atordoada

estou cansada, ando muito sonolenta ultimamente, sem animo algum pra nada, minha cabeça anda perturbada, atordoada, incontrolável. penso umas mil coisas ao mesmo tempo, e no final tudo se resumi a tristeza. vivo triste o tempo todo, meus olhos estão mortos, tenho olheiras que nem base/pó disfarçam. tenho dores inabitáveis, irreversíveis, tenho o caos nos olhos, esses olhos tristes, que um dia foram felizes, por ter tido você. minha vida toda é baseada em: faça isso, faça aquilo, e mesmo fazendo tudo certo, ainda julgam está incorreto, ficam pesando cada dia mais minha mente, meu peito, meu ser. viver está sendo cansativo, exaustivo. chorar já não é mas uma saída, não tem saída pra uma alma monótoma, fria e escura. não tem jeito pra tristeza, à não ser continuar sendo fielmente a ela. talvez ser triste seja o caminho pra felicidade que tanto tenho buscado.    

Eu menti. Eu não superei, eu não segui em frente. Você ainda significa tanto para mim. Na verdade eu menti para mim mesma e acreditei nessa mentira. Pensei ter te esquecido, passado uma borracha nos nossos momentos e conversas, mas quando falo contigo tudo isso volta. Volta com tanta força que me deixa atordoada. Então volta. Fica do meu lado, fica aqui comigo.
—  Esmorecidas
Ai Johnny, esse negócio de amar não é a porra mais sem noção que nós podemos fazer? Pois é meu caro, é a maior obra de merda! Então palmas para nós, que somos fodidos amantes, pessoas atordoadas por um amor, ou vários amores. Um brinde a quem se deixa envolver por alguém mesmo sabendo que pode ser a porra mais idiota que já fez, e que irá fazer novamente. Assobios para quem não tem medo de ter o seu coração estraçalhado. Uma rebolada no colo de quem sabe em que buraco está se metendo, e mesmo assim, se mete nele sem pensar duas vezes, e à aqueles que tem medo de altura, mas mesmo assim se jogam desse abismo sem proteção alguma. Mas aos que tem coragem de amar, meus parabéns, porque é a porra e a merda que pode ser mais bonita na vida de alguém.
—  Eu sinto muito, Johnny.
O meu maior problema é que eu acredito em você. Eu acredito quando você me diz que não bebeu tanto assim e enfia os dedos entre os meus cabelos tentando fundir a minha boca com a sua. Eu acredito nas suas mãos nas minhas, na sua risada e nas suas mentiras. Acredito nas suas meias palavras e quando as luzes se apagam. Quando tudo que eu escuto são as minhas unhas rasgando as suas costas e sua boca dizendo que quer me fazer sua. Eu acredito no silêncio. Nos sons que não quero deixar escapar enquanto os seus lábios passeiam pelo meu corpo, agarram os meus seios deixando marcas para eu nunca negar que você esteve ali.  Eu acredito que ainda tenho controle sobre qualquer coisa e que não estou sendo escrava desses desejos que eu nem sabia que tinha enquanto estou presa adrenalina que percorre as minhas veias, e a  minha pele atordoada pelo teu cheiro e pela sua boca. Eu sou escrava de todas as sensações escrotas e absurdas que você desperta nesse meu corpo que me trai a cada vez que as digitais dos seus lábios são imprensas nas lugares mais intensos de mim.  Eu sou escrava desse meu ego estupido que acredita que é mais esperto do que o seu dialogo chinfrim. Que acredita que quando você me toca, o tudo é o nada, e que o nada são apenas dois corpos em busca de uma satisfação puramente egoísta. O problema é que o nada é o tudo. O nada é a ressaca moral que eu tenho às 11 da manhã. É o nosso silêncio. O nada é quando tudo o que  sobra são as marcas quentes do seu corpo no meu lençol e a minha vontade de te ter mais uma vez ali.
—  We’re the silence, Danielle Quartezani
Estava bom demais pra ser verdade. Estava tudo indo tão bem, sabe? Tudo mesmo… Mas, do nada, tudo voltou a ser o que era antes. Aquela tristeza inexplicavelmente avassaladora dentro de mim; aquele vazio que me corrói; a vontade incontrolável de chorar em todos os momentos… É, aqui estou eu novamente. Sendo atordoada por pensamentos que eu não sei de onde vem ou o por quê de estarem aqui. Embora eu seja rodeada de pessoas, me sinto só. Estranho, né? Mas, é isso mesmo que acontece. Não importa onde esteja, sempre estou com várias pessoas por perto. Só que mesmo com tanta gente ao meu redor, eu me sinto extremamente sozinha. Quando quero chorar, não consigo encontrar alguém realmente  disposto a me ouvir, me aconselhar… Ok, não precisa dar conselho e blá blá blá. Mas, só um colo pra eu deitar, e chorar o quanto eu quiser. E alguém pra dizer que vai ficar tudo bem - mesmo que isso não vá acontecer.
—  Sigilografou

