caaaaaaaaaaaaaaaampeÃo porra !

 Desde que entrara em Avalon, Edward raramente tirava férias. Desde que renunciara o trono, ele evitava ao máximo voltar pra casa. Não que estivesse ressentido com os pais ou algo do gênero, apenas preferia evitar a pressão que ainda exerciam em seus ombros e a decepção com que alguns o olhavam desde que recusara a coroa. E estar em Avalon como General, comandando toda a segurança do local, fazia com que seu trabalho fosse 24 horas por dia. O que era bom. Mas especialmente naquela semana de dia dos namorados, o diretor da escola o chamara, sugerindo - ou melhor, ordenando - que Edward tirasse férias; ao menos, um pouco das atrasadas. E o acordo daquela tarde terminara com o homem concordando em tirar alguns poucos dias para visitar a família. O que o chefe de segurança não esperava, era que logo quando saísse, a escola seria invadia por criaturas sombrias e sanguinárias. No terceiro dia das férias, retornara a escola durante o dia. E naquele momento em especial, trajando o uniforme de general, percorria os corredores da escola, com uma feição nada amigável. - Só pode ser brincadeira. Eu fico dois dias fora. DOIS DIAS! E o quê acontece? Isso mesmo, um bando de assassinos invade a escola. 54 gurdas já foram mortos. Em dois dias. CINQUENTA E QUATRO GUARDAS! Fora os alunos e outros funcionários. - Dizia, extremamente irritado, enquanto olhava para X. -  Você veja só… Dois dias que me ausento, a primeira vez em três anos. E o que eles fazem? Deixam essas coisas entrarem! Assassinatos! Em Avalon! 

Seria muito maneiro da sua parte se você parasse de prestar atenção na merda que fiz no meu cabelo e escutasse as recomendações de vida que eu tenho a fazer. Tipo a que acabei de falar: não espere ter uma lagosta, talvez a Pheebs tenha errado o animal mas isso de se encaixou para a Rachel e o Ross por coincidência. Caralho, para de me encarar desse jeito!

Eu poderia falar de mil coisas nesse texto, mas eu irei falar de mim. De mim e da minha mania de querer atenção. De mim e da minha mania de pensar que tudo é amor. De mim e da minha mania de achar que as pessoas farão por mim o que eu seria capaz de fazer por elas. De mim e das minhas noites chorando baixinho por não ser o melhor. Não ser o que os outros queriam que eu fosse. De mim e do meu desespero em ser gostado, cuidado. De mim e das minhas tentativas falhas de querer acertar e sempre cair no mesmo erro várias e várias vezes. De mim e da minha vida desgraçada. De mim e da minha vontade de ir embora para um lugar que somente Deus pudesse me ouvir. De mim e do erro que eu me tornei. De mim e, infelizmente, do buraco que eu me tornei.
—  Wesley Trajano.

– Ok, talvez eu esteja com um pouco de frio com essa roupa, mas isso não se compara ao medo que eu estou sentindo. Porque um circo? Não podia ser, sei lá, uma casa mal assombrada, o castelo podia ter ficado mal assombrado ou sei lá, tem até fantasmas reais. Porque um circo?

