bolador

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Sky Sharks Trailer: Tiburones nazis voladores.

Que sí, que es absurda y blablabla, pero hace dos días pusieron en La Sexta Mega Shark vs giant Octopus, y tiene escenas aún más ridículas (si cabe)

Juzgad vosotros mismos:

RMMBR enviado por From442.

Capítulo 137 - Pó.

Aqueles minutos - ou horas, não sei muito bem dizer - pareceram o infinito pra mim. Eu ficava imaginando todas as possibilidades, tudo que poderia acontecer quando o Gunz chegasse, e mesmo se ele não chegasse. Pensar sempre no pior é o meu jeito de me preparar pro pior. O Matt já me deu muitas broncas na vida em relação a isso, que o fato de eu ficar pensando na merda que pode acontecer não vai evitar que ela aconteça, e que isso só serve pra eu sofrer antecipadamente. Eu sei de tudo isso, mas não consigo evitar ser pessimista. É um mecanismo de defesa que eu aprendi há muito tempo e que não consigo deixar de lado mais.

Enquanto eu encarava o chão e contava o número de pedras soltas na estrada pra tentar conter o nervosismo, o Matt ficava imerso nos pensamentos dele (provavelmente tentando decifrar o que eu tava escondendo), e o Fred andava de um lado pro outro fumando todos os cigarros que tinha. Ele devia estar mais nervoso que eu, mas não queria demonstrar. Eu, pelo menos, já tinha encontrado o Gunz uns dias atrás, já tínhamos nos falado. O Fred não ouvia nada a respeito dele fazia muito tempo. Era tudo muito novo e incerto pra ele. Três coisas que dão medo: novidade, incerteza, e o Gunz.

A gente fava tão atordoado que nem se dava ao trabalho de falar. Era muita coisa pro nosso cérebro codificar, desde o Gunz de volta no rolê até a tal missão que o Fred ia passar pra ele. Não dava pra pensar em tudo isso e falar ao mesmo tempo. Menos ainda depois de beber. Eu precisava relaxar, puta merda, antes que minha cabeça explodisse de tantos pensamentos.

Eu: Acho que essa é a hora de tu liberar esse beck pra gente, Matt.
Fred: Porra se é.

Ele demorou um pouco pra expressar alguma reação depois do que eu falei, provavelmente porque ainda tava pensando se merecíamos ou não aquele beck. Mas por fim, ele tirou um dichavador de um bolso e uma paranga de outro. Fazia tempo que eu não via o Matt com um beck já bolado na espreita.

Eu: O que aconteceu? Por que tu não tá com nenhum beck pronto aí?
Matt: Eu tive que fumar todos pra não matar vocês quando me liguei que eu fava na mesma festa que a Larissa.

Justo. Dei de ombros e fiquei assistindo enquanto ele girava o dichavador de um lado pro outro pra triturar a maconha. O Matt fazia aquilo como se fosse uma arte milenar chinesa passada de pai pra filho, com muito cuidado e atenção. Os becks dele não são os melhores a toa. O cara é praticamente um profissional. Até o Fred ficou quieto pra assistir a cena.

Fred: Se existisse a profissão de bolador de beck, o Matt daria palestra no mundo inteiro.

Esses somos nós. Em poucas horas passamos de ódio um pelo outro pra medo em conjunto e terminamos fazendo piada. Não dá pra entender. Por um segundo até nos esquecemos do Gunz, principalmente depois que o Matt terminou, acendeu e passou o beck. Dar aquele trago fez toda a diferença pra mim. E eu nem to falando só no bom sentido, porque me deixou ainda mais chapado.

O Fred tava contando alguma coisa sobre alguma mina - pra variar - quando vi um clarão iluminando a curva da estrada, e aí voltei a ficar nervoso pra caralho. Nesse sentido aquele beck me fez até um pouco mal, porque comecei a entrar na bad trip. Cheguei a imaginar o Gunz chegando com uma serra elétrica pra cortar a gente em mil pedaços e dar pra um cachorro comer. O Fred tava mesmo entrando na minha mente com aquelas histórias.

A luz forte das lanternas do carro não nos deixavam enxergar o que vinha atrás. Chegamos a proteger os olhos com as mãos pra conseguir ver alguma coisa, mas só conseguimos enxergar depois que o carro estacionou e as lanternas foram apagadas. Demorou um pouco pra minha pupila voltar ao normal e eu conseguir adaptar minha visão ao ambiente escuro, mas logo reconheci o carro preto do Z Club.

A luz interna do carro acendeu assim que a porta foi aberta, e conseguimos enxergar o Gunz lá dentro. Pela cara do Fred, ele não conseguia acreditar. Acho que até aquele momento ele ainda tinha esperança de que tudo não passasse de um mal entendido, ou uma piada de mal gosto. Mas não. Era mesmo o Gunz. Ele saiu do carro em silêncio e nós o recebemos sem emitir nenhum som também.

