caga regra

Desabafo

“Já tem um tempo que tenho visto em redes sociais diversas postagens de cunho reflexivo, umas com mensagens de puro amor, outras com palavras de "motivação”, e explanando as mais diversas realidades de pessoas que, eram frígidas e que se tornaram pessoas mais amáveis, de pessoas que eram amáveis, e por consequência dos desígnios da vida se tornaram mais frígidas (ou atentas e precavidas como alguns queiram chamar).
Há um bom tempo tenho me abstido de comentários irrelevantes para a sociedade (ou não), porém, em momento algum esses comentários e reflexões deixaram de pairar ou de obstruir a minha mente!
Pois bem, a cada obstrução, eu percebia o quão necessário era que eu me dedicasse a escrita, que eu me dedicasse a me expressar, que eu ao menos tentasse mesmo que sem me entender as vezes, e claro, também que eu colocasse pra fora um mundo completamente meu, e que muitas das vezes outras pessoas não entenderiam ou não procurariam entender se não fosse por via de um texto com algumas palavras bonitas, propriamente para a reflexão.

Pois bem, está decidido, esse texto soa como um “freestyle” na minha mente, e que eu não vou corrigir e nem modificar nada para quem tiver interesse de ler, afinal, como ouvi recentemente em um evento que presenciei, “algo que sai da mente e do coração não pode estar errado” e peço pra quem um dia for ler isso, somente uma coisa: “POR FAVOR, APRENDA A OUVIR, A ENTENDER, A REFLETIR SOBRE A ARTE E O PENSAMENTO DE OUTREM, NÃO CRITIQUE, PORQUÊ GRAÇAS A ESSE TIPO DE GENTE QUE CRITICA DE MANEIRA DEGENERATIVA, QUE CAGA REGRA E QUE VIVE NUM MUNDINHO FECHADO, QUE MUITA GENTE FOI DEIXANDO DE SE EXPRESSAR”.
E sim, muitas pessoas deixaram de se expressar por quê? Alguém poderia me responder? Pode deixar, eu arrisco um palpite sobre uma pergunta retórica que eu mesmo não tenho uma resposta fundamentada.

Pessoas deixaram de se expressar muitas das vezes por não ter uma escrita que encante os olhos de um leitor de obras literárias, deixaram de escrever por não ter conhecimento das escolas literárias ou até mesmo porquê pessoas tem medos dos julgamentos alheios e descartes desnecessários de sentimentos (afinal, uma escrita é a transcrição dos seus sentimentos no momento em que se escreve), ou ainda que, como um mal que me atormenta há anos, o medo de não ser compreendido e que você acabe tendo outras interpretações em cima de um texto pelo qual você mesmo criou, menos o que de fato você quis passar quando realmente sentiu.
Por mais que seja interessante e enriquecedor para muitos escritores, criar um texto e ver que outras pessoas conseguiram sacar a sua ideia, ou que tomaram as mais variadas interpretações sobre a sua escrita, mas quando trata-se de sentimentos expressos em forma de desabafo, pode não ser tão enriquecedor e encantador assim!

SIM, AS VEZES TODO MUNDO IMPLORA PARA QUE FOSSE OUVIDO, OU PARA QUE PUDESSE, POR UM MOMENTO, SER ENTENDIDO! QUEM NUNCA SE SENTIU ASSIM? Eu sou o único louco que se sente só em determinados momentos ou que não encontra palavras pra expressar o que sente muitas das vezes?

