bri,

A gente ama o outro sabendo de todos os defeitos e o aceita como ele é. E eu te aceito desse jeito com toda essa tua falta de jeito e você me aceita com toda essa minha maluquice e arrogância. E a gente se ama. E não tem coisa mais linda do que saber e sentir que esse amor existe.
—  Últimas cartas enviadas. 
Não, não quero que diga que me ama, a não ser que realmente ame. E se realmente amar, nem vai precisar me dizer essas três palavrinhas, eu vou saber. Só não quero que diga isso ao vento sabendo que não é verdadeiro, como se o amor fosse uma coisa banal. Como se amar uma pessoa hoje e amar outra amanhã fosse a coisa mais normal do mundo. Não, eu não quero ser a sua décima sétima paixão do ano, do mês, da semana. Se for pra ser desse jeito, dá licença, deixa eu passar. Deixa eu passar sozinha, pela rua, pela cidade, pelo país, pelo mundo, mas não pega na minha mão, não se já souber que vai soltar. Como é que dizem mesmo? Antes só que mal acompanhada? Antes minha do que de alguém que não ama nada. Vocês não entendem, o amor não é aquela dor no estômago de nervoso toda vez que tu vê a pessoa, isso é paixão, o amor é quando a tua calma se personifica em alguém. É quando o mundo desaba, mas você ainda se sente seguro. Qual a necessidade que você tem de iludir as pessoas? Você gosta quando te iludem? Então não fala eu te amo, porra! Manda uma música, um print do tumblr, escreve um texto, diz que ta com saudade, que lembrou dela, dele, mas não ilude, entendeu? Coisas pequenas assim, são bem maiores em sinceridade que um eu te amo oco de sentimento. Então, só diz se tiver certeza. Só diz quando outro beijo não tiver graça. Quando teu mundo for um caos, só porque tu não recebeu um bom dia. Quando até a ração do teu gato te fizer lembrar da pessoa. Eu sei que não tem nada haver, mas o amor é nada haver. E a graça é essa, tu se perde no teu mundo tentando achar o caminho pro dele, pro dela. Eu disse eu te amo duas vezes na minha vida e ouvi umas 530. Eu me machuquei feio na primeira vez e continuo me machucando na segunda, a diferença é que quando é de verdade mesmo a dor vale a pena. A gente diz que ama um amigo, mas abandona ele na hora que mais precisa, a gente fala que ama os nossos pais, mas vive falando mal deles, a gente diz que ama a menina bonita, o cara gostoso, mas nunca vê além disso. Aprende uma coisa: amor não é panfleto pra tu sair entregando a todo mundo.
—  Bri.
Eu pensei que as coisas mudariam, mas não mudaram, sabe porque? Porque é pra o colo de outra pessoa que tu vai querer correr quando as coisas ficarem ruins. São outros olhos que você vai procurar em meio a multidão. Teu corpo vai querer sentir o calor de outro corpo, e a tua alma vai lidar bem com a alma dessa pessoa. E não vai ser o meu colo, nem meus olhos, muito menos meu corpo e minha alma que vão servir pra te fazer feliz.
—  Últimas cartas enviadas. 
As pessoas pensam que amar é como estar num parque de diversões e escolher o brinquedo certo, mas não é bem assim. É como se você realmente estivesse num parque de diversões, mas só pudesse escolher a montanha russa. É como se os brinquedos que não oferecessem riscos nem estivessem ali, como se nunca tivessem entrado no pário de escolha, como se perdessem toda a graça. Você entende? Algumas pessoas temem montanhas russas, assim como temem amar, outras não conseguem conter a vontade de se aventurar nesse perigoso brinquedo só pra ter, ao menos, uma breve alegria no nosso mundo conturbado. Só que as pessoas querem mais que uma breve alegria no amor e é por isso que temem passeios breves nas montanhas russas. Porque, o que é o amor senão uma montanha russa? Mas faça a comparação correta: Assim como no amor, nelas, as pessoas não tem medo de se machucar e, sim, de que gostem demais da aventura e não saibam lidar com o término dela depois. Compreende? O problema não está em ter medo do amor, está em ter medo de que ele acabe, com a adrenalina a flor da pele e o coração batendo forte demais, como num passeio de montanha russa. As pessoas tem de parar de procurar por montanhas russas e breves passeios e serem seus próprios parques de diversões, e aqueles que as vierem visitar talvez fiquem por um dia, ou queiram viver suas breves alegrias pra sempre. É com isso que o amor verdadeiro se assemelha: um parque de diversões. Há dias de alegria e risos altos, outros de conserto, paciência e de esperança de que tudo volte a funcionar. Pode haver alguém aguardando na fila da sua montanha russa, mas talvez você tenha deixado seu coração fora do horário de funcionamento.
—  Bri.
Eu deito na cama, olho pro teto e fico imaginando você do meu lado. Deste então, durmo abraçada num travesseiro enorme fingindo que ele seja você. Talvez porque eu sinta falta demais do teu sorriso bobo, olhando pra mim, ou de você me encarando e me enchendo de elogios que, de verdade, eu não mereço. Ou talvez seja só você, que por si só, inteiro, faz uma falta enorme. Não desde a hora que vai embora, mas desde a hora que eu sei que você vem, porque a partir daí já sei o que vou sentir: saudade.
—  Bri.