bem ness

Andando por ai, ouvi uma garota dizer para uma amiga forçar um sorriso e dizer que estava tudo bem. E foi nesse momento que eu percebi o quão cheia de sentimentos eu sou, que eu não consigo forçar sorriso pra ninguém, se não to bem, não to e pronto, se estou amando, amo com todas as minhas forças, me entrego sem medo, me deixo ser levada. A questão é que, no meio desse teatro todo no dia a dia, as pessoas acabam deixando tudo de lado mesmo, acabam evitando falar em sentimento porque acabam achando também que ninguém se importa com elas e que se quiserem saber de algum sentimento, vai ser pra usar contra a mesma no futuro. E no fim, acaba acontecendo a mesma rotina, pessoas forçando sorrisos pra ficar tudo bem e passar batido.
—  DEZEMBRO, 24.
As vezes penso que sou meio besta, me preocupo com as pessoas, tenho medo de perde-las, faço de tudo para ficarem bem, mas acho que nesse mundo de hoje ninguém valoriza isso, quantas e quantas vezes tentei ser o “perfeito” e sair como o mais “errado”, pretendo mudar, mudar de amigos, mudar de amores, mudar de vida, hoje olho pro lado e vejo que ainda posso ter um futuro bom, olha pra frente e ainda me vejo sendo feliz, mas quando olho pra trás vejo quanto tempo eu perdi, queria conseguir descrever cada coisa que está acontecendo, mas isso eu não consigo, apenas escrevo o que dá  pra descrever em poucas palavras.
—  Cleidison Santos
Estou cansado de ser legal com todos, de tentar agradar, mesmo sabendo que não deveria agradar. Estou cansado de fazer palhaçada para ver as pessoas felizes, e, quando eu preciso não houver ninguém que eu possa contar. Estou cansado de aparências, de fingir que estou bem, porque, cá entre nós, não estou bem. Mas quem liga? Nesse mundo é você por você, as pessoas só vão ligar pra você, quando precisar.
—  Rentreguei
E lá estava eu, deitado em uma rede na varanda de minha casa, estava com meu óculos de leitura, pois estava lendo um livro que aparentemente parecia ser muito bom e com uma xícara de café ao lado para acompanhar a leitura. Podia passar horas ali e não me importava com o tempo, pois esse era meu melhor momento, me sentia bem assim. Geralmente não recebo visitas, minha vida sempre foi meio vazia e isso ás vezes me deixa pensativo, mas logo retorno ao meu recanto que me faz sentir bem. Mas nesse dia ouvi alguém bater em minha porta, e então fui ver quem era. Quando abro a porta me deparo com uma linda moça, com olhos grandes e castanhos, seu sorriso era deslumbrante e me deixou espantando. Gaguejei um pouco e perguntei se podia ajudar, logo ela me encheu de perguntas e eu sem saber responder fui apenas enrolando. Tive a iniciativa de convidá-la para tomar café, e para minha surpresa ela aceitou. Conversamos um pouco e descobri que ela havia se mudado a pouco tempo, e não sabia nada da cidade e perguntou se eu não podia apresentá-la para ela. Mas logo eu que não saio de casa, que me isolo de tudo e de todos, irônico. Depois de algumas horas de conversas ela se despediu, disse que estava tarde e deveria ir, seus cabelos balançavam com o vento, e seu cheiro … ah, era algo diferente, estava me sentindo diferente.
—  Um Homem Solitário.
Se eu pudesse chamar algo de estranho, certamente seria como as pessoas se apaixonam. Umas se apaixonam no olhar, outras no tocar. Umas se apaixonam no sorriso, outras no que não foi dito. Umas se apaixonam em vão, outras se apaixonam e ficam. Umas se apaixonam na tragédia de que tal coisa não vai dar certo. Umas se apaixonam estando do outro lado da avenida, quando parece que se encontrou sua outra vida. Umas se apaixonam na fila do lanche quando a comida não tem a mínima importância. A quem pense que paixão é adrenalina e precisa se liberada a qualquer custo, sabe esses? Esses consideram sexo a coisa mais importante. Mais cativante mesmo, é quando você conhece uma pessoa a um certo tempo e de repente o que era um sorriso normal, é o mais bonito do mundo. O que era um rosto conhecido torna-se o seu preferido. Não se sabe onde começou, mas sabe bem onde quer terminar. Não é notório onde a paixão se animou ou desencontros se encontrou. Calma, meu bem. Nesse caso, acho que a paixão virou amor.
—  Do outro lado da avenida. João Lima.

