atoidiuos

A questão é que eu não pertenço a lugar nenhum. Não pertenço aos ricos, nem aos pobres; não pertenço as bonitos, nem aos feios; não pertenço aos legais, nem aos chatos. E quem é que gosta de meio-termos? Não existe ninguém que queira amar alguém que não se encaixa em lugar nenhum, porque para tudo, para todas as coisas, somos obrigamos a escrever ou dizer aquilo que somos. E o que eu sou? “Sou um meio-termo” escreverei na próxima vez que me solicitarem tal coisa. E além das razões óbvias, o que seria ser meio-termo? Seria sempre chegar ao ponto de ser feliz e parar na metade do caminho porque algo, como de costume, deu errado? É achar o amor, vivenciá-lo por algum curto período de tempo, e depois tê-lo arrancado de mim por algum motivo desimportante? É encontrar pessoas interessantes e talvez até mesmo importantes, que depois de alguns meses me esquecerão? Se meio-termo for realmente tudo isso, então acho que talvez eu me encaixe perfeitamente nessa definição.
—  O TEXTO MAIS INÚTIL E DISPENSÁVEL DO ANO (QUE POR UM ACASO EU NEM SEI PORQUE ESCREVI), CIBELE SENA.