Sabe, sobre todo esse sentimentalismo, sobre as relações falaciosas do século XXI, sobre os descartes de sentimentos e sobre cada fantasia que a própria mídia corrompida e hollywoodiana te induz a repercutir , pois bem, isso que tem me atormentado bastante e já não tenho conseguido ser obstruído todos os dias por pensamentos como estes que leio nas mais diversificadas redes sociais!
Quem nunca leu por aí, que você deve demonstrar sentimento, que você deve amar, que deve sentir, QUE NÃO DEVE LIGAR PARA A RECIPROCIDADE, e que o mal do século são as pessoas que preferem abstruir seus sentimentos? (Ou para muitos, aqueles que esperam uma determinada “hora certa” para serem explanados) Quem nunca aqui tentou por um momento fugir dessa realidade frígida e se entregar novamente como se fosse a primeira vez? QUEM NUNCA?
E É AÍ QUE A GENTE PECA! PECAMOS COMO SE FOSSEMOS INGÊNUOS, COMO SE NÃO TIVÉSSEMOS SEQUER ALGUMA VIVÊNCIA OU EXPERIÊNCIA DE VIDA, PECAMOS EM ACREDITAR QUE, EXATAMENTE COMO SE FOSSE PRIMEIRA VEZ, DEIXARIA DE DOER! E certamente que não…
Aonde colocaram na cabeça que você não precisa da reciprocidade? Em que parte que isso se perdeu? Ah, eu já sei, NA MALDITA PARTE DO INDIVIDUALISMO FAMIGERADO, onde perdemos essência e que, através de discursos eloquentes de pessoas encantadoras, acreditamos nisso! Isso pode ser bonitinho no discurso utópico, mas isso incomoda SIM, e NÃO, ISSO NÃO DÁ PRA ENGOLIR!
Sabe, eu juro não tenho necessidade de um amor Hollywoodiano, não preciso daquela balela toda pra ser feliz, não preciso colocar meu relacionamento em um pedestal, mas apenas tirar essa importância exacerbada de que um relacionamento amoroso precisa ser especial (ou que seja especial a maneira única e não algo tão padronizado e falacioso como nos filmes que assistimos ao longo da vida) e muito mais importante que qualquer outra convivência que temos. Sabe, não precisa existir a ilusão onde tudo tem que ser perfeito, não haverão discussões ou desentendimentos, não! Eu nem almejo isso…

Eu quero alguém que discuta comigo, alguém que tenha opinião própria, que mude a cada dia (sem esse discurso de “peço para que não mude, pois te amo assim” sabe?) e que eu aprenda com cada mudança e com o roteiro que a vida nos trouxe.

Não quero ter que dormir e acordar príncipe encantado todos os dias pra agradar alguém, muito menos alguém que deixe de ser quem é para poder me agradar, MAS EU QUERO SIM, MESMO QUE NA SIMPLICIDADE, A TÃO ALMEJADA RECIPROCIDADE! E ALGUÉM PODERIA SER MAIS ELUCIDATIVO E ME EXPLICAR ONDE ESTÁ O ERRO NISSO? Porque sinceramente, eu não consigo compreender…

Eu particularmente não entendo o mal que existe nisso, e não caio na esparrela de dizer que seja errôneo esperar por essa tão sonhada reciprocidade! Afinal, alguém discorda que um amor, paixão, sentimento, seja lá que raios quiserem chamar, NÃO CORRESPONDIDO, machuca? E aí surte a indagação na minha mente: “Como essas baboseiras de internet, em fotos com frases bonitinhas, ou textos de uma realidade utópica, PEDEM PARA QUE TENHAMOS E SINTAMOS TUDO, MESMO SEM SER RECÍPROCO? VOCÊ QUE ESTÁ LENDO ISSO, JÁ TENTOU? DOEU, NÉ? POIS BEM!  NO DISCURSO DE "NÃO ME INCOMODA” PODE ATÉ SER BONITINHO, MAS NA REALIDADE APLICADA, A COISA MUDA.

Eu acredito que realmente, como me disse um amigo em uma reflexão: “nós só precisamos de um romance sem firulas, isento da magia do cinema, acredito que isso é amor de verdade. A felicidade da sua vida vai ser definida nos dias de tédio. Porque eles vão definitivamente acontecer e suas fugas com mimos especiais não vão se sustentar até que a morte os separe.”

Acredito que mesmo que gradual essa reciprocidade torna-se necessária, porquê É ESSA RECIPROCIDADE que vai sustentar nos dias de tédio, quando as coisas parecerem sem sentido! Caso contrário, torna-se frigidez ou descaso, e aí esse medo de rejeição não é só prejudicial pra pessoa mas a quem sente algo por ela também, entende? Isso sim tem a ver com pensar no próximo!

Eu sei que nem sempre conseguimos ser recíprocos, porém, em momentos como estes devemos minimamente sermos sinceros e explanar isso pra pessoa, porquê deixar essas lacunas, pode ser ainda mais intenso e deixar com quem a pessoa fique nessa eterna confusão e obstruindo a sua vida, de tentar com outro alguém e ser feliz

E é exatamente com isso que eu tenho implicado, não precisa ser como em um enredo de filme, não precisa ter todas essas coisas, mas que minimamente seja recíproco, e que assim como supracitado, nos dias de tédio que eu realmente tenha motivos para transcrever sentimentos, porém não com esse tom de DESABAFO, mas que em dias como esse, eu possa lembrar que o verdadeiro amor está sim nas pequenas coisas recíprocas da vida.“ - CIRQUEIRA, Guilherme.