bocama

Cigarros

Talvez meus cigarros,
Sejam como você
Posso tê-los em minha boca
Mas uma hora eles se apagam, moça,
Não posso te manter aqui
Não posso te ler
Te prever
Você queima
E evapora
Até chegar a hora
A hora de partir
E nas cinzas sumir

amar é andar descalço num asfalto cujo o sol de 40 graus bateu a tarde toda
se mantenha atento perto do peito dela
se cobre do seu olhar poderoso 
mire quietinho e sereno pra dentro das mãos dela
se atire no precipício do céu da sua boca

mas não volte pra mim.

a gente poderia revirar um quarto
com o vento forte das palavras 
na boca

mas o silêncio queima mais

a gente poderia discordar
espalhar no chão retalhos de
tudo um pouco que chamamos
de corpos

filosofar com vinho

amanhecer e girar com
o mundo
esquecer a solução
misturar problemas
fazer nada além de voltar pra casa

a gente poderia correr e molhar
a pele da cidade
chovendo cores dentro dos
olhos da terra
nossas palavras quietinhas que
depois cobrirão de branco e só

branco é cor da roupa do
mundo
o mundo é um hospital

a gente poderia ser muito
daqueles exageros notados
de longe
a gente poderia ser mais
que nós
nas nossas tripas

a gente poderia nem ser nada
mas a gente não pode