beatrizivoglo3

Carta de suicídio? Bizarro, não é mesmo? Então, eis aqui algumas meras palavras que direciono somente aqueles que ainda merecem alguma explicação pelo que estou prestes a fazer e se, por acaso, não existir quem mereça, caso ninguém consiga se enquadrar nesse turbilhão de sentimentos ignorem, leiam, lamentem, façam aquilo que bem entenderem de todo esse tormento. A um bom tempo atrás costumava ser feliz de verdade, digo, costumava conseguir descrever a felicidade através dos meus pés descalços tocando o chão, de minhas mãos sentindo o áspero e ao mesmo tempo suave toque da areia branca e macia, de um pique-esconde, um polícia e ladrão. Descrevia a felicidade como sendo o simples movimento que a corda dava a minha volta e o exato segundo em que, dando um pequeno pulo, sob os meus pés ela passava e uma volta completava ou como sendo aquela campainha que apertei e logo em seguida sai em disparada para que ninguém, em momento algum, percebesse que fui eu quem cometeu tamanho ato, ninguém poderia saber que fui eu quem cometeu a não ser meus amigos, que vez ou outra apertavam também. A felicidade vista aos olhos de uma criança, não passa de algo doce e simples, suave. A medida em que o tempo passa, o mundo começa a assustar, começa a dar indícios de que crescer não será gostoso e fácil como a principio, se imaginava. Algumas pessoas conseguem contornar as dificuldades e manter-se fortes. Outras preferem sorrir, sorrir por tudo a todo momento. Tem aquelas que de fato encontram a felicidade e agarram-a firme para que não escape. E, infelizmente, tem aqueles que como eu, não suportam tantas criticas, tanto peso e tortura. Aqueles que diante de um tropeço machucam-se mais do que o esperado e diante de algumas palavras cruéis desabam em lágrimas. Fracos? Não, ninguém é fraco, algumas pessoas simplesmente sentem mais, qualquer mínimo detalhe se torna intenso, forte, fere. Tenho carregado muitas coisas em minhas costas, estou prestes a desistir a muito, muito tempo, mas sempre acabo encontrando motivos para lutar novamente ou, diante de todas as possibilidades existentes em minha cabeça, me assusto e regrido. Está é só mais uma vez? Não. Desta vez é diferente, desta vez estou focada nisso tudo e já sei exatamente onde, trancada no banheiro, as 4 da manhã, encontrei escondido, em algum cantinho, a arma do meu crime. Já sei como chegarei aquela ponte central, a forma que subirei na estrutura tremula e em seguida me jogarei. Planejei certinho onde pendurarei a corda e a cadeira em que subirei e segundos depois, quando a corda já estiver envolta em meu pescoço, chutarei para longe. Já avistei diversas vezes aquele trem que costuma passar todos os dias, as 20hrs, pelos mesmos trilhos e com a mesma velocidade exagerada. Também já observei os carros que passam desesperados pela avenida principal e que, a maioria deles está rápido demais para parar ao ver uma menina um tanto quanto louca, surgindo do nada em sua frente. Já sei exatamente onde estão as facas e meus objetos cortantes que, em meu pulso deslizaram em direção horizontal. Enfim, como será, ainda não sei, são varias as opções e diante do meu primeiro ato de coragem farei. Julguem me da forma que lhes for conveniente. Xinguem-me o quando acharem necessário. Lamentem a medida que seu coração pedir. Chorem quantas lágrimas seus olhos forem capazes de derrubar. Sorriam se é isso que tem vontade de fazer. Julguem, xinguem, lamentem, chorem ou sorriam, façam o que quiserem, pois assim como a carta, minha vida chega ao fim.