cadê meu sono, m. ? eu queria tentar dormir sem que você acordasse de madrugada com a respiração pesada e me visse atordoada e inquieta me alimentando de alguma coisa que prendesse minha atenção
e eu repetindo com um sorriso de lua insinuante ta tudo bem volta à dormir logo eu vou

Depois de tanto massacrar meus pensamentos, ainda atordoada, lembro-me de sair do meu quarto - o lugar mais seguro do universo - e ir lá fora. O céu estava nublado, não havia nenhum feixe de luz. Nada. Senti algo encostar na ponta do meu nariz e em seguida cair. Isso se repetiu de novo e de novo. Estava começando a chover. Eu pensei por um momento assistindo as gotas atingirem o chão violentamente no quanto eu odiava carregar o fardo de pessoa que sempre se importava. Deitei-me na grama e fechei os olhos. Tive a impressão de ouvir meu coração bater cada vez mais devagar, senti medo por um momento que ele simplesmente parece de bater por estar cansado. Então meus olhos se abriram e eu ainda estava sozinha. Ninguém entenderia se eu tentasse explicar o que estava sentindo. Mas sabiam. Não queria contar ao mundo que estava enfrentando um dia péssimo, porque eu não era a única pessoa a sentir vontade de desaparecer, e uma gratidão imensa por não desaparecer.
—  Os porquês de Amélia Roswell.

E eu lá sabia que o amor podia ser encontrado assim, na curva do teu sorriso, ou na volta da tua íris. Mas eu encontrei, enrolado nos teus cabelos e grudado nos teus lábios o segredo mais agridoce que não podemos contar à ninguém.
Fico enjoada no balanço das tuas águas ora tão remotas, ora atordoadas, mas me deixo aproveitar a viagem. Ah, o mar…

VIDAS CRUZADAS

Capítulo 164: Emoções e conflitos.

 LUA

 Cresci em um lar harmonioso, cheio de carinho e amor, meu pai estava presente em todos os momentos importantes de minha vida. E dos momentos que recordo de Billy e Cláudia juntos não me lembro de haver hostilidade entre eles… Não, meu pai sempre fora um homem carinhoso comigo e minha mãe.

Por esse motivo não compreendia a forma que ele a tratava agora… Agressivo… Não só com ela, mas com todos e principalmente comigo.

Sempre me questionei, por que meus pais foram contra meu casamento, não era normal eles agirem da maneira como reagiram minha mãe tão negativa e meu pai tão agressivo.

 Mas hoje as coisas começavam a se encaixar, hoje eu pude entender o que se passava na cabeça deles… Mais isso não ajudava muito… Estava me deixando totalmente atordoada…

E quando olhei para o homem que sempre conheci como meu pai me assustei com o que vi refletido em seus olhos… O amor que esteve ali em todos os momentos bons e ruins de minha vida, havia esvaído e em seu lugar existia… Magoa… Raiva?

Afinal o que eu havia feito?

Não acredito que esse ressentimento todo fosse por ter me casado com o Arthur? O que ele tinha contra o meu marido?

Acreditei que a explosão dele em relação ao nosso casamento seria por me achar nova demais para assumir uma responsabilidade dessas, ou por não ter sido comunicado antes.

Acreditei nisso até hoje.

As palavras dele ainda martelavam a minha mente. Como ele ousava insinuar que meus filhos poderia não ser do Arthur? Onde estava o pai que conheci?

Quando ele jogou em minha cara que eu e o Arthur poderíamos ser irmãos… Irmãos? Não isso nunca poderia ser verdade.