Vendo a cara do Fred e do Matt com a expressão de quem tinha acabado de encarar um fantasma, o Gunz decidiu me cumprimentar primeiro.

Gunz: E aí.

Ele estendeu a mão e eu dei um toque. O Matt e o Fred assistiam aquilo sem nem conseguir respirar. O Gunz chegou a ameaçar um cumprimento perto do Fred, mas desistiu no meio do caminho. Nem ele sabia muito bem o que fazer. E olha que ele parece sempre saber. Depois de alguns minutos no mais absoluto silêncio, a voz do Gunz saiu mais alta do que o normal:

Gunz: É… Quanto tempo.
Fred: O negócio é o seguinte.

Quê? Dessa vez fui eu que olhei o Fred como se tivesse visto um fantasma. Na moral mesmo que a gente encontra o Gunz numa estrada deserta e começa o papo com um “o negócio é o seguinte”? Se eu ainda tinha alguma dúvida de que o Fred estaria mais bêbado que eu, descartei naquela hora.

Gunz: Hm.

Pra minha surpresa, o Gunz não pareceu irritado com aquilo. Na real, senti que ele fava meio debochando da cara do Fred, lá no fundo. Ou talvez fosse brisa de bêbado minha, não sei. Só sei que achei um tanto escrota a forma como ele cruzou os braços e estendeu o pescoço na direção do Fred, como quem diz “fala, chefe” com a maior ironia do mundo.

Fred: Eu não sei o que tá pegando, não sei de onde tu saiu…

Respirei aliviado. Pelo menos eu sabia que o Gunz não tinha contado nada pro Fred no telefone sobre o Z Club. De verdade, tive vontade de abraçá-lo por aquilo, nem conseguia acreditar. Ele me olhou de canto e eu assenti com a cabeça num agradecimento silencioso. Valeu por não me foder, por enquanto.

Fred: Não sei que droga o Thom fava usando quando resolver voltar a falar contigo.

E o Gunz permaneceu firme, forte e quieto, sem contar nada sobre o real motivo de termos voltado a nos falar.

Fred: Mas eu não confio em ti, cara. Não entra na minha cabeça isso.
Gunz: Tu me chamou aqui pra ficar me dando sermão?

É claro que ia sair faísca. O Gunz quieto com o Fred falando o que bem pensava fava muito tranquilo pra ser verdade.

Gunz: Eu ter vindo aqui buscar vocês no meio do nada já não te passa o mínimo de confiança?
Fred: Deixa eu terminar. Tu vai ter tua vez de falar.

Caralho. Eu e o Matt só ouvíamos. Entrei numa brisa tensa de que, se eu abrisse a boca, ia falar qualquer coisa que fosse terminar em treta. Então fiquei mudo.

Fred: De verdade: foda-se. Eu não quero saber o que tu andou fazendo, por que tu resolveu aparecer e tudo mais. Só quero contar contigo pra mais uma coisa além de tirar a gente desse mato.
Gunz: Beleza.
Fred: Beleza o que? Tu nem sabe o que eu vou pedir.
Gunz: Faço qualquer coisa pra mostrar pra vocês que eu vim em paz.
Fred: Qualquer coisa?
Gunz: Qualquer coisa.

Olhei de canto pro Matt e reparei que ele também tava me olhando. Talvez fosse um código pra gente sair correndo junto antes que fosse tarde demais, mas eu fava muito bêbado pra entender.

Fred: O negócio é o seguinte.

Ele retomou a frase convencida.

Fred: A gente acabou de sair de uma festa, numa chácara aqui do lado.

O Fred parou de falar e me olhou pelo canto do olho. Vendo meu total desconforto com aquela conversa bizarra, ele foi até o Gunz e o puxou pra que eles andassem juntos na direção do carro. Ele indicou que o Gunz entrasse pela porta do motorista e ele deu a volta no carro pra entrar na porta do passageiro.

Eu: Que porra é essa? Onde vocês vão?!
Fred: Lugar nenhum. Só vou falar com ele dentro do carro pra tu e o Matt não ouvirem, senão vocês vão cortar a brisa.
Eu: PORRA, FRED!
Matt: Se a gente vai cortar, é porque é má ideia! Já chega de se poder por hoje, na boa!
Fred: Calma, caralho! Eu ainda nem sei se ele vai topar. Espera eu falar com ele.

Ele entrou no carro, fechou a porta e começou a falar com o Gunz em voz baixa pra que a gente não ouvisse.

Eu: Isso vai dar merda.
Matt: Isso vai dar muita merda. Eu só queria ir pra casa.
Eu: Pensa que pelo menos a gente não morreu.

O Matt pensou um pouco antes de me responder.

Matt: “A gente não morreu”? Tu não confia nele de verdade, né?

Fiz que “não” com a cabeça. A droga entra e a verdade sai.