Pedido: Queria um q eles brigam e ela dorme em outro quarto e passa mal de madrugada ai ele fica se culpando por não ta com ela a hora q ela tava mal,com o Zayn ….obg 😀😀

 

Zayn Vision

           Já passava das duas horas da manhã e s/n gritava em plenos pulmões e eu apenas tentava ignorar, mas já estava ficando impossível aguentar aquilo. Eu sei que fui errado é exagerei, mas ela poderia dá um tempo. Era para ser apenas uma festa com nossos amigos mais antigos, só que eu não esperava que minha ex-namorada fosse aparecer lá é da em cima de mim, mas eu não tinha culpa tentei falar para ela que eu não queria mais nada com ela, mas bem nesse momento s/n nos viu dois juntos e eu estava com a minha mão na sua cintura e a partir daí não ouvia nada além de berros e gritos.

           Sentei-me no sofá e peguei meu celular e abri em aplicativos aleatórios e escrevi alguns tuites, mas ela não parava por um segundo, queria ter tanto fôlego assim.

- Zayn, você está me escutando. – Ela se aproximou e puxou o celular da minha mão.

           Eu tentei controlar-me com todas as minhas forças possíveis, só que sinceramente não dava. Levantei do sofá e fui a sua direção. – Você não entende que não foi minha culpa, porra? – Peguei o meu celular de suas mãos. – Eu já disse um milhão de vezes, me deixa em paz. Esperava por mais gritos, mas ela não disse nada. Seus olhos estavam cheios de lagrimas, eu posso ter exagerado um pouco, mas estou com muita raiva para admitir isso ou pedir desculpas. Odiava a vê assim, mas o que eu posso fazer?

- Você é um idiota. – Ela empurrou meu corpo para trás.

- Eu posso ser sim, mas você é uma desesperada, louca e patética. – Aproximei meu corpo novamente do dela. – Pelo menos ela para era assim.

           As palavras saíram por impulso, eu realmente não queria dizer aquilo, mas eu não queria ficar sem resposta, sou um idiota é ela estava certa. S/n virou as costas e saiu andando até as escadas que dá acesso a nosso quarto. Pensei em ir atrás dela, mas eu sabia que assim que eu subisse ela iria está deitada na nossa cama.

 

S/N Vision

           Subi para o meu quarto e do Zayn e peguei o meu pijama. Zayn estava sentado na cama apenas com a sua calça de moletom, ele olhava-me com tristeza, mas eu estou muito chateada para dizer qualquer coisa, simplesmente vire-me e fui em direção ao quarto de hospedes. Tomei um banho e vesti minha roupa e deitei na cama. Eu não sabia por qual motivo estava chorando, mas sentia vontade chorar eu só queria e precisava chorar, estou triste por tudo isso que aconteceu, vê o Zayn segurando ela daquela maneira partiu meu coração em pedaços, ele sabe o quanto sou insegura em relação a mim mesma, e todas as suas ex-namoradas são perfeitas.

           Meu corpo esta cada vez mais quente eu sentia muito frio e eu sei que alguma coisa errada está acontecendo, meu corpo inteiro doía. Peguei meu celular e marcava exatamente quatro horas da manhã, pensei em chamar o Zayn, mas ai lembrei-me de tudo o que ele disse para mim há algumas horas atrás e resolvi apenas ficar deitada, talvez a febre passasse e de manhã tudo estaria de volta ao normal. Uma luz invadiu o quarto e eu me assustei, mas é apenas o Zayn com o seu celular, ele caminhava em minha direção com um olhar preocupado, ele olhava para mim com curiosidade.

           Senti no momento que ele sentou ao meu lado e ligou o abajur que ficava no criado mudo. Olhei para Zayn desconfiada, e ele sorriu de uma maneira fofa para mim, ele tinha na mão um copo de água e um remédio nas mãos.

- Você acha que esse é o melhor jeito de se desculpar? – Disse sentando-me na cama e pegando o copo de água e o remédio de suas mãos.

- Não, mas pode ser o começo.

