araqus

Você é aquele tipo de pessoa inconfiável, seus movimentos são joguinhos manipuladores, seus discursos nem se fala. Já faz tempo que parei de guiar minha vida com suas frases de parachoque de caminhão. Fui embora. Agora de uma vez. Sem volta e sem conversa. Não estou dizendo isso porque no fundo te quero ralando joelho pelas ruas atrás de mim. Não dessa vez. Não vem com bombons, não vem com desculpas, não vem com canções. Não vem. Dá uma olhada em tudo que você fez e me diz. Viu? A novidade é que o dia que eu sempre prometi que viria, e que você nunca esperou chegar de verdade, veio. Eu cansei. Não sou mais eu. Contou os anos? Quanto tempo esperei por você? Você crescer, você mudar, você mostrar algum remorso. Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você. Só quem enfrenta longas esperas sabe como é o inferno por dentro. Eu sempre falei, um dia alguém tinha de te dizer não. Eu queria que não fosse eu, porque aí eu poderia ficar numa boa e assistir você sofrer, nem que seja calado num canto, mas sofrendo, mostrando algum arrependimento ou qualquer traço humano. Quem sabe eu até enfiaria os dedos ainda com anéis no meio dos seus cabelos e diria que tudo ficaria bem. Agora é tarde, meu anel já se foi, nem os dedos ficaram. Só que você sempre dá um jeito de se safar. Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até amanhã” nem “até breve” e nem “até mais”. É um “até você mudar” ou “até você não ser mais quem você é”. Até nunca, então.
—  Gabito Nunes.
Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até
amanhã”’ nem “até breve” e nem
“até mais”. É um “até você mudar”
ou “até você não ser mais quem
você é”. Até nunca, então.
—  Gabito Nunes.
Doce Veneno

Alguns me intitulam de veneno, outras de doçura, eles tinham o que cativavam de mim. Pobre Beatriz que serve de garçonete desde os 17, virou Mascote do bar, embriaga a imaginação dos homens, todas as noites. Ela servia-me e eu sabia o que veria, olhar de desaprovação. Beatriz tinha agora 22 continua de garçonete. Tenho alguns anos de experiência, sou a procurada que ingere e mastiga o veneno da alma. Sou especialista em tragar corações, danço esse tango aos corações quebrados, me alimento do amor, sugo a paixão sou veneno desaforado que não encontra pouso, não faço parte dos produtos eu sou a freguesia, aviso-te que sou veneno moço, mas sei ser doçura, vai passando os produtos que coração irei estilhaçar? Sou a sedutora de araque, que um dia tragaram seu coração, e como tenho alma condenável e egoísta fiz plágio da desilusão.

Dama do Bar. 1

Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até amanhã”’ nem “até breve” e nem “até mais”. É um “até você mudar” ou “até você não ser mais quem você é”. Até nunca, então.
—  Gabito Nunes
Imagina que insano:
eu e você ao som de Caetano
vivendo um amor à la Los Hermanos.
Transando en la playa em pleno verano
Calejando os pés de tanto bailar tango
Nos embebedando com vinho argentino
Nos afogando nesse amor libertino
desvairado e caótico como um bom Latino.
—  Versografia de Araque.
Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até amanhã”’ nem “até breve” e nem “até mais”. É um “até você mudar” ou “até você não ser mais quem você é”. Até nunca, então.
—  Gabito Nunes.
Capitulo 136

– Tudo bem, não quero que a digníssima representante do Ministério Público perca o decoro no exercício de sua função. Liguei só para avisar que estou te esperando hoje no nosso apartamento.

– Nosso?

– Porra Clarinha… Aquele apartamento depois que foi habitado por você nunca mais foi só meu. Você está em todo lugar daquele lugar que tem grande parte de nossa história, você está em tudo dali: no cheiro, no jeito de dispor os móveis, até a forma como você fazia as duas dobras nos lençóis da cama exigi que a faxineira copiasse. Acho que está mais do que na hora de você fazer a reintegração de posse.

Mordendo os lábios exprimindo a satisfação em ouvir tal declaração. Entretanto aquele sorriso rapidamente se desfez quando a loirinha recobrou o que julgava ser sensatez, o que na verdade era sua culpa por trair Eduarda que falou mais alto e ainda o medo de se envolver mais uma vez com Vanessa.

– Vanessa eu não posso ir. A Eduarda vai viajar e…

– Clara eu não quero ouvir o nome dessa mulher, nem muito menos saber nada da relação de vocês.

– Mas Vanessa…

– Não Clara! Isso é entre mim e você! O que nós temos não está só no passado, você sabe disso! O destino está nos dando uma chance de consertarmos um equivoco do passado e não vou desperdiçar essa chance.

– Vanessa as coisas não são tão simples assim. Existem mais pessoas envolvidas em nossa vida hoje.

– Não vou ter essa conversa assim pelo telefone. Eu vou te esperar hoje a noite, no nosso apartamento, para definirmos nossa situação. Mais uma vez Clara eu vou te esperar, e se você não aparecer de novo eu vou entender que outra vez você me diz não, não a um recomeço, não a esse amor que está tão vivo como há sete anos.

– Você e seus ultimatos Vanessa Mesquita…


Clara retrucou.

