e procurando uma resposta pra tudo. Eu cumpri com o meu papel de namorada, sempre dava “bom dia amor” ou até mesmo um “ei, estou aqui”. Eu sempre procurava falar com você, tentava inventar qualquer assunto, poderia ser o mais idiota do mundo, mas eu me esforçava pra ficar mais perto de você. Mas eu me esforcei a toa porque você nem se esforçava tanto assim, acho que eu era um “tanto faz” pra você, talvez por um minuto de tudo você deve ter me amado, um minutinho pelo menos. Impossível depois disso tudo você não ter me amado por um segundo. Mas um namoro não existe quando um gosta e o outro ama. Um namoro não é constituído em que um só procura. Existe orgulho sim, mas as vezes tem que dar o braço a torcer e eu fiz muito isso. Vou sentir falta das nossas conversas, do seu toque, do doce sabor do seu beijo, daquela pegada que só você sabe dar, daqueles olhos vidrados em mim, das vezes que você me calava com um beijo e daqueles abraços bem apertados que chegavam estralar minhas costas, não nego que vou sentir falta disso. E agora o que vai me restar é ler aquelas conversas antigas e pensar como tudo poderia ter sido diferente se você não resolvesse estragar tudo de novo. Com o tempo essa ferida que você deixou no meu coração vai cicatrizar e vai ser essa hora que vou levantar e tocar minha vida. Quem sabe um dia dessa vida você aprenda cumprir com suas responsabilidades e vire homem suficiente para poder assumi-las.