Não o Homem que amo, pai de meus filhos, o Homem com que me deito todas as noites, o mesmo Homem que me faz perder os sentidos só com um toque de suas mãos…

Não, eu nunca fui uma menina má para o destino estar me pregando uma peça dessas!

Por mais que Billy falasse com tanta convicção eu não poderia acreditar… Não… Nunca!

Mas de repente, lembranças da conversa que Kátia havia tido comigo e as meninas, na casa de praia invadia minha mente já tumultuada…

… Ricardo tinha acabado de se formar quando foi contratado para trabalhar em uma clínica particular, tinha uma belíssima secretária, que nunca passava minhas ligações. Bem em uma bela noite, ele achava que eu estava dormindo quando atendeu um telefonema, era ela, a secretária. Eles tinham um caso, quando vim a descobrir já fazia quase um ano e eu nunca havia percebido.

A dor já me dilacerava, rasgando meu peito, deixando-me sufocada… Por que, por mais que eu tentasse… Não acreditar… Doía-me admitir que essa possibilidade pudesse existir.

E se essa tal secretaria que a Kátia mencionou fosse minha mãe? Não Deus isso não pode ser! Por favor, não!

(…)

Eu estava sonolenta ainda e sentia dor em meu baixo ventre. Uma dor aguda que vinha de minuto em minuto, às vezes fraca e outra mais forte. Olhei o quarto onde estava e constatei que estava no hospital, Ricardo estava conversando com minha médica e percebendo que havia acordado ele se aproximou.

— Como está Luinha?

— Com dores. — Olhei pra ele tentando encontrar algum traço que pudesse ter em mim, mas graças a deus não encontrei. — Onde está Arthur?

 — Eu o coloquei pra fora. — Ricardo deu um meio sorriso. — Ele não aguentou e desmaiou.

— O que? — Perguntei em uma voz mais grave devida a dor que me assolava nesse momento.

— Respire fundo Luinha. — Ele se aproximou mais de mim e me examinou juntamente com minha médica.

— As dores estão aumentando Lua? — Perguntou Drª Maggie.

— Sim. — Falei em um sussurro. — Ricardo eu gostaria de falar com o Arthur.

— Claro filha, ele deve estar afundando o corredor de andar de um lado ao outro. — Ele sorriu e saiu deixando-me a sós com minha médica.

— O que aconteceu comigo? — Perguntei tocando meu ventre. — Meus filhos estão bem?

— Você desmaiou. — Ela tocou em minha mão e acrescentou. — Você teve um leve sangramento, mas já foi normalizado ficará em observação para podermos lhe liberar. — Ela respirou fundo e acrescentou. — Mas acho que essas crianças querem conhecer o rosto da mamãe logo.

— Por que diz isso? — Perguntei aflita, pois não queria ver meus filhos passando por complicações por um nascimento antecipado.

— Você está em observação… Não fique preocupada. — Ela sorriu carinhosamente. — Vou ver algumas pacientes e já volto para lhe examinar novamente.

Drª Maggie saiu deixando-me sozinha, a dor veio mais uma vez, mais forte e nesse momento Arthur entrava no quarto. Seu sorriso tinha o poder de me acalmar.

Mas quando ele tentou me beijar, as palavras de meu pai martelaram em minha mente… “Vocês podem ser Irmãos.”

— Não… — Por mais que tentasse segurar, as lágrimas elas vieram a tona. — Não podemos Arthur… — Por mais que eu quisesse desesperadamente sentir a maciez de seus lábios nos meus, eu tinha medo de estar pecando. — O que iremos fazer?

— Amor…

— Lua… Chame-me de Lua.

Era doloroso demais. Mas eu teria que ser forte, como poderíamos enfrentar isso, Deus, se formos irmão realmente.. O que iremos fazer? O que diremos aos nossos filhos?

— Bebê, eu sempre vou lhe chamar de meu amor.

Ele tocou meu rosto e senti a corrente que sempre sentia com esse simples toque dele, como poderíamos ser irmão tendo essa conexão tão boa? Deus o que faríamos com nossos sentimentos?

— Ei não chore, por favor, tente se acalmar por conta de nossos filhos.

— Podemos ser irmãos Arthur…

— Não meu amor, meu pai me garantiu que não existe essa possibilidade…

— Então… Por que meu p… O Billy disse que eles tiveram um caso?