Eu: Mas eu ia fazer o que, velho? Ia chamar a polícia quando visse o Gunz?
Matt: Imaginei.
Eu: Eu não sei o que pensar, de verdade. As vezes acredito que não vai dar nada errado desde que eu saiba como lidar com ele, e as vezes eu acho que sei. Mas ao mesmo tempo fico paranóico só de imaginar que a gente vai ficar sozinho numa estrada abandonada com ele.
Matt: Acho que isso é normal.

Silêncio.

Matt: Te acharia mais maluco se não ficasse com nenhum medo do Gunz depois de tudo o que ele fez.

Ouvimos o barulho da porta do carro destravando.

Fred: Chega aí. - o Fred nos chamou. - Vamo nessa.

Não sabia se o “vamo nessa” significava “vamos pra casa” ou se era o start pra missão suicida do Fred, mas eu e o Matt fomos até o carro. Fosse o que fosse, pelo menos íamos sair daquele lugar gelado onde já tínhamos passado as últimas horas. Entramos no banco de trás. O Fred virou o rosto branco na nossa direção enquanto o Gunz dava partida no carro.

Fred: A gente vai voltar pra festa.

O carro saiu andando, não tínhamos mais como fugir.

Eu: Como assim?!
Matt: Por quê, velho?!
Fred: Mano, a gente saiu de lá escarrado! O Vinão tava disposto a te causar uma fratura exposta na cabeça, a gente rolou um barranco de quilômetros, eu saí sem comer a mina e esqueci minha jaqueta lá. Isso não pode ficar assim.

Eu não sabia nem o que falar.

Eu: Velho!!! FODA-SE! Vamo embora!
Fred: Confia no meu plano, Thommo. A gente vai dar o troco.
Matt: Tu pode comer outra mina, comprar outra jaqueta, e o Vinão vai estar sempre disposto a matar o Thom, não importa o que tu faça!
Fred: Velho, relaxa, a gente só vai dar uma zuada com a cara deles.

Chegamos na chácara mais rápido do que eu imaginei, e reparamos que o portão tava aberto. O Gunz estacionou o carro e o Fred virou pra ele pra passar as coordenadas:

Fred: Tu ainda sabe roubar carro, certo?

O Gunz fez que “sim” com a cabeça.

Eu: A GENTE VAI ROUBAR UM CARRO?
Fred: CALMA, CARALHO!

Ele voltou a falar com o Gunz:

Fred: Quantos carros tu consegue abrir em poucos minutos?
Gunz: Quantos minutos?
Fred: Poucos.
Gunz: Depende.
Fred: Dá pra abrir quatro?
Gunz: Fácil.

Eu e o Matt nem respirávamos.

Fred: Alguém sabe se o extintor que vai no carro é de água ou de pó químico?

Matt: Pela nova lei tem que ser de pó químico.

O Fred abriu um sorriso do tamanho do mundo.

Fred: Vamo deixar essa chácara nevando.

Pareceu que eu tinha engolido uma pedra quando ouvi aquela frase do Fred.

Eu: É sério que tu va…?

Antes de eu terminar a frase, o Fred já tava do lado de fora do carro dando as ordens.

Fred: Desce com o carro até lá embaixo, mas não entra no estacionamento. A gente vai ter que vazar correndo. Assim que tu estacionar, desce e encontra a gente atrás do último carro, aquele Fit preto.

O Gunz concordou com a cabeça e desligou o farol do carro pra ninguém nos ver entrando. Eu e o Matt nem nos mexemos, em choque. O Fred olhou pra nossa cara com impaciência:

Fred: É isso mesmo que vocês tão pensando. O Gunz vai abrir uns carros, cada um vai pegar um extintor e a gente vai virar essa chácara do avesso.
Eu: Mano, tu surtou de vez? Essa é a ideia mais sem noção que eu já ouvi! Vamo embora dessa merda.

O Fred abriu a porta de trás do carro e indicou com a cabeça pra que eu saísse.

Fred: Vamos descer aqui pela lateral pra ninguém ver. Deixa só o Gunz descer com o carro porque ninguém conhece ele.

Percebi que eu não teria muita escolha, ele tava ignorando completamente qualquer coisa que eu falava. Bufei e saí do carro. Já escapei de ter o crânio amassado pelo Vinão uma vez hoje, quem sabe eu tenha sorte de novo. Assim que eu saí do carro, o Fred apoiou a mão no meu ombro.

Fred: Tu tá me odiando agora, mas vai me agradecer muito por isso.

Pode crer. Agradecer por ter ido parar no hospital.

O Matt veio atrás de mim e o Gunz foi descendo lentamente com o carro.

Matt: Isso vai dar muita merda.

Ele disse enquanto a gente seguia o Fred, que tava se escondendo nuns arbustos pra descer pra chácara sem ser visto.

Matt: Para pra pensar nisso. Eu e tu andando atrás do Fred.
Eu: Tá tudo errado.
Matt: É foda. Eu nem falo mais nada.