           Assim que tomei ele colocou o copo no criado mudo e pegou-me no colo como uma criança, dei risada de sua atitude, não queria demonstrar que o tinha perdoado, mas é impossível. Quando chegamos ao nosso quarto, ele me cobriu e se deitou ao meu lado e eu coloquei a minha cabeça sobre o seu peito, Zayn fazia carinho em minha cabeça.

- Aquilo que eu disse é uma mentira, você é a mulher que eu amo.

           Apenas mexi a cabeça para ele saber que eu estava ouvido tudo. – E eu sou um idiota mesmo, você tem razão, mas sou um idiota que te ama.

           Sorri para mim mesma, não queria que ele soubesse, mas de alguma forma pude o sentir sorrindo.

Fugindo,

Estou sempre fugindo, das pessoas, dos sentimentos, dos meus medos…
Mas será que fugir é a melhor opção?
Pelo menos pra mim, não.
Então, toda vez que isso passa pela minha mente, tiro quase todas as minhas armaduras, fico exposta, de corpo e alma.
E é bem nesse momento, onde o mundo parece desmoronar, mas que eu ainda tenho fé de que vai ficar tudo bem, que me deparo com uma estaca bem no meio do meu peito.
O ferimento não da pra ser tampado com um simples band-aid. Infelizmente.
E é nessa parte, que muitos de nós, perdem a fé e a esperança no amor.
E pra esses muitos eu digo, que ainda vale a pena, é um caminho, sobre uma ponte quebradiça, pedras que caem a todo instante das montanhas… nada fácil.
O final ainda é desconhecido para mim, apesar de guiados pelo mesmo destino, o caminho que traçamos, só nós mesmos somos capazes de trilhar.

Eu encontrei no fundo dos seus olhos a salvação para tudo que me aflige. Foi bem ali, nesses teus olhos escuros, que ironicamente eu encontrei a luz. Foi a única vez em  que eu quis me atirar da ponte, sem nem mesmo olhar para o que estava lá embaixo. Eu encontrei certezas para as minhas dúvidas, com você. Eu encontrei o caminho certo no meio dos becos sem saídas. E o caminho é você.
—  Descriar.
Olha ela lá. Com seus amores rasos novamente, será que ela não cansa de tanta decepção ou é muito ingênua pra perceber que vai de cabeça e acaba se machucando no fim?! Da onde sai tamanha vontade de amar, fazer o bem? Nesse mundo quem é sentimental demais, no final acaba não se sentindo muito bem.
—  Carolina Corrêa 

maaaaadlove  asked:

Scarlett e Logan vcs já terminaram e voltaram? ou tiveram uma briga tão grande a ponto de quase terminar?

Logan: Nunca chegamos a terminar de fato, mas já tivemos uma briga bem feia a ponto de quase nos fazer dar um tempo. Foi um dia bem ruim, porque nesse mesmo dia a Scarlett se machucou bem feio em um ataque de alguns vilões. De qualquer maneira, nós fizemos as pazes bem rápido. Espero que isso não volte a acontecer.

“Colateral” (collateral) - netflix.

Na semana passada o sobrinho ficou em casa. E fomos escolher um filme pra ver. Esse pareceu ser uma boa escolha para um garoto de 14 anos. Filme de sucesso, com um bom diretor e bom elenco. Não sou fã do Cruise, mas ele está bem nesse filme, como vilão. Vi quando passou aqui no Brasil, em 2004. E devo ter revisto na TV.

depois de ver: o filme envelhece bem. a trama é envolvente. não gosto da sequência da boate, acontece muita coisa e é difícil entender tudo. o final correria exagerada também não gosto. mas é um bom divertimento.