Ele gostava de bandas antigas, filmes clássicos e tocava violão. Ela gostava de Jonas Brothers, filmes da sessão da tarde e não sabia sequer tocar apito. Ele era a favor, ela do contra. Ele era sério, ela irônica. Ele descomplicado, ela complicada. Ele quieto, ela inquieta. Ele a amava, ela tentava. Ele antenado, centrado, dedicado. Ela área, egoísta, complexa. Eram disfuncionais, avessos, incoerentes. Ele amava, ela fugia. Ela calava, ele entendia. Falava, ele ouvia. Fazia piada, ele ria. Fazia drama, ele compreendia. Ele deixou de amar e ela ficou mais vazia. Antes de tudo começar eram melhores amigos, hoje em dia não são nem meros conhecidos. Ela o amava –como um amigo. Ele quis tentar ser mais do que isso. Estava sempre lá, “o prestativo”, ela deixou se levar então resolveram tentar. Eram um casal que não estava na mesma frequência. A amorizade não funcionou. Por parte dele era amor, por parte dela, amizade. Eles brigaram. Ele se afastou. Ela tentou ter de volta o seu amigo-irmão, mas não adiantou. Nunca mais se viram, se falaram ou se tocaram. Ela cresceu, ele mudou. Ficou mais sério, mais centrado. Ela mais fria, antissocial. Ele se encontrou, ela se perdeu. Ela passou a ouvir Legião e começou a amar os Beatles. Ele se arruma mais, ela usa camisetas de bandas. Ela paciente, ele impaciente. Ela estudiosa, ele desleixado. Ela preocupada, ele despreocupado. Ela careta, ele na moda. As coisas se inverteram, mas ainda não foi amor.
—  Dizem que os opostos se distraem e os dispostos se atraem. Nós? Ainda continuamos com o nosso cara ou coroa. 
São 3 da manhã, estou lendo um desses romances clichês do Nicholas Sparks para poder me sentir mais amada e menos sozinha, mas não consigo prestar atenção em nenhuma palavra e acabo jogando o livro de lado. Vou até a cozinha, abro a geladeira, sinto aquele geladinho consumindo meu rosto por míseros segundos, respiro e me dou conta do que eu precisava não se encontrava exatamente dentro da geladeira. Pego uma água só para eu me sentir menos tola, e dou uma espiada na janela da sala. É lua cheia. A lua que eu mais odeio e a que você mais ama. Mas me conforta observá-la, é como se alguém me pegasse no colo e me colocasse pra dormir enrolada em um edredom. Sinto vontade de escrever, e faz 6 meses que eu não sei o que é pegar num lápis e sentir prazer em deslizá-lo no papel. A vontade passa quando o telefone toca. É JP, o cara que eu tenho saído já faz algum tempo. Ele é aquele estereótipo de cara perfeito, se veste bem, me leva pra jantar, me manda flores, toca violão e marca viagens surpresas para lugares que eu mais desejo ir. O cara perfeito, o cunhado perfeito, o genro perfeito, a porra toda perfeita, mas que no fim das contas não fazia eu me sentir perfeita. Alias o que é mesmo ser perfeita? Eu quero sumir daqui. É isso, eu quero largar meu emprego, meus estudos, minha casa, minha família, meu projeto de namorado perfeito e simplesmente desaparecer. Sem deixar rastros e nem nada. Sumir e pronto. Ai eu ia recomeçar a minha vida do zero, conhecer novas pessoas, novos lugares, novos ambientes e finalmente tentar ser um pouco mais eu do que um dia eu tenha sido. Finalmente o telefone para de tocar, mas a campainha dispara um ruído tão alto, que eu solto um grito abafado do qual o sujeito nota de que há alguém acordada. Merda! Abro a porta, e é JP. Sorrio amarelo com aquela expressão de quem queria dizer “QUE DIABOS VEIO FAZER AQUI?”, e noto que o moleque mais uma vez estava com um buque de flores na mão e na outra chocolates. Oba, chocolates! Começo a comer esquecendo de sua presença no sofá. “Tá tudo bem? Eu te liguei.” Aham, eu vi que você me ligou umas 300 vezes e mandou no mínimo umas 500 sms. Ele me olha de uma maneira como se não me reconhecesse mais, e não conhece! “Você tá com uma aparência horrível, por que não vai tomar um banho e a gente assiste um filme qualquer? Ein? O que você acha?” O QUE EU ACHO? EU ACHO QUE VOCÊ NEM DEVIA TÁ AQUI PRA COMEÇAR E EU NÃO TÔ AFIM DE ASSISTIR PORRA DE FILME NENHUM! Alguém por favor tira esse cara daqui? Não dou a mínima pro que ele fala, e continuo comendo meus chocolates como se o fim do mundo fosse no dia seguinte. Ele se aproxima como quem quer alguma coisa em troca, é sexo, aposto, ele não trouxe esses chocolates atoa. Não tô nem um pouco a fim de trepar, transar, fazer sexo, ser comida, seja lá o que ele veio fazer aqui, mas ele alisa minhas pernas e pressiona meu corpo ao dele, e pela primeira vez na vida eu me senti a pessoa mais suja desse mundo. Me exalto. “Olha só JP, eu não to afim de ser comida hoje, amanhã eu acordo cedo e fazendo as contas com o horário de agora, eu tenho exatamente 4 horas de sono, então se você não se importar, a gente combina de trepar outro dia, ok?” Na hora ele se levantou, sua expressão de safado mudou para assustado e ele saiu da minha casa de uma maneira como se nunca mais fosse voltar. E não voltaria mesmo. Me senti um pouco mais sozinha do que eu já era. Liguei a tv como companhia e fiquei mudando de canal loucamente como se fosse encontrar algo de que tanto desejava. Não sabia mais o que estava fazendo e chorei por isso. Chorei por ter mandado mais uma pessoa da minha vida embora. Chorei porque o chocolate havia acabado e eu já não sabia onde mais ia depositar a minha ansiedade. Chorei porque eu tinha o mundo nas mãos e resolvi carregá-lo nas costas. E tudo aquilo me pesava tanto, que chorar era tudo que me restava. Ai parei num canal que estava passando “Tom&Jerry” e pela primeira vez durando 6 meses eu sorri de verdade. Foi um sorriso de dentro pra fora, uma vomitada pra vida. E tudo isso tinha muito a ver com você. Era seu desenho favorito, lembra? É claro que eu lembro, foram muitas raivas passadas enquanto eu discutia nossa relação e você dava altas risadas em meio ao gole de cerveja. “Dá pra você desligar essa merda e prestar atenção em mim?” “Ahh amorzinho, vem assistir comigo.” Como eu odiava profundamente a palavra “amorzinho”, e como eu queria ser chamada de amorzinho agora. Pego o telefone e começo a discar seu número. Desisto. A essa hora ele deve tá trepando com a vizinha ou ta tão chapado ao ponto de não saber atender o maldito telefone. Amanhã eu ligo, hoje não. Na verdade eu é quem queria ser procurada, ser achada, e ser inteira mais uma vez. Vou deitar com a intenção de encontrar a minha paz, só que faz tanto tempo que eu não sei o que é ter paz. Abraço o travesseiro com a ânsia de ser abraçada de volta, e me questiono “Quando foi que eu me tornei uma pessoa tão vazia?” E me recordei da vez que eu me senti tão cheia, a ponto de transbordar. Você me sugeriu pra pegar umas duas ou três peças de roupa, um pouco de dinheiro, minha escova de dente e só. 20 minutos depois tava você aqui em casa com o carro da sua mãe dizendo que íamos viajar. Viajar? Pra onde? Eu não posso viajar. Amanhã eu tenho uma reunião, provas e falava sobre todo o meu planejamento do dia seguinte como se fosse a coisa mais importante do mundo, e você sempre me calava com um beijo fazendo eu esquecer de todo o resto. Suas viagens nunca eram planejadas, a gente brigava 99% do tempo porque tudo saia errado, e eu odiava erros. E olha eu aqui, sozinha, no meu quarto, recordando o quanto eu queria estar errando agora.
—  Muita Coisa Inacabada Porque a Gente Acabou - Part I