Morgana estava inconsciente no chão, ou mais especificamente nos jardins que ligavam Hogwarts ao Instituto. A sua inconsciência era devido ao feitiço que Dwight lhe tinha lançado. Estava com o pescoço marcado e agora, com o efeito do feitiço a passar, começava a acordar e mexer lentamente as pernas, meio atordoada. 

{ If we loved again, I swear I’d love you right — Maliver }

Após a “brincadeira” dos sete minutos, Marie saiu um pouco atordoada pois não tinha escutada o final da resposta de Oliver, a necessidade de saber fala dele era enorme. Ele poderia dizer que não sentia mais nada pela loira e obriga-la a seguir em frente, desta vez, bloqueando-o da memória por completo. Mas a esperança de que ele podia dizer que ainda sentia algo pela princesa brilhava em seu peito como fogo. Esperou mais dois casais irem para o armário para se retirar do local, indo para o seu dormitório. Tomou um banho e pôs seu pijama, junto de sua máscara para dormir, pois, o que mais queria agora era isso, dormir tentar esquecer a intensidade das palavras de Oliver antes de serem tirados a força daquele armário apertado. 

Mas ela simplesmente não conseguia.

Mesmo com a máscara, os pensamentos que tinha sobre o francês havia ficado na sua memória. A visão parcial que tinha dele no armário parecia vir em sua mente do mesmo jeito que ela respirava, constantemente. Odiava ficar com esse sentimento, de dúvida, ainda mais porque isto não a deixava dormir. Não soube ao certo quanto tempo permaneceu rolando na cama, em busca de uma posição que milagrosamente a fizesse ficar com sono, não adiantando de nada, é claro. Foi então que resolveu corta o mão pela raiz. Levantou-se da cama e calçou suas pantufas, sem se importar com isso e nem com se enrolar no robe que se localizava ao lado de sua cama. O caminho até o quarto de Oliver não fora demorado, sabia exatamente como chegar no quarto dele o mais rápido possível, além de que, como o toque de recolher tinha se estendido, não teria problema com esse ato. Parou na frente da porta dele com Auryon atrás de si. A cena que ocorria a remeteu ao término dos ambos, e sua mão, que estava levantada para bater na porta, paralisou. E se ocorresse novamente? E se eles brigassem e piorassem a situação? Marie considerou dar meia volta para seu quarto, encarar a noite sem dormir, mas a porta abriu antes dela sequer se mover novamente. Era Oliver, e ele vestia suas calças de moletom que a princesa sempre gostou. Estava muito tensa para conseguir dar um sorriso que fosse.  O que você ia me dizer? A aflição estava presente em sua voz e ela sabia disso, mas, no momento, ela não queria parecer forte, ela apenas queria a verdade por parte de Oliver.

ontem sonhei contigo e com a forma como você me deixou apática, como devorou o meu ser e meu sentir.
acordei atordoada e minha angústia se transformou em dúvida logo quando escutei o despertador tocar, mostrando que a noite já havia se tornado dia sem meu conhecimento: como é que de tão longe você consegue me manter tão perto?
por que você faz isso se não quer gozar do meu calor? se você queria fazer minha vida ínfima, por que não o fez antes?
depois de você minha palavra favorita tornou-se “se”. você colocou em xeque minha vulnerabilidade e meu imo, à prova.

me faça sentir amenidades contigo mais uma vez.

- m, 2017

eu ainda vou te encontrar
mesmo sem saber o teu nome
ou a cor que os teus olhos têm
o meu corpo vai reconhecer o calor do teu toque
e os teus dedos dançando na minha clavícula vão soar como uma canção
eu não sei a que horas você chega
nem se você demora ainda mais enquanto eu te espero atordoada
eu não sei se os nossos risos vão se esbarrar
ou se eu vou ter que te procurar embrenhado num mar de gente
o que eu sei é que as tuas retinas são estrelas
e que você é o céu que eu tanto anseio em habitar
em algum lugar você vai me ouvir cantando “she will be loved”
e vai entender o que eu sempre quis que entendesse
algum dia eu vou te encontrar perdido numa livraria
lendo “Mr Blues & Lady Jazz” e se perguntando onde está a sua Ginger
mas eu vou estar do seu lado mesmo sem você saber
e talvez nós não nos reconheçamos naquele instante
porque não somos só um momento
somos o infinito embrulhado em papel de presente.

