blues e poesia

carta aberta à quem partiu

com os olhos semicerrados e marejados de sono, escrevo o amor na sua forma mais dolorida: distante. no rádio, a música que encontra-se por findar repete incessantemente “baby, I love you” e como diz o resto da letra: eu lembro beijos, blues e poesia. e te procuro como quem não tem mais nada a achar, nem tampouco a perder. meu caos combina com o teu. meu cais é o teu peito aberto pra me amar e ponto. meu desejo é poder te olhar de perto. é poder tocar tua alma; beijá-la. nos consumimos tal qual fogo e pólvora. nossa química nos destruiu. o que tínhamos era altamente inflamável. e nenhum dos dois hesitava em riscar o primeiro palito de fósforo. eu adorava me incendiar no teu desejo. e me agarrar à tua nuca. deslizar minha língua sobre teu corpo. sentir teu gosto. captar teu cheiro mais orgânico. te guardar em segredo no meu mais profundo bem-querer. mas o tempo passou. você sumiu. eu te amei. você fingiu: meu amor de verão mais frio.
Silas Tosta

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Eu lembro beijos, blues e poesia, o sal na pele, você me lambia, e eu dizia: Oh baby, I love you.

Não sei se vocês lembram de K-Sis… Pura nostalgia ♥_♥

Eu ouço “beijos, blues e poesia” e quase choro. “Será que eu lembro o que não existia?” ela diz. Eu coloco o dedo na ferida e aperto até sangrar, pra ver se dessa vez eu aprendo. Depois eu tiro. Depois cicatriza. Fecho a porta do quarto e espero essa tempestade dentro de mim passar. Se eu sair faço alvoroço, bagunça, estrago. Dá vontade de voltar atrás. Cada rasteira que a gente leva, viu? O coração pede pra ter cuidado, mas quem nasce pra voar, por mais que tente, não consegue ter os pés no chão. Dai tomba. Dai se estrepa. Ai de mim. Ai de nós que ainda acreditamos no amor.
—  A menina e o Violão.