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Paula Dip in Para Sempre Teu, Caio F., pág. 25

“De todos os rapazes que eu conhecera até então, Caio era o primeiro que eu não conseguia decifrar. Ao contrário do Caloca, eu estava interessada em seus mistérios. Afinal, qual era a dele? Cínico, louco, tímido, meigo, Caio tinha um jeito meio David Bowie de ser, e nada ficava muito claro: ele gostava de meninos ou meninas? Queria ser meu bem, meu zen, meu mal, ou nenhuma das anteriores? Levei um tempo para desvendar o enigma daquela figura longilínea de olhos intensos que falava de assuntos seríssimos com a elegância de um filósofo platônico, e, de repente, soava como uma tia fofoqueira, uma “naja” venenosa, como ele mesmo dizia, que distribuía apelidos hilários e fazia comentários ferinos sobre tudo e todos. E era meio bruxo: fazia horóscopos, interpretava tarôs, tinha pais de santo e orixás, dava conselhos, lia o que escrevíamos, distribuía elogios, ou nem tanto, nos mostrava seus contos, pedia opinião, apontava caminhos. E escrevia sem parar. Acreditava que todo mundo tinha uma estrela, todo mundo devia escrever. Não existia um só fio de egoísmo em Caio quando se tratava da escrita: a literatura era sua religião e ele queria converter todos à sua fé.”