—  Carta de suicídio (wiskycomredbull)
Chega uma hora que palavras não são o bastante, é preciso mais que isso. Não basta dizer “estou contigo para sempre”, tem que estar. Não basta dizer “não vou te deixar cair nunca”, tem que segurar. Não basta dizer “eu te amo”, tem que amar. Chega uma hora em que palavras machucam, ferem, atingem. Você pode até se achar um nada, um lixo, um monstro, mas não acredita firmemente nisso até que alguém que ama lhe diga que realmente é. Você pode até se sentir um nada, mas continua dando o melhor de você, por ainda acreditar que o seu melhor existe, e vai continuar, por um bom tempo, até que a pessoa em quem você mais confia, com quem você mais se importa lhe diga, em alto e bom tom, que o seu melhor não é o suficiente, que o seu melhor é um lixo, um nada. Que o seu melhor na verdade, não existe, não presta, é quando isso acontece que o choque de realidade começa. Você não só se sente um lixo, como de fato, já acredita ser. Eu tive essa experiencia, e não foi boa, digo para vocês. Não é nem um pouco satisfatório ouvir que você não é nada da pessoa que mais lhe deu forças para ser melhor, para dar o seu melhor. Não é nem um pouco agradável ouvir da pessoa que você lutou de todas as formas para ter perto, que tudo que você fez foi estar longe no momento em que ela mais precisou de você. Não é fácil não. Como diz projota, a rapadura é doce, mas não é mole não (risos). Você perde o chão, o céu, as palavras, o sentido e os motivos para estar em pé. Você tem vontade de sumir, desaparecer. Tem vontade de chorar, gritar e ficar em silêncio. Sua respiração para, sua voz falta, as lágrimas só caem, sem que você possa segura-las, prende-las. Você só quer correr, correr pra longe. E é ai que você percebe que não aguenta mais, que não consegue mais e que, se nada do que fez valeu a pena, não se tem motivos para insistir no erro. Eu não sei o que vou fazer, não tive tempo de pensar ainda, por enquanto vozes ecoam em minha cabeça, gritam tanto que me deixam surda. Meus olhos não veem mais nada, está tudo escuro demais. Minhas pernas tremem, me impedindo de ficar em pé. Drama demais? Talvez seja. Mas vem passar por isso em meu lugar vem, sente tudo que eu estou sentindo e vê se o drama é convincente. Sente o que eu senti para ver se estou usando de exagero em minhas palavras. Usei tudo isso para dizer que eu apenas, cansei, que eu já não aguento mais. Julguem-me da forma que quiserem, quem eu menos esperava já me julgou mesmo, então estou pouco me fodendo para o que você pensa de mim. Isso aqui é apenas um desabafo. É apenas o meu desespero em palavras, resumido em letras. Cada um sabe o que aguenta e até onde é capaz de ir. Cada pessoa sabe o limite que possui dentro de si, o que realmente é capaz de machucar. E eu não sou diferente, eu sei cada mínima coisa que é capaz de mexer comigo, então, foda-se você, meus limites, minhas dores, meus temores, sou eu quem sei.
—  Desespero em palavras. (wiskycomredbull)
está entregue amor. Quase dois anos haviam se passado desde o nosso ultimo encontro, nosso ultimo beijo e, mesmo deixando claro para mim mesma que seria o “ultimo” dia que nos veríamos, tinha para mim que, não seria bem assim, era tudo forte demais para acabar assim, para ser abreviado em uma unica palavra, em um único beijo. E ali estávamos nós novamente, - “entra no carro amor” - disse-me você com aquela voz que tanto senti falta. Entrei sem sequer saber para onde iríamos, só sabia que iríamos e mais que isso, iríamos juntos, juntos novamente. Nossos olhares pareciam imãs, buscavam um o outro por mais que quiséssemos desviá-los - chegamos - ele me disse, descendo do carro. Desci logo atrás e logo vi o que me esperava, logo vi que não resistiria a ele por muito tempo. Um colchão no chão, bebidas, pizza, filme e ele, tem algo melhor? Eu poderia desejar algo mais naquele momento? Sim, poderia. Ele colocou o filme e, não me perguntem que filme era, pois não lembro nem de te-lo visto começar, pois, logo que se jogou ao meu lado no colchão, deu-me um beijo e com as mãos em minha nuca, puxou forte meus cabelos fazendo com que eu me arrepiasse toda. Seu beijo era, era..ah, não consigo descrever, só me toquei, naquele momento, de que estava te beijando e que aquele tal ultimo, não havia passado de mais um, no meio de tantos que demos naquela noite. Poderia ficar ali, com ele e por ele horas e horas, sem nem ver o tempo passar, só sentindo aqueles lábios nos meus novamente. - Temos que ir - disse ele levantando-se e seguindo em direção a porta. Oh, não, era tão cedo, parecia termos ficado tão pouco tempo juntos e, já tínhamos que nos despedir, era isso mesmo? Poxa, não parecia justo. Entrei no carro e logo chegamos em minha casa, fiz bico, ele olhou-me e mordeu meus lábios dizendo - ande, de-me um sorriso, hoje não será o único dia que teremos para nós - lógico, eu sorri, afinal, ele tinha esse poder sobre mim. Demos mais um longo beijo até que disse-me - está entregue, meu amor.
—  Dois anos depois (wiskycomredbull)