Author: @mintbunnytea

Original Post


Reação do BTS ao encontrar pessoalmente sua namorada virtual pela primeira vez

Seokjin

Ele ficaria nervoso, porém esconderia bem. Ele mal conseguiria falar sobre isso com qualquer um dos meninos. Somente Namjoon saberia no começo que você estava vindo para a cidade. Todo o resto descobriria no dia que ele já tinha ido te buscar no aeroporto. Provavelmente não foi a melhor ideia, mas é o que os namorados normais fazem e o seu relacionamento não era exatamente normal até esse ponto. Ele lhe trouxe flores e tentou não chamar atenção para si mesmo. Quando você estava à vista, ele começaria a sentir mais os nervos e tentaria não se perder em suas palavras enquanto falava com você. Ele simplesmente pegaria sua mão depois de lhe dar as flores e tentaria conversar até que vocês estivessem fora do aeroporto e mais confortável em volta um do outro.

Yoongi

Ele estava muito nervoso e bravo consigo mesmo por isso. Vocês conversavam pelo telefone e vídeo o tempo todo, não seria diferente pessoalmente. A conversa não seria estranha, seria? Ele queria te buscar no aeroporto mas você falou para ele que ele apenas causaria uma multidão. E vocês não precisavam de fotos de vocês dois juntos em todo lugar. Você estava mesmo vindo ver ele? E se você não entrou no avião? Ele continuaria duvidando de si até o momento que você apareceu no dormitório onde ele estava andando pela sala de estar e expulsou todos os outros garotos para longe. Quando vocês finalmente ficaram cara-a-cara teria um monte de sorrisos tímidos, olhares roubados até vocês se acostumarem com nenhuma tela entre vocês.

Namjoon

Ele não conseguia para de se mexer no caminho para te ver. Ele estava levando um presente e esperava que você gostasse. Mesmo esta sendo a sua ultima preocupação. Esperava que fosse tão eloquente como ele era nas vídeo-chamadas e ligações telefônicas. Ele esperava que você não pensasse nele como sendo diferente pessoalmente. Uma vez que ele estava dentro do prédio em que você ficaria, levou um minuto antes dele bater na sua porta. Quando você abriu e vocês ficaram cara-a-cara ele te cumprimentou com um grande sorriso antes de empurrar o presente para você. Foi um excelente começo.  

Hoseok

Ele não ficaria quieto por alguns dias antes de te conhecer. Os outros meninos já estavam cansados de você e Hoseok ser um casal porque ele nunca calava a boca. O dia em que você estava chegando todos eles se esconderiam dele enquanto ele levava uma hora a mais que o habitual para se arrumar. Ele estaria antecipado ao lugar onde vocês se encontrariam. Quando ele te viu simplesmente riu o tempo todo e te deu um grande abraço. Ele não deixaria as coisas ficarem estranhas e seria como vocês estivessem sempre namorado como um casal normal.

Jimin

Ele sabia que tinha um café na cidade que você queria muito tentar e você não queria que ele fosse ao aeroporto então ele sugeriu se encontrar lá. Ele chegou mais cedo e esperou por você do lado de fora. Seus olhos vagavam por todo lado, esperando te ver em pessoa. Ele estava tão preocupado que você o visse primeiro e tivesse segundos pensamentos ou alguma coisa. Ele ouviu o nome dele ser chamado e viu você correndo para ele. Ele envolveu os braços em sua volta quando você se lançou nele e levantou de seus pés.  

Taehyung

Ele queria te buscar assim que você chegasse na cidade mas você o convenceu que seria mais seguro para todo mundo você o encontrar no dormitório ao invés. Ele te pediu para pelo menos mandar uma mensagem quando chegasse no prédio. Ele então correu pro corredor e esperou pelo elevador. Assim que você pisou no corredor foi colocada dentro dos braços dele e abraçada fortemente. “Jagi eu estou tão feliz de te ver pessoalmente!” Ele não te deixaria o tempo inteiro que você estava visitando.