(o melhor sempre fica pro final)

Os primeiros dias foram terríveis, me acostumar com tua ausência foi uma das coisas mais difíceis. Eu bebia pra esquecer cada lembraça que me atormentava como um fantasma, vindo me assombrar. E quando a saudade vinha a minha única altenaltiva era dormir. Era tudo tão estranho, meu arco-íris perdeu as cores assim como o sentido de viver. Perdi minha razão de viver, perdi meu amor em plena segura-feira. Gritei, chorei, fiz birra, pirraça, até greve, mas nada adiantou. Você havia partido, e doía saber que você não iria voltar, doía pensar que seria pra sempre. Mas e agora, quem vai segurar minha mão quando eu cair? Quem vai me tirar sorriso inesperados? O pior é que as memórias ecoam na minha mente como flashes, me deixando atordoada, fazendo essa saudade sangrar dentro de mim. Mas querido, parte de mim partiu junto com você, enquanto a outra parte está de luto, se afogando com as lágrimas derramadas.
—  Agridociei e Revelastes lado a lado nas esquinas da saudade.
Capítulo 6 - Medo de amar é...

Sai de casa meio atordoada. Fábio me deu atenção e carinho como nunca havia feito e o que mais vinda na minha cabeça era que aquele carinho era puro sentimento de culpa. Dei uma desculpa esfarrapada falando que precisava acertar uma últimos detalhes da festinha de Max e sai.

O caminho era curto, e a música que tocava na radio me deixava mais feliz. Me lembrava de uma época sem preocupações.

Logo cheguei no buffet e assim que entrei eu vi a menina desmaiar. Corri e consegui segurar o corpo dela antes que atingisse o chão. Assustada com a situação olhei em volta e vi um menino gritando por seu nome:


– Vaneeeeeessa - ele chegou e tentou pegar ela dos meus braços, eu não deixei.


Expliquei pra ele que aquela movimentação poderia deixar ela mais atordoada e mais tempo desmaiada. Deitamos o corpo dela no chão e apoiei sua cabeça em Minhas pernas. Enquanto ela estava com um semblante tranquilo eu pude ver seus traços. Mexi em sua franja enquanto traçava o rosto dela. Ela era linda.

Senti ela começar a ficar inquieta e cutuquei o menino que estava com o celular dela na mão falando com alguém.


– Ela está acordando. - disse e vi ela ficar um tanto confusa quando olhou para mim, mas logo abriu um sorrisão.


Eles conversaram alguns segundos e logo ela quis ir embora, tinha algo a ver com a mãe dela. Sai dali deixando-os mais à vontade pra conversa. Fiquei na mesa de doces olhado eles irem embora enquanto o afogado do Bernardo chegava todo estabanado.


– Marie Claire!!! - exclamou – Que Deus grego era aquele saindo daqui? Quase que não deixo ele sair - colocou uma mão no peito e se abanou com a outra.


– Credo Bernardo, o menino podia ser seu filho! - respondi rindo e ele fiz uma careta


– Adoooooro novinhos Clarete! Você sabe disso! E eu não sou um tiozão não viu… Dou muito pro gasto ainda! - disse


– Tá bom bicha! Agora vamos.. Só passei aqui para dar uma olhada na decoração… Mas preciso falar com você - fui pegando na mão dele e saímos.


Fomos a um café próximo do Buffet mesmo, pois não queria correr o risco de Fábio me ver em algum outro lugar. Fizemos os pedidos e eu contei ao Bernardo o ocorrido da noite anterior.


– To PAS-SA-DA! - falou colocando a mão na boca. – Não acredito que ele teve essa coragem Clara! - pois a mão em meu queixo e virou meu rosto vendo o inchaço quase imperceptível graças à quilos de maquiagem.


– Pois é Bê. O engraçado que hoje de manha ele foi todo fofo, fez o café da manhã e até ficou com o Max pra eu poder sair.


– Hum, querida… Homem quando bate em mulher, é porque pode fazer mais vezes. Toma cuidado viu! - ele segurou minhas mãos e senti uma lágrima escorrer.


Saímos do café e abracei Bernardo. Na rua mesmo. Quando vi um café parando na rua e abrindo a janela.


Fábio.


– Clara! Achei que você fosse resolver as coisas da festa do Max - disse mais grosso. – O que você está fazendo aqui?


