cabalah

Solidão

Muitas e muitas vezes, nos caminhos da nossa vida, sentimos de alguma forma que, devido aos desvios tomados, acabamos ficando sozinhos. Geralmente, isso ocorre dependendo de nossas escolhas no momento, que fazem com que nos sintamos sozinhos mesmo quando estamos cercados de outras pessoas. É muito parecido com aquela pessoa que não gosta de areia, e vai para a praia: está cercado por uma multidão, mas sua escolha em não gostar de areia é o suficiente para que ele se sinta sozinho.

Em um dos momentos do filme Matrix, um dos personagens diz: “Ignorance is bliss” (A ignorância é uma bênção). E esta frase se aplica perfeitamente a este caso. À medida em que uma pessoa vai adquirindo mais conhecimentos, a tendência é que esta pessoa comece a ficar, aos poucos, isolados. Isto acontece desde a nossa infância, passando por todas as fases de desenvolvimento do conhecimento: família, escola, faculdade, trabalho, etc.

Como exemplo, tomemos uma profissão qualquer: analista de sistemas. Devido ao seu conhecimento específico, a tendência é que haja um maior círculo de amizades e relacionamentos entre pessoas da mesma área. Isto não impede que um analista de sistemas tenha outras amizades, porém, algumas vezes, ele ou ela podem se sentir sozinhos quando estão no meio de outras pessoas.

E quando o assunto é espiritualidade, aí o bicho começa a pegar. O caminho da evolução espiritual é um caminho solitário por natureza. Estudos, meditações, leituras, seminários, etc. É um caminho único, que dificilmente será compartilhado com outras pessoas. E, mesmo que se conheça pessoas semelhantes, sempre haverá divergências: uns estudaram Cabalah, outros estudaram Tao, ou meditação, uns acreditam nisso, outros naquilo. E isso torna o caminho cada vez mais seletivo.

Porém, é um caminho que não tem volta. É semelhante àquelas flores, que nascem no meio do deserto: ninguém entende como é possível, no meio de tanto isolamento e tanta solidão, que haja algo tão perfeito e lindo.