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Realmente eu talvez não tenha encontrado alguém que eu possa chamar de meu sem precisar dizer isso entre olhares e gestos, escondendo sentimentos por medo de estar amando a pessoa errada. Não deve ter chegado minha hora de dizer para todo mundo que estiver a fim de ouvir “Este é e sempre será o grande amor da minha vida” sem medo de estar errada, ou de ouvir um “Você está louca”, falar com convicção, afirmar e reafirmar tudo que um grande poeta fala sobre o amor, que ele é um sentimento maravilhoso que vivido há dois é a sensação mais estranha e alucinante do mundo. Uma vez, há muito tempo atrás, em minha época de colegial, sim, eu tive um grande amor, aqueles bem de infância. Aquele amorzinho não correspondido e quem quiser chamar de amor platônico, que chame. Mas eu sim vivi o amor, pode ser amor de infância, como os “adultos” falam, ou talvez um amor bobo, mas eu posso dizer com as palavras mais convictas que eu amei de todas as formas e com todas as letras que a palavra amor possui. Eu entendo e não questiono. Entendo que tudo tem seu tempo, e não estou nadinha incomodada por não estar me preocupando com amor pra cá, amorzinho pra lá. Eu só espero, que o próximo que venha, venha para ficar.
—  E se não for para ficar, então que nem venha. (s-entient)
Ao som de Los Hermanos, acordei na Sexta-feira, dia 13. Sexta-feira 13, não que eu acredite nessas coisas, tanto faz, apenas acordei feliz por ser Sexta-feira. Enfim estava chegando o final de semana, eu tinha uma festa para ir no Sábado, festa de boas vindas para o novo vizinho gatão que conheci ontem. Ele mesmo me convidou para a festa que ia dar em sua casa, queria conhecer gente nova, já que era novo na cidade. Fui para aquela maldita escola que eu tinha a obrigação de frequentar todos os dias, mas tudo bem porque era Sexta-feira –Sábado, festa no novo vizinho gatão– Passou a Sexta-feira num piscar de olhos, impressionante. Novamente acordei ao som de Los Hermanos. Era impressão minha ou havia alguém batendo na porta? Não, não podia de ser apenas impressão minha. Fui atender e quando abri a porta:
–Olá, desculpe eu vir aqui incomoda-la, mas como a minha festinha é hoje –ISSO MESMO, ERA O NOVO VIZINHO GATÃO ALI EM CASA. – eu quero perguntar se você não poderia ir ao mercado comigo, desculpa se estou incomodando, mas como sou novo aqui, não sei muito bem onde fica e se eu soubesse me perderia no caminho de volta para a casa. –Ele riu.
–Lógico que não tem problema. Tem um mercado aqui pertinho, vou me arrumar e te levo ali. Entre, sente-se e espere que em 5 minutos eu volto aqui para acompanha-lo. –Fiz sinal para ele sentar no sofá e quando ele virou de costas para mim, sai correndo. Era o vizinho gatão me pedindo ajuda para fazer compras. QUE ROUPA EU VOU? QUE ROUPA EU VOU? Eu não sou desse tipo de meninas que se maquiam para ir a uma padaria comprar mortadela, mas eu não sei o que estava acontecendo, eu estava com medo de não saber me arrumar (ou eu sabia o que estava acontecendo, mas não podia…).
–Estou pronta, vamos? – eu havia colocado uma blusa simples, preta, por mais preocupada com minha roupa que eu estivesse não queria passar a impressão de que eu estava ansiosa para ir a um mercado. APESAR DE QUE ERA COM O NOVO VIZINHO GATÃO. Coloquei meu all star mais rasgado e velho que tinha no armário, e uma calça jeans bem desbotada. Eu estava parecendo um andarilho, mas eu realmente não podia passar a impressão de estar ansiosa para ir a um mercado, afinal, ERA APENAS UM MERCADO. – Nossa você está realmente linda! – Disse ele. Mas afinal, que diabos de menino era aquele que acha linda uma menina com roupas todas esfarrapadas?
Fomos ao mercado e depois o levei para um restaurante ali perto, para almoçarmos. –Então, me conte um pouco de você. –Disse ele. – Ok. Acordar ao som de Los Hermanos é minha atividade preferida. Amo animais sabe, quando eu casar, quero ter um cachorro e um gato. Minha comida preferida é qualquer uma do Mcdonalds. Mas eu realmente amo a batata frita deles com aquele sorvete, MCFlurry de Ovomaltine e um copo de Coca-Cola enorme. Gosto de andar mal vestida pra não chamar a atenção de pessoas mais velhas, acho que é fobia. Falo inglês fluentemente e queria passar o resto de minha vida em New York. Acho que é isso. Foi mal, acho que me empolguei demais. – Ele ri. – Não, de jeito nenhum, adorei saber mais de você. OH ANNA JULIAAAAA. – Dei uma baita gargalhada. –O que você está fazendo? –Perguntei. – Também gosto de Los Hermanos, apesar de você não perguntar. Amo batata frita com aquele sorvete e acho que você deveria me ensinar inglês, aí fazíamos uma troca. – Troca? Que troca? – Você me ensina inglês, e eu te levo pra New York para morar comigo. – Nossa você não perde tempo hein. – Nos rimos. – Eu acho que poderia me acostumar a acordar todo dia ao som de Los Hermanos. Haha. – Jura? Também posso me acostumar a dividir minhas batatas fritas misturadas no MCFlurry com você.
—  (s-entient)