brasil lixo

falam sempre do gay, da lesbica, do negro, do funkeiro, mas e se um dia você precisar de sangue e só um gay poder doar? você vai recusar? ou se pior você precisar de um órgão e só a lesbica poder doar ? ou então na pior das hipóteses você sofrer um acidente e você for o paciente do medico que é negro ou funkeiro? você vai recusar ajuda e morrer? se liga Brasil, seu preconceito é lixo, igual sua atitude de ver os outros com esses olhos, pense bem em como você age no dia a dia, ninguém sabe quando iremos precisar de alguém não é mesmo?
245 pessoas mortas, agora imaginem o sofrimento de cada pessoa ali dentro? E ainda tem gente que tira piadas disso. 245 pessoas mortas pisoteadas e asfixiadas porque os seguranças obstruíram a porta de saída pra não saírem sem pagar, e vocês ainda perguntam porque eu tenho vergonha do Brasil? O povo que prefere dinheiro do que salvar vidas? Meus sentimentos a cada família de cada pessoa morta ali dentro e minhas orações a cada pessoa hospitalizada. Santa Maria - Rio Grande Do Sul.
Atravesso a rua para chegar do outro lado. Mas que piada, que piada. Sou engraçado e rio de mim. E sou modesto. Pego o carro, pego a estrada, pago pedágio e contrato um motorista. Converso com ele, rio das piadas dele, ele das minha e vamos assim, rindo, pelas estradas. Verde, seco, verde, seco, mato, prédios. Entramos na cidade outra vez e vejo pessoas. Pessoas não, vejo gente. Rimos mais um pouco. Eu devolvo o carro, pago o motorista. Vou para o hotel e encontro a Edith. A Edith é a dona do hotel. Hotel não, pousada. É onde pouso. Mas que piada, que piada. Tomo café e alugo um carro, pego a estrada, mas sem motorista. E rio sozinho com o rádio ligado. Não posso ver a paisagem, o carro corre demais e eu quero chegar logo, tenho pressa, sou veloz. Entro no povoado, cidade pequena e vejo gente. Gente não, povo. Mas que piada, que piada. Povo do povoado? Paro o carro e é o Sílvio que me ajuda. Sílvio é o frentista. Gasolina ou Etanol? Petrobras no lixo, petróleo comprado, vendo a preço de banana e o que dizer do Brasil? Lixo não, meu país não. Mas que piada, que piada. Gasolina. O carro volta a funcionar. Chego onde quero, mas onde é? Alugo um outro carro e pé na estrada de volta para casa. Que é? Vou. Atravesso a rua, abro a porta, o cachorro late, o vento entra pela janela que abri. E sinto que estou onde deveria estar. Ligo a TV. E o Jornal Nacional me diz que estou errado e que o povo brasileiro tem o brado forte que retumba por aí. Meu país, meu país. Mas que piada, que piada. Rio de mim. Rio do mundo. Restam reticências e que você, leitor, imagine mais daqui para frente.
—  Theu Souza