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Capítulo 2 - Parte 3

-Tudo bem, agora a senhora precisa descansar – disse ela me interrompendo e oferecendo-me um remédio-.

Antes do medicamento fazer efeito fiquei um pouco confuso e admito que preferi não acreditar no que tinha acabado de escutar. Vieram-me milhões de perguntas, e a principal delas era se ele poderia morrer.  Lembrei dos momentos que passamos juntos e sendo assim comecei a chorar, eles são inesquecíveis. Parecia um filme passando na minha frente, em que o começo era de quando o vi pela primeira vez, depois quando nos conhecemos e no final o nascimento de Pedro. As coisas boas que recordei foram suficientes para chegar a conclusão de que todos esses sentimentos que estiveram presos em mim todo esse tempo, eu que nunca quis demonstrar. 

Não gosto que ninguém me veja chorar, me sinto fraca demais, exposta demais e por isso tento evitar ao máximo chorar na frente dos outros. Pedi que Cláudia me deixasse sozinha, e depois de explicar o motivo ela entendeu e por fim se retirou.

Dias se passaram, eu estava ainda em observação médica. Ficar no hospital todo esse tempo foi bom de certa forma pois eu passei a perceber mais as coisas, refletir sobre os meus atos e principalmente abrir os olhos e ver que anos e mais anos se passaram rapidamente, minha mágoa perdurou por muito tempo em meu peito, porém, já tinha ido embora, eu já nem me lembro mais qual o motivo de ter brigado com Augusto e mesmo assim, continuo evitando-o, atitude extremamente orgulhosa da minha parte. Decidi procurá-lo assim que ele voltasse com meu filho, nem que fosse tarde demais eu precisava pedir perdão. Não tive coragem de ligar para eles na situação em que me encontrava. Pedro nunca me viu chorar, e além de sempre ter na cabeça de que eu era forte de mais e nunca chorava do jeito que as coisas estavam eu não conseguiria fingir, a emoção tomaria conta de mim, e ao desses assuntos com ele com certeza, ele ficaria preocupado. 

Depois de uns dias entrando no quarto apenas para me dar os remédios, Cláudia puxou assunto comigo e disse que tinha uma notícia razoável para me dar. Meus olhos brilharam e uma esperança dentro do meu peito surgiu. Eu queria que ela me falasse que meu filho e Augusto já estariam de volta. Segundo meus cálculos, eu provavelmente receberia alta na amanhã, então estaria tranqüilo conversar com eles até lá.  

-Pode entrar- exclamei ao ouvir uma batida na porta do quarto.

- Boa tarde Dona Alice, vim apenas ressaltar que a senhora receberá alta amanhã. Seu filho ligou mandando beijos e disse que tudo está tranqüilo por lá. Eu preferi não contar que acidentalmente falei o verdadeiro motivo dessa viajem repentina dele, então só falei que você estava com saudades e que queria vê-lo em breve.  

-Pode me chamar de Alice, e obrigada pelo recado. Ele falou como a situação de Augusto?

- Sim “Alice”, preciso avisar outra coisa também – ela fez uma pequena pausa-. Antes de viajar, o Doutor Pedro afirmou que só o faria se uma pessoa na qual pudesse confiar tomasse conta da senhora, e por isso, me coloco a sua disposição para ir na sua casa e ajudar-lhe incansavelmente enquanto ele  não voltar. Se assim a senhora desejar, é claro. 

- Tudo bem… Mais você não respondeu minha pergunta. Como Augusto está?

 Ela sorriu e saiu do quarto, e não poderia ter feito nada pior do que isso. Odeio quando me deixam curiosa. Na verdade odeio quando me fazem surpresas e odeio também quando não me falam as coisas quando eu quero. Eu também me odeio por ser assim, tem que ser tudo do meu jeito sempre! Tinha acontecido alguma coisa mais ela não quis comentar. 

-Caramba, agora eu vou ficar imaginando milhões de coisas!- falei comigo mesma.

Pensei tanto em Augusto antes de dormir que acabei sonhando com ele. Aproveitei muito no sonho, porque o mesmo demonstrava o meu maior desejo nesse momento que era basicamente um acerto de contas entre mim e ele. No decorrer do sonho eu estava toda arrumada e corajosa sendo que no final do dia acabamos fazendo as pazes e voltamos a ser um casal. Nossa, sei que devo evitá-lo, depois de tudo que passei prefiro não me magoar mais pareço uma adolescente com o desejo de compartilhar essas sensações e emoções. Era bom demais a forma de como namorávamos escondidos de nossos pais, eu sabia que ele era meu, e eu fazia questão de demonstrar que eu era dele. Não sei por que tudo ao nosso redor parecia não ter mais importância quando estávamos juntos. Os Beijos proibidos e as declarações no por do sol. Que saudade!