by: nayara nascimento

Simples é sentir
Amanhecer e sorrir
Já sem roupa se despir
Não olhar pra trás ao partir

E se enraizar em veias
Percorrer oceanos vermelhos
Num coração que cria teias
Num batimento que destelho

Passo à poetiza louca
Porque poeta fala de amor
Mas o louco não o sente
Só sente o desamor

Semelhanças infantis
Saudade que pede bis
Vai-se o molejo entre os quadris
Até das lembranças eu me desfiz

No caminhar caminheiro
Encontro o sentido perdido
Na infância do meu devaneio
O coração não é mais partido

Mas a loucura ainda é
Enlouquecer é desequilíbrio
Não tenho balança, nem ré
Andar pra trás é proibido

Triste desolamento
Inquieta solidão
Alegria no meu lamento
Incerteza na multidão

Simples é ter sentido
Confuso é enjôo de riso
Simples é ter amigo
Infeliz é não ter abrigo

Quem me dera ser simples
Só consigo ser complexa
Velha felina cheia de mistério
Só a solidão me completa.

—  Simples Solidão, por Nayara Nascimento.