bobinho meu * *

Quando estou deitado na minha bagunça, exteriorizando quem sou, as memórias flutuam pelo quarto em balões coloridos. São pequenas bolhas de ar e água, partindo-se no teto e soltando tinta de passado pelas paredes, escorrendo até o chão e lustrando-o como cera. As manhãs em que tive cem anos e as tardes em que tive dezoito, pocando e fazendo ploc, chovendo no meu rosto como água de mangueira. Não sei como estão meus olhos, mas imagino que estejam brilhando. Imagino que sejam espelhos e reflitam. Imagino que minhas reflexões se espalhem em minha face e me encham por dentro como sempre fizeram, e façam de mim novo homem e novo ser. Banho-me em experiência parca, esperança muita, sede de viver. Banho-me naquele velho sonho de felicidade simples que há tanto acompanha isso que chamamos de gente, das imagens bucólicas nos quadros dos românticos, dos livros de crônicas e poesia de amor, dos beijos de namorada sorridente e carinhosa. Das coisas descritas em livros de fantasia, as quais nunca são como são escritas, mas que ainda assim queremos e perseguimos. Aquele bolo de fubá que solta farelo na mesa da cozinha, de manhã bem cedinho acompanhado de café e queijo mineiro. Aquela paz de alguns segundos antes do trânsito de da hora do rush. E sinto-me velho de novo. Ainda assim, meus dilemas são de jovenzinho: bobinhos, fofinhos, decisivos.
—  Felipe Vale, Ser-ar. Março de 2017.
— O que é amor para você?
— Amor é quando eu vejo você sorrindo.
— Porque é o meu sorriso seu bobinho?
— Seu sorriso é lindo, verdadeiro, espontâneo, o som da sua risada então é a coisa mais gostosa de se ouvir.
—  Primeiro amor de um menino de 7 anos.

Fui estúpida. Ele é estupido. Que belo par de estupidez,mas vamos por partes. Eu fui estúpida por saber que tenho sentimentos extremamente inocentes sobre ele, um gostar bobinho, mas meu corpo tem um gostar sem um pingo de inocência por ele e eu cedi a meu corpo. Ele é estúpido por saber de ambos e por deixar eu prosseguir, estúpido por ser maravilhoso tratando de meu corpo como sua redenção a qual se agarra com força. Somos estúpidos porque ele disse “seu corpo é perigoso, muitas curvas, mas eu sempre gostei do que me desafia” e deu aquela mordida de boca estúpida e meu cérebro inútil para de funcionar quando ele faz aquilo, meu filtro do cérebro para boca parou e saiu algo como “seu coração é gelado, mas eu sempre sentir prazer pelo frio e amava quando ele se tornava forte a ponto de queimar”, merda. Um casal de estúpidos que nem eram um casal.