Tudo nele é tão legal. Vai do jeito de sorrir ao jeito de ficar bravo, do jeito de apertar minhas costas quando me beija ao mais belo e jeito meigo de beijar a minha testa. Vai da ponta do pé ao nariz, vai do abraço apertado ao aperto suave, vai do sexo para o amor, vai do mais simples senti sua falta ao mais belo eu te amo. Sei que isso deve parecer um pouco mórbido, mas acho que lá no fundo eu sinto um pouquinho de raiva misturado com amor, porque eu sei que tenho você amanha mas depois de amanha não tenho mais, e a gente segue assim, sem nada realmente resolvido. Veja só por exemplo hoje: passamos a maior parte do tempo juntos, foi gostoso, divertido, carinhoso, construtivo, romântico, você me faz um bem que ninguém nesse mundo faz, você pega minha auto estima no colo e faz cafuné, você consegue fazer eu perder a paciência e te amar ao mesmo tempo, você é alguém que todo mundo queria ter ao lado, o abraço que conforta, que dá paz e alegria. E eu juro, não nego. O seu abraço é exatamente isso.
—  Danielly Martins. 
Eu tenho o sonho de ser mãe. Mas agora, especificamente, desejo ser mãe de menino. Por um motivo bem simples: ser mulher nesse mundo está cada vez mais difícil. O que muitos chamam de “mimimi”, eu chamo de medo; medo de andar sozinha na rua, medo de homens que se aproximam demais, medo de ônibus lotado, medo de festas onde tem bebida alcoólica, medo que eu não volte pra casa… Isso tudo é real, a gente sente mesmo. E eu não quero que minha menina passe por tudo isso… Eu não quero que ela cresça sendo julgada pela roupa que veste, sentindo angústia cada vez que coloca o pé fora de casa, passando por preconceitos e machismos diários, enfim… Tudo que nós passamos diariamente. Eu não sei lutar, eu não sei atirar (nem tenho porte de armas), eu não sei dirigir (nem tenho carro), não sou forte, não tenho músculos… Então, infelizmente, me sinto - e, de fato, estou - desprotegida. Porque penso que, talvez, se eu soubesse alguma dessas coisas, eu conseguisse me sentir mais segura, eu conseguisse sair de casa e pensar: “coitado de quem se meter a besta comigo” porque saberia me defender. Mas me sinto vulnerável. Quantas vezes enquanto andava em alguma rua e ouvia passos, eu não fechei os meus olhos por alguns segundos e implorei à Deus para que nada de mal me acontecesse? Várias, sempre, constantemente. Até agora tem funcionado, mas eu te pergunto… Até quando?! Eu sinto pavor toda vez que algum carro diminui a velocidade quando se aproxima de mim ou um homem vem em minha direção em uma rua deserta ou quando saio de shorts porque o calor tá imenso ou quando sou assediada por cantadas chulas ou quando entro em um ônibus lotado e tenho que ficar em pé, etc etc etc. Que tipo de mãe seria eu trazendo minha filha a esse mundo? Há pouco, vi um relato e a foto de uma moça que, ao entrar em um ônibus lotado, foi assediada. Ela desceu no ponto de ônibus mais próximo que não era o destino dela e sabe o que ela notou? O homem que tanto se esfregava nela havia ejaculado em sua roupa. Não tenho palavras pra definir o nojo que isso me causou. E o pior é que essa moça não foi  a primeira e tampouco será a última; E aí, o que faremos?
—  Precisamos falar sobre isso, Flavia França.
Portanto a verdade é essa, estava bem explícita nesse meu lesado corpo delgado cheio de pintas vermelhas, parecendo joaninhas, mas mesmo assim, tão alarmante, você não notou. A verdade é essa meu amor. Desculpa esse meu romantismo reles e de quinta categoria, mas o meu amor transcende qualquer botequim e todas bebidas disponíveis nele. Eu beberia insanamente e descontroladamente para poder te ter aqui em meus braços para poder afagar outra vez esse teus cabelos cor de marfim, eu correria por cima de cristas marítimas, esperaria um vendaval, extirparia todos os meus defeitos para poder oferecer-me a você. Eu sou sol, mas também sei ser chuva. Te molho por completo, mas minha água não chega para ti. Estou vivendo em uma grande seca amorosa. Meu amor é uma erosão solar e você nunca foi um solo fértil. Eu plantei amor onde eu iria apenas colher ódio. Me senti perdido nesse terreno baldio e não tinha ninguém para poder famular. Tudo é tão eterno e efémero, assim podia ser o meu amor por ti. Esse amor insano, louco, improfícuo. Não controlo esse meu músculo bombeador de sangue (ou amor) que corre nas minhas veias. Meu amor é sangue e quero te ver vermelho, totalmente lambuzado por ele. Mas você é coisa mixe e eu não mereço isso. Meus olhos fitam o desespero e só vê você. Então vasculho a sua alma a procura de uma brecha de onde eu possa escorrer, aquela gota ácida que cai do alto feito uma bomba no seu estômago. Se não floresço em ti broto como uma úlcera cardíaca. Ardo em seu âmago, provoco até te matar ou quem sabe te provar que eu sou real. Pois então, prove-me. Eu sou feito uma anomalia sanguínea, faço você sangrar e depois me alimento pelos olhos de sua beleza entardecida. É verdade, somos um fim de tarde, jamais seríamos um amanhecer. Nossos pés quentes só versam com o arrepio frio do vento na escuridão roxa. A sua cegueira é a minha salvação, sua mediocridade meu mais doce delírio, pode parecer insano, mas eu me divirto muito ao tocar a sua pele encalorada, teu suor irriga a utopia da vida em minha superfície seca e sombria. Gosto dos teus olhos castanhos, de todas as tonalidades do vermelho, eu definitivamente não te culpo e acredito que, talvez um dia, com avanço da tecnologia, possamos imprimir uma nova vacina que cure o vazio, o medo e a paralisia sentimental ou, quem sabe, um inibidor de paixões não correspondidas. Será que o mundo seria mesmo melhor ou será que nos cansaríamos da beleza dos campos floridos, do céu eternamente azul e da mornicitude da felicidade plena?
—  Túlio Santos & Elisa Bartlett.
Capítulo 155 - Cabeça cheia de merda

