bukowski and jane

I pick up the skirt,
I pick up the sparkling beads
in black,
this thing that moved once
around flesh,
and I call God a liar,
I say anything that moved
like that
or knew
my name
could never die
in the common verity of dying,
and I pick
up her lovely
dress,
all her loveliness gone,
and I speak to all the gods,
Jewish gods, Christ-gods,
chips of blinking things,
idols, pills, bread,
fathoms, risks,
knowledgeable surrender,
rats in the gravy of two gone quite mad
without a chance,
hummingbird knowledge, hummingbird chance,
I lean upon this,
I lean on all of this
and I know
her dress upon my arm
but
they will not
give her back to me.
—  Charles Bukowski, For Jane: With All The Love I Had, Which Was Not Enough

225 dias sob a grama
e você sabe mais do que eu.

há muito eles tiraram seu sangue,
você é um galho seco numa cesta.

é assim que funciona?

nesse quarto
as horas de amor ainda fazem sombras.

quando você partiu
você levou quase
tudo.

eu me ajoelho à noite
diante de tigres
que não me deixarão em paz.

o que você foi
não vai acontecer de novo.

os tigres me encontraram
e eu não me importo mais.

—  Charles Bukowski, Para Jane.
So, keep this in mind.
There once was a chess piece, a pawn, who refused to move.
And people like us, you and I, we loved him for it.
But that isn’t to say how sad and scary it was, for him – our lowly, lonely chess piece. Sad and scary for that true/pure-hearted/brave young fellow.
 And there is nothing much for me to say about it.

—  ()f (may this one find the right person at the right time)
To Jane C. Baker, died 1-22-62

e então você se foi
me deixando aqui
num quarto com uma cortina rasgada
e o Idílio de Siegfried tocando no radinho vermelho.
e então você se foi tão rápido
quanto quando você veio pra mim,
e nós tínhamos dito adeus antes,
e quando eu estava limpando seu rosto e lábios
você abriu os maiores olhos que eu já tinha visto
e disse “Eu devia saber que era você”
você conseguiu ver
mas não por muito tempo
e um homem velho com pernas brancas e finas
na cama ao lado
dizia, “Eu não quero morrer,”
e seu sangue veio de novo
e eu o aparei com as mãos em concha
tudo o que ficou
das noites e dos dias também,
e o homem velho ainda estava vivo
mas você não estava
nós não estamos.
e você foi como você veio,
você me deixou tão rápido
você já tinha me deixado várias vezes antes
quando eu pensava que isso me mataria
mas não
e você sempre voltava.
agora eu desliguei o rádio vermelho
e alguém no apartamento ao lado bate uma porta
a sentença final: eu não vou te encontrar na rua
o telefone não vai tocar, e nenhum movimento vai
me deixar em paz.
não basta que haja várias mortes
e que esta não seja a primeira;
não basta que eu viva mais muitos dias,
talvez até muitos anos.
não basta.
o telefone é como um bicho morto que
não vai falar. E quando falar de novo será
sempre a voz errada agora.
antes eu esperava e você sempre entrava
porta adentro. agora você vai esperar por mim. 

- Charles Bukowski.

225 days under grass
and you know more than I.
they have long taken your blood,
you are a dry stick in a basket.
is this how it works?
in this room
the hours of love
still make shadows.

when you left
you took almost
everything.
I kneel in the nights
before tigers
that will not let me be.

what you were
will not happen again.
the tigers have found me
and I do not care.

—  Charles Bukowski