azul branco

Azul

Ele era azul.
Um tom escuro de azul.
Não sorria muito,
Mas era bonito como o oceano.

Ele era azul.
Mas pela manhã tentava ser verde,
Espalhava a cor pelo rosto como uma máscara,
Enganando a sí mesmo,
Fingindo que era feliz.

Ele era Azul,
Assim como o céu depois do amanhecer.
Não tinha muitos amigos,
Mas era sozinho que criava as melhores melodias.

Ele era azul.
Seus olhos também.
Tentava ser forte, como o preto.
Pacífico, como o branco
Mas acabava parecendo vazio, como o cinza.

Ele era azul.
E amava o vermelho.
O olhava de longe, cheio de desejo.
Sonhava com o seu toque, o gosto de um beijo.
E acordava no meio da noite
Envolto em cobertas suadas.

Ele era azul.
Odiava isso.
E na madrugada, tentava ser neutro.
Perdia a consciência depois de tantas garrafas,
Quando o ar do quarto já estava cheio de fumaça,
Tentando de alguma forma suportar a vida
Tingida pelos tons frios.

Ele era azul.
Azul era a cor da sua alma.
Gostaria de ter a alegria do amarelo.
A nostalgia do laranja.
E receber o amor do vermelho.
Mas não importava o quanto tentasse,
nada parecia ser capaz de mudar  o azul refletido no espelho.

flickr

Untitled by Rosa

Ouvi dizer que as teorias mais loucas nascem no silêncio da alma. No entanto, quem me dera ter uma alma silenciosa. Ela grita sem que eu possa ter o controle, pensamentos que se chocam e me deixam em pedaços. Ouvi dizer que pessoas se completam, mas sou quebra-cabeça falho, me faltam peças, me falta alguém capaz de decifrar esse enigma que sou, alguém que consiga destruir a parede que habita em meu peito e que não saia correndo quando ver caos que há em mim, ele verte pelos meus olhos, desce rasgando a minha garganta, ele reflete na minha essência. E mesmo com tudo isso, eu ainda sou arte, uma tela que eu pinto um pouco mais a cada dia, seja de preto, branco ou azul. Ouvi dizer que você também é arte, que seus olhos são mais impressionantes do que as pinturas de Van Gogh e as descobertas de Da Vinci. Ver o seu sorriso deve ser como tocar o céu sem sair da Terra. Me pergunto se quando eu vier a te tocar você irá continuar intacta, porque meu bem, você é uma obra prima, perfeita em sua própria imperfeição, e eu sempre que quero segurar algo em meus braços acabo apertando demais, com medo de perder, assim consequentemente, quebro aquilo que mais queria proteger, então se por acaso ou descuido eu te quebrar, perdoa, minha intenção é te amar, é só que eu ainda sindo medo. Todas as pessoas que passaram pela minha vida, ao invés de deixarem boas recordações acabaram tirando pedaços de mim, destruiram meus sentimentos, fazendo assim com que eu me transformasse nessa bagunça sem fim que sou hoje. Vamos fazer assim, você tenta não levar o que sobrou de mim, e eu, eu tento não te apertar forte demais, porque pelo menos uma vez torço pra que isso de certo, já ultrapassei a minha cota de coisas que não tem continuidade e sinceramente eu cansei de quase tudo sempre dar errado.
—  Delutomia em parceria com Caminhos-Proibidos