Jungkook

Ele estava mais animado que nervoso. Ele tinha um monte de atividades planejadas para vocês dois. Vocês finalmente iam fazer tudo vocês falaram sobre um com o outro em pessoa. Lottle World, compras em Hongdae e a melhor churrascaria em que ele comeu na cidade… Ele não podia esperar para te mostrar tudo disso. Ao som da campainha do dormitório ele correu para a porta e a abriu. “Jagi!” ele sorriu e te pegou, te carregou para dentro do apartamento. A cidade poderia esperar por enquanto.

Cada dia que passa, eu só consigo pensar, pqp, não consegui resolver de novo esse caso indefinido, mas que é tão definido pelas pessoas. Poxa, como dói sem você, eu não suporto os dias sem você, eu só tenho que fingir que sem você tá bom. Mas não. Não cara, não tá nada bom, tá horrível, tá doloroso, dói demais, pqp! Me sinto assim, querendo gritar PQP. Quando eu lembro do início, quando eu lembro de cada detalhe, só me dá vontade de sair correndo pra você! Pra dentro do seu abraço, onde é o meu melhor lugar, meu melhor abrigo… Eu amava ficar te olhando, tocar seus lábios, o teu sorriso, o teu jeito louco, que não disfarçava o ciúme, que brigava, e quando eu saia me puxava e calava a minha boca com um beijo… Meu, que saudade de você, de você sim, da gente, de nós dois, tá doendo… Tem algo que não consigo definir, só sei que dói, dói demais… E poxa, eu só te escrevi, pra dizer que eu tô morrendo de saudade. Tá horrível sem você. 💔
10

Ora ti cuntu nu fattu. C’era un paisi unni a miseria e a gnuranza ficinu veniri a guerra e a guerra puttoi timpesta i bumbi e ragnola i ghiummu. Nta stu paisi c’era na famigghia  e chi risto nto menzu da motti e du focu. U patri muriu mentri ciccava pani pi figghi, a matri finiu sutta cimentu e matuni. Prima di moriri ghiamo so figghiu ranni e ci dissi “Potta a to soru chiù nica a ciccari a filicità nta n’otru paisi unni i to cugini ti spettunu”. Iddu pigghiò so soru e ncumincioi a camminari passannu furesti e disetti, mucciannusi quannu rivavanu i figghi da motti chi vulianu mazzari o quannu c’eranu i latri di animi chi vulianu rubbari. Rivaru nta na città a riva u mari e a carusa spiò o frati u ranni “è ca a filicità?” Ma u ranni rispunniu “no è chiù avanti”. Nta stu paisi u frati ranni travagghioi e a picciridda ciccava a limosina. A fini ficiru tanti soddi e quannu u frati ranni ci mustroi a nica, chista ci spioi “è chista a felicità?” E u frati ranni ci rispunniu “no ma putemu cattari nu postu nta na bacca e annari nto paisi da filicità”. Accussi si misiru in fila pi nchianari nta na bacca cu tanta autra genti d’ogni culuri. Patteru all’abba e annaru nto mari pi nu jonnu e na notti. Poi u tempu cancioi e u mari gridava e si isava e calava. A genti nta bacca si ittava i buci pu scantu. A bacca si inchia d’acqua e u frati misi a soru nu sabbagenti che avia cattatu pi idda. A bacca leggiu leggiu stava nfunnanu. U mari si facia sempri chiù fotti e i cavadduni eranu chiu ranni da bacca, a genti gridava e ciancia. Unu i chisti visti ca a carusa avia nu I sabbagenti e cicco mi ciu scippa. So frati u visti e u firroi mi ci misca, i dui ficiru a coppa finu a chi non caderu nta l’acqua e nta nu minutu sicunu scumpareru. A carusa muta muta incuminciò a cianciri picchi so frati nun putia chiù vidiri a filicità. U sabbagenti a tiniu a galla mentri u mari pari chi si stava cammannu. Cumpariu na bacca ianca cu omini vistuti i iancu chi parravanu stranu. A pigghiaru e sa puttaru cu iddi e da bacca a puttaru nterra, nta nu postu cu tanti letti unni omini vistuti i iancu e a vaddavunu nta tutti i patti : nta bucca, nte ricchi. Idda allura ci spioi si a felicità era da. Ci dissiru di no e a puttaru nta n’otra banna e da spioi ancora si era da a felicità e ogni vota ci diciano no e a spustavanu ancora e accussi tanti voti chi piddiu u cuntu; ogni vota chi spiava si a felicità era da, ci rispunnianu di no, tantu ca fini no spioi chiù. Nu jonnu cumpariu na signura chi dissi chi era so cugina e sa puttó cu idda nta n’otru paisi luntanu. Arrivaru nta na casa unni c’eranu i figghi da signura e tutti a strinceru e baciaru e ci desiru vesti novi e tanti giucattuli. Allura a carusa spioi a signura si da c’era a felicita chi ciccava. Idda a pigghioi e a strinciu e ci spioi chi sintia e a carusa ci dissi che sintia cauddu nto cori u stissu caudu di brazza i so cugina e chi ci vinia i ridiri da cuntintizza. A signura ci dissi “ u vidi chista è a filicita, è intra i nui comi nu ciuri chiusu e quannu semu cuntenti stu ciuri si apri e ni quaddia u cori” “e picchí prima na sintia?” spioi a carusa, e a fimmina rispunniu “picchi u ciuri nasci nto cori sulu c’è paci” a carusa pinsoi a so frati a so matri, o mari e ai tanti che lassoi areti a idda e strinciu a so cugina chiù fotti picchi puru pi iddi chi nun c’eranu chiù vulia anticchia I filicità”. “Ora fa a nanna - ci dissi a cugina – chi chistu è nu fattu e tutti i fatti finisciunu ca genti che ridi cuntenta, ma cu ni leggi sapi, chi nta vita vera nun è accussi, nun è accussì”