A gente podia simplesmente dizer "não” e não fazer aquilo, mas alguma coisa dentro de nós dizia que a gente devia fazer. Nem que fosse só pra acompanhar nosso melhor amigo numa merda. Afinal, é isso que os amigos fazem. Do meu lado, ainda tinha um leve remorso que contribuía pra que eu fizesse o que o Fred queria. Eu sentia que devia alguma coisa pra ele por ter escondido sobre o Gunz, e por ainda estar escondendo tanta coisa.

Matt: Tu acha que o Gunz vai cumprir com a palavra dele?
Eu: Quê?
Matt: É, tu sabe. Tu acha que ele vai ajudar a gente com isso? Ou vai dar um jeito de sair fora se der merda?

Olhei pra frente e vi o Fred descendo até o estacionamento por um caminho de terra.

Eu: Pra ser bem sincero, eu não sei.

O Matt suspirou. Acho que ele se lembrava bem da vez em que eu, o Fred e o Gunz fomos pegos com maconha por um policial e o Gunz fugiu, deixando a gente se foder se sozinho. Na real, a história foi parecida com hoje, porque também ficamos numa estrada abandonada por horas.

O Fred achava que tava num filme do 007. Antes de dar cada passo, ele olhava pra todos os lados umas cinquenta vezes e chamava a gente com as mãos quando via que o caminho tava limpo. Depois de um tempo naquela missão de chegar até o estacionamento sem ser visto por ninguém, finalmente fomos parar atrás do carro em que ele tinha combinado de encontrar o Gunz. Confesso que meu coração parou de bater por uns segundos pensando que ele não cumpriria com a palavra dele, mas fiquei aliviado quando vi o Gunz lá, agachado, mexendo na fechadura do carro. Eu nem sei como ele fez aquilo, e acho que também não queria saber, mas em poucos segundos a porta do carro tava aberta. O Fred fez a mesma cara que fazia quando via a vizinha só de sutiã na janela.

Fred: Thommo, vai no próximo. Assim que ele abrir, tu pega o extintor embaixo do banco.

O Gunz saiu abaixado até o carro do lado e eu fui atrás. Nem dava pra acreditar que eu tava fazendo aquilo. Eu tava cagando de medo, mas àquela altura já tava se tornando um medo gostoso, de adrenalina. Aquela adrenalina de “olha a merda que tá prestes a acontecer”.

Logo que ouvi a porta do carro sendo destravada, não pensei duas vezes e entrei pra pegar o extintor. Se eu pensasse muito, desistiria. Como o Fred disse, ele tava embaixo do banco do motorista. Peguei o extintor e saí.

Eu: Por que tu tá fazendo isso?

Eu queria muito saber porque ele tava ajudando a gente se ele nem tinha nada a ver com aquilo. Ele deu de ombros e saiu pra abrir o carro do lado. Acho que nem ele sabia.

Encontrei o Fred sentado no chão atrás do último carro, abraçado com o extintor dele. Ainda parecia que eu tava sonhando com aquela porra toda. Me sentei do lado dele porque minhas pernas tavam tremendo demais de nervosismo pra eu conseguir ficar em pé. Ficamos ouvindo o Gunz abrir outro carro.

Fred: A gente é muito…
Eu: Retardado.
Fred: Muito.
Eu: Pra caralho.
Fred: Tipo, pra caralho mesmo. Hahahaha.

Tive que rir também. Aquilo era muito errado, tinha tudo pra dar merda, e eu não faria se não fosse com eles. Que se foda, vai. Se der merda, beleza. Já deu tanta merda na minha vida. Mais uma não vai fazer tanta diferença. Na pior das hipóteses, vai virar uma história pra contar. Uma história que vivi com meus amigos. Espalmei a mão pro Fred e ele me deu um high-five.

Fred: Isso vai ser muito louco.

O Matt e o Gunz chegaram, cada um segurando seu extintor de pó químico. O Matt tava tão em choque que dava pra ver ele tremendo de longe.

Fred: Chega aí, Matt.

Ele fez um gesto com a mão pedindo que o Matt se abaixasse pra falar com ele.

Fred: Tamo junto, demorou?

O Matt não entendeu muito bem aquilo, mas concordou com a cabeça, mesmo com a expressão confusa no rosto. Logo em seguida, o Fred se levantou e ficou espiando o que tava rolando na festa, dentro da casa.

Fred: A galera já tá indo dormir. - ele sorriu. - Só tem dois malucos fumando um beck do lado de fora e uns perdidos no sofá. Tá todo mundo nos quartos.

Respirei fundo e senti minha boca seca de adrenalina.

Fred: No três, todo mundo corre. Matt, tu esguicha se tiver alguém na cozinha. Thommo, eu e tu vamos pros quartos. Gunz, tu esguicha nesses malucos que tão aqui fora e depois já corre pra esperar a gente dentro do carro. Demorou?