Ele olhou Bernardo com cara de poucos amigos e Bernardo fez o mesmo.


– Oi amor! Eu encontrei o Bernardo aqui por perto e paramos para tomar um café. - sorri sem jeito – O que você está fazendo na rua? - desconfiei


– Ah, claro! Vim deixar o Max com você… Esse menino não pára de chorar e a babá da tarde disse que vai atrasar… - ele disso olhando no relógio do pulso – Você fica com ele? Eu vou até o escritório resolver alguns assuntos. - desfiou o olhar. provavelmente iria ver a vagabunda que andava comendo e iria me deixar toda a responsabilidade.


– Tudo bem - respondi abrindo a porta do carro e tirando o menino da cadeirinha – Não esquece que a festinha começa as 15 horas. Olhei no relógio e marcava 11:40.


Ele balançou a cabeça concordando e acenou pro Max enquanto fechava o vidro.

Vi o carro dele virar a esquina e Bernardo soltar:


– Graças a Deus aquele sanguessuga foi embora… E também está na minha hora Clarineta. - me deu dois beijinhos e apertou a bochecha do Max.


Saiu rebolando até seu carro enquanto eu fazia o mesmo com o Max. Eu não conseguia entender… O humor do Fábio era tão inconstante. Nem conseguia acreditar que aquele homem tinha me batido.

Segui em direção ao meu prédio. Ainda haviam muitas coisas a serem feitas até 15 horas.

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(Vanessa)


Junior me deixou na entrada do PS, apesar de querer ficar próximo, ele tinha outros compromissos com o time de futebol da faculdade.


– Obrigada Jú - eu desci um tanto apressada. – Fico te devendo essa e de outras. - sorri fraco.


– Magina pequena. Precisando é só ligar… Não esquece de me mandar noticias - ele voltou a ligar o carro e eu concordei com a cabeça.

Entrei no PS igual a um furacão e pedi a recepcionista que me dissesse aonde eu poderia encontrar minha mãe. Após uns 10 minutos esperando a resposta sai correndo em direção ao corredor Sul, onde ela disse que eu iria encontrá-la.

Parei.

A cena era de partir o coração, no meio daquele corredor, entre macas e cadeiras largadas nas cabeceiras das mesmas, estava minha mãe e dona Odete. Fui andando quase me arrastando até aonde elas estavam, minha mãe deitada na maca tomando algum tipo de medicamento na veia é Dona Odete segurando a sua mão.


– Mãe - chamei fraco já sentindo as lágrimas nos olhos. Abracei ela com cuidado e Minhas lagrimas molharam sua blusa.


– Minha menina - ela disse fraco. Dona Odete nada falou, mas quanto eu levantei eu vi ela enxugando o canto dos olhos.


– Vanessa - Dona Odete disse – O médico estava te aguardando. Podemos ir até a sala dele enquanto sua mãe descansa.


Olhei pra minha mãe e a vi com a cabeça pro outro lado, provavelmente não queria que eu a visse chorando.


– A senhora vai ficar bem mãe? - tentei


– Sim minha querida, vai com a Dona Odete.


Andei ao lado de Dona Odete, o corredor parecia não ter fim e meu coração acelerava a cada porta que passávamos. Enfim chegamos em uma que dizia:

Doutor André Sanches de Vasconcelos.
Oncologista

Arregalei os olhos e olhei pra Dona Odete que disfarçou novamente uma lágrima que corria em seu rosto rechonchudo.

Engoli seco.

Muitas coisas passaram em minha cabeça. Mas a que piscava como um luminoso de cinema, Câncer.

Eu quero desenterrar
A periculosidade do que dizem ser eterno
E desafogar o poeta
Deliberado
Que vejo no copo de vinho
Seco.
Eu quero desentender
As certezas da vida, que não são únicas
Que não são puras ou absolutas
São atordoadas, esmagadas pela
Insistência irracional do homem
Da carne, do osso
Que acredita ser soberano.
Eu quero a lírica entoada no ouvido
Dos cristãos e dos pagãos
Dos feiticeiros, dos escritores
Dos vagabundos que desistiram
Daquilo que chamam de vida. Existência.
Resistência.
Tolice.
Eu quero tanto - pelo mundo
Que não tenho forças pra ser.

Não sou. Quero. Tanto. Quieto.

S.