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Carta para você

Sentei para escrever algo para você. Algo que jamais vou mandar, pois quando tentei dizer, eu recebi facadas no peito. Você estava se protegendo de mim, e me machucando. Entendo em partes essa autodefesa. Eu te machuquei. Você me machucou profundamente, mas ainda sorrio quando me vem seu nome em minha mente. Hoje eu só quero chorar por cada lembrança dos momentos. Por cada frase dita, por cada toque seu. Eu não consigo enxergar um fim em nós. Talvez por não termos sentado pacificamente e relatado todas as mágoas, e decidido usar palavras boas para o adeus. Que teve coisas ruins, é óbvio, mas qual motivo esses acontecimentos anulam aquele por – do – sol de mãos dadas em Saquarema no alto da pedra? Qual o motivo que anula todas as juras de amor de todas as noites juntos, das risadas de cair ao chão? Qual o motivo apaga o dia que ficamos eufóricos por ter visto uma baleia? Qual motivo anula os momentos que tive do seu lado nos piores momentos? Qual motivo anula toda ajuda que demos um para outro? Eu não sei anular, se você sabe, me explica, faz um tutorial, pois preciso aprender. Isso não são palavras que imploram para uma volta. Não dar mais. Isso eu sei. São palavras de gratidão por ter tido você esse tempo em minha vida. Essas palavras não são implorando amizade, são palavras de agradecimento, e de um até logo, pois um dia podemos nos esbarrar por aí e você me mostrar as fotos dos seus filhos. Não são palavras que pedem uma convivência de volta. São apenas palavras que ficaram engasgadas na garganta e imploram para serem despejadas e lidas. Gratidão define todas essas palavras. Olhando para você sei que deixei uma sementinha boa, nem que seja do tamanho de um grão de mostarda. Você deixou em mim. Quando as lágrimas insistem em descer, a única coisa que faço é me culpar. Não pelo o último acontecimento, mas pela ação do primeiro: Não ter ouvido os mais experientes, e não  ter aguardado mais um pouco para namorar. Que saber? Não vou pensar mais nisso! Nós éramos crianças apaixonadas que não conseguiam ficar longe um do outro. Tudo era novo. Tudo tinha borboletas no estômago. Foi lindo, e se um dia eu tiver filhos, eles vão saber do grande amor da minha vida e quando eles perguntarem o porquê acabou eu irei responder: Nós não soubemos continuar cultivando o amor. E aprendam que todos erram um dia, e quando o amor é deixando de ser cultivado o peso do erro prevalece e a mágoa vence. Então não se consegue mais ficar juntos. Se tornam  tóxicos juntos. Eu quero dar um fim nisso, e nunca mais escrever nada sobre você ou para você. Só que não sei se isso será possível. Tenho alma de poeta desajeitada, que não sabe falar,só  sabe organizar as palavras em um texto nem sempre tão claro. Eu sei que agora você tem um alguém, e confesso que quando soube não fiquei sorrindo aos ventos. Só que essa é sua forma de seguir em frente, e te dou apoio. Acho difícil tudo o que você me falou seja mentira, porque ninguém mente dessa forma. Vi verdade todas as vezes que disse que me amava. Mesmo com seus erros e eu com os meus. Foram muitas tentativas, nos esgotamos. Quero que sua vida fique longe abismo e que você não se ferre, não desejo mal a ninguém, principalmente para aquele que fez descobrir o que é amar. Parece que eu apareci só por que você está namorando agora, porém não é. Como já disse, isso não é para te perturbar, e sim para  dar um fim, e eu recomeçar. Recomeçar em uma nova casa, bairro, outros cheiros e lugares, pois até na escada do meu prédio é inevitável não lembrar de ti. Hoje eu só queria ouvir de você o que realmente passa no seu interior fora a raiva suprema que sente por mim. Queria saber que você está dando um ponto final e que mesmo nunca mais querendo falar comigo, leva coisas boas em sua memória e coração. Não prometo nunca mais escrever coisas sobre você, mas prometo que nunca mais lhe escrevo se eu receber uma resposta. Ops ! Eu disse que não te mandaria isso, mas minha mão está coçando. Talvez você retorne com as piores palavras do mundo e eu fique devastada. Talvez eu ficar devastada é o ideal para que eu possa realmente não pensar se acabou ou não acabou. Talvez você retorne falando do jeito que você é, sem esse muro de proteção. Vai com calma, eu estou sem nenhuma arma. Enfim… Beijos daquela que você fez suspirar e que te fez suspirar. Bruna M. V. L. ( E.T.A.M.)