Todo mundo concordou com a cabeça. O Gunz era o único que parecia tranquilo com a ideia.

Matt: E se…
Fred: Mano, sem ficar pensando em teorias. Só entra e joga esse caralho desse pó em TUDO. TUDO. - ele arregalou os olhos.

O Matt concordou.

Fred: No três.

Ele se esticou pra olhar o movimento dentro da casa.

Fred: Três… Dois…

Segurei meu extintor com força e já deixei o dedo no “gatilho”.

Matt: Tentem não jogar só na Larissa, por favor.

Fred: VAI! VAI! VAI, VAI, VAI!

A gente saiu correndo como se estivesse num ataque no meio de uma guerra. O vento gelado cortava meu rosto enquanto eu corria, mas eu tava tão quente que nem sentia. Assim que entramos na casa, pra nossa surpresa, o primeiro a jogar pó químico pra todo lado foi o Matt. Ele esguichou tão forte na cara de um moleque que caiu pra trás. Depois, esguichou em cima da pia e derrubou tudo o que tinha lá em cima.

Fred: AAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

A risada do Fred de filme de terror do Fred ecoou em meio à fumaça branca que tomou conta da sala. A gente saiu esguichando sem dó. Tinha guria gritando, uns caras tentando se proteger com a blusa, ninguém entendendo nada.

Fred: VINÃÃÃÃÃO! CADÊ TU, CARALHOOOOO?

O Fred deu um chute na porta que levava até os quartos e lavou o corredor de pó branco. Eu não conseguia parar de rir nem por um segundo. Tava me dando até dor no abdomen. Ele saiu abrindo todas as portas e esguichando. Tava uma gritaria e uma correria do caralho. Quando abriu a última porta do corredor, ele parou e me chamou.

Fred: Esse é teu, Thommo.

Ele saiu da frente e eu pude ver o Vinão dentro do quarto, deitando na cama com a Bruna.

Vinão: Mas que porr…?

Acho que joguei mais da metade do que tinha no meu extintor dentro daquele quarto. A Bruna gritou como se não houvesse o amanhã e o Vinão xingou todas as gerações da minha família com todos os palavrões que ele conhecia.

Fred: RALA PEITO, THOMMO! ACABOU O EXTINTOR DO MATT! CORRE! CORRE!

Antes de vazar, tive tempo de ver a Bruna e o Vinão como se tivessem acabado de cair numa lata de tinta branca.

Bruna: AAAAAHHHHHH!
Vinão: EU VOU TE MATAR! EU VOU MATAR ESSE MOLEQUE! TU TÁ FODIDO COMIGO! TU TÁ FODIDO!

A gente saiu correndo em direção à porta de saída no meio de toda aquela fumaça branca. Não dava pra enxergar porra nenhuma. Esbarrei em mesa, cadeira, sofá, gente, tudo, e nem acreditei quando cheguei do lado de fora da casa são e salvo. Olhei pra trás procurando o Matt.

Eu: CADÊ O MATT?
Fred: CORRE, THOMAZ, CARALHO!!!
Eu: MATHEUS!!!

O Matt saiu do meio de uma nuvem de pó químico correndo como se fugisse do capeta. Assim que ele passou correndo na minha frente, o empurrei pra que fosse mais rápido e nos jogamos dentro do carro do Gunz. Antes de fecharmos a porta, o carro já tava subindo a ladeira.

Vinão: EU VOU TE MATAR!!! TU TÁ OUVINDO? EU VOU TE MATAR!

Ouvi a voz do Vinão, mas nem olhei pra trás. O Gunz acelerou tanto o carro que arrancou uns tecos de grama do chão.

Quando já tínhamos saído da chácara e dobramos a esquina, meu coração ainda tava a mil por hora, mas eu já conseguia sentir uma ponta de alívio.

Matt: Caralho, mano.
Eu: Puta que pariu.
Fred: HAHAAHHAHAHAHAH! ISSO FOI MUITO FODA! HAHAHAHAHA!
Eu: Foi pra caralho. HAHAHAHAHA!
Matt: Puta merda. - o Matt espalmou a mão no peito pra sentir o próprio coração. - Foi demais… Hahahaha! Foi muito demais! HAHAHAH!

————- CONTINUAÇÃO DO POST A PARTIR DAQUI —————-


É sempre assim: se não estivermos completamente bêbados, vamos contra as ideias malucas do Fred. Depois, sempre topamos e ficamos nos achando mais malucos que ele por isso. No fim, quando sobrevivemos, a adrenalina correndo pelo nosso corpo é tão boa que dá vontade de fazer tudo de novo. E, até agora, nós sempre sobrevivemos.

Ficamos com a respiração ofegante e falando coisas sem sentido um em cima do outro até sairmos da estrada de terra. O Fred ficava lembrando de cada segundo do que aconteceu, o Matt repetia palavrões em meio a risadas sem ar e eu aloprava o Vinão de todas as formas. O Gunz era o único que não falava nada, só dava risada.