Ora ti racconto una favola. C’era un paese dove la miseria e l’ignoranza fecero venire la guerra e la guerra portò una tempesta eterna di bomba una grandine continua di piombo. In questa paese c’era una famiglia che rimase nel mezzo della morte e del fuoco. Il padre morì mentre cercava il pane per i figli, la madre finì sotto cemento e mattoni. Prima di morire chiamò il figlio grande e gli disse “Porta tua sorella più piccola a cercare la felicità in un altro paese dove i tuoi cugini ti aspettano”. Lui prese sua sorella e incominciò a camminare passando foreste e deserti, nascondendosi quando arrivavano i figli della morte che volevano uccidere, o quando c’erano i ladri di anime che volevano rubare. Arrivarono in una grande città in riva al mare e la bambina chiese a suo fratello grande “È qui la felicità?” Ma il fratello rispose “no è più avanti”. In questo paese il fratello grande lavorò e la piccolina chiedeva l’elemosina. Alla fine raccolsero tanti soldi e il fratello grande li mostrò alla piccola e lei gli chiese “È questa la felicità?” e il grande gli rispose “No ma possiamo comprare un posto in una barca e andare nel paese della felicità” Così si misero in fila per salire su una barca con tanta altra gente di ogni colore. Partirono all’alba e andarono per mare per un giorno e una notte. Poi il tempo cambiò e il mare incominciò a gridare, a salire e scendere. La gente nella barca gridava per la paura. La barca si riempiva d’acqua e il fratello mise alla sorella un salvagente che aveva comprato per lei. La barca piano piano incominciò ad affondare. Il mare si faceva sempre più forte e i cavalloni erano più grandi della barca, la gente gridava e piangeva. Uno di questi vide la ragazza con il salvagente e cercò di prenderglielo. Suo fratello lo vide e lo afferrò i due si picchiarono fino a che non caddero in acqua e in un secondo scomparvero. La bambina in silenzio incominciò a piangere perché suo fratello non avrebbe più visto la felicità. Il salvagente la tenne a galla mentre il mare si andò calmando. Comparve una barca bianca con uomini vestiti di bianco che parlavano in modo strano. La presero e la portarono con loro sulla barca e dalla barca la portarono a terra, in un posto con tanti letti dove uomini vestiti di bianco la visitarono: nella bocca, nelle orecchie. Lei allora chiese se la felicità fosse lì. Le dissero di no e la portarono da un'altra parte e li chiese ancora se la felicità fosse li. Le dissero di no e la spostarono ancora da un'altra parte e così tante volte che perse il conto; ogni volta chiedeva se la felicità fosse li, e le rispondevano sempre di no; alla fine lei non lo chiese più. Un giorno comparve una signora che disse che era sua cugina e se la portò con lei in un paese lontano. Arrivarono in una casa dove c’erano i figli di quella signora e tutti la strinsero e la baciarono le diedero vestiti nuovi e tanti giocattoli. Allora la bambina chiese alla signora se li ci fosse la felicità che cercava. Lei la prese e la strinse forte e le chiese cosa sentisse e la bambina rispose che sentiva caldo nel cuore, lo stesso caldo che avevano le sue braccia e che le veniva da ridere per la contentezza. La signora le rispose “lo vedi questa è la felicità, è dentro di noi come un fiore chiuso e quando siamo contenti questo fiore si apre e riscalda il cuore” “perché prima non la sentivo?” chiese la bambina “Perché il fiore nasce nel cuore solo se c’è la pace” La bambina pensò a suo fratello e ai suoi genitori al mare e ai tanti che aveva lasciato indietro e strinse più forte sua cugina perché anche per loro che non c’erano voleva un po’ di felicità. “Ora fai la nanna – le disse la cugina – che questa è una fiaba e come tutte le fiabe finisce con la gente che ride contenta, ma chi legge sa, che nella vita vera non è così, non è così”


