ativismo

Copa do Mundo e Olimpíadas: coletiva de imprensa sexta e manifestação sábado no Rio de Janeiro

(imagem via: maloka | texto via: Raquel Rolnik)

Sábado também será dia de manifestação no Rio de Janeiro por conta do processo de preparação para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Segunda-feira publiquei aqui no blog informações sobre as mobilizações em São Paulo.

Aproveitando a ocasião do sorteio da chaves da Copa, organizações da sociedade civil e movimentos sociais - através dos Comitês Populares da Copa - estão organizando manifestações para chamar a atenção da sociedade e do poder público sobre os problemas que as cidades-sede vêm enfrentando no processo de organização destes megaeventos.

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro realizará uma coletiva de imprensa na sexta-feira (29) e uma manifestação de rua no sábado (30), com concentração às 10h, no Largo do Machado. Veja mais informações no blog do Comitê Popular do Rio.

Vamos ocupar o Parque Augusta!

Parque Augusta, São Paulo, SP. Fotos enviadas por Débora Aoni.

São Paulo é uma cidade com pouquíssimas áreas verdes. Encravada na zona central da cidade, existe uma última área verde de cerca de 24 mil metros quadrados, entre as ruas Caio Prado, Marquês de Paranaguá e a famosa Rua Augusta, que investidores, construtoras e incorporadoras pretendem transformar em mais concreto e cinza. Não fosse a luta e o ativismo de moradores, vizinhos e frequentadores da região, isso já teria acontecido.

Conheça mais sobre o Parque Augusta e as pessoas que estão tentando fazer essa área verde se tornar realidade de maneira permanente. Visite a página no Facebook de um dos grupos responsáveis por essa luta. Abaixo, a descrição que explica o que nos une em torno do Parque Augusta:

Não temos líderes. Nenhum grupo ou entidade oficialmente constuído nos representa. Grupo autogerido de maneira horizontal. O que nos une é a vontade de trabalhar e de ter prazer-lazer para construir o Parque Augusta.

Toda benfeitoria ao Parque será bem vinda, quando respeitados os princípios básicos de convivência entre a comunidade que se articula e o meio ambiente.

Não temos partido, mas todos os nossos atos são políticos. Assim como todo o nosso trabalho é uma manifestação de arte e cultura.

Se você gosta de fazer amizades, trabalhar, celebrar; se ama as árvores, a cidade, a natureza, e busca emancipar e ser emancipado, ensinar e aprender simultaneamente; seja bem vind@

Parque Augusta existe quando você existe

Qual é a validade do ativismo online?

Por Renata

O título deste texto é uma pergunta que devo fazer para entender a origem deste questionamento e por que existe a crença de que ativismos competem entre si. A validade do nosso ativismo feminista online está quase sempre aberta, de maneira um tanto invasiva, a palpites. Este site, por exemplo, é um tipo de ativismo online com pretensões de expandir tanto dentro da internet quanto fora dela, de diversas formas que conseguirmos alcançar. Mas se nossos textos, nossas ideias, nossos debates ficarem apenas na internet, o que fazemos perde seu valor? Com frequência vejo pessoas separarem o que acontece na internet e o que acontece lá fora, na “vida real”, e assim medem a extensão de nossas lutas e o efeito delas tanto para nós quanto para quem se identifica com o que fazemos. Mas o que é vida real se aqui estou, no auge da minha realidade, escrevendo um texto para publicar na internet? E o que isso tem a ver com feminismo intersecional?

Tem tudo a ver. Toda vez que falamos sobre um feminismo mais inclusivo e causas intersecionadas e nossas palavras atingem qualquer número de pessoas, significa que este ativismo faz parte da vida real. Significa que, de alguma forma, vidas foram tocadas e, quem sabe, muitas dessas pessoas podem fazer coisas grandiosas que servirão de exemplos e darão uma guinada positiva no feminismo intersecional. Mas, ainda assim, há quem diga que isso não serve para muito, que não há mudança e que ficar só na internet não salva a vida de ninguém. Não posso falar por essas pessoas, mas o feminismo no qual acredito hoje chegou até mim graças à internet e ele, de certo modo, salvou minha vida. E se com o conhecimento que esse meu privilégio me dá eu puder fazer o mesmo, serei cada vez mais grata ao ativismo online.

