as capas mais bonitas dos livros

já se passaram trezentos e trinta dias. muitas coisas mudaram, não posso negar, porém parece que sua partida foi noite passada. sei que é quase um ano. sei também que lidar com tua ausência devia ter se tornado algo mais fácil, afinal, o tempo serve para isso não é? ao menos, devia servir, mas nem ele consegue curar as feridas causadas pelo teu adeus. gostaria que essas palavras fossem mais leves, todavia, o peso desse vazio sobrecarregou meu corpo e eu preciso desabar nem que seja em cima das cartas que te escrevi. foram tantas… hoje espalhei todas pela sala, deitei-me em cima dos papéis e adivinhe, nenhum vai amortecer a minha queda. eu me joguei no abismo que é te amar e, baby, eu não paro de cair!

juro que queria que a minha dor fosse uma arte bonita de se admirar, mas olhe para mim, tornei-me uma viciada, fumo e bebo continuamente numa tentativa falha de matar qualquer resquício teu que pode existir em mim e, baby, não há morte mais dolorosa do que essa de morrer dia após dia… definhando pouco a pouco. ouso comparar o meu estado com o daquela rosa vermelha que tu me deste num domingo ensolarado, a mesma que você guardou na página dois do meu livro favorito. ela perdeu a cor viva. não possui odor algum. o caule que antes era frágil, hoje é uma capa dura e escura com espinhos maiores e ameaçadores. observo essa rosa todos os dias quando acordo, esses espinhos mostram que quando a lembrança é muito boa, pode machucar bastante. eu me machuco, nesse vai e volta de pensamentos, recordo o quanto fomos felizes. o choro vem e traz consigo a dor, dessas que nenhum analgésico alivia.  eu me joguei no abismo que é te amar e, baby, eu caí por cima dos espinhos da rosa que tu guardaste no meu livro. desde a tua partida, não foi só a rosa vermelha que perdeu a cor… creio que minha vida também.

baby, não sinta culpa. eu caí em um solo ruim, porém se aparecesse novamente o abismo que é te amar, me jogaria mais uma vez!

- Francisca.

TAG: 10 Perguntas Literárias

1- “Qual a capa mais bonita da sua estante?“ 

Dentre várias que eu poderia escolher, optei pela minha edição maravilhosa da editora darkside dos contos de terror do Edgar Alan Poe, com versão capa dura que eu tenho um profundo crush.

2- "Se pudesse trazer um personagem a realidade, qual seria?

Pergunta dificílima, mas depois de dar uma boa passada pela minha estante, minha personagem seria Liesel de “A menina que roubava livros”. Talvez por sempre associar a história do livro com uma história real e também por ser muito empática à Liesel, se pudesse trazer um personagem a realidade, seria ela.

3- “Se pudesse entrevistar um autor(a), qual seria?”                                    Provavelmente seria o Olavo de Carvalho, por questões políticas. Não sou muito daqueles que o idolatram como um “Deus da direita”, mas o considero uma pessoa com extremos conhecimentos e que renderia muito conteúdo para uma entrevista (àqueles que se interessam por política).

4- “Um livro que não lerás de novo? Por quê?”  

Essa eu respondo de bate e pronto, “Como dizer adeus em robô”. Por motivos de achar a história extremamente sem conteúdo, narrando a vida de uma adolescente fria (eu sinto uma certa raiva quando o personagem apresenta essa caraterísticas, porque eu acho que ele tem que te cativar, e um personagem frio, faz apenas com que eu me sinta distante daquilo que eu estou lendo), com uma vida aparentemente normal, tendo problemas normais de adolescentes, são poucos os ápices que acontecem do livro, e posso dizer que eles não são extremamente emocionantes. A história é baseada em nada, e termina no nada, eu quase nem reparei que o livro tinha chegado ao fim. Pra mim, ele foi um dos piores livros que eu li recentemente, e não voltaria a ler.

5- “Uma história confusa?”  

“A rainha vermelha”, eu sinceramente me dei uma perdida nesse livro. A história caminhou para um rumo, que eu me questionei várias vezes se estava lendo o mesmo livro ou se tinha trocado por acidente.

6- “Um casal?”   

Percy e Anabeth da saga Percy Jackson.  

7- “Dois vilões? (pode ser tanto dois vilões que goste, como dois vilões que não goste)”                                                                                                  “Luke Castellan” e “Clarisse La Rue”, ambos também da saga Percy Jackson. Clarisse não é necessariamente uma vilã, mas eu poderia considerá-la por várias atitudes da personagem durante o livro. Já Luke, é tido com um dos “vilões” da saga, mais como um rebelde, do que como um vilão, por ter essa característica, meio vilão meio rebelde, o escolhi.

8- “Um personagem que matarias (ou tiravas do livro)”                                 “Beatrice” de “Como dizer adeus em robô”, não apenas pelo livro ser ruim, mas por ter uma personalidade odiosa, fria, trata a mãe como se fosse lixo, típica adolescente birrenta que eu possuo completa aversão.

 9- “Se pudesse viver num livro, qual seria?” 

Percy Jackson com toda certeza. (Filha de Atena ♡)

10- “Qual o teu maior livro e o menor? (Em termos de páginas)”              Menor: “O pequeno príncipe”                                                                               Maior: “A menina que roubava livros" 

sobre poeiras e vinhos baratos

não encoste na minha estante

não limpe nenhuma poeira dos meus livros, elas permanecem aí por mais tempo do que muitas pessoas que prometeram ficar, essas poeiras não me dão alergias, elas tem histórias pra contar, elas escutavam os soluços baixinhos no escuro e os gritos insanos perdidos pela sala. toda essa poeira possui vida, possui sentimentos. não é loucura. talvez eu seja um pouco louco e infeliz. não me julgue. não fale meu nome pelas costas. não seja mais um filho da puta nessa cidade imbecil. eu não tolero esse tipo de gente. eu prefiro ver toda essa poeira com a palavra solidão estampada nas capas dos livros. eu até me importo com o vizinho.

me contento com os poucos goles de vinho durante o dia, é o suficiente para deixar meus lábios doces e ter uma visão melhor da vida, não preciso de garrafas de vinhos absurdas e bonitas para satisfazer minha vontade de beber feito um louco, só preciso ver a cor forte e o sabor melancólico. os guardanapos estão sujos, as marcas redondas, as blusas brancas ganharam uma nova cor. os pensamentos chatos ganharam vidas. o meu prazer e descoberta, só aumenta. 

a minha fome já se foi e a minha paz ainda nem chegou…

Eduardo Alves.