Now I’m telling you a fairy tale. There was a country where misery and ignorance made war and war brought an everlasting bomb storm a steady hail of lead. In this country, there was a family that remained in the middle of death and fire. The father died while he was looking for bread for his children, and the mother due to a bomb, came under concrete and bricks. Before dying, she called his older son and said, “Bring your little sister to look for happiness in another country where your cousins are waiting for you.” He took his sister and began to walk through forests and deserts, hiding when the son of the dead wanted to kill them, or when there were the thieves of souls who wanted to steal them. They came to a big city by the sea and the little girl asked her older brother, “Is happiness here?” But her brother replied, “No, it is not here” In this country, the big brother worked and the little one begged for alms. They collected so much money and the big brother showed them to the little girl and she asked him “Is this happiness?” And the big one replied, “No, but we can buy a place in a boat and go to the land of happiness.” So, they got in row to go on a boat with so many other people of every color. They left at dawn and went to sea for a day and a night. Then the weather changed and the sea began to shout, to climb up and down. People in the boat screamed for fear. The boat was filled with water and his brother put a sister’s life buoy he had bought for her. The boat slowly began to sink. The sea was getting stronger and the waves were bigger than the boat, people shouted and cry. One of them saw the girl with the life buoy and tried to take it. His brother saw him and grabbed the two of them banging until they fell into the water and in a second disappeared. The little girl in silence began to cry because her brother would no longer see happiness. The life buoy kept her afloat while the sea went calm. There was a white boat with men dressed in white talking strangely. They took her with them on the boat and the boat took her to the ground, in a place with so many beds where men dressed in white visited her: in the mouth, in the ears. She then asked if happiness was there. They told her of no and took her to another side and she asked them again if happiness was there. They told her of no and they moved her from another side and so many times that she missed the bill; Every time she wondered if happiness was there, and they always answered her not, so in the end she did not ask for it anymore. One day a lady appeared who said that she was her cousin and she took with her in a far country. They came to a house where there were the children of that lady and they all shuffled and kissed her and gave her new clothes and so many toys. Then the little girl asked the lady if there was the happiness she was looking for. She caught her and squeezed her tightly and asked her what she felt and the little girl said that she felt warm in her heart, the same warmth she had in her arms and that she laugh and she was happy. The lady replied, “you see this is the happiness, it’s inside of us like a closed flower, and when we’re happy this flower opens and warms up our heart” “Why did not I first hear it?” Asked the little girl. “Because the flower is born in heart only if there is peace "The little girl thought of her brother and her parents to the sea and the many she had left behind and squeezed her cousin stronger because even for them that they did not find, she looking for a bit of happiness. "Now you’re going to sleep,” said her cousin, “this is a fairy tale, and like all fairy tales end up with people who laugh happy, but whoever reads this story knows that in real life it is not so, it is not so.”