– Já perdemos muito tempo Clara, não sou mais uma menina, nem você. Sei o que quero, e o que quero é pra hoje, não se constrói um futuro sem a certeza do presente, preciso da sua certeza.

Vanessa desligou o telefone convicta de que estava fazendo a coisa certa pressionando Clara. Não queria prorrogar aquela agonia que sentia enganando Angelique e enciumada por saber que Clara estava com Eduarda.

Clara por sua vez, sentindo a pressão do ultimato da fotógrafa, não conseguiu se concentrar nos seus afazeres, percebendo a distração da amiga, Mayra sondou:

– A Vanessa te ligou?

– Sim, ela me ligou e…

A promotora apertou os olhos e inquiriu:

– Foi você então? Foi você que deu meu telefone a ela e disse onde eu estava com a Duda?! O que você tem na cabeça Mayra?

– Ai Clarinha me desculpe, mas eu intui que esse era o certo. Desde que você passou a noite naquela chácara você está aí distraída, em outra dimensão, outra hora está nervosa, não quis falar nada sobre seu encontro com Vanessa… Eu te conheço minha amiga… Algo mexeu muito com você, quando a Vanessa me ligou, achei que estava fazendo um bem a você.

– Ah não acredito Mayra! Acho bom você ajustar esse canal aí sua intuitiva de araque! Como ia me fazer um bem dizendo a minha ex-namorada onde eu estava com a minha atual? Você sabe o que a Vanessa provoca em mim!

– Clara… Por que você está tão nervosa? Aconteceu algo no almoço?

– Aconteceu que a Vanessa foi lá! Aconteceu que ela está fazendo comigo o que sempre fez: enlouquecer-me! Porra isso que ela faz comigo, me tira do rumo, me tira a paz, o fôlego…

– E te faz feliz também não é?

A interrogação de Mayra era praticamente uma afirmativa a qual Clara não teve coragem de negar. A promotora jogou a cabeça no encosto da poltrona e deixou as lágrimas verterem, revelando a angústia que lhe consumia.

– Clara, o que aconteceu naquela noite quando vocês se encontraram?

– Aquilo não foi um encontro May, foi uma colisão. Foi uma rasteira na minha autossuficiência, um desarme das minhas defesas que construí contra essa paixão por sete anos!

May segurou a mão da amiga encorajando-a a continuar o desabafo. Escutando com algum constrangimento o relato, May questionou ao final:

– O que você está esperando pra voltar pra ela Clarinha?

– Oi?

– Clarinha de que mais provas você precisa pra ter certeza que é a Vanessa a mulher que você ama? Não sei direito como isso funciona entre mulheres, mas eu não consigo outra palavra para definir o que você sente por ela.

– Mag você está esquecendo alguns detalhes importantes nessa visão romântica sabia? Esquece-se de quem a Vanessa é filha? Esquece-se do que nos separou e a minha condição atual de “inimiga pública” do pai dela? Não posso me envolver com a filha de um acusado! Além do fato de eu estar comprometida com a Eduarda!

– O que te compromete com a Eduarda é mais forte do que você sente pela Vanessa?

– Mayra! Eu respeito a Eduarda, ela é doce, companheira, linda, confiável, livre! Tem tudo para fazer uma mulher feliz. Acha que isso não me faz gostar dela e me sentir comprometida com ela?


– Isso é suficiente para você? E o resto?

– Que resto Mayra?

– Tudo que você tem no amor pela Vanessa. Aquele brilho no olhar, aquela felicidade que a gente sentia só de estar perto de você. A docilidade que era tão peculiar em você, seu humor que contagiava todos à sua volta. E tudo mais que você descreveu agora pouco: a paixão, a espontaneidade, a disposição de mudar o mundo, a entrega… Você quer viver sem isso?


– Mayra você é uma filha da mãe!


Mayra não escondeu a satisfação em ter deixado a promotora sem argumentação.


– Eu sou testemunha do que vocês tinham Clarinha assim como vi de perto seu estado quando vocês terminaram, e sua decisão de partir com ela, jogando tudo pro alto. Eu via nos olhos da Vanessa o encanto que ela tinha por você desde que ela te fotografava escondida nos treinos de vôlei, o mesmo encanto que vi quando ela me perguntou um ano atrás sobre você. A Eduarda pode ter tudo pra fazer qualquer mulher feliz, mas não você. A felicidade da gente está, onde está o nosso coração, e o seu sempre esteve com a Vanessa.

As palavras de Mayra eram o eco do que a alma de Clara gritava. Por mais que tentasse fugir dessa verdade refugiando-se nos seus conceitos de lealdade, segurança e, sobretudo de bom senso, a loira conhecia suas limitações em lutar contra o sentimento avassalador, único e vital que nutria por Vanessa.

Sabe o que seria bom pra nós dois?
Um abraço
desses capazes de estreitar laço.
Que nem um derradeiro e imbecil amasso
fecundaria tão lindo fruto no breve espaço
do encontro de dois peitos de equilíbrio devasso,
da trombada de duas almas em pleno estardalhaço,
da fusão de duas histórias de tempo tão escasso,
de um amor tão fiel como o infinito é do espaço.
—  Versografia de Araque em “Tomografia torácica”