O cansaço acumulado da festa, da correria, da adrenalina e das risadas bateu no meio do caminho de volta pra casa. O Fred e o Matt tavam tão cansados que cochilaram e não estranharam o fato de o Gunz saber o caminho da república sem precisar perguntar pra ninguém. Aproveitei pra dormir um pouco também, mesmo com o sol já apontando.

Acordei com o carro em frente ao nosso prédio. O Fred tava bêbado de vodca e de sono, deu um um high five no Gunz e saiu fora. O Matt tava tão morto que saiu sem falar nada. Ficamos só eu e ele no carro.

Gunz: Que horas a gente começa hoje?
Eu: Melhor tu falar mais baixo.
Gunz: Os caras tão bem loucos, nem tão ouvindo nada.
Eu: Que horas são?
Gunz: Umas 8h.
Eu: Vamos lá pela hora do almoço, tipo meio dia. Preciso dormir um pouco e tomar um banho pra tirar esse cheiro de cachaça.

Sorri, mas ele não sorriu de volta.

Gunz: Beleza. Tu tá ligado que o Doctor tá em cima do Digo, né?
Eu: Como assim?
Gunz: Tá precisando vender e o Digo não tá entregando. É nossa chance de fazer o bagulho virar.
Eu: Hm.
Gunz: Se a gente vender bem nessa época de crise, vai ser foda. Vamos nos destacar lá dentro.
Eu: Eu vender, né? Tu dirige.

Eu tava bêbado, o que implica em ser mais sincero que o normal, e não podia perder nenhuma oportunidade de colocar o Gunz no lugar dele. Qualquer deslize e ele monta em cima de mim.

Gunz: Hahah. Eu to aqui pra te ajudar. - ele finalmente sorriu naquela conversa.
Eu: Beleza, mas…
Gunz: Eu já te saquei. Tu tá achando que to aqui pra pegar teu lugar.
Eu: Não é isso.

Até por que eu nem achava que ele conseguiria. Eu sou um bosta na vida no geral, mas eu sou bom nisso que to fazendo. Não passei por cima do Felipe à toa.

Gunz: Não é isso mesmo. Tem espaço pra todo mundo, não preciso pegar teu lugar.
Eu: Pois é.
Gunz: Mas to fazendo meu corre. E meu jeito de fazer isso vai ser te ajudando.

Olhei de canto pra ele. Não sabia se queria estender muito aquela conversa. Não tava em boas condições físicas pra discutir.

Gunz: A gente já trocou ideia, Thom. Tu é bom na parada, mas comigo tu vai ser melhor. Todo mundo vai sair ganhando.

É, com ele é bem importante todo mundo sair ganhando. Ou é isso, ou ele sai ganhando e o resto sai perdendo.

Gunz: Meio dia então?
Eu: Sim.
Gunz: Confia em mim, cara. Tu vai precisar confiar em mim pras coisas funcionarem.
Eu: Eu to ligado.
Gunz: E vão funcionar. É nossa chance.
Eu: Fica sussa.

Estendi o braço pra abrir a porta do carro e sair.

Gunz: Falei que ia ajudar vocês a foderem a festa dos caras. Ajudei, não ajudei?

Assenti com a cabeça. Realmente, ele tinha sido digno de confiança naquela história sem ter obrigação nenhuma. E ele foi a peça mais importante do jogo. Acenei e saí do carro. Eu tava ansioso pra vender bastante naquele dia, ia procurar a Natacha, o Iago, todos os junkies ricos que conheço e fazer uma grana pro Doctor reparar na gente. Mas antes disso, eu precisava descansar.

Pra variar, o porteiro me olhou feio quando passei. Cumprimentei ele com a cabeça mesmo assim.

Na república, encontrei o Fred e o Matt esparramados na sala. Os dois tavam tão acabados que nem conseguiram chegar no quarto! O Fred tava deitado no sofá e o Matt tava encolhido no pufe, ambos roncando de boca aberta. Resolvi que era hora de fazer minha boa ação do dia e acordei eles pra irem dormir decentemente, em camas.

Eu: Ei, seus lixos. - dei um tapa na sola do tênis do Fred. - Vão pro quarto.

O Fred grunhiu alguma coisa, mas nem se mexeu.

Eu: Levanta daí.

Ele coçou o nariz e falou algo que não consegui entender.

Eu: Quê?
Fred: Tá cheir… Queimado.

Queimado? Porra. Meu sono passou quando reparei no cheiro de queimado que tava na sala.

Eu: Caralho, pode crer. Tá cheirando queimado.

Empurrei o Fred do sofá pra que ele acordasse e me ajudasse a procurar o que tava queimando em casa. Se tem uma parada que não é segura são três bêbados dormindo num lugar pegando fogo. Ele reclamou, mas levantou e veio andando atrás de mim, mesmo ainda sonâmbulo.