Quando la notte si avvicinava e il buio calava mi capitava di pensare, di lasciare andare i pensieri come se fossero pieni di elio e fossero liberi di viaggiare, perché ormai erano sfuggiti e nessuno poteva più prenderli. Ecco. Quando la notte si avvicinava e il buio calava io pensavo a lui, che era un ragazzo alquanto singolare, con un sorriso che per forza ti ricordi, non importa dove l'hai visto - sul pullman, in birreria, per strada, in un'aula universitaria - ti si stampa nella testa e non te lo togli più.
Ecco. Quando la notte si avvicinava e il buio calava io pensavo a lui che mi scriveva sulla schiena, ché io neanche me ne accorgevo quando lo faceva, ma ora, ripensandoci, la trovo una cosa assai inconsueta, una cosa rara. Ma non fraintendetemi, la rarità non sta nel saper scrivere sulla pelle, ma nei colori usati. E voi vi chiederete ma che colori avrà mai usato questo bizzarro artista? Nessuno, solo le dita. E uno si aspetta che i grandi capolavori si facciano con le tempere ad olio, con il bronzo, il legno, il marmo. E invece poi in un giorno speciale, ma non troppo più speciale degli altri, scopri che il più grande capolavoro che un artista possa fare è scolpire qualcuno solo con le dita senza che questo se ne accorga.
Semana passada sai com aquele rapaz que trabalha na biblioteca da rua ao lado. Até que ele é bonitinho, inteligente, engraçado e conversa sobre qualquer assunto. Usa óculos de grau, estilo Ray-Ban, tem um sotaque do interior, que particularmente me agradava, acho uma graça quando ele puxa o ‘‘R’’, talvez este seja o motivo pelo qual eu não me canso de ouvir ele contando sobre o cliente chato que exigiu que ele procurasse um livro que não estava mais disponível. Chamou a minha atenção o jeito de como ele mastigava o pedaço de pizza, todo cuidadoso para que não se sujasse, pelo menos na minha frente, e de como ele ficou extremamente bonito sem os óculos de grau. Achei encantador à maneira como ele quis elogiar o meu vestido, de modo que não ficasse vulgar, assim como você fazia comigo, dizendo que meu decote era um convite para irmos ao seu apartamento. Ele era cuidadoso, com uma pitada de safado e um quê de ‘‘eu posso ser o que você quiser’’. Já você sempre foi cafajeste e quase nunca utilizava gentileza em seus comentários, mas ao mesmo tempo era ‘‘tudo o que eu sempre quis’’. O cara era bom de papo, coisa que você nunca tinha sido comigo. Ele se interessava em saber como tinha sido meu dia e sobre as minhas paranoias constantes. Sobre o livro que eu tinha acabado de ler e sobre a minha ‘‘música do momento’’. Ele ouviu a lista de todos os filmes que eu fiz mentalmente para assistir no final de semana e deu sugestão de mais filmes que ele achou fazer o meu gênero. Já você, nunca me deu sugestões de filmes que achava fazer o meu tipo, mas em compensação, você nunca se recusou em assistir aqueles romances antigos que eu não me cansava de ver. Mas eu gostei dele. Gostei da barba mal feita e do perfume extremamente forte em sua nuca. Confesso que homens com barba me chamavam à atenção, outro motivo para eu ter gostado tanto daquele rapaz. A sua barba era parecida com a dele, mas a sua deixava meu rosto todo vermelho. Ele começou a mexer no meu cabelo com movimentos que enrolavam as pontas, e me olhava com uma cara de ‘‘eu sou tão seu’’. Contava dos seus planos em abrir um negócio próprio e me ouvia contar dos meus de viajar para o exterior. Ele ouvia atentamente cada bobagem que saia da minha boca como se fosse à coisa mais extraordinária do mundo. Você sempre achou as baboseiras que eu te contava um motivo para bocejar a cada cinco minutos, mas eu não ligava, eu continuava tagarelando como se você estivesse achando interessante cada palavra que eu dizia, mas ao invés de me mandar calar a boca, definitivamente, você me puxava contra si e me calava com um baita beijo. Enquanto ele me falava de como eu ficava exageradamente linda de batom vermelho, eu notava os seus lábios se movimentando e pensava: ‘’Meu Deus, ele é tão lindo! Olha essa boca!’’, mas involuntariamente eu me lembrei do seu sorriso e o resto… Bom, o resto se tornou apenas o resto naquele momento. Ele era o meu tipo de cara. Cavalheiro, extrovertido, romântico versus safado, gentil, bom de papo, o cara apresentável para a família. Ele só tinha um defeito: Ele não era você.
—  Um quase nós

                             Claro —       — Escuro

                          meia face        — meia face
         emergia em claro —        descia no escuro

                em baixo-relevo        — no outro canto
                    as rugas riam        o sorriso
                    num canto —        não se havia

                              a boca        — e do outro
        falava de um lado —        mais calava

                      a luz incidia        — o escuro
                mas não se via        submergia
claro na face em claro —        a face toda sem rosto

Helena Parente Cunha

Lisa Duncan (1928). D'Après Paul Colin (French, 1892-1985). Calavas, Paris. Poster. 