Talvez essa coisa de escrever cartas para pessoas que nunca irá ler seja loucura, mas uma loucura que nos deixa ainda mais confusos do que realmente estamos fazendo de nossas vidas, as vezes envolvemos muito sentimento, uma sinceridade enorme e sem limites, falamos pelos cotovelos, dizemos coisas que sempre quisemos dizer mas nunca fomos capazes de dizer, sabe, coisas que a gente não fala pra ninguém, ninguém mesmo, mas escreve numa carta com destino certo, mesmo sabendo que não será lida pela unica pessoa que deveria ler. A verdade é que eu estou enrolando sobre esse assunto todo por que é uma coisa muito complexa, a vida é complexa e cheia de loucuras, eu mesma cometi tantas, uma delas foi escrever tantas cartas para ele, para a pessoa que ele era quando eu o conheci, sempre tive minhas dúvidas sobre seu sumiço repentino, sempre fiquei com um pé atrás, mesmo assim sempre escrevi cartas, textos, poemas e frases de canto de caderno para ele, por que mesmo depois de tanto tempo ele ainda estava vivo na minha memória como o cara que me dava atenção, que passava horas e horas conversando comigo, eu dava conselhos sobre coisas que ainda nem conhecia, sobre a vida, era engraçado uma menina de treze anos falando de amor, de como as coisas ia ficar bem, dizer aquilo tudo para um garoto mais velho e que me dava atenção mesmo assim, bom, pelo menos era o que eu pensava, talvez eu tenha vivido a mais bela experiencia de minha vida quando o conheci, não nego isso. Fazem quatro anos que eu tento decifrar o mistério que deixou para trás, as poucas pessoas que sabiam da nossa história achavam loucura eu ainda procurar sobre ele, sobre as coisas que poderiam me levar ao paradeiro dele, fazem três dias, dia dez de Junho sempre foi bem complicado, esse ano isso me afetou mais do que qualquer coisa, mas eu não sei dizer o por que, talvez por que eu já tinha aceitado uma coisa que queria tomar como certo, como algo que fizesse doer menos, mas hoje, do nada abri o google e peguei uma foto sua que eu deixava bem guardada, que eu nunca ousei procurar por ai, que nunca postei depois daquele ano, em nenhum lugar, e joguei na busca de imagem, foi uma loucura. Sabe quando a gente começa a ver soluções o tempo todo e nunca tenta por que tem medo? Isso aconteceu sem querer, eu juro, deu certo, encontrei referencia à aquela foto, mas o nome dele não apareceu, milhares de outros apareceram, a dor tomou conta de mim, as lágrimas forçavam a saída, mas eu olhei para o teto e disso: Já faz anos, eu já estava conformada que isso poderia ser verdade. É loucura cara! Passei quatro anos de minha vida procurando por ele, pela pessoa que marcou a minha vida, que eu queria mais que tudo de volta, comecei a clicar em cada um dos perfis que apareceram naquela página que busca, olhei cada uma delas, quando era redirecionada para o perfil de cada um deles a foto mudava, não tinha mais referencia dela, bom, dali eu, talvez você que está lendo isso já tenha entendido tudo. Embora as coisas estivessem e ainda esteja tão claras é complicado largar tudo, é complicado parar de escrever sobre isso, de pensar, estou com uma dor imensa no meu peito, no coração, passar os dias com dor de cabeça, parecendo que o mundo todo está uma bagunça e que apenas precisa de um ponto de paz, estou me sentindo assim, uma bagunça. Por mais que estivesse claro eu ainda criei motivos, hipóteses para não crer que a pessoa que eu conhecia a quatro anos atrás não era real, me senti a garota mais idiota do mundo, mas ainda fico pensando em como me senti por todos esses anos achando que uma das pessoas mais importantes para mim estava morta, que não voltaria jamais, muitas pessoas me alertaram sobre ser uma grande farsa, ser estranho a noticia que recebi, mas sabe, eu nunca dei ouvidos por que o amor que sentia por ele era mais forte do que qualquer coisa e me fez criar um mundo só para mim, onde tudo era perfeitamente normal. Olha, talvez eu seja ainda mais idiota por acreditas que aquelas fotos e aqueles nomes que encontrei possam ser de origem da pessoa que eu realmente conheci, que foi dele que pegaram as fotos, que dele que mantiveram vivo a memória, conclusão de tudo isso? Eu sou idiota, confusa e ainda sim sei que ele está por ai rindo de mim e das outras pessoas que ele enganou, mas se em todo o tempo que tive contato com ele, embora a foto fosse falsa, se ele foi real comigo, em todas as nossas conversas, eu queria ele de volta, queria nossas conversas de volta, queria saber de tudo […]
—  Dramaticadora (Decepções são inevitáveis)