Eu: Que merda vocês fizeram?
Fred: Mano, eu só moro aqui. - ele bocejou.
Eu: Será que é na cozinha?

Fui até a cozinha ver se alguém tinha esquecido algo aceso no fogão ou no forno, mas não tinha nada. O Fred, bêbado de sono, olhou até dentro da geladeira.

Na volta pra sala, encontramos o Matt sentado no pufe se espreguiçando.

Eu: Tu tá sentindo cheiro de queimado?
Matt: Nã… Sim. - ele respondeu depois de pensar melhor. - Que isso?
Eu: Tá vindo dos quartos, mano.
Fred: O Felipe que tá testando um sexo sado na Marcela.
Matt: Cara, tá vindo dos quartos mesmo.

O Matt arregalou os olhos como se tivesse se lembrado de alguma coisa, se levantou e correu pro quarto deles. Eu e o Fred fomos atrás.

Fred: Tá ligado? Aquela galera que curte usar umas vela, pá.

O Matt entrou no quarto dele e do Fred e abriu a porta do guarda-roupa com desespero, de onde saiu uma puta fumaça preta. Era lá que tinha alguma coisa queimando - e muito.

Eu: Caraaaaalho!
Fred: EITA PORRA!

Coloquei a mão em frente a boca pra me proteger.

Fred: Que porra é essa, cara?!

Era na única pequena parte do guarda-roupa reservada ao Matt, já que o Fred ocupava 90% das prateleiras e gavetas. O Fred pegou um cobertor em cima da cama e jogou em cima do que quer que estivesse pegando fogo lá dentro. A ideia deu certo e, depois que o fogo se apagou, a fumaça preta ficou ainda mais forte. Ficamos nos abanando e tossindo, tentando entender o que tava rolando. Como um guarda-roupa começa a pegar fogo por dentro?!

Fred: Que caralho aconteceu, Matt?!
Matt: Eu sei lá, cara!

O Matt abanou o ar mais um pouco e jogou o cobertor no chão. Quando ele viu o que tinha pegado fogo dentro do guarda-roupa, pareceu que todo o sangue do rosto dele tinha desaparecido. Ele ficou branco como um fantasma, se esticou pra dentro do móvel e tirou um livro todo queimado de lá de dentro.

Fred: Por que esse livro tá queim…?
Matt: Mano.
Eu: Que foi, Matheus?? O que tá pegando?!

Ele não conseguia nem falar de tanto nervosismo. O Fred deu um tapa nas costas dele.

Fred: FALA, MATHEUS!
Matt: É um livro… Um livro que eu dei pra Raíssa. - ele engoliu seco.
Fred: Que porr…?

O Matt soltou o livro no chão e começou a abrir todas as gavetas. Eu e o Fred ficamos sem entender nada, e o Fred pegou o livro caindo aos pedaços do chão. Era “O Menino no Espelho”, do autor Fernando alguma coisa. Não dava pra ler porque parte da capa tava queimada.

Fred: Caraaaalho, manoooo!

O Fred até botou a mão na boca de susto quando o Matt começou a tirar as roupas dele de dentro das gavetas. Todas recortadas em mil pedaços por alguém com muita raiva e uma tesoura na mão. As camisas xadrez dele tavam mais pra retalhos do que roupinhas hipster.

Fred: QUE ISSO, CARA?

O Matt nem conseguia responder, só tirava as peças de roupa em câmera lenta da gaveta e olhava cada uma com uma expressão de terror. O Fred se agachou e começou a revirar as camisas, calças e camisetas. Todas tavam cortadas. Eu tava sem entender nada. Quem faria aquilo? Por quê?

Fred: Mano. Eu reconheço uma guria maluca quando vejo uma. - ele falou muito sério. - ESSA é doidona.
Eu: Como assim?
Fred: Velho, tu é burro? A retardada da Raíssa fez isso!

Enquanto o Matt ficava em estado de choque, o Fred começou a agir. Se levantou e correu até a janela na esperança de a Raíssa ainda estar pelos arredores. Mas o que ele viu lá fora foi pior ainda.

Fred: CARAAAALHO! MATHEUS, CORRE AQUI, MANO!

Ele não me chamou, mas eu também corri pra janela pra ver. E, lá embaixo, em frente ao prédio, tava o famoso carro vermelho do Tomate riscado de chave com os dizeres:

Fred: “Matheus… Weber…”
Eu: “Filho…”
Fred: “De uma puta.”

Eu e o Fred nos entreolhamos enquanto o Matt ficava com o olhar estático no carro.

Fred: “Matheus Weber filho de uma puta”! A MINA RISCOU O CARRO DO TOMATE, CARA!

O Matt se sentou na cama e ficou parado olhando pra parede.