Quando me vi embaixo da cama e sem roupa, tive certeza de que tem coisas que só acontecem comigo. Senti meu coração bater na minha cabeça enquanto respirava a poeira do chão de madeira e tentava me esconder atrás das minhas roupas, que a Helo tinha chutado pra debaixo da cama. Nos primeiros minutos, eu tava surtando de medo do irmão dela entrar no quarto e me ver. Mal conseguia respirar por medo de me ouvirem. Mas depois de algum tempo, eu já tava até me acostumando com o som da voz dele vindo do corredor. Até a Helo parecia menos nervosa enquanto tentava enrolar o cara com qualquer história.

E logo o nervosismo foi dando lugar a uma sensação de relaxamento. Afinal, por pior que eu estivesse, eu tinha acabado de transar. E até que não tinha sido ruim pra uma guria virgem. Ela tinha um corpo bem bonito e parecia bem a fim. O problema da primeira vez é que a mina costuma ficar tensa, preocupada, com vergonha, sei lá, e não consegue curtir o momento. Apesar de eu estar longe de ser um príncipe encantado, a Helo pareceu estar bem decidida da escolha dela, e curtiu. Ou fingiu muito bem. Não vou entrar nesse detalhe. As pessoas tem essa mania de ficar procurando problema onde parece estar tudo bem. “Como assim tá tudo bem? Não é possível.” Não vou fazer isso.

Mas é claro que aquele Thom relaxado não existiu por muito tempo. Não depois de ter feito a quantidade de merda que fez, e ter caído na realidade de que ele e a Alícia não tem mais nada a ver. Fechei os olhos e fiquei tentando pensar em qualquer coisa, qualquer coisa que fizesse a cara da Alícia sair da minha cabeça. Faculdade, a treta da Raíssa com o Matt, o Fred comendo a Vicky, a festa do Fred, o que o Gab poderia estar fazendo, Beatles, os dentes tortos daquela guria bonita, o Ringo, um pedaço de pizza, qualquer coisa. Mas parecia que tudo que eu pensava tinha alguma relação com ela. A faculdade me lembrava que ela tava se mudando por causa do curso, a treta com a Raíssa me lembrava da treta com ela, o Fred comendo a Vicky me lembrava de nós dois juntos, a festa do Fred me lembrava do que eu tinha feito depois dela, toda e qualquer porra de música dos Beatles me lembrava ela, os dentes tortos da guria eram substituídos em segundos na minha cabeça pelos dentes pequenininhos dela, me lembrava dela brincando com o Ringo, os desenhos que ela fazia de mim com o Ringo… Até o caralho do pedaço de pizza se transformava numa cena nossa comendo depois de sairmos juntos de alguma festa de madrugada.

Caralho, como é difícil ter que lidar com a nossa própria cabeça.

E é isso. Olhei em volta. Agora somos só eu e minha cabeça. Não posso sair daqui, nem falar, nem fazer nada. Não tenho escolha além de ter que lidar comigo mesmo. O problema de ficar sozinho é que tu é obrigado a lidar consigo mesmo. E essa pode ser uma das coisas mais difíceis de se fazer.