Dizer que não há eficácia nesse tipo de ativismo é um tanto perigoso. Essa balança funciona de uma forma assustadoramente irresponsável. Não se pode invalidar a forma como as pessoas aprendem e praticam o feminismo, ainda mais quando você está julgando por um ponto de vista (não deveria julgar por nenhum, se quisermos falar de algo realmente justo). Todas as pessoas que clicam em like ou repassam conteúdo, onde quer que estejam, podem ter suas vidas afetadas de maneiras positivas e igualmente válidas (dentro e fora da internet) por esses posts e isso é uma bola de neve linda que só vai causar mudanças legítimas.

Em muitos casos, a internet é tudo que uma pessoa tem para se expressar, para divulgar seu ativismo, para aprender e ensinar. Seja pelo computador no trabalho, numa lan house, na casa de amigxs, na faculdade. Várias dessas pessoas podem nem ter um emprego fixo (pois ainda estamos lutando pelo fim do racismo, da homofobia, da transfobia, da gordofobia e do capacitismo – e bem sabemos que tudo isso, sempre em conjunto, tira a chance de muitxs de nós conseguirem um emprego), portanto têm seus orçamentos bem planejados e contam o gasto com energia e internet como parte de suas necessidades para assim poderem fortalecer as lutas nas quais acreditam e das quais dependem para sobreviver.

Em muitos casos, a internet é tudo que uma pessoa tem para se expressar, para divulgar seu ativismo, para aprender e ensinar. Seja pelo computador no trabalho, numa lan house, na casa de amigxs, na faculdade.

A invalidação do ativismo online ocorre de inúmeros modos e muitos deles mal percebemos. Um que me incomoda bastante é chamar certas situações de “polêmica da semana”. Geralmente usa-se essa tática para menosprezar reivindicações de grupos marginalizados, para classificar como exagerada qualquer reação a discriminações sofridas.

É muita má-fé tratar debates válidos na internet como sendo “polêmicas da semana”. Casos de racismo ou transfobia, por exemplo, existem só na internet? Todxs sabemos que não. Então por que o ativismo contra essas discriminações é tratado como algo específico de uma semana e da internet? O que motiva essa deslegitimação: ignorância ou o fato de simplesmente não se importarem? Essas discussões não são feitas por robôs nem nascem de códigos. Elas são feitas por pessoas que querem alertar sobre o que realmente passam, que querem fazer valer sua voz mesmo que quem desconhece essa realidade confunda raiva e revolta com agressividade.

É algo que me indigna de verdade. Será que um dia vamos ver tantas pessoas pararem de invalidar o ativismo e a expressão dxs outrxs? Ou ao menos entender por que fazem isso. Elxs passam pelas mesmas coisas onde quer que seja. Repito: não é exclusivo da internet. Aqui elas só encontram mais uma forma de poder lutar por seus direitos. E funciona. Estamos em 2013, já deveríamos ter amadurecido essa mentalidade de que a internet é um mundo à parte. Ela é um meio de comunicação, uma ferramenta tão poderosa quanto quaisquer outras que usamos em nossas lutas. Precisamos parar de subestimá-la para usar como desculpa dessa deslegitimação sem sentido. A internet é o único lugar seguro para muitas dessas pessoas que lutam para suas vidas não serem invalidadas onde quer que estejam. Todas essas pessoas e todxs nós merecemos um pouco mais de consideração e respeito.

A validade do ativismo online, para mim como feminista intersecional, é a mesma de todos os outros. Eu não deixo de me importar, reconhecer e lutar por outras realidades porque concentro a maior parte do meu ativismo aqui.

E para vocês?

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