baixa alto

Eu não sei sofrer. A dor sempre acaba comigo e eu acabo entregando os pontos, as cartas e o jogo. Porque eu, de fato, não sei lutar contra ela. E é por isso que eu repito em alto e bom som para quem quiser ouvir, que eu não nasci para sofrer. Grito pela milésima vez e mais uma se preciso, para que o destino entenda que essa função não é minha. Eu não sei fazer isso direito. E cada pedacinho do meu corpo – esse por menor que seja – dói. Eu também não sei lidar com a dor sambando de salto alto e fino bem no meio do meu peito, e ainda ficar achando graça disso. Eu me acabo. E no final das contas eu não sei lidar nem comigo, quem dirá com a dor. E tudo se torna grande demais, vazio demais, apertado demais. O problema é que assim como eu não sei sofrer, eu também não sei não sofrer. Não sei olhar pro chão e não ter medo de ficar sem ele, e nem olhar a cicatriz sem pensar que ela pode ser aberta de novo. Não sei olhar pro céu e não ter medo de perder as estrelas e nem rir sem pensar que eu vou chorar muitas vezes ainda. É, eu não sei não sofrer, porque eu, definitivamente, não sei correr sem ter medo de cair. O joelho ralado sempre me pareceu um tiro no peito, ainda que eu nunca tenha levado um tiro. Eu só sinto muito, porque o sentir pouco nunca fez parte de mim. Não sei preferir o insuportável e desconfortável silêncio quando eu ainda tenho o grito. Então não me peça para sofrer em silêncio enquanto a dor grita - E grita alto. Não me  peça para chorar em voz baixa porque chorar alto é muito mais libertador. Não me peça para ser pouco, quando eu só sei ser muito. E o que é amarelo claro se torna amarelo escuro, quase fogo. O chuvisco se torna uma tempestade que não me permite dançar na chuva. A maré baixa se torna um tsunami e eu sempre acabo me afogando, porque bom… Eu não sei nadar nesse mar.
—  Cuidar.
Ela gosta de cachorros, e eu de gatos. Eu peço um beijo, e ela me dá um abraço. Eu tenho os olhos castanhos escuros, e ela castanhos claros. Ela é baixa, e eu sou alto. Quando vamos a festas infantis, ela sempre ataca os doces, e eu os salgados. Eu gosto de pão com o ovo, mas ela só come pão com queijo prato. Ela gosta de filmes de terror, mas eu prefiro desenhos animados. Ela gosta do sol, e eu de quando está nublado. Ela só dorme de pijama, mas eu, cá entre nós, só durmo pelado. Eu sempre sorrio de canto de boca, mas ela sempre tem um sorriso escancarado. Quando discutimos, ela sempre diz que está certa, e eu sempre sou o errado. Está vendo? Somos um o oposto do outro, mas quando eu digo que a amo, ela diz que me ama. Não rimou? É porque não precisamos ser iguais em tudo, para amar e ser amado.
—  Nathan Alves. 

E quantas vezes vocês zoaram a gorda da sala? A nerd? A magrela? A que tira notas baixas? A que fala alto? A que não fala? Meu, tá todo mundo pêsames, mas porra, vocês fizeram isso, não foi a série, vocês chatearam, pisaram, iludiram, magoaram, zoaram, olha a merda, a doença do século é depressão e ansiedade: eu vou falar de mim não pra alguém sentir pena mas pra se conscientizar, meu, eu já tentei tiram minha vida por coisas “bobas” que disseram, instagram de esparro, por cada “feia” “gorda” “puta” “sem corpo” “magrela” “ridícula” “baleia” “cabelo de bombril” “leão”, cada insulto que vinha como piada, cada “piranha” “santinha” “estupida” “nerd” “cdf” me zoaram pelo meu peso, pela minha altura, por notas baixas e por otas altas também, Vocês não vêem nada demais mas vocês não sabem o que se passa na casa da pessoa, isso é coisa que professora fala pra aluno de primário mas pelo visto quase ninguém aprendeu  ”respeite os colegas, trate bem, se coloque no lugar da pessoa, não julgue sem conhecer”. Pelo menos reflitam porque a maioria sabe o que é chorar depois da escola a maioria sabe como é ter conflitos em casa, como é ter coração partido, então seja forte.

GENTILEZA GERA GENTILEZA

Quem bate geralmente nem se lembra, mas quem quem apanha nunca esquece…