A minha dificuldade de ficar sozinho com meus pensamentos só me indicava uma coisa, e bem claramente: as coisas não tavam nada bem. O que se passava na minha cabeça não condizia nem um pouco com a realidade, com o que eu tava fazendo. Eu queria enxergar o término como algo bom pra caralho, ou como algo sem importância. Tocar o puteiro, pegar todas as gurias da face da Terra, tirar a virgindade de uma novinha e sair contando vantagem, superar a Alícia do dia pra noite. E por algum tempo, eu consegui me convencer de que conseguiria fazer tudo isso - e rápido. É fácil se convencer de algo quando tua cabeça tá ocupada demais pra refletir sobre aquilo. Ali, sozinho, eu saquei que tava me entupindo de coisas pra fazer e pensar pra não ter que lidar com o que tava acontecendo de verdade: eu tava na bad por uma mina.

Sim, aquilo que eu evitei a todo custo quando eu comecei a ficar com a Alícia tava finalmente rolando. Ela sempre deixou claro que gostava de mim, desde o início. Hoje eu percebo que eu também sempre gostei dela, desde a primeira vez em que reparei naquelas pernas fininhas e no sorriso largo. Mas eu evitava. Evitava falar com ela, pegar ela, sair com ela e, acima de tudo, evitava gostar dela. E isso foi ficando cada vez mais forte em mim, cada vez que a minha vontade de ficar com ela aumentava. Na época, eu não sabia exatamente o porquê. Até ela me chamar de covarde. “Tu tem medo de gostar dos outros”, ela disse, logo depois de ter soltado um “seu covarde escroto”. Sinto que as pessoas precisam ser meio incisivas comigo pra eu prestar atenção.

Eu tinha medo de gostar dela, porque eu sabia que em algum momento eu teria que parar de gostar. Às vezes eu sinto como se sempre soubesse que uma hora ela iria embora.

Ela não tinha motivos pra ficar. Tão bonita, tão esperta, tão cheia de sonhos. O que eu mais amo na Alícia é o quanto ela se ama. O quanto ela é fiel às coisas que ela gosta: seja eu, seja a arte. Se naquela época ela sentia que o que a faria feliz era eu, ela aguentava todas as porradas pra ficar comigo. Me aguentava sendo um completo babaca covarde. E ela gostava tanto da gente que me convenceu a gostar também. Me fez pensar que, por mais que eu soubesse de toda a merda que tava por vir, eu deveria aproveitar enquanto as coisas iam bem. Foi o que eu fiz.

E se agora o que a faz feliz é morar em outro país, estudar e o caralho a quatro, é isso o que ela vai fazer. Pois é. Eu tinha certeza de que, em algum momento, ela encontraria algo do qual iria gostar mais do que de mim. E não digo isso pra terem pena de mim. É apenas um fato. Eu sabia que não era legal o suficiente pra segurá-la por tanto tempo. Ela se entedia fácil. Eu só espero que eu tenha a entretido enquanto durou.

Era bem isso que eu queria falar pra ela: espero que eu tenha te entretido.

Estremeci quando ouvir o som de uma porta se abrindo. Mas pro meu alívio, não era a porta do quarto. Considerando o silêncio que rolou logo depois daquilo, cheguei à conclusão de que a Helo e o irmão dela tinham saído de casa. Não se ouviam mais vozes, passos, nada. Esperei mais alguns minutos pra ter certeza, depois saí debaixo da cama, respirando com alívio. Finalmente vou conseguir ir embora dessa porra! Já devia ser tarde pra caralho, mas eu não conseguia saber, porque a janela tava fechada. Vesti minha camiseta, minha cueca, calças e tênis com muita pressa. Me lembrei dos tantos dias em que eu acordava atrasado pra ir pra escola e já tinha estourado em faltas fazia muito tempo. Enfiei meu celular no bolso e saí do quarto com cuidado. Olhei para os dois lados do corredor antes de colocar os pés pra fora do quarto. Não vi ninguém. Caralho, a Helo foi muito ninja nessa ideia de tirar o irmão de casa. Assim fica fácil de vazar. Só espero que ela tenha se lembrado de deixar a porta destrancada. Meu coração se acelerou quando pensei naquilo, mas eu não podia perder as esperanças. Eu precisava muito ir embora. Se eu fosse obrigado a ficar mais um segundo ali, imerso nos meus pensamentos, eu iria acabar saindo pela janela num suicídio.