Fred: QUE MALUCONA DO CARALHO! HAHAHAHAHAH! EU NÃO TO ACREDITANDO!
Eu: Como assim, velho? Por que isso?!
Fred: Mano, certeza que ela ficou puta com o perdido que o Matt deu nela ontem!
Eu: Que perdido, velho? O Matt nem dá perdido em ninguém. Ele é o Matt. - apontei pra ele, sentado na cama como uma múmia. - Não foi ela, cara.

Acho que no fundo eu não queria acreditar, por mais que tudo apontasse pra Raíssa. Não queria acreditar que ela pudesse fazer aquilo.

Fred: Velho, então eu não sei como, mas ela ficou sabendo que o Matt pegou a Larissa ontem, o que só deixa a história melhor ainda. HAHAHA! QUE DOENTE!
Eu: Não é possível.
Fred: É bem possível! Já teve mina que ficou puta comigo e causou também. Não nesse nível, mas…
Matt: Como eu vou pagar o carro do Tomate? - ele falou sozinho.
Fred: HAHAHAHAH! - o Fred deu uns tapinhas nas costas do Matt. - Tu pode usar minhas roupas enquanto não arranja novas.

Não sei o que era pior. Perder todas as roupas ou ter que usar as do Fred. Me sentei do lado do Matt em solidariedade, e passei o braço por cima dos ombros dele, que nem se mexeu.

Fred: Matt, cara, é isso aí. As gurias são todas malucas. Fica feliz porque ela não te bateu.
Eu: É, tu poderia ter levado uma sapatada na cara.
Matt: Cara. Ela botou fogo no meu guarda-roupa. - ele falava olhando pro nada.
Fred: SIM! HAHAHAHA! QUE LOUCA!
Eu: Mano, vocês têm noção disso? Tu deveria fazer um B.O. na polícia, cara.
Fred: Nem fodendo! Se em menos de três horas essa mina ficou sabendo que tu pegou outra numa chácara no meio do nada, ela vai descobrir desse B.O. em quinze minutos.
Matt: Velho. A gente… A gente nem namora. Eu não fiz nada errado.
Fred: Não é a gente que tu tem que convencer disso.
Eu: Tu não tem que convencer ninguém de nada, Matt. Desencana dessa mina.
Fred: É, não vai querer trocar ideia pra ver se fica tudo bem! É a tua cara ir atrás da mina pra fazer terapia com ela. É louca e pronto.
Matt: Por que ela fez isso, cara? Cortou todas as minhas roupas.
Fred: Cadê teus tênis?
Matt: Meus tênis? - ele demorou um pouco pra raciocinar sobre o que tinha acabado de falar. - Meus tênis. Cadê meus tênis?! Meus tênis, não, cara…

Coitado. Não demorou muito pra gente dar um rolê pela casa e encontrar todos os tênis do Matt dentro da pia do banheiro, mergulhados em… Molho de tomate?

Fred: Puta que o pariu. A mina entupiu nossa pia com tênis e molho.
Matt: Ai, caralho… - o Matt tirou um cadarço de dentro da pia. - Puta merda.
Fred: Pelo menos ela não tacou fogo.
Matt: Esse molho nunca vai sair, cara.

Silêncio.

Fred: É.
Matt: Puta merda.
Eu: Eu, se fosse tu, ficaria bem quietinho em casa hoje.
Fred: Eu ficaria pro resto da vida.
Eu: Cala a boca, Fred. Tu não tá ajudando.
Fred: É sério, já teve mina que pixou a parede da minha casa me xingando, roubou coisas minhas, me deu sapatada na cara… Mas isso aqui. - ele olhou em volta. - Isso aqui é profissional. Tu arrumou uma doida de verdade. Parabéns.

O Matt deslizou as duas mãos pelo rosto como se quisesse morrer. E nós ouvimos o vidro da janela do quarto deles se quebrando. Corremos pra lá pra ver e, de fato, encontramos a janela quebrada, e uma pedra em cima da cama, que tinha acabado de ser arremessada lá de fora. Corri pra janela pra ver se via a mina, mas só deu tempo de ver um carro passando em disparada. Devia ser ela.

Eu: Tua mina tem um honda fit preto?

O Matt fez que “sim” com a cabeça. Nem sei por que eu perguntei.

Fred: Caralho, Matheus. Tu que pega a retardada e eu que fico sem janela.
Matt: Foi mal.
Fred: Fora aquela pia cheia de molho, que alguém vai ter que limpar.
Eu: Fred, tu não tá ajudando.

Fred: Espero que teu pega com a Larissa tenha sido bom.


O Matt suspirou.


Fred: Foi?

Eu: Cala a boca, Fred.


Próximo post: 21/06! - GALERE, TO SEM INTERNET EM CASA, POR ISSO OS POSTS TÃO ROLANDO EM DIAS NADA A VER :( mas já fechei contrato com outra, devem instalar em casa essa semana! torçam por mim!