Plate 50 from L'Art Décoratif a Paris, a portfolio published by Calavas and the Librairie des Arts Décoratifs. The full-size poster is from 1927. Lisa Duncan was known for her “airy leaps” and once described in the press as “long haired and long legged, physically the best dancer of any of them” (a Sun reporter’s comments after the 1914 American debut of the Isadorables).

Por que no fundo eu nunca lhe mereci e com o tempo as pessoas também passaram a enxergar isso e tentaram fazer com que você também notasse, e lembro que sempre ignorava e ia contra a opinião de todos. Listava mil e um motivos para justificar o porquê de lhe merecer, não eram nada exorbitantes, na verdade, a maioria se repetia mais de dez vezes. As pessoas sempre se envolveram muito no que tínhamos, a cada dia surgiam com algo que o fizesse me abandonar e tudo sempre em vão, pois você sempre encontrava uma maneira de contornar a situação, exceto quando diziam que eu o tinha, mas você nunca me teria, isso era devastador para você, como se lhe roubassem todo resquício possível de esperança. Sempre calava-se por realmente acreditar que aquilo fosse verdade, o que nunca foi. Por que você sempre me teve, desde o dia que passamos a trocar olhares diferentes, a procurar e encontrar o outro em meia multidão, quando fez do meu colo tua morada e logo fiz de você o único inquilino, nas noites em que troquei o filme para fazer comentários sobre o jogo que passava na TV. Teve-me quando permitiu que o visse em seu momento de fraqueza, quando preferiu a minha mão para segurar a tua enquanto outra secava tuas lágrimas, e, principalmente, quando passei a usar vários emoticons por você achar que isso tornava nossas conversas mais coloridas. É, você me teve nos pequenos detalhes, no começo nem eu mesma sabia de tudo isso, e, por ter demorado tanto a descobrir a verdade, você nunca será capaz de saber que sempre me teve, e que uma parte de mim sempre será tua. Esse poderia ter sido o mil e dois dos motivos para lhe merecer, mas não, hoje ele só faz parte das descobertas que fiz após perder você.
—  Nossas estações mudaram, mas algo permaneceu.

In particolare mi ricordo il cielo. Che si immergeva silenzioso nel colore dell'acqua. E qualche pesciolino rosso che improvvisamente spiccava il volo. In maniera così naturale, con leggerezza. Eravamo sdraiati sulla sabbia. Non era giorno, non era notte. Parlavamo di cose stupide. E sul mio cuore calava già la consapevolezza che ti avrei persa.

Bere una coca con te

è ancor più divertente di che andare a San Sebastian, Irun Hendaye, Biarritz, Bayonne
o star male di stomaco sulla Traversa de Gracia a
Barcellona
un po’ perche con la tua camicia arancio sembri un più
beato più felice San Sebastiano
un po’ per il mio amore per te, un po’ per il tuo amore
per lo yogurt
un po’ per i tulipani arancio fluorescente attorno alle
betulle
un po’ per la segretezza dei nostri sorrisi di fronte a
persone e statuaria

è dura credere quando son con te che ci possa essere
qualcosa di tanto statico
tanto solenne o spiacevolmente definito quanto la
statuaria quando dritto davanti a questa

nella luce calda delle quattro di New York scivoliamo
avanti e indietro
tra l'uno e l'altro alla deriva come un albero che respira
dagli occhiali

e la mostra di ritratti sembra non aver neanche una faccia, solo pittura
che improvvisamente ti chiedi perche qualcuno al mondo
li abbia mai fatti

guardo

te e preferisco guardar te che tutti i ritratti del mondo

eccetto eventualmente per il Cavaliere Polacco raramente
e comunque sta al Frick

a cui grazie al cielo non sei già stato cosi possiamo andare assieme la prima volta
e il fatto che ti muovi cosi stupendamente più o meno mette a posto il Futurismo
giusto come a casa non penso mai al Nudo che Scende una Scala o
alle prove a un solo disegno di Leonardo o Michelangelo che una volta mi stendeva
e che bene gli fa tutta quella ricerca degli Impressionisti

quando non han mai preso la persona giusta per stare di fianco all'albero quando il sole calava

o se è per questo Marino Marini quando non ha scelto il cavaliere attentamente
quanto il cavallo
sembra che siano stati tutti deprivati di una qualche meravigliosa esperienza

che non andrà sprecata con me che è la ragione per cui te lo sto dicendo

—  Frank O'Hara (via diariodiunaragazzastramba)