brendxita

Sentei em um banco e o vi. Ele estava exatamente do jeito que eu sempre imaginei. Calça jeans preta, vans e uma camisa xadrez. Mesmo com a touca, dava para perceber o cabelo perfeitamente bagunçado. Ele brincava com os amigos e dava um sorriso tímido, no canto da boca. Quando olhava para mim, eu desviava o olhar, por mais que a minha vontade fosse de encará-lo e notar a reação dele ao me ver. Fiquei observando o jeito carinhoso que ele tratava as meninas à sua volta e desejei ser uma delas. Eu sorria involuntariamente só de admirar seus movimentos. Ele começou a se aproximar, eu olhei para o outro lado. Ele sentou ao meu lado e eu continuei virada. Ele não fez nada, eu olhei para frente. Ele sorriu. Eu sorri. Ele disse: oi. Estremeci, meu coração acelerou mais do que era normal e minha mão começou a suar frio. Fiquei paralisada e sem reação. Em apenas uma pequena palavra a voz dele soou tão doce e suave. Eu estava nervosa, com medo de fazer algo errado. Desejei ser aquelas garotas e agora ele estava ao meu lado, me cumprimentando e aguardando a minha resposta. Isso é típico de mim mesma: travar em momentos em que deveria agir naturalmente. Sem saber o que falar ou como falar, permaneci calada durante alguns segundos. Era inevitável não olhar para ele, era inevitável não sentir todas aquelas coisas que eu sei que só seriam com ele, dono de todos os meus pensamentos e cada segundo repartido e mínimo da minha vida. Desejei parar o tempo. Abraçá-lo, beijá-lo ou apenas… admirar o quão lindo era. Mas eu apenas disse ‘oi’ e sorri de um jeito bobo. Eu não conseguia acreditar que ele estava ali, do meu lado. Ficamos em silêncio por um longo tempo que parecia uma eternidade. Meu Deus, por que isso agora? Ele parecia estar nervoso também, o que aumentou ainda mais minha ansiedade que, praticamente, chegou ao limite quando ele começou a falar: 'bom, eu só vi que você estava olhando e… sei lá. Eu meio que sempre achei você legal, então.’ Ele soltou um suspiro e continuou: 'estou te incomodando, não é?’. Foi quase por impulso que eu respondi, cuspindo as palavras de uma vez só: 'não, de verdade, eu gosto de você… aqui’. Nós nos olhamos por um breve tempo e ele parecia tão, tão… perdido. 'Acho que também gosto de você aqui’.
—  Olivia, Erin e Brenda [dilaceradas]
Enfim, estou feliz. É isso, estou de alma lavada. Me sinto mais leve e de cabeça erguida com um belo e sincero sorriso no rosto. Sinceramente, achei que isso nunca aconteceria, por tempos pensei que a tristeza não iria me abandonar, mas ela foi embora, e foi embora também aquela solidão dolorosa e as noites de insônia, e depois que ela partiu, aqui está a felicidade, que chegou e fez sua morada. Não tenho palavras para definir como me sinto tão bem. Enfim, respiro aliviada por saber que não fico mais o dia todo chorando sem motivos. E vivo, respiro, sou mais feliz que nunca, pois me sinto liberta, de peito aberto e escancarado a murros, pontapés e facadas que virão por aí, porque sim, sempre virão. Mas não me desanimo, não mais: afinal, de que vale viver sem se arriscar um tantinho? De que vale sorrir e sorrir todos os dias e não ser feliz e feliz também? Estou cobrando a juros toda a felicidade que um dia fugiu daqui de dentro de mim. Estou me sentindo bem, de corpo e alma e todo o resto. Estou viva, mais do que nunca estive, e assim pretendo continuar. E o passado, como fica? Bem, fica lá atrás, porque você sabe: cansa chorar sempre sem nunca sorrir e hoje estou cara a cara com a felicidade, batendo à porta dos melhores sentimentos e eu estou fazendo o possível para que possam mais uma vez tomar conta de mim. Não quero me arriscar a perder tudo o que eu sinto agora. É tão reconfortante poder deitar a cabeça no travesseiro e saber que as lágrimas não o mancharam como acontecia outras vez. É um alívio não sentir aquele aperto esmagador no peito, e agora com toda a serenidade do mundo, eu posso simplesmente fechar os olhos e dormir em paz. Eu nunca fui de arriscar muito nos meus atos e decisões, mas agora eu sinto que posso fazer todas essas coisas, porque agora eu finalmente sou eu mesma. Digo isso porque agora sei quem sou, sei o que eu quero e acima de tudo, descobri que nenhuma dor é eterna. Por mais que eu tenha detestado cada segundo de todo esse sofrimento que eu passei sei que não foi em vão, teve um motivo, assim como me disseram que teria e eu não acreditei de primeira, esse sofrimento todo me fez crescer, me fez mais forte e segura com tudo. Hoje sei que posso tomar decisões importantes porque sou capaz disso, tenho confiança em mim mesma, e se eu errar? Paciência, ninguém aprende a andar sem engatinhar. É assim que passo a levar a vida, não deixando-a me levar como era antigamente, hoje eu tenho total controle sobre ela e sobre o que vai acontecer, mesmo não sabendo o que vai acontecer, é estranho e confuso de entender, mas é assim que a vida é, confusa, turbulenta, meio indecisa e muitas vezes tristes. Mas ela também consegue ser maravilhosamente bela e simpática se você souber como enxergá-la assim como eu.
Amor, amor, amor… Por que eu tenho que sempre falar de você? Todos os meus textos tem que existir rastros teus. Parece que sua perseguição por mim é eterna. Por que não nos damos bem amor? Eu sempre tenho que te odiar porque as pessoas não sabem usar você direito. Não que você seja um objeto com manual de instrução, mas parece que algumas pessoas que não sabem o seu real significado. E eu não te odeio amor, você é o sentimento mais puro e lindo desse mundo. Você nos traz a paz. Você é o mestre de todos os sentimentos. Você é o mais verdadeiro, mesmo que algumas pessoas o façam ser falso. Amor, você é o que eu mais preciso e o que eu mais tenho medo. E é esse medo que me faz sentir essa confusão sobre você. Porque sempre que você esteve por perto, eu saí machucada. Vê isso? Eu me machuquei por você, por pensar até que você sempre fosse continuar ali. A sua presença dói, às vezes, mas sua falta ainda é o meu mal. A sua falta ainda é o que machuca mais e tortura a minha mente e o meu coração todos os dias. Me contradigo tanto quando o descrevo amor, sempre o vi como um verdadeiro paradoxo, e acredito que sempre será assim, mas isso também não me faz mal, o fato de tentar entender-te, decifrar-te, desvendar-te não me faz mal, me sinto instigada a cada descoberta, e esse sentimento é revigorante. E foi no momento descrito que descobri a solução para o fim de todas as minhas contradições ao te descrever, não é você que me faz mal, são as pessoas que sabem usá-lo, a sua beleza está nos olhos daqueles de corações preenchidos por sentimentos verídicos, e os que não se encontram nesse estado acabam por te vulgarizar, e o reflexo desses usos inadequados, são pedaços estraçalhados de corações que se perdem na caminhada da vida, como o de quem vos fala.