Mas como eu sou idiota. Por que eu to andando com tanto cuidado se claramente não tem uma porra de uma pessoa em casa? Assim que relaxei, tirei um cigarro do bolso e o coloquei na boca enquanto tateava meus bolsos à procura do isqueiro. Cheguei na porta da sala e, claro, tava trancada. Forcei a maçaneta algumas vezes, como se eu tivesse alguma espécia de mão mágica que fosse capaz de abrir fechaduras. Puta que pariu. Acendi meu cigarro pra me acalmar, senão iria acabar dando um chute naquela porta. Eu queria muito sair daquele lugar.

E como um cigarro enviado pelos deuses, assim que dei o primeiro trago, me lembrei de que normalmente os apartamentos têm uma outra saída pela área de serviço. Saí da sala em direção à cozinha, porque sabia que a lavanderia ficava logo ao lado, e meu coração quase saiu pela boca quando dei de cara com um homem sentado à mesa da cozinha. Obviamente era o irmão dela. Devo ter arregalado os olhos mais do que o Fred, e o meu corpo todo se congelou. Fiquei parado, olhando enquanto ele ameaçava cortar um pedaço de salame com uma faca gigante, e me encarava de volta. Ele parecia tão ou mais surpreso quanto eu. Ficamos nos olhando por alguns minutos, sem mexer um só músculo. Ele me fitou de cima a baixo, ainda em choque. Ele pousou o olhar no cigarro aceso na minha mão. E, logo em seguida, fez um gesto com a cabeça em direção à porta de saída da lavanderia. Entendi aquilo como um sinal pra ir embora. Ele levantou a bandeirinha branca de paz. Eu fiz o mesmo ao apagar meu cigarro na pia e sair do apartamento o mais rápido possível. Pelo jeito, ficou combinado que iríamos fingir que aquilo nunca tinha acontecido.

Pareceu que o Matt adivinhou quando eu botei os pés pra fora do prédio. Meu celular tocou, e era uma chamada dele. Antes que eu falasse “alô”, ele já começou o discurso.

Matt: Ei, Thom. Eu to ligado que tu quer ficar sozinho, mas cara, o Fred é um idiota, tu sabe… Não ouve as coisas que ele diz, beleza? Eu… Eu to aqui pra quando tu, tipo, quiser conversar. Eu to ligado que tu não quer agora, mas se uma hora tu quiser, eu posso conversar contigo. Ou só ficar junto contigo. Não sei se tu quer alguém contigo…
Eu: O que tu quer?
Matt: Como assim?
Eu: Era isso?
Matt: Era… Mais ou menos. Na real, vai rolar uma palestra agora à tarde, e conta como atividade complementar. Considerando que a gente já faltou hoje de manhã e tu tá meio ferrado em todas as matérias, aculumar umas horas de atividade complementar pode te ajudar.

Eu nem sabia que porra era atividade complementar.

Matt: Mas se tu quiser ficar de boa, tudo bem. Só quis te avisar.
Eu: Tá.



Matt: Tudo bem contigo?
Eu: Eu to indo pra aí.
Matt: Beleza. Eu e o Fred te esperamos aqui na república.
Eu: Tá. Eu não to muito longe.
Matt: Mentira, o Fred não quis esperar e já tá saindo.

Ouvi a voz do Fred no fundo me xingando de qualquer nome.

Matt: Mas eu posso te esperar.
Eu: Não precisa se não quiser.
Matt: Não, tudo bem. Eu espero.

Desliguei na cara dele. Só percebi isso depois que eu fiz. Não era nada contra ele, mesmo. Eu sabia que o Matt tava preocupado comigo e tava tentando ser legal, sem invadir meu espaço. É isso o que ele sempre tenta fazer. Mas eu tava nervoso comigo mesmo, porque eu sabia que tava fazendo aquilo de novo: me enchendo de ocupações pra não ter que ouvir meus pensamentos. Eu não devia fazer aquilo, mas era mais forte do que eu. Pelo menos agora eu sabia que tava fazendo coisa errada. A tendência é melhorar com o tempo. Mas agora eu preciso me distrair. Eu sei que não to preparado pra lidar com a porra toda.

Talvez eu nunca esteja.

Fato é que eu não tava nem um pouco a fim de ver porra de palestra nenhuma, mas se eu ficasse em casa, sozinho, minha cabeça ia se encher de merda de novo. Então saí andando em direção à república.